sábado, novembro 29, 2008

Machado de Assis

Dois excelentes episódios sobre o grande poeta, romancista, dramaturgo, contista, jornalista e teatrólogo, considerado um dos maiores escritores do Brasil, exibidos no programa GNews Documento (da GloboNews) e disponibilizados na internet.

O cronista e seu tempo (14/09/2008)
O início da vida intelectual e literária do Rio de Janeiro do século XIX, por Machado de Assis. Um retrato da época pelo olhar oblíquo das crônicas, romances e contos do autor.

O romancista e sua escrita (21/09/2008)
Sem sair do Rio de Janeiro, era o escritor mais internacional do Brasil no século 19. Vamos percorrer os caminhos literários de Machado de Assis, e saborear o fino estilo do bruxo das palavras.

Biografia de Machado de Assis - Fonte: ABL

quarta-feira, novembro 26, 2008

Doações aos desalojados em Santa Catarina

A Defesa Civil de Santa Catarina abriu as contas abaixo para receber doações.

Banco do Brasil – Agência 3582-3 -Conta Corrente 80.000-7
Besc – Agência 068-0 - Conta Corrente 80.000-0
BRADESCO S/A - 237 Agência 0348-4 - Conta Corrente 160.000-1

Em nome da pessoa jurídica Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57. O órgão informa que todo dinheiro arrecado será utilizado para compra de mantimentos para os desalojados.

Peço que confirmem as informações no site da instituição:

terça-feira, novembro 25, 2008

Membro da mais alta corte


Eis o retrato de uma triste herança de Fernando Henrique e que está sendo muito bem aproveitada pela corja corrupta que atualmente ocupa os mais altos postos do poder público.

O jurista Dalmo Dallari avisou já em 2002. Previu o que estamos vendo.

"Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional."

Leiam transcrição de artigo publicado na Folha de São Paulo em 8 de Maio de 2002. Parece que não adiantou muito. Gilmar Mendes conseguiu o posto e hoje preside a mais alta corte.

Recentemente li outro artigo, este de Leando Fortes, originalmente publicado na revista CartaCapital em de 19 de novembro de 2008, e reproduzido no Blog do Mimo, onde temos um histórico mais amplo dessa personalidade. Nos rincões dos Mendes - Em sua terra natal, o presidente do STF e a família agem como coronéis.

domingo, novembro 23, 2008

Consciência nossa de cada dia

Será que a cada semana da consciência negra será a mesma ladainha reducionista? A mesma exteriorização do pensamento estreito? Refletindo sobre tudo isso, escrevo esta postagem.

Dia 20 de novembro não escrevi sobre o tema (mas indiquei um livro do Ipea). Pensei em escrever, mas depois desisti. Era chover no molhado. Li poucas reportagens, algumas não totalmente, pelo mesmo motivo. Resolvi exercer meu direito à não-leitura (leiam post anterior).

Observei, ouvi, assisti, senti, refleti. Chego à conclusão que o dia, para muitas pessoas, vale nada mais que um feriado e que, para a maioria, é algo confuso, constrangedor, estranho. Para alguns é até ridículo.

Vejam a confusão que se cria na sociedade quando alguns deputados se juntam para... criar confusão. Só pode ser essa a intenção dos que aprovaram um projeto, considerado por muitos como mal redigido (e confuso); e às pressas para que ficasse simbólico tê-lo aprovado no Dia da Consciência Negra. O projeto de lei inicial é o nº 73 de 1999 (colo abaixo), de autoria da deputada Nice Lobão (DEM/MA – biografia oficial). O tal projeto foi encaminhado ao Senado na forma de um substitutivo (?) de 2004 do deputado Carlos Abicalil (PT-MS – biografia oficial). Parece que esses deputados fazem isso de propósito!




Reafirmo aqui que sou a favor de políticas sérias de ação afirmativa. Mas o que transpareceu foi a aprovação de algo feito nas coxas e sem discussão séria. O mal está feito. O que era para ser algo benéfico para a sociedade (embora muitos achem que ação afirmativa é um mal a ser evitado) nos chega como um prato cheio para as críticas e dando subsídio para grupos contrários (mesmo que veladamente) ao binômio integração-inclusão.

E, como a discussão é reducionista e o pensamento estreito, cai-se no lugar comum da racialização da sociedade. “Estão tentando (re)criar o racismo”, dizem alguns. Seria cômico se esse tipo de pensamento não fosse externado com sinceridade por muitos. Os que assim pensam ignoram (ou não) que a sociedade já está racializada. A desigualdade racial é um fato e não algo que se deseja construir. Pelo contrário, a desconstrução desse quadro é o que se almeja. Mas, quando o status quo que beneficia um grupo está ameaçado, é normal esse grupo se manifestar.

Existem ainda os que bradam o uníssono “é preciso investir na educação de base”. Ora, isso é óbvio! E, nesse momento, é uma obrigação que não deveria ser posta lado a lado com a ação afirmativa. Como se fossem concorrentes, uma coisa ou outra. É ladainha das piores. Alguns dos que mantém esse discurso provavelmente tiveram uma postura passiva ante a deterioração da educação de base há algumas décadas, quando simplesmente migraram [os seus] para a educação paga.

Mas um dos lados tristes desta história é que acaba fazendo surgir certo constrangimento daqueles que são, em parte, foco das ações afirmativas. Digo “em parte”, pois a ação afirmativa, embora seja explorada pela mídia (e considerada por muitos) como sendo “para os negros” não é exclusivamente voltada para afro-descendentes. Mais uma redução perniciosa de uma discussão que deveria ser séria. Esse é um dos sintomas de que algo está errado. Deveria haver reflexão objetiva, contentamento e/ou esperança de que algo mude para melhor. Mas não, o que tenho notado são cabeças baixas e risos nervosos, e evasivas, e negativas à simples menção do “assunto”. Triste!

Ah, não posso deixar de discorrer sobre a falta de entendimento. O significado do 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, está sendo deturpado. Já tinha notado isso, mas ficou mais nítida essa deturpação quando recebi uma ligação de minha mãe que, mesmo que num tom brincalhão, me parabenizou pela data (preciso conversar com ela). E essa minha percepção se reafirmou hoje enquanto lia o quadro “Frases da Semana”, do jornal O Globo. Uma das frases é da fundadora do GRES Império Serrano, Tia Maria, de 88 anos: “Esse negócio de dia no negro é besteira. Prova de que o racismo continua. Por acaso, existe dia do branco?”.

Minha demagogia [e hipocrisia] não é tanta para que concorde com todas as opiniões com base na idade ou realização de pessoas. Respeito, sim. Compreendo, até porque a frase vai ao encontro do que exponho. Mas não concordo. Será que a instituição do Dia do Índio também teve a mesma, digamos, resistência?

Com relação à distorção do significado, imaginem (hora de minhas analogias) que um grupo de físicos nucleares se junta e cria algo extremamente benéfico para a população. Concretizada a invenção, eles expõem à sociedade de forma que todos comemoram. Vocês acham que todos os que comemoram têm total entendimento da “criação”? Creio que não. Seriam, então, burros? Não, de maneira alguma. Não entendem porque a linguagem usada para transmitir e explicar a “criação” foi a mesma que os tais físicos nucleares usaram entre si.

É o que me parece ter sido a causa dessa distorção. Algumas pessoas (políticos, acadêmicos, intelectuais, alguns ativistas do movimento negro, etc) se juntaram, conversaram, discutiram, analisaram sob alguns aspectos uma determinada questão e, voilà, temos o 20 de Novembro. No meu entendimento, data de grande importância.

Mas o reflexo de ter sido passado algo sem entendimento, embora, como já disse, de grande importância (não apenas para mim), para uma sociedade já castigada intelectualmente por um projeto de dominação pela ignorância, é justamente esse: começam a considerar o dia 20 de Novembro como “Dia do Negro”.

O 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, é uma data simbólica, definida em (co)memoração a morte de Zumbi dos Palmares. É “Negra” por ter como foco principal a trajetória histórica do negro (preto e pardo) na sociedade brasileira do passado (escravidão, resistência, libertação – e seus efeitos até os dias de hoje) e atualmente (preconceito, racismo, desigualdade, exclusão – e seus efeitos até sabe-se lá quando), assim como toda a contribuição do negro para a sociedade em diversos aspectos, tais como cultura, religião, culinária, etc. E a “Consciência”, o conhecimento, a noção, a percepção de todos esses aspectos, não é (pelo menos não deveria ser; caso contrário, de pouco ou nada vale) exclusiva dos que têm ascendência ou descendência afro-brasileira, e sim para todos, mulheres e homens, crianças, jovens e velhos, independentemente da cor de sua pela, da cor da pele de seus antepassados ou da de seus descendentes.

Essa “consciência” significa uma relação da alma consigo mesma, uma relação intrínseca ao homem, “interior” ou “espiritual”, pela qual ele pode conhecer-se de modo imediato e privilegiado e por isso julgar-se de forma segura e infalível. Aqui no sentido filosófico (ABBAGNANO, 2000) que, num quadro de interioridade, possibilita indagações a respeito de sua realidade. Ou mesmo no dicionário, que a define como: 1) Atributo pelo qual o homem pode conhecer e julgar sua própria realidade; 2) Faculdade de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados.

Esse tipo de consciência deve ser permanente. Não apenas nas considerações raciais (sentido sociológico) ou sociais. Deve estar presente na consideração das relações humanas.

quinta-feira, novembro 20, 2008

A não-leitura

Jose Ribamar Bessa Freire. Este é seu nome. Na universidade era simplemente Bessa. Com certeza foram as melhores aulas durante a graduação. Aulas no sentido amplo da palavra. Tive esse privilégio. Nos links aí ao lado eu indico seu site, o Taqui Pra Ti. Uma de suas mais recentes crônicas versa sobre a leitura, ou a não-leitura. Me identifiquei e indico.

(...) O filósofo alemão Schopenhauer escreveu no século XIX que livro ruim é veneno intelectual, que estraga o espírito. Livros ruins, escritos apenas com o objetivo de gerar dinheiro, além de inúteis, são prejudiciais, porque para ler um livro bom, a condição é não ler o ruim, já que a vida é curta, e o tempo e a energia são escassos. Quem vive para ler, perde a capacidade de pensar por conta própria, como quem sempre anda a cavalo acaba esquecendo como se anda a pé. "Leram até ficar estúpidos" – diz o filósofo, para quem a leitura, sem a não-leitura, paralisa o espírito, da mesma forma que o excesso de alimento ou o alimento inadequado prejudica o corpo. O importante não é comer, mas digerir, não é ler, mas ruminar(...)

Leiam a crônica na íntegra.
As políticas públicas...

... e a desigualdade racial no Brasil 120 anos após a abolição. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) lançou hoje um livro onde apresenta estudos sobres diversos aspectos da questão racial no Brasil.

Cap 1. Inicia com um enfoque histórico que analisa a formação do mercado de trabalho brasileiro à luz do passado escravista e da transição para o trabalho livre.
Cap 2. Sobre a discriminação racial e a ideologia do branqueamento que ganham força, sobretudo a partir da abolição.
Cap 3. Trata do tema racial tendo em vista as diferentes abordagens do estudo da questão da mobilidade social, proporcionando um rico quadro da trajetória dos estudos sobre o assunto.
Cap 4 e 5. Tratam dos dados mais recentes sobre as desigualdades raciais, extraídos da Pnad: um sobre os aspectos demográficos outro sobre os diferencias de renda.
Cap 6. Analisa as políticas públicas de combate à desigualdade racial no Brasil seus limites e abrangência.
Cap 7. São apresentadas algumas conclusões com base no que foi discutido nos capítulos anteriores.


O livro encontra-se disponível para download. Clique aqui.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Qual é a tua obra?

A ética é quase que uma obrigação do ser humano no seu relacionamento com a sociedade. Ouçam essa entrevista de Mário Sérgio Cortella para a CBN. Foi concedida em 26 de abril de 2008 para o Programa Mundo Corporativo e, embora tenha o foco nos negócios, como sempre Cortella dá uma aula sobre muito mais.

Qual É a Tua Obra ? - Inquietações Propositivas Sobre Ética , Liderança e Gestão é o título que o professor e filósofo lançou em 2007 pela Editora Vozes.

Ética, Negócios, Trabalho, Filosofia, Vida. "só é um bom ensinante quem também for um bom aprendente".



domingo, novembro 16, 2008

O Brasil na África e a África no Brasil

A história da escravidão é algo definitivamente complexo. Dentro do fenômeno escravidão que assolou o país durante praticamente três séculos e deixou suas marcas, existem várias histórias. A triste matéria é rica demais e durante décadas teve sua versão minimizada, não por falta de conhecimento dos fatos, estes estavam lá.

Mas a historiografia de hoje não é a mesma de ontem. Novas abordagens, novos olhares sobre velhos documentos, a crítica às fontes, nos permitiram conhecer detalhes de algo antes posto como linear, regular, uniforme.

Autores como Pierre Verger, João José Reis, Alberto da Costa e Silva, Robert Slenes, Keila Grinberg, Manolo Florentino, Flávio dos Santos Gomes e tantos outros, nos dão um panorama do intricado período.

Num ano de tantas efemérides e na semana em que se comemora [trazer à memória, lembrar, recordar] a morte de Zumbi dos Palmares (cuja história sua e do Quilombo que comandou também passa por revisão com base em novos estudos) e dia da Consciência Negra (20 de Novembro), temas como escravidão, racismo, preconceito, desigualdade, ensino da História e Cultura Afro-Brasileira (Lei 10.639), ações afirmativas, religião serão debatidos, criticados, expostos.

Um desses temas, que particularmente me atrai, é a relação atual entre os países do continente africano e o Brasil. Relação essa que tem um capítulo especial que começa com os anos finais da escravidão, com as trocas intensificadas (de escravos, inclusive) e o retorno de africanos e/ou descendentes (que aqui nasceram) para a África. A GloboNews apresentou em março e abril deste ano um especial – Os Retornados – que aborda essa temática.

Mas uma vez a Internet se apresenta como veículo de democratização da informação, tendo em vista que, assim como eu, muitos não possuem televisão por assinatura e/ou tempo para assistir certos programas. Com isso, sempre conto/contamos que disponibilizem os vídeos na rede. Assistam abaixo. Dois programas de pouco mais de 20 minutos cada.

Nos 120 anos do fim da escravidão, a Globo News apresenta uma série exclusiva sobre os retornados brasileiros. São milhares de ex-escravos que voltaram para a África ocidental em busca de oportunidades e lá, em países como o Benim, tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da região… É o Brasil na África.

Grande família brasileira na África


Marca brasileira

sábado, novembro 15, 2008


A crise mundial
World crisis


Neste sábado, líderes das nações economicamente mais poderosas do mundo, além daquelas ditas economias emergentes, participam de uma reunião para discutir a crise econômica que atinge vários países.

This saturday, leaders of world most economically powerful nations, and these emerging economies, participate in a meeting to discuss the economic crisis afflicting many countries.

Crise que começa no setor financeiro, diminuindo o lucro dos ricos e preocupando governos. Os EUA já engedraram um pacotão para ajudar os coitados. Aqui no Brasil, o Luiz da Silva faz o mesmo. Fico pensando: será que ele se imaginava fazendo o jogo que tanto criticou?

Crisis that began in the financial market, reducing the profits of the rich and while governments. The U.S. has launched an economic package to help the "Poor". Here in Brazil, Luiz da Silva did the same. I wonder if he imagined doing something he always criticized.

O fato é que parece ter havido uma união mundial em prol de uma causa humanitária. Humanitária porque, quer queiramos, quer não, da maneira como as coisas estão estruturadas, se o rico deixa de obter muito lucro, o pobre deixa de ganhar o básico para sua subsistência. Se a bolsa "cai" um ponto percentual, alguém deixa de ganhar um milhão, e muitos deixam ganhar o pão. A lógica é absurda, desumana, cruel.

The fact is that there seemed to be a global union for a humanitarian cause. Humanitarian because, like it or not, the way things are structured, if the rich no longer get much profit, the poor cease to win the basic for living. If the stock market goes one point down, someone stops earning a million, and many people starve. The logic is absurd, inhuman, cruel.

Esse é o preço de se pautar desenvolvimento basicamente em fatores econômicos. A verdadeira crise mundial não começa nos índices da bolsas de valores. Ela começa justamente quando os valores se perdem, ou são deturpados.

This is the price of understanding development just as an economic goal. The real world crisis does not begin in the stock exchanges indexes. It begins precisely where the values are lost, or are misrepresented.

Esse tipo de união, esse clamor da elite, não vemos em questões que envolvem os mais pobres. A bolsa de valores humanos parece ter quebrado e poucos se importam. Os grandes conglomerados de miseráveis e famintos ficam ser socorro. Os executivos-executores de nações mais pobres não sofreram sanções de fato, continuam executando seus povos. Não houve pacotes de ajuda para os seres humanos que tiveram suas vidas falidas.

This sort of union, this demand of the elite, we don't see on issues involving the real poor. The human stock market seems to have broken and few seems to be concerned. Large conglomerates of miserable and hungry had no help. The executive-killers of some poorest nations did not suffer real sanctions, still running their peoples. There was no package of help for humans beings who have had their lives failed.

Nesse ponto a fraternidade não tem vez, ou é relativizada uma vez que se aplica ou entende-se num pequeno grupo: aqueles que deixaram de ganhar seus milhões, seus bilhões. Um exemplo contundente da desigualdade.

At this point the fraternity have no place or is only applied to a small group: those who failed to keep earning millions, their billions. That is called inequality.

Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.
Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em
espírito de fraternidade.

Article 1
All human beings are born free and equal in dignity and rights.
They are endowed with reason and conscience and should act
towards one another in a spirit of brotherhood.

quinta-feira, novembro 13, 2008

quarta-feira, novembro 12, 2008


Histórico, sim. E para todos!


Minha postagem sobre a vitória de Barack Hussein Obama nas eleições presidenciais estadunidenses foi, reconheço, sem aprofundamento. Fiquei, sim, contente pelo simbolismo que o fato representa. Ciente de que, por outro lado, mudanças drásticas e esperadas na política que a todos afeta podem demorar.

Mas o que tenho eu com o que ocorre nos EUA? Por que não cuido da minha vida, busco e comemoro minhas (do país em que nasci e vivo) vitórias?

Essas indagações foram geradas após ver um comentário recebido para a postagem citada, quando afirmo ser histórico o desfecho eleitoral estadunidense. O leitor diz “Histórico pra eles, vamos deixar de comemorar as vitorias dos outros e buscar as nossas...”. Agradeço, como sempre, os comentários e a oportunidade para expor o que penso, o que sinto, enfim, para trocar uma idéia sobre tudo.

Nascido e criado em Mesquita (Baixada Fluminense, RJ) há alguns anos, trabalhando e vivendo boa parte do dia na cidade do Rio de Janeiro, percebi o quanto ambas as localidades se afetavam. Tão próximas: da Praça Mauá, chega-se em Mesquita, sem trânsito e de van, em trinta minutos. E tão distantes: a realidade estrutural, econômica, cultural, social é absurdamente diferente. E mesmo assim, o que ocorre num local tem reflexo, por vezes imediato, noutro.

Lendo, estudando, abrindo os olhos e quebrando a barreira do pensamento estreito, percebi depois que essa relação de causa e efeito não se restringia apenas aos locais onde vivia minha vida profissional e familiar.

Essa sensibilização, adquirida ao longo de anos, me permitiu sair de um casulo social e, humildemente aprender que não estou só, que meus atos afetam as pessoas, que os atos das pessoas me afetam. Independente de onde eu esteja e independente de onde as pessoas estejam. Pode parecer pieguice… que seja.

Esse “eu” e essas “pessoas” podem ser países, povos, etnias, camadas sociais, vizinhos de um prédio ou de um continente.

Digamos que um cientista de uma tradicional universidade estadunidense anunciasse a descoberta de uma cura para a AIDS, ou para a Malária, ou para o Câncer. Eu, com toda a certeza, celebraria essa vitória que não afeta apenas uma tradicional universidade estadunidense e seus cientistas. Da mesma forma, ficaria triste e indignado ao saber que por ganância um desses cientistas ou laboratórios não democratizasse tal conhecimento, tal descoberta, tal vitória.

A vitória de Obama nas eleições de 4 de novembro, que fui saber e me contentar no dia seguinte (por isso o título da postagem comentada), é um desses eventos que, ocorridos a milhares de quilômetros de meu umbigo, com certeza me afetam em algum grau.

A primeira coisa, talvez óbvia, mesmo que, repito, simbólica: ele é negro. Ele, Barack Hussein Obama, é o primeiro presidente negro da história dos EUA. E esse fato desperta em mim desde um sentimento de “nós podemos”, orgulho, auto-estima fortalecida, até uma perspectiva de mudança numa política externa que nos impacta, queiramos ou não.

O fato é histórico e continuará sendo. Como Monroe Anderson escreveu recentemente na revista EbonyJet: quando Obama for, em 20 de Janeiro, declarado formal e solenemente como POTUS (Presidente Of The United States) ele oficialmente – e para sempre – será o primeiro presidente negro dos EUA.

É isso. As redomas são frágeis, sucumbindo a mais tênue das relações sociais. As verdades vitórias e as verdadeiras derrotas são de todos.

É preciso alimentar o conhecimento com a reflexão;
é preciso alimentar a reflexão com o conhecimento.”
Edgar Morin

quarta-feira, novembro 05, 2008

sábado, novembro 01, 2008

A postagem a seguir começou a surgir após a leitura do artigo How we fuel Africa's bloodiest war (Como abastecemos - ou alimentamos, ou estimulamos, ou financiamos - a mais sangrenta guerra da África) de Johann Hari no The Independent. Li ontem o artigo publicado um dia antes e uma coisa me intrigou, além do título, é claro: o coltan. Uma das conclusões a que cheguei foi que minha ligação com o continente africano não se dá simplesmente na origem, na história, no sangue. Meu modo de vida, os recursos de que disponho e que acabam se tornando banais, também me ligam àqueles do outro lado do Atlântico e de uma maneira que não imaginava. A propósito, você também está ligado a tudo isso.

Vamos conversar

- Alô! É "do Congo"?
- Sim. Quem fala?
- Aqui é o Alex, do Brasil. Tudo bem por aí?
- Oi Alex. Sinceramente não está nada bem, e há muito tempo.
- Ainda em guerra?
- Sim. Parece interminável. Somos milhões, e todos sofremos muito.
- Por aqui não se fala muito. Parece que se trata de mais um filme hollywoodiano. Parece surreal, ficcão.
- Mas é tudo verdade. Está acontecendo agora, enquanto conversamos.
- Como posso ajudar você, "do Congo"?
- O que vou dizer pode soar contraditório, mas uma das coisas seria parar de conversar.
- Não entendo.
- Alex, parece mesmo difícil fazer a "conexão". Mas, como eu disse, o "parar de conversar" poderia soar contraditório. As pessoas estão conversando muito, e ao mesmo tempo dialogam pouco, refletem menos ainda, se entendem em quase nada, ignoram e não se importam. Essa conversa (e outras modernidades) tem um efeito colateral que poucos sabem: a guerra.
- Poxa! Agora mesmo que não entendi nada "do Congo". Pode explicar melhor.
- Façamos uma coisa Alex, pesquise, analíse, pense, reflita e começará a entender um pouco. A palavra mágica: COLTAN. Até mais!





Fontes:
© JONATHAN SHAPIRO. 23-5-2008

Zapiro (sempre uma grande charge). Clique
aqui para ver outras.

SEPPIR, aí complica!

Hoje li uma “matéria” (entre aspas, em protesto pelo tom usado no referido texto de O Globo) sobre a proposta de criação de uma delegacia especial de crimes étnico-raciais pela SEPPIR. Assim como o autor do texto no jornal, eu não concordo com esse projeto da secretaria. Aliás, uma secretaria assim como outras desse governo (e herdadas de governo anterior), que tem se mostrado inútil.

Polêmica já se esperava de um órgão público criado para lidar com uma questão que a maioria finge que não existe. Mas tais polêmicas poderiam ser minimizadas com foco em ações que realmente impactassem a sociedade, de forma positiva, não resolvendo o “problema” (também entre aspas, pois, para uma parcela da população, não configura problema), mas contribuindo para diminuir seus sintomas.

Pelo que li no site da instituição, uma das justificativas para a criação da tal delegacia seria a falta de preparo das atuais delegacias em lidar com queixas por racismo. É óbvio que o atual modelo de delegacia (e atual modelo de policiais) teriam “dificuldades” nesses casos. Ora, como lidar com algo que não se entende, não se reconhece, não se aceita, não quer ver nem ouvir? É difícil mesmo. Mas esse atual modelo que falo não está despreparado somente para questões raciais. A polícia está despreparada para questões humanas.

Como o próprio site e a “matéria” fazem, é inevitável a comparação com a delegacia das mulheres. Uma comparação que torna a proposta ainda mais, digamos, complicada. E reducionista, como a maioria das políticas. Ainda mais em se tratando da instituição Polícia, cuja história de formação (e atuação) está diretamente ligada ao binômio preto-pobre.

A polícia continuará desacreditada. Ações violentas continuarão acontecendo. Sou a favor de uma mudança institucional. Formação continuada dos policiais. Uma formação humanística de fato, de forma que se conscientizem que seu dever maior é respeitar o ser humano, promovendo a segurança. É aí que o SEPPIR deveria atuar.

Infelizmente, mais uma vez a politicagem toma conta de instituição pública. A cegueira e a falta de bom senso inundam instituições de suma importância para o país. Quem está lá quer aparecer. Afinal, o que chama mais atenção, um trabalho inteligente dentro das instituições ou uma bela construção (em algum ponto de destaque, podem ter certeza) com a inscrição na faixada “Delegacia contra Crimes Étnico-Raciais”?

Estão jogando anos de luta na lata do lixo.

terça-feira, outubro 28, 2008

Momento musical ...

Monumental, fenomenal, momento Cartola (3ª parte)
Torturador no Congresso estadunidense (?)

O Bush, como já é sabido, não tem mais jeito. Continua com sua mentalidade estreita. O McCain, depois de passar tanto tempo como prisioneiro de guerra, sendo torturado (aquele bracinho tem história), não mostra repúdio ao mal que sofreu, uma vez que parece não se opor a esse tipo de crime. Sarah Palin, a distinta senhora vice-candidata, já deixou claro que vai quebrar geral e arrebentar com tudo.

Querendo juntar-se ao trio acima, está o Coronel Allen West, que comandou uma unidade militar estadunidense em Bagdá, no Iraque. Lá, o milico torturou Yehiya Hamoodi, um policial iraquiano com o qual estava trabalhando. West se baseou num boato, mentiroso como se verificou, de que Yehiya era um rebelde. Esse rumou bastou para que West conduzisse um processo de tortura onde qualquer ser humano confessaria qualquer coisa. E foi o que ocorreu, Yehiya falou nomes, os primeiros que vieram a sua mente. Afinal, o que você faria se tivesse uma arma apontada para sua cabeça e um louco contando cinco, quatro, três....?

Um soldado insatisfeito com os procedimentos de seu superior resolveu denunciar. O que o levou a ser investigado pelo Pentágono. Multado em 5.000 dólares, o Coronel declarou “É possível que eu estivesse errado sobre o Sr. Hamoodi”.

Abu Ghraib, Guantánamo, e talvez outras “instituições” de tortura e supressão de direitos humanos, tornam-se símbolos de que esse negócio de tortura nunca mais não pega tão fácil. Mais uma prova disso, e da leniência e complacência de uma parcela da população (fenômeno não exclusivo dos EUA) é a candidatura do tal Coronel ao Congresso estadunidense. E com apoio de muitos, tenham certeza.

Continuando assim, casos como de Sami Al-Hajj e Yehiya Hamoodi se repetirão.

quinta-feira, outubro 23, 2008

O começo de algo


Por vezes, as construções irregulares só ganham importância após já estarem estabelecidas. Prédios construídos sem planejamento e desconsiderando questões de engenharia ou legalidade do empreendimento, casas em terrenos impróprios para edificações e, mais perceptível na cidade (Rio de Janeiro) as “comunidades” que vão surgindo onde antes havia floresta ou um espaço favorável.

Quando as autoridades decidem tomar conhecimento, já está tudo pronto, os imóveis ocupados, famílias estabelecidas, vivendo sua vida do jeito que vida dá.

É o momento das enxurradas de propostas para solucionar o grave problema que parece ter surgido de um dia para o outro. Espaço aberto para políticos aproveitadores, que usam o momento para estabelecer seu curral eleitoral (“vida de gado, povo marcado, povo feliz...”). Vale notar que tais ocupações contam com infra-estrutura (água, energia elétrica, etc.). Tudo simplesmente surgindo, do nada, de forma irregular (furto de água, energia e ligações clandestinas de esgoto) ou não.

O Estado, que deveria estabelecer e manter políticas e ações para coibir ocupações irregulares e cuidar do espaço urbano, algumas vezes surge com seu aparato para desfazer o que se fez sob seus olhos turvos. Conflitos, nesse momento não são raros. Ordens de despejo, polícia, famílias desesperadas, brigas, feridos... Tudo isso tem um começo. Começo ignorado e que pode ter desfecho trágico.

A foto acima mostra esse começo. Barracos foram construídos num terreno da Avenida Rodrigues Alves, próximo à Cidade do Samba (ao fundo). Só não vê quem não quer, e me parece que a atual gestão da município não tem interesse algum.

terça-feira, outubro 21, 2008

Momento musical...

...Especial, antológico, sublime, espetacular, histórico, emocionante... momento Cartola. Assistam o especial em homenagem ao centenário de Angenor de Oliveira, o Cartola.


Parte I



Parte II

segunda-feira, outubro 20, 2008

O show tem que continuar

E o batuque silencia, o samba fica um pouco mais triste, os duetos se desencontram, os solos perdem um pouco da emoção...

... Mas iremos achar o tom
Um acorde com um lindo som
E fazer com que fique bom
Outra vez, o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha nós outra vez no ar
O Show Tem Que Continuar...



Valeu Luiz Carlos da Vila







1949 - 2008
A/n/a/l/i/s/a/n/d/o

Deve ser complicado ter de defender um assassino. Sempre me surpreendo quando, após crimes hediondos, surgem advogados (de todos os níveis de qualificação e com a verborragia de sempre) realizando seu ofício. Não foi diferente no caso recente da adolescente morta em São Paulo. A advogada deu algumas declarações ao site G1. Destaco o seguinte: “Ele é primário, tem bons antecedentes, tem emprego”, onde mostra que deverá pedir o relaxamento da prisão. Analisemos:

1 - Ele é primário (?) - Bem, se fizermos uma análise temporal do crime que durou praticamente uma semana, e considerando seu desfecho - o assassinato - como o crime que o levou a prisão, podemos concluir que no passado ele cometeu um crime e algum tempo depois, outro mais grave. Logo, não o considero primário.

2 - "tem bons antecendentes" (?) - O mesmo raciocínio acima leva a crer que não. Ele já havia mantido pessoas em cárcere privado, abusou (pscicologicamente que seja) de duas menores de idade, ameaçou a integridade física de ambas...

3 - "tem emprego" (?) - Bem, tendo ficado claro desde o início quem era o criminoso... Que empregador, em sã consciência, manteria a vaga para o meliante?
A ausência ameaça a PAZ

“Primeiramente lhe desejo paz...”. Assim começo um texto escrito há alguns anos e que teve sua versão final publicada aqui no blog por ocasião do momento mais difícil e mais triste que já vivi.

Esse momento ocorreu há exatamente um ano, um dia para se esquecer, mas que se torna inesquecível. A violência, que na maioria das vezes nos chega através dos noticiários, como cenas de um filme hollywoodiano (pelas conversas e opiniões que ouço, dá impressão que as pessoas – me incluo aqui – começam a “tratar” dessas questões como ficção) vitimou um ente querido, atingindo, pois, toda minha família. Trágico, triste, absurdo, inesperado, bruto, desumano... violento.

Hoje um colega de trabalho comentou de forma natural (pelo menos assim soou): “mataram o Arthur Sendas”. Assassinato, tiro na cabeça, 20 de Outubro. Três coincidências. A tristeza da família, bem entendo. A violência, é algo difícil de entender. A não ser como um tipo de ausência, como já comentei aqui no blog, num contexto de certa forma diferente, mas parecido. A ausência de que falo é de bondade, de amor, de clareza, de consciência, de inteligência. Ausência de humanidade, de racionalidade, de fraternidade, de respeito pelo outro... Ausências que presenciamos, vivenciamos e participamos cotidianamente. Paradoxalmente, o que está presente em nossas vidas é essa ausência que nos tira entes queridos, pessoas amadas que continuaram presentes, embora ausentes.

Dia 20 de Outubro, um dia marcado (para mim e para tantos outros, infelizmente) como um dia de violência, de tristeza, de ausência. Neste dia, assim como ou até mais que em outros, peço PAZ.

PAZ hoje ameaçada por esse terrível tipo de ausência. Neste dia peço, rogo, rezo e imploro que estejam mais presentes, em cada um de nós (seres humanos), os sentimentos, as atitudes e os pensamentos de bondade... de serenidade... de fraternidade... de luz... de amizade... de amor... de respeito... de racionalidade... de PAZ... de humanidade afinal.


domingo, outubro 19, 2008

Edifício D. João, um dos símbolos do abandono

Outro dia estava eu aguardando a van na Praça Mauá e olhando para um edifício antigo e muito bonito que ali fica. Há tempos admiro o prédio, tanto por sua beleza como por seu estado de degradação e abandono. Não pude deixar de pensar que combinava com o entorno, a praça abandonada e servindo de moradia para muitos que ali fazem suas necessidades, acendem fogueiras, dormem e estendem suas roupas para secar; é também palco de prostitutas, exploradores, marginais, bêbados e camelôs do pior tipo (furtam energia elétrica, jogam e queimam lixo no mesmo espaço que ocupam irregularmente).
Tudo isso sob o olhar do Estado que ali se faz presente de várias formas (temos o prédio das Polícias Civil e Federal, e rondas de Guardas Municipais e da Polícia Miliar). Além disso temos o Porto onde desembarcam passageiros dos grandes transatlânticos com turistas que recebem tais imagens (e o cheiro e a insegurança) ao chegarem à Cidade Maravilhosa. Claro, há outros que parecem vir visitar o ambiente de degradação e prostituição. Temos também o Centro Financeiro do Rio de Janeiro, com edifícios imponentes como o RB1 abrigando empresas do mais alto porte.

Em suma, sobram razões para que o Estado (Prefeitura, Governo Estadual e Federal) e outras instituições e pessoas descruzem os braços e se importem mais com essa área de tão grande valor e tão pouco valorizada.

Área esta que abriga o Edifício Príncipe D. João, que já foi motivo de manifestação em prol de sua recuperação e até agora nada. Leiam a matéria "Edifício Príncipe Dom João: um patrimônio ameaçado" na edição de Setembro/2007 da Revista Papel do Guia (página 12).




terça-feira, outubro 14, 2008

Alguma coisa está fora da ordem

Mais especificamente no processo eleitoral que estamos vivendo no Rio de Janeiro. Um presidente da República posando ao lado de candidatos já é algo complicado de aceitar. A razão é simples: falta de isenção na relação entre as esferas da administração pública. Neste caso, a Federal e a Municipal (e Estadual também). Mas a forma como essa relação íntima está se revelando na campanha do candidato Eduardo Paes parece passar dos limites do aceitável. Esqueçam a isenção. Ética, moral... duvidem. Legalidade? É, para alguns a coisa é legal, maneira, bacana. Nada haver com o sentido jurídico da palavra. A campanha mostra o Luiz da Silva ao lado do governador que mostrou a que veio e do candidato á prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. A mensagem: quem está com o presidente está bem na fita, receberá apoio, os projetos se concretizarão mais facilmente; já quem está contra....

Nojento, repugnante, inacreditável, criminoso. Digamos que o candidato que oxalá ganhe seja o Gabeira. Então os recursos federais aos quais a cidade tem direito e necessidade não virão? É isso Luiz da Silva? Você está querendo dizer que quem não lê na sua cartilha será punido?

Uma vitória do Eduardo Paes no segundo turno não espelhará a escolha de alguém competente para ocupação do cargo. Será a consagração do preconceito reinante somado à ignorância (no sentido amplo da palavra) que vem sendo cultivada há muito tempo em nossa querida terra e da qual a maioria é vítima inconsciente.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Faz tempo...

Há muito tempo não escrevo. Penso que tenha sido o maior “hiato” desde a criação do Trocando Uma Idéia Sobre Tudo. Não existe uma razão ou motivo específico. Talvez certo cansaço após a conclusão da monografia. Talvez o cansaço físico e psicológico da nova jornada iniciada em Maio, mas que começou de fato há dois meses e que parece estar em seu ápice. Talvez um desânimo com acontecimentos e notícias. O fato é que continuo aqui. As reflexões, as críticas, os desabafos, as alegrias, a poesia, a música e Tudo o mais continuam, embora nem sempre externados em palavras a serem compartilhadas nesta ferramenta.

E, para ir com calma neste reinicio, farei uso de uma estratégia que já usei aqui: tópicos ou itens sobre assuntos diversos que gostaria de escrever. Mesmo que sejam poucas as palavras, servirá para aliviar esta mente atordoada!

Convido-os a leitura… E aos comentários
1) Um passo dado, um ciclo quebrado

Quando ingressei na Universidade tinha consciência de que era protagonista de uma história inédita no âmbito familiar. E esse protagonismo é acompanhado de sentimento de esperança, de admiração, de expectativa, e também me coloca numa posição de exemplo a ser seguido. Um peso, que foi, é e será carregado com orgulho. E também uma responsabilidade.

Foram quatro anos de estudos, de novidades, com alegrias e algumas frustrações. Algumas amizades, muito coleguismo. O alicerce intelectual, que nasceu desgastado pelo fraco ensino formal de base, nos moldes da educação oficial do Estado (aquela que prega a ignorância, a desinformação, para continuar dominando), por vezes vacilou. Mas consegui, até de forma proveitosa e por vezes com destaque positivo, dar mais esse passo. E no dia 18 de Setembro de 2008, numa cerimônia simples e, pelo significado, grandiosa, colei grau, recebendo o título de Bacharel em Arquivologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

Nesta data eu quebrei um ciclo, sendo o primeiro (de muitos, espero) em minha família a iniciar e concluir um curso de nível superior.
2) A monografia

Meu projeto de monografia inicial foi considerado, com muita propriedade, inexeqüível (apesar de uma ótima nota). Isso considerando não apenas o prazo, mas também o que demandaria de trabalho de campo e atenção de pessoas e órgãos nem sempre prestativos. Baseava-se numa pesquisa e análise do pensar e fazer arquivístico como ferramenta importante no exercício da democracia e desenvolvimento local. A região foco do estudo: Mesquita, cidade na qual me criei. Uma vez que meus pés foram trazidos de volta ao contato do solo, pelos conselhos e observações de alguém que aprendi a respeitar e a quem tenho muito a agradecer, Anna Carla (diretora da Escola de Arquivologia), pude ficar mais tranqüilo. Mais ainda quando ouvi algo que pensava (e só pensava), na forma de uma dica: falar sobre a empresa na qual trabalho. Com isso, o projeto por hora engavetado, foi substituído. O tema ficou sendo o setor de Segurança, Meio-ambiente e Saúde (SMS) da Petrobras Transportes S/A. Um estudo de caso à luz da Arquivologia. Quando sair o registro do trabalho, pretendo publicá-lo (todo ou em parte) aqui no blog.

Foi um trabalho interessante de escrever, onde pude aprender bastante. E consigo vislumbrar aplicabilidade, apesar de não se constituir num instrumento propriamente dito, talvez sirva para conscientizar (a força de trabalho, aqueles que decidem, etc.)
3) Eleições: minhas percepções

O exercício da cidadania, o acontecimento característico da democracia, se deu num ambiente poluído por aproveitadores, imbecis, inescrupulosos que consideram a totalidade da população como massa de manobra. O que se viu nas ruas e na televisão foi algo asqueroso, de dar nojo. A começar pelo presidente da República em campanha apoiando o atual prefeito de Duque de Caxias (que, aliás, teve o que merece nas urnas e deverá desocupar o cargo esse ano). Luiz da Silva, ao lado do prefeito daquela cidade, apresentou um novo hospital como se fosse um presente para o povo. Caramba! O que está acontecendo afinal? Em breve, os motoristas que pararem no sinal vermelho serão aplaudidos, uma vez que, embora estejam fazendo o que devem, será algo raro. É como presentear uma criança por esta passar de ano. O Hospital não é um favor ou presente. É nada mais que a obrigação do prefeito, zelar pela saúde da população. População essa que paga seus impostos e espera o mínimo. E numa cidade com um dos maiores PIBs do país (graças à mãe Petrobras).

Outra coisa são os apelidos esdrúxulos cada vez mais recorrentes nas eleições. Parecem fazer troça dos eleitores e do próprio pleito. Fulano da padaria, beltrano da farmácia, sicrano de alguma outra loja. Pensei que fosse algo somente do Estado Rio, no caso das eleições para prefeito, mas uma simples consulta no portal da Justiça Eleitoral mostra que esse triste fenômeno ocorre em todo o país.

A poluição completa o quadro vergonhoso. Parece que a cada ano o volume de lixo cresce nas eleições. Panfletos, santinhos, outdoor, carros de som. Apesar de ter visto esse tipo de sujeira em outras votações, fiquei assustado com o que vi.

E com o que ouvi também. Principalmente a demonstração da alienação da juventude, o que assusta ainda mais. Explico e conto. Estava eu voltando de Mesquita, de ônibus. Uma menina sentou no banco de traz e, como bem que poderia deixar de ser, sacou seu comunicador. O bate-papo com o interlocutor, que esses ouvidos captaram, foi sobre a eleição e, me presenteou com algumas pérolas pavorosas, tais como: “peguei um papelzinho no chão e resolvi dar uma moral pro cara”, “O nome? Ah, nem lembro!”. Pela conversar, era a primeira vez que a cidadã ia às urnas. Pensei comigo: haverá futuro? Qual?

Mas algo positivo ocorre. Minha irmãzinha de catorze parece estar consciente da importância da ocasião e das responsabilidades não só de quem vota, mas de quem é eleito. Outro ponto positivo foi a condução de Fernando Gabeira ao segundo turno na cidade do Rio de Janeiro. Espero que o futuro seja assim, com boas possibilidades.

domingo, setembro 14, 2008

Samba no Céu

No início deste ano, um programa jornalístico matinal, o Bom Dia Brasil, me (nos) presenteou com um encontro memorável, histórico, emocionante e de extraordinária beleza. Uma espécie de antepasto para a festa maior, o Carnaval, a reportagem mais que especial com a qual nos brindou Marcos Uchôa e a equipe do programa, teve gosto de prato principal. Encontros de grandes bambas do Samba (e do Chorinho), num cenário incrivelmente bonito, com uma vista esplendida de um dos lugares mais belos do mundo. A reportagem foi veiculada em dois dias, mas poderia ter durado mais, bem mais. E seria pouco. Deu vontade de estar lá.

Quinta-feira, 31/01/2008
Os maiores sambistas do país se reúnem para falar sobre a história do samba e para rimar de improviso no Pão de Açúcar. Grandes nomes como Martinho da Vila e Beth Carvalho esbanjam talento




Sexta-feira, 01/02/2008
Na última reportagem da série do Bom Dia Brasil, veja a tradição que se renova. A roda de samba une a Velha e Nova Guarda em todos os ritmos do samba.



quinta-feira, setembro 11, 2008

Apenas um exemplo

Infelizmente não guardei o texto de reclamação. Foi digitado e enviado diretamente através site da companhia de água e ESGOTO do Rio de Janeiro. Basicamente solicitei providências para um vazamento, de esgoto in natura, que já durava mais de uma semana. Esgoto esse que seguia o caminho que deveria ser exclusivo das águas fluviais. Mesmo sem citar o número do prédio em frente ao qual ocorria o vazamento, indiquei o lugar de forma inequívoca (Rua Almirante Tamandaré, quase esquina com Praia do Flamengo...). Qualquer pessoa poderia localizar com exatidão, não apenas pela referência, mas também pelo cheiro e a visão do local (muitas vezes a força com que o vazamento ocorria lembrava um pequeno chafariz... de mer%&#$). Além disso, pela gravidade e localização, difilmente minha reclamação tenha sido a única. Além disso, não foi a primeira vez que o vazamento ocorre no mesmo lugar. Isso foi em 5 de setembro.

O texto, automático, de confirmação de recebimento da reclamação, foi:

Prezado Cliente,
Obrigado por entrar em contato com a Nova Cedae. Sua mensagem será enviada ao setor responsável para as devidas providências.
Atenciosamente,
Nova Cedae


Hoje, dia 11 de setembro, recebi a seguinte mensagem (a tal providência?)

Prezado Usuário,
A CEDAE solicita o reenvio do e-mail ESPECIFICANDO o ASSUNTO, junto com a MATRÍCULA, E/OU ENDEREÇO COMPLETO do imóvel para que possamos analisar a sua solicitação.
OBS: NÚMERO DE PORTA P/ REFERÊNCIA NÃO ESPECIFICADO.
À disposição para quaisquer esclarecimentos.
Atenciosamente,
Nova Cedae

Bem, o vazamento parou há dois ou três dias. Se eles se dignassem a ir ao local (mesmo sem o número de porta), o problema, talvez, teria sido resolvido mais rapidamente. Se chegaram a "trabalhar" ou o vazamento simplismente cessou, não sei. O fato é que resposta após uma semana é prova do desserviço, talvez pela estrutura obsoleta, que a empresa presta a população. População da qual este "prezado cliente/usuário" faz parte.

sábado, setembro 06, 2008

Alma Carioca - Um Choro de Menino

Um curta de Animação, dirigido por William Côgo que conta a história "de um menino que vive na zona portuária do Rio de Janeiro da década de 20 e testemunha o surgimento do Choro, quando encontra os grandes mestres pioneiros desse estilo puramente carioca". Também disponível no Porta Curtas.

domingo, agosto 31, 2008

Hoje é dia do... Blog


Blog Day 2008



Isso mesmo. Descobri agora. Dia 31 de Agosto é tido internacionalmente como o Dia do Blog, o BlogDay. Um dia para blogueiros, como este que vos escreve, postarem de forma a divulgar (e conhecer) outros blogs. A idéia é ótima. O interessante é que, por coincidência, estava aqui visitando alguns blogs de Angola e outros tantos que não visitava há algum tempo, e fazia tempo que não escrevia (estava terminando a monografia). Pois bem, abaixo listo alguns de blogs que costumo visitar. Convido a todos a visitarem os "colegas de ofício".



Pululu (Eugênio Almeida)

Minha Senzala (Árthemis e JotaCê Carranca)

Alto Hama (Orlando Castro)

Angola, Debates & Ideias (Gociante Patissa)

Liberal, Libertário, Libertino (Alex Castro)





Um clipe-desabafo

O clipe abaixo, pelo pouco que consegui de informações, traz uma música que foi proibida em Angola. Tirando os aspectos de violência de um lado e considerando a questão da censura de outro, resolvi publicar aqui. É um ponto de vista, uma postura (política), um pensamento. Consideramos todos.

sábado, agosto 16, 2008

A negação do Brasil

Os colegas da AldeiaGrio democratizaram, via Youtube, A Negação do Brasil, documentário de Joel Zito vencedor de prêmios como o Concurso Nacional de Projetos de Documentários do Ministério da Cultura em 1999 (Roteiro); Melhor Documentário, Melhor Pesquisa e Premio Quanta da Competição Brasileira do É TUDO VERDADE - 6º Festival Internacional de Documentários - 2001. SP-RJ; Troféu especial "Gilberto Freire de Cinema" e Troféu de "Melhor Roteiro de Documentário" do 5º Festival de Cinema do Recife - 2001. O livro de mesmo nome está disponível em parte no Google Books.

O documentário é uma viagem na história da telenovela no Brasil e particularmente uma análise do papel nelas atribuído aos atores negros, que sempre representam personagens mais estereotipados e negativos. Baseado em suas memórias e em fortes evidências de pesquisas, o diretor aponta as influências das telenovelas nos processos de identidade étnica dos afro-brasileiros e faz um manifesto pela incorporação positiva do negro nas imagens televisivas do país.

Está dividido em oito partes. Abaixo, esta a primeira delas e os links para as demais.

terça-feira, agosto 12, 2008

Anistia, Tortura, Hipocrisia e outras verdades

Embora não esteja tão antenado no assunto, sempre fiquei incomodado com esse acordão histórico feito entre os que um dia estiveram no poder e os que lutaram por uma mudança à época. Não posso dizer que de um lado estavam os militares, pois estaria generalizando, reduzindo a uma categoria os componentes de tal lado. Isso porque civis também estavam lá, participando, ativamente, na construção de algo hoje tão criticado (mas também defendido, por alguns). Também não poderia aqui dizer que os do outro lado eram de esquerda (expressão tão ambígua hoje e, talvez, sempre). Lá estavam estudantes, artistas, intelectuais, jornalistas, e outras tantas pessoas que, unidas ou em ações isoladas, tentaram combater o regime, lutando por direito quando só o dever interessava aos que no poder estavam. Crimes foram cometidos, de ambos os lados. Isso é fato.

Pensei, por que, quando se tem consciência dos fatos e a possibilidade de julgar os atos, faz-se silêncio. Por que, quando após o pesadelo a sociedade parece despertar, o que se acorda é a leniência com ambos os lados, indenizações e pensões vultosas, silêncio, silêncio, silêncio.

Mas se para uns é cômodo, para outros não ou nem tanto. A linha que separa a comodidade e a lembrança indignada é tão tênue e instável com não deveria deixar de ser, pois está presente nas relações humanas. As mesmas relações que nos permitem hoje observar representantes de ambos os lados, lado a lado, decidindo o rumo deste país que não seria o mesmo sem as mazelas de um passado não muito distante.

Lá estão pessoas que atuaram de forma direta e ativa, na linha de frente mesmo, quando se escreveu um dos mais marcantes capítulos da história do Brasil. Perdão, resignação, esquecimento? Que tal interesse? Sei lá!

Um grita "pela vida e pela paz, tortura nunca mais!", o outro “... terrorista nunca mais!". Há um pouco de verdade e mentira em ambos os protestos. Mas são as verdades de cada um. Quem matou o jovem de 15 anos? Quem o outro jovem de 17? Questões, perguntas, como tantas outras feitas ou por fazer. "Eles são comunistas!", "E o senhor é fascista!". Nada mais que palavras. E no fim, quem sabe, as verdades mais verdadeiras apareçam, com as máscaras sendo desfeitas, o coração falando, mesmo que em sua dureza, mas de forma espontânea, natural, cruel. No fim, quem sabe se inicia algo.

O vídeo a seguir é um reflexo da revisão da Lei de Anistia. Vejam lá milicos no conforto de suas aposentadorias e no desconforto de sua história; pessoas que viveram direta ou indiretamente os males de algo passado, mas que ficou, marcou; pessoas que leram, ouviram, perceberam algo e, com isso, assumiram suas posições num dos lados; gargantas, braços, olhares, palavras e silêncios. Vejam lá, pelo fim do vídeo, certo deputado federal, "militante" ativo num dos lados, faz uma declaração nada adequada, mas que serve para que saibamos com quem se lida. Neste caso, repito, num dos lados. Do outro, se fez, e muito, mas pouco se fala. Ouçamos, sempre que possível, a ambos.



Que sirva pelos menos para reflexão.

domingo, agosto 10, 2008

Isaac Hayes

Creio que a primeira vez que ouvi uma música de Isaac Hayes foi no filme Shaft, a versão estrela por Samuel L. Jackson. O "reencontro", alguns anos depois, foi no incrível Wattstax. Voz, presença de palco, imagem, força... uma figura marcante que deixou sua contribuição para música. Hayes morreu hoje, aos 65 anos.



Black man, born free
At least that's the way it's supposed to be
Chains that binds him are hard to see
Unless you take this walk with me

Place where he lives is God plenty of names
Slums, ghetto and black belt, they are one and the same
And I call it “Soulsville"

Any kind of job is hard to find
That means an increase in the welfare line
Crime rate is rising too
If you are hungry, what would you do?

Rent is two months past due and the building that's falling apart
Little boy needs a pair of shoes and this is only a part of Soulsville

Some of the brothers' got plenty of cash
Tricks on the corner, gonna see to that
Some like to smoke and some like to blow
Some are even strung out on a fifty dollar Jones

Some are trying to ditch reality by getting so high
Only to find out you can never touch the sky
'Cause your hoods are in Soulsville, oh yeah

Every Sunday morning, I can hear the old sisters say
“Hallelujah, Hallelujah, trust in the Lord to make a way, oh yeah
I hope that He hear their prayers 'cause deep in their souls they believe
Someday He'll put an end to all this misery that we have in Soulsville
Oh yeah, Soulsville, Soulsville, Soulsville, Soulsville, Soulsville

sexta-feira, agosto 08, 2008

Por eleições limpas

A propósito da decisão do nosso Supremo Tribunal Federal em liberar a candidatura de pessoas que respondem a processo ou, no popular, que têm a ficha suja, gostaria de externar meu descontentamento. Estando tudo no âmbito jurídico, ora, por que então não julgam e decidem se fulano é ou não inocente e, com isso, apto a assumir cargo público? Por que então, na dúvida e seguindo o nobre princípio da presunção de inocência, permitem que determinadas pessoas assumam postos em prefeituras, governos estaduais e federais para, depois, apresentarem mais uma brecha jurídica ou usarem da técnica hermenêutica tão característica para, numa interpretação que soa viciada, manter o indivíduo, mesmo com culpa provada ou indiciada, no cargo?

Vejo nisso uma triste leniência com um mal que a Corte maior deveria, com seu poder e sua competência, combater.

Um detalhe me veio à mente quando do início desta discussão com o propósito de saber se é ou não permitida a impugnação de candidatura nos casos de ilicitudes por serem julgadas/verificadas. Trata-se de outro concurso público. Sim, pois o processo eleitoral, grosso modo, é um concurso para que um candidato assuma um posto para o qual não cabe indicação direta.

Trabalho num grupo que, embora tido como empresa pública, tem em seu capital social menos de 40% de participação da União. Como é exigido por lei, embora não saiba aqui indicar qual, meu ingresso se deu por concurso público. Concorri com dezenas de milhares de pessoas para hoje ter um cargo e uma função dentro do grupo. No processo seletivo ao qual me sujeitei junto com outras tantas pessoas, tive de provar várias coisas, tais como não ser um analfabeto funcional (li, escrevi, demonstrei entendimento e respondi), estar quite com minhas obrigações eleitorais e militares, estar apto física, biológica e psicologicamente para o exercício das atribuições inerentes ao cargo e, este que calhou lembrar a tal decisão do STF, ter a "ficha limpa".

Claro, a expressão nunca seria usada num edital assim como não foi usada no caso eleitoral vigente, apesar de ter sido cunhada ao sabor do coloquialismo jornalístico. O eufemismo usado no documento foi "Levantamento Sociofuncional", parte dum esquema maior intitulado "Qualificação biopsicossocial", que engloba os itens anteriores e incluí verificações diversas, inclusive, segundo consta, na política. Interessante que esse levantamento é, em todo ou em parte, isso não está claro, realizado pela segurança patrimonial/institucional.

Meu cargo é de nível médio, função administrativa e hierarquicamente mais inferior na pirâmide organizacional. Mas, nada mais justo, foi preciso saber se eu era "confiável" ou pelo menos reduzir as chances de arrependimentos no processo, sendo a confiabilidade muitas vezes relativa.

O mesmo, como se vê, não se aplica aos cargos cujas atribuições e "poderes" criam possibilidades (para pessoas com falta de caráter) de apropriações indevidas do erário público, geração/aumento de pobreza e fome como conseqüência dos crimes diretos e seus efeitos e/ou pela incompetência administrativa e falha na governança. Falhas, desvio e crimes que em nada parecem contribuir para que a Justiça tire a venda, olhe, enxergue e atue de forma coibitiva, punitiva, repressiva...

Assumo aqui minha falta de entendimento com tudo isso. Defendo, com base no exposto, a realização de concurso público para que o candidato esteja apto a ocupar o cargo.

E apóio a campanha da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) - a mesma que teve sua ação direta de inconstitucionalidade (a que pretendia barrar candidaturas de políticos que respondem a processos ou têm condenações na Justiça) julgada improcedente pelo STF - por Eleições Limpas.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Somente em casos excepcionais

Excepcional: Em que há, ou que constitui exceção; Exceção: 1. Ato ou efeito de excetuar. 2. Desvio da regra geral. 3.Aquilo que se exclui da regra. (Dicionário Aurélio)

Considerando a totalidade dos brasileiros, temos que a maior parte, a grande maioria não é rica, não transita livremente pelos corredores do poder (o "público" é o lugar onde menos se pode, logo esse "poder" soa como uma ironia cruel), não tem conta bancária no exterior, não tem isso, não tem aquilo. Está é a maioria. Por outro lado temos uma minoria, bem pequena (de abrangência e de caráter) que, feita uma comparação numérica com a primeira, poderíamos dizer que, em termos de população brasileira, configuraria como um desvio da regra geral, uma exceção. Logo, esses casos excepcionais não seriam tão excepcionais assim. Mas, vamos lá.

Para "respeitar os princípios fundamentais estabelecidos na Constituição Cidadã" (sic) juntaram-se os representantes da elite e resolveram proteger os graúdos. É como interpreto essa atenção dispensada pelo Supremo (e pelo Senado) para regular quem pode ser algemado e quando. Uma dica: se o bandido é pobre, continuará sendo algemado e tratado como o que é (ou está)... um criminoso. Neste caso não cabe exceção alguma.

Ao passo que, se o marginal, o larápio, o meliante, o pilantra que desvia, subtrai, tira daqui e leva para lá... se o canalha rouba o dinheiro que deveria ser aplicado para que aquela criança que hoje é considerada em "situação de risco social" não se transforme no bandido violento que porá em risco a sociedade de amanhã... ah, esse não pode ser algemado, salvo em casos excepcionalíssimos.

Concordo que é preciso racionalizar certas ações de modo a conduzir as intervenções policiais sem teatralismos. Mas não sou tolo de pensar que a decisão de hoje visa evitar a execração pública do cidadão. Isso porque esse "cidadão" não é o que se conhece como "cidadão comum". Aliás, de "comum" não tem nada, a não ser em seu ambiente de atuação (grandes escritórios com relações excusas com os "mandatários" do país nas diversas instâncias do poder), onde parece ser comum a pilantragem.

Muito me alegraria se esses marginais que transitam livremente pelas esferas do poder fossem, sim, execrados, algemados e colocados trancafiados com seus comuns, os bandidos.

Enquanto isso... somente em casos excepcionais. Talvez ainda vivemos um Estado de exceção.

domingo, agosto 03, 2008

Um sorriso valioso

Em minhas "andanças" pela internet há alguns meses me deparei com um poema em vídeo-montagem sobre o sorriso das mulheres negras. O título: Black Woman's Smile, escrito por Ty Gray El, que também narra o poema. Achei bonito, com imagens fortes e uma cadência interessante. Não encontrei tradução para o português e, por isso, hoje resolvi fazer uma. Um pouquinho de Google Translate (bom, mas burro), dicionário inglês-português a mão, dicionário de sinônimos WordWeb que uso há anos a postos, pesquisas e mais pesquisas na web e consegui o resultado que publico aqui. Notem que o poema faz uso de eventos históricos ocorridos nos EUA, cabendo alguns esclarecimentos entre parênteses. Mas com o resultado acho que foi possível ver o objetivo, compreender o poema.




A Black Woman’s Smile
by Ty Gray-EL
(Tradução de Alex Amaral)

Sabe o quanto você precisa ser forte para fazer uma mulher negra sorrir?
Você tem alguma ideia do que essa realização significa?
Ela suportou o peso deste país nas costas por 400 anos.
Ela sofreu a agonia de ter de sustentar e criar seus filhos sozinha desde os anos 1600.
Tem alguma idéia do quanto é difícil colocar um sorriso em seu rosto?
Você precisa da força de um Sansão, dos nervos de um Josué e da coragem de Davi enfrentando Golias.
(aqui o autor usa referenciais bíblicos do Velho Testamento)
Pois ela tem cultivado em seu ventre a maravilha do universo,
só para ter suas esperanças e sonhos abortados e seus anseios sem mortos assim que nascem.
Ela deu à luz a reis e rainhas e os entregou em sua nobre promessa e teve seus filhos raptados e vendidos a um criminoso, sem respeito pelos seus direitos.
Se você puder fazer uma mulher negra sorrir, você é operou um milagre.
Imagine amamentar o seu filho na Virgínia e tê-lo arrancado de seus braços para ser vendido;
sequestrado em Louisiana e publicamente ofertado num leilão em Nova Orleans.
Se a lembrança dessa dor sem limites estivesse guardada em seu DNA, você estaria sorrindo?
Se você amamentasse uma outra criança apenas para vê-la crescer o suficiente para lhe chamar de Darky, Pickaninny e Nappy-cabeças Jigaboo (
ofenças racistas sem tradução direta em português), você também não estaria sorrindo.
Se você puder fazer uma mulher negra sorrir, você terá feito algo importante.
Se você puder fazê-la sorrir, você terá sido mais forte que Atlas (
mitologia grega, condenado a "segurar" o céu), pois Deus sabe o que ela tem passado.
Ela foi violada e devastada e desdenhada e quase aniquilada.
Ela foi usada e apedrejada e deliberadamente desvalorizada.
Ela cozinhou e limpou e costurou ... e nunca foi compensada.
Ela foi forçada a assistir os frutos de seu ventre serem mutilados e caluniados durante séculos.
Como personagem da história ela tem sido continuamente difamada e assassinada repetidas vezes.
Você alguma vez pensou em como você tem de ser forte, apenas para ser uma mulher negra?
Ela teve de fazer "tijolos sem palha" (
expressão que pode significar ter de construir algo sem o material adequado ou que conhece), após ter sido despojada de todos os seus costumes, despojada de toda a sua cultura, despida de todas as suas tradições.
Nenhuma outra mulher na história do mundo civilizado teve de passar pelo que ela passou.
Nem um outro ser do planeta teve de suportar o que ela suportou. Ela foi sensurada, criticada, demonizada e aterrorizada.
Ela teve de se defender quando seu homem foi chicoteado por tentar defendê-la.
Ela teve de se defender quando seu homem foi castrado por tentar defendê-la.
Ela teve de se defender quando seu homem foi enforcado por tentar defendê-la.
Ela teve de carregar seu homem, pois toda vez que ele tentou levar a si mesmo, foi morto por tentar fazê-lo.
Pergunte a Betty Shabazz (
viúva de Malcom X) sobre Malcolm;
pergunte a Corretta Scott King (viúva de Martin Luther King) sobre Martin;
pergunte a mãe de Emmett Till (um adolescente morto brutalmente em 1955 no Mississipi).
Se você puder fazer uma mulher negra sorrir, você terá conseguido alguma coisa.
Desde 1619, quando chegamos acorrentados, o mundo inteiro tem confundido sua mente,
desrespeitando-a, chamando-a do que não é, e ela se cansou, assim como Fanny-Lou-Hamer
(
ativista dos direitos civis que lutou pelo direito de voto dos afro-americanos e para que tivessem voz política - disse "I am sick and tired of being sick and tired" - estou doente e cansada de estar doente e cansada).
Cansada de ser chamada de palavras começadas por B, por H e por N (
trata-se de xingamentos/ofenças racistas/sexistas que começam por tais letras; aqui não serão transcritos ou traduzidos) palavras e mais outras palavras, exceto como filha de Deus, que ela é.
Mas a única coisa neste mundo que vai fazer uma mulher negra sorrir é o seu homem.
Um verdadeiro homem!
Se você estiver fazendo o que deve fazer ela irá sorrir;
ela vai sorrir de forma agradável e regularmente.
Portanto, se torne um homem meu irmão.
Tarne-se homem e faça sua mulher sorrir.
Trate-a como a rainha que ela é.
Ela merece.
E reconheça isto: Em toda criação de Deus não há nada mais sedutor,
mais encantador, ou atraente; nada mais belo, mais carismático,
mais charmoso ou cativante, nada mais delicioso, mais elegante,
ou requintado; nada mais fascinante, mais lindo, mais inspirador
ou enebriante; nada mais magnífico ou amável do que o
sorriso de uma mulher negra (Black Woman's Smile).


English version
Do you know how strong you have to be to make a black woman smile?
Do you have any idea what an accomplishment that is?
She has borne the weight of this country on her back for 400 years.
She has suffered the agony of unassisted, husband-less childrearing since the 1600’s.
Have you any idea how much strength it takes to put a smile on her face?
You need the strength of Sampson, the nerve of Joshua and the courage of David facing Goliath.
Cause she has cultivated in her womb the marvel of the universe,
only to have her hopes and dreams aborted and her aspirations show up dead on arrival.
She has given birth to kings and queens and delivered on her majestic promise
only to have her children kidnapped and sold to a criminal with no respect for her royalty.
If you can make a black woman smile, you are a miracle worker.
Imagine breastfeeding your child in Virginia and having snatched from your arms,
branded; hijacked to Louisiana and publicly fondled on a New Orleans auction block.
If the memory of that pain was locked-bound in your DNA, would you be smiling?
If you breast-fed someone else’s child only to watch her grow old enough to call you Darky,
Pickaninny and Nappy-headed Jigaboo, you wouldn’t be smiling either.
If you can make a black woman smile you have DONE something.
If you can make her smile you are stronger than Atlas, cause God knows she has been.
She’s been raped and ravaged and scorned and nearly annihilated.
She’s been pimped and pummeled and stoned and deliberately depreciated.
She has cooked and cleaned and sewn...and never been compensated.
She’s been forced to watch the offspring of her loins mangled and maligned across centuries.
Her character has been continuously smeared, assassinated over and over and over;
again and again and again.
You ever thought about how strong you have to be, just to BE a black woman?
She’s had to make brick without straw after being stripped of all her customs,
stripped of all her culture, stripped of all her traditions.
No other woman in the history of the civilized world has gone what she has gone through.
No other beings on the planet have endured what she has endured.
She’s been chastised, criticized, demonized and terrorized.
She’s had to stand when her man was bull-whipped for trying to stand.
She’s had to stand when her man was castrated for trying to stand.
She’s had to stand when her man was hung by his neck for trying to stand.
She’s had to carry her man, cause every time he tried to carry himself, he was murdered for trying to do so.
Ask Betty Shabazz about Malcolm; ask Corretta Scott King about Martin; ask Emmett Till’s mother.
If you can make a black woman smile you have achieved something.
Since 1619 when we came in chains, the entire world’s been messing with her brain,
disrespecting her, calling her out of her name, and she’s tired, just plain Fanny-Lou-Hamer-tired.
Tired of being called B-words, and H-words and N-words and other-words
and everything except the child of God that she is.
But the one thing in this world that will make a black woman smile is her man.
A real man!
If you’re doing what you’re supposed to do she will smile she will smile regularly and gladly.
So, man up my brother.
Man up and make your woman smile.
Treat her like the Queen that she is.
She deserves it.
And recognize this:
In all of God’s Creation there is nothing more alluring, more appealing, or attractive;
nothing more beautiful, more charismatic, more charming or captivating;
nothing more delightful, more elegant, or exquisite; nothing more fascinating,
more gorgeous, more inspiring, or intoxicating; nothing
more magnificent or lovely than
a Black Woman’s Smile.