sábado, junho 30, 2007

Explora-se a ignorância, mantém-se a ignorância

A Pfizer realizou em 1996 testes com o então novo antibiótico Trovan, durante um surto de meningite no norte da Nigéria. O medicamento, sem autorização segundo o governo nigeriano, foi ministrado em aproximadamente 200 crianças, das quais 50 morreram, embora a farmacêutica americana reconheça “somente” 11 mortes.

Muito se fala sobre os testes e pesquisas com animais em laboratório. Mas pouco se comenta sobre os testes com seres humanos. O que aconteceu na Nigéria, apesar da defesa da farmacêutica, e considerando o relato de pais e crianças sobreviventes, foi a exploração do desconhecimento, da ignorância de pessoas que, pensando estar recebendo tratamento de fato, serviram como cobaias. Mais um ato desumano em prol do lucro. A farmacêutica declarou que obteve “consentimento verbal” dos pais das crianças. Essa é boa! Imagino a cena.

Além das mortes comprovadas, sejam 5 ou 20 por cento, muitas crianças desenvolveram deformidades físicas e mentais. “The American doctors took advantage of our illiteracy and cheated us and our children. We thought they were helping us,” declara Hassan Sani, pai de Hajara de 14 anos, sobrevivente que, após receber o “tratamento” começou a demonstrar apatia e incapacidade de falar.

Se já não bastasse todo sofrimento causado, digo que a fatídica exploração da ignorância gerou mais ignorância, pois muitos se recusaram a participar da campanha de imunização em massa contra pólio, organizada pela OMS uma década depois. Trauma, fruto da desconfiança. Felizmente o programa continuou, mas a marca permanece, principalmente nas famílias das vítimas.

Existe um processo contra a farmacêutica, que vem levando a melhor.

quarta-feira, junho 27, 2007

Retrato de um playboy

“Eu sou playboy filhinho de papai / Me afundo nessa bosta / Até não poder mais /Sou playboy filhinho de papai / Sou um débil mental / Somos todos iguais”

Esse é o refrão da música Retrato de um Playboy, de Gabriel O Pensador, lançada a mais de 10 anos. Me recordo que muitos criticaram o teor da letra. Basicamente falando de uma categoria que teve de tudo (em termos financeiros e estruturais) e, mesmo assim, procura externar na sociedade uma certa revolta não justificada. Naquela época algo já acontecia… e continuou a acontecer.

“…E por falar em pão que eu como todo dia / Eu me lembrei da empregada que se chama Maria / Ela me dá comida me dá roupa lavada / Mas quando eu tô presente ela é sempre humilhada / Você precisa ver como eu trato a coitada / Eu a rebaixo a esculacho e fico dando risada…”; é mais um parte da música. Para letra completa, clique aqui.

Os criminosos que espancaram e roubaram a empregada doméstica Sirlei estão numa categoria um pouco diferente. Além de algumas características do playboy retratado na letra do Pensador, esses estariam de certa forma mais integrados à sociedade. Estudam e alguns trabalham, pelo que li. Talvez pare por aí as diferenças. O desprezo demonstrado é o mesmo daquele playboy.

O caso então seria mais complexo. Talvez até mais grave. As matérias recentes sobre o caso traçam um perfil violento, inconseqüente e marginal. O desprezo que demonstram com empregados do condomínio, com pessoas na rua, seria algo constante, comum em suas vidas.

Se eu pudesse, pegava o meu filho e dava uma surra. Isso destruiu a minha vida e de toda a família. Eles fizeram uma bobagem e terão que pagar por isso. Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa. Mas não é justo manter presas crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham. Não concordo com a prisão na Polinter, ao lado de bandidos. Vão acabar com a vida deles. Peço ao juiz que dê uma chance aos nossos filhos". Esta foi uma declaração do pai de um dos agressores. Li no jornal A Tribuna Online. Os grifos são meus. Com certeza o crime deve tê-lo abalado, mas a declaração merece uma análise e comentários.

Primeiro: “Se eu pudesse, pegava o meu filho e dava uma surra” – O negócio então é bater. Isso resolve tudo. Assim como as “crianças” resolveram bater em Sirlei.

Segundo: “Isso destruiu a minha vida e de toda a família” – É. Também quase destruiu a vida de Sirlei. Mas, é só uma empregada né? E a família de Sirlei? Qual a importância?

Terceiro: “Eles fizeram uma bobagem” – Bobagem, segundo o Aurélio, seria: 1) Gracejo de bobo; 2) Ação ou dito de bobo; asneira; 3) Fato ou palavra inconveniente, 4) Besteira. Não, não foi bobagem o que eles fizeram. Isso é diminuir e muito. Eles cometeram um crime. E de forma covarde e cruel.

Quarto: “Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa” – Será que se os filhos tivessem participado de ato nobre, benéfico e exemplar para a sociedade, os pais se iriam isentar de “culpa” ou responsabilidade? Acho que não. Então seria interessante o “pai” rever qual sua posição, sua parte, na criação e formação dos rapazes.

Quinto: “Mas não é justo manter presas crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham” – O que é justo então? E crianças na faculdade? São crianças superdotadas ou o quê? E trabalham… então estamos diante de um caso de exploração do trabalho infantil! Não meu caro “pai”. Nada é justo. E não estamos falando de crianças. Falamos de adultos, maiores de idade, que tiveram oportunidade de estar cursando uma faculdade, num país onde a maioria não tem tal privilégio. E se eles têm emprego e é formal, são mais privilegiados ainda. Nada é justo.

Sexto: “Não concordo com a prisão na Polinter, ao lado de bandidos”. Ora, prisão é lugar de bandido, meu caro. Ou pelo menos deveria ser. Consultando novamente o Aurélio vejo que bandido significa malfeitor, pessoas de maus sentimentos. Não podemos chamar os garotos de benfeitores após o ato (ou atos) e muito menos dizer que o fizeram com bons sentimentos.

Sétimo: “Vão acabar com a vida deles” – Essa é forte! Talvez fosse melhor deixá-los continuar com a prática de espancar mulheres para que pudessem dar continuidade a suas vidas.

Oitavo: “Peço ao juiz que dê uma chance aos nossos filhos” – Penso que seus filhos tiveram e têm mais chances do que a grande maioria. É muita chance desperdiçada!

É, nada é justo!

terça-feira, junho 26, 2007

Então, estamos combinados?!

- É pessoal, a coisa tá feia naquela região da África. Tão dizendo que o bicho tá pegando lá. Onde é mesmo? Sudão… Chade… Darfur… Cartum? Como é mesmo o negócio?

- Sudão é o país. Fica no nordeste africano. Aliás, é o maior país daquele continente. Cartum é sua capital. Referimo-nos a Cartum quando falamos do governo central daquele país, com seu presidente, o Omar Hasan Ahmad al-Bashir, com o qual tentamos negociar. Darfur é uma região a oeste do país.

- E Chade, por que falamos mesmo essa palavra?

- Chade é um país!

- País? Mais um? E o que tem esse Chade?

- O Sudão faz fronteira com Chade, mas especificamente na região sudanesa de Darfur.

- Tá certo, mas qual é o problema então?

- O problema é que muitos sudaneses estão se refugiando também em áreas de Chade.

- Mas por que essas pessoas não ficam em seu país?

- O genocídio, lembra?

- Não fale essa palavra! Já temos certeza? Não pode restar dúvida!

- Temos sim. Calculamos mais de 2 milhões de refugiados, muitos no Chade. E aproximadamente 200 mil mortos.

- Ah… Mas como matam tanta gente?!

- De todas as formas. Eles possuem muitas armas, sabia?

- Mas onde conseguem essas armas?

- Fico sem jeito de falar…

- Fala logo! Todos nós estamos aqui para resolver de uma vez essa situação!

- São armas fornecidas pela China e Rússia, pelo que diz a Anistia Internacional.

- Não pode ser. A China, aqui representada, é membro permanente do Conselho de Segurança, que abomina essa situação, inclusive impondo embargos! Você deve ter se confundido. Além disso, a China mantém sérias relações comerciais com o Sultão, quero dizer, o Sudão. Compra petróleo daquele país e duvido que haja interesse em uma desestabilização.

- Isso afastaria a concorrência, e…

- Chega! Estamos aqui para resolver um problema, não criar outro.

- Bem, a China poderia então impor algumas sanções ao Sudão e…

- Por que você está implicando com esse negócio da China?

- !!!

- Continue, continue…

- Precisamos intervir na crise humanitária que ocorre naquela região. São assassinatos, estupros, fome, sede, doenças. Aquelas pessoas estão morrendo aos milhares há muitos anos…

- Anos? Vai querer dizer que a crise não é recente, assim como esse negócio de aquecimento global que estão falando agora?

- Senhor, o que vemos hoje no Sudão, vem ocorrendo desde 2003!

- Então precisamos acabar com isso!

- Justamente. É o que a comunidade internacional espera. É o que o povo sudanês espera. Temos dinheiro, recursos, só falta atitude, vontade. Lembra como fizemos (e fazemos) no Iraque, no Afeganistão? Ali fomos com vontade!

- Não mude de assunto!

- Precisamos agir depressa. É tudo que se espera. É tudo que tenho pra dizer!

- Então está decidido. Agiremos. Reunião encerrada! Senhores, isso é tudo. Então, estamos combinados!?

segunda-feira, junho 25, 2007

Afro-latin americans

Indico essa série de reportagens do jornal americano Miami Herald sobre a questão do afrodescendente na América Latina. Procurando, sempre que possível, traçar um paralelo com o que acontece nos EUA, países como Cuba, Costa Rica, Panama, Colombia, Brazil, dentre outros, são temas de reportagens. No caso do Brasil, particularmente, ficou interessante a matéria do jornalista Leonard Pitts Jr. e o artigo da professora Elisa Larkin, esposa do Abdias. Pitts entrevista várias pessoas, de Simon Schwartzman a Miriam Leitão, ficando claro que a análise considera muitas vertentes.

Para acessar a página principal do especial A Rasing Voice: Afro-latin Americans, clique aqui. Para ir direto ao artigo de Leonard Pitts, sobre o Brasil, clique aqui. Para a análise de Elisa Larkin, clique aqui.

domingo, junho 24, 2007

Quais serão os frutos de mais uma reunião?

Nesta segunda-feira, 25 de Junho, acontece em Paris uma conferência cujo tema será a crise humanitária em Darfur, Sudão. Já comentei aqui no blog sobre mais essa calamidade que ocorre desde 2003. Assim como no Holocausto, ou em Ruanda, ou no Timor Leste, a postura internacional com relação aos acontecimentos é apática. Recusou-se, durante muito tempo, em reconhecer que naquela região ocorre um genocídio, condição sine qua non para uma “possível” atitude. Vemos a importância que têm a palavras, meras palavras.

Palavras muito bem empregas por Jan Egeland, chefe de Assuntos Humanitários da ONU que em palestra de 2006 no conselho de segurança, tentou chamar atenção dos poderosos do mundo, dizendo “a melhor forma de explicar aos que tem poderes para influenciar seria reunir todos para negociações num dos campos [de refugiados]. Eles trariam suas famílias, suas esposas, suas crianças. Então veriam como é. Como é dormir com medo. Ter milícias ou homens armados de quaisquer grupos incluindo bandidos, infiltrarem-se nos acampamentos e matar, e abusar, e estuprar. Penso que seria um grande incentivo para o progresso [de tais negociações]”. A declaração faz parte de uma apresentação disponível no site do Council on Foreign Relations. Clique aqui para assistir (em inglês). Ele inicia dizendo que esteve lá em 2004 e haviam 1 milhão de necessitados, voltou em 2005 e haviam 2 milhões, retornou na primavera seguinte e encontrou 3 milhões de necessitados, e naquele momento [2006] haviam 4 milhões. Os necessitados seriam os refugiados do massacre que, somados às centenas de milhares de mortos, ajudam a criar o quadro de uma das mais recentes vergonhas da humanidade.

What is happening in Darfur today is a scandal.
It’s not a problem, it is a scandal.”
(Toni Blair – Janeiro/2007)

Espero que a reunião desta segunda-feira (que não será num dos campos de refugiados) não seja simplesmente… mais uma reunião de poderosos.
...
Gostaria de indicar o artigo de Luiz Leitão na coluna Opinião da edição de 22 de junho do jornal Tribuna Catarinense, intitulado “Enquanto Darfur espera”. Clique aqui.


sexta-feira, junho 22, 2007

Não estou tão louco assim

Ontem ao ouvir a declaração do Senador Renan Calheiros aos repórteres, numa matéria do Jornal da Globo, eu pensei ter ouvido coisas. Revi agora o vídeo para confirmar. Foi aquele lance do processo contra ele ser algo esquizofrênico. A certa altura o senador diz "eu não vou permitir que devassem a vida de senadores; eu fiz as provas, fiz questão de fazer as minhas provas...". Essas provas seriam as que ele apresentou? Caramba, então ele as fez?
Lá se vão 374 anos

Foi num dia 22 de junho. O ano era 1633. Nesse dia um cara, que viria a se tornar conhecido mundialmente, se retratava perante a Igreja Católica. "Abjuro, maldigo e detesto os citados erros e heresias..." A ciência então incomodava a Igreja. Ele defendia as teorias de Copérnico, quanto ao sistema heliocêntrico (o Sol como centro do sistema solar) elaborado cerca de 100 anos antes. "Afirmar que a Terra gira em torno do Sol é tão errado quanto dizer que Jesus não é filho de uma virgem", declara o Cardeal Bellarmino durante seu julgamento. Fazer o quê, não é?

O julgamento e todo o processo suscitam até hoje muitas interpretações, elucubrações, teorias, estudos. A biografia do condenado é rica assim como suas invenções e teorias. Informação vasta para qualquer um que se interesse por ciência, filosofia, religião, história da humanidade, etc. Isso aqui não é nem o começo para falar do físico, matemático e astrônomo italiano que, ao se retratar por sua “heresia”, mesmo sendo condenado, ganhava o direito de cumprir sua prisão em casa, aonde viria a morrer, cego, em 1642.

Falo de Galileu Galilei, cujo erro de sua condenação foi reconhecido em 1992, pelo Papa João Paulo II quando declarou se tratar de "uma trágica e recíproca incompreensão".

"Não consigo acreditar que o mesmo deus que nos deu
inteligência, razão e bom senso nos proíba de usá-los"
(Galileu)

Em tempos em que se discute a questão do homossexual (aceitação, respeito, direitos), da camisinha, do aborto, das pesquisas genéticas, a luz mais da religião do que da ética (que parece ainda pouco definida em vários discursos) acho interessante recordar episódios como esse, envolvendo Igreja e sociedade, religião e ciência. Defendo aqui o bem comum, mas já disseram que se “a Igreja levou quase 400 anos para "perdoar" Galileu. Neste passo, é melhor não ser muito otimista quanto ao resto

Os altos da condenação de Galileu Galilei estão digitalizados e disponíveis no site do Arquivo Secreto do Vaticano, explicações em inglês e espanhol. Teste seu dom paleográfico e seu latim.

Mais informações sobre Galileu na Wikipédia ou na seção de tecnologia do Answer (em inglês)

Artigo Galileu: o popularizador da ciência de José Tadeu Arantes na revista Galileu.

"Não se pode ensinar alguma coisa a alguém,
pode-se apenas auxiliar a descobrir por si mesmo."
"You cannot teach a man anything; you
can only help him find it within himself."
Comércio a sangue frio

Anteontem, quarta-feira, dia 20 de junho, o NY Times publicou uma matéria intitulada In the Amazon, Giving Blood but Getting Nothing sobre uma empresa americana que estaria comercializando sangue de tribos brasileiras na internet.

Fui conferir. A empresa se chama Coriell Cell Repositories, tem sede em New Jersey. As amostras de sangue vendidas no site da empresa são das tribos Surui, Karitiana e Ianomâmi (apesar deste último não estar mais no site). A empresa também comercializa amostras de tribos do México (Pima, Quéchua) e do Equador (Auca), dentre outras. 0.050 mg de amostra de DNA sai por aproximadamente 55 dólares e 1.0 ml da cultura de sangue fica em 85 dólares.

Vê-se então que é “normal” esse tipo de comércio. O que complicou foi a forma de coleta. Segundo os índios brasileiros a empresa fez a coleta prometendo ajuda com medicamentos, o que não se concretizou. E também não foram informados de futura comercialização de seu sangue.

A empresa diz que não fez nada de errado, que está tudo dentro da lei. Mas têm-se aí uma completa desconsideração pela cultura e despreparo para um diálogo intercultural por parte dos "cientistas". O desrespeito chega mesmo a questões religiosas. A reportagem cita o fato de ianomâmi acreditarem que a alma só descansará quando todo o corpo (incluindo o sangue) forem queimados.

O que também fica claro é o despreparo das autoridades brasileiras responsáveis por fiscalizar e coibir esse tipo de prática. Já vimos algo parecido com ervas, frutas e pequenos animais. Agora surge essa denúncia, publicada num jornal americano (por mim tanto faz, mas mostra a falta de informação daqui), sobre sangue indígena, coletado nos anos 70 e 90, sendo vendido na internet. Todo mundo sabe mais ninguém viu.




quinta-feira, junho 21, 2007

Mundo globalizado? Nem tanto!

Estava a pouco lendo o artigo de Howard W. French, publicado hoje na seção Africa & Middle East do International Herald Tribune. O artigo, intitulado “African nations excluded from global discourse” (Nações africanas excluídas do discurso global) fala do isolamento intelectual que ocorre na África, relacionando isso como um obstáculo ao desenvolvimento e a globalização. O autor conta suas experiências recentes em Malauí, país do sudeste africano. Dentre outras coisas, French fala sobre as dificuldades de acesso a internet, com preços exorbitantes para malauianos e, segundo ele, mesmo para os estrangeiros. Outro fato que ele cita, e que particularmente me chama atenção, diz respeito às dificuldades que ele encontrou em achar uma livraria. As diversas pessoas para as quais ele pediu a informação sempre apontavam para a mesma livraria, cuja principal atividade, parecia ser a de papelaria, estando à venda de parcas publicações relegada a um segundo plano. A população de Malauí é estimada em mais de 16 milhões de pessoas.

O episódio de Malauí vai de encontro a um caso recente que vivi ao pedir a um amigo que trabalha em Luanda (Angola) para comprar um livro, inicialmente do historiador congolês Elikia M’bokolo (África Negra - História e Civilizações) editado em português em 2003, mas não publicado no Brasil, o que se mostrou impossível; e depois, por indicação de livreiro angolano, o livro “História da África Negra” do burquinense Joseph Ki-Zerbo, faleceu em dezembro passado. Este último, adquirido a preço alto num vendedor de rua. Ambos os autores são de grande importância intelectual e respeitados mundialmente. Seus trabalhos são referências para quem quer realmente estudar a África, procurando entender diversos aspectos daquele continente, em especial a chamada África negra, ou subsaariana. É triste confirmar que na África, objeto de estudo de ambos, suas publicações são raridades.

O isolamento, pelo que vejo, não se reflete apenas no aspecto global, como bem analisa o artigo Howard French, mas também internamente. Um país ou um continente (ou mesmo uma pessoa) deve saber sua história, entender o que houve no passado, ou pelo menos analisar tais questões, estudar, para então perseguir seu desenvolvimento, de forma natural.

Howard inicia seu artigo com uma reflexão sobre o mundo estar ficando pequeno, clichê básico ao se falar sobre globalização. Mas também observa que na África, a globalização de nossa imaginação é apenas isso – algo imaginário.
A crise (aérea?)

Acho que o negócio é mais embaixo. A declaração da nossa querida ministra do Turismo parece se encaixar adequadamente à atenção dada até o momento ao assunto. Lembrando... Marta Suplicy disse no dia 13/06, ao ser questionada sobre o que ela diria aos que não viajam por causa desse problema (enfrentados por passageiros nos aeroportos), "relaxa e goza; depois você esquece todos os transtornos". Uma ministra de Estado, falando pelo Estado para os cidadãos. Interessante que a expressão é parte de um ditato por demais triste que diz "Já que o estupro é inevitável, relaxa e goza". Com isso vemos, de certa forma, a visão do governo sobre o problema e sobre o que deve ser feito.

Analisando o lado dos controladores... Muitas são as críticas que ouço e leio. Umas dizem que os caras devem fazer seu trabalho ou pedir demissão, outras dizem que eles são um bando de irresponsáveis e deveriam pensar no povo que sofre nos aeroportos. A primeira coisa a notar é esse negócio de povo sofrendo nos aeroportos. Quando o ônibus atrasa e faz muita gente levar bronca no emprego por chegar atrasado, ninguém crítica as empresas ou os órgãos responsáveis por fiscalizar o serviço de transporte público. Pelo contrário; já ouvi declarações do tipo "saia mais cedo de casa para evitar o atraso". Simples assim. Outro porém é o serviço de controlador de tráfego aéreo. Já tive um professor, no pré-vestibular, que era controlador. Não sei quanto ganha um controlador, mas esse cara (não recordo o nome), complementava sua renda dando aulas. Um outro aspecto desse negócio é a questão técnica. Muito se fala em problemas técnicos. Na minha concepção, problemas técnicos são aqueles causados por fatores físicos e/ou lógicos. Fatores físicos podem estar relacionados com os equipamentos (que já se declarou estarem em péssimas condições e defasados para atender a atual demanda de serviço), mas também podem estar relacionados com as pessoas (lembrem-se: controladores são seres humanos, logo, suscetíveis a cansaço, por exemplo). E os fatores lógicos poderão estar relacionados com os softwares (programas de computador necessitam, também, de manutenção, verificação, atualização) e também com as pessoas (repito: controladores são seres humanos, e também são suscetíveis problemas de ordem pscicológica, mental; e requerem, por isso, mais atenção).

Chamar tudo isso de crise aérea é uma maneira de simplificar as coisas.
E assim a podridão continua

Já não fosse a tentativa clara de um grupo de parlamentares em tentar acobertar o mau que assola o congresso, ainda temos aí a volta de um dos personagens do ano: Zuleido Veras. Segundo reportagem no Jornal da Tarde, o dono da Gautama está preparando o terreno para sua volta. Volta? O melhor seria, para sua permanência, uma vez que após tudo que se expôs, ele nada sofreu (além de uns dias na cadeia). A matéria diz que o empresário escreveu cartas "não muito extensas", não se arriscando mais em falar ao telefone. Os destinatários seriam deputados e vereadores. As correspondências falam das práticas "corretas" da empresa e seu alto grau de profissionalismo. Numa delas, endereçada ao vereador Alberto Betão Pereira Justino, o Betão, (PSB) presidente da Câmara de Mauá, na Grande São Paulo, lê-se 'Sei que, no momento devido, o exame sereno dos fatos permitirá julgamento técnico e correto que irá recolocar esta discussão no devido trilho, permitindo que as boas práticas da Gautama sejam reconhecidas.' É, no momento devido, pelo que parece, tudo ficará na mesma. Veremos então outras pontes no meio da mata ligando nada a lugar nenhum. Paga, diligentemente, com dinheiro público.

Com relação ao caso (por fora) do Renan Calheiros, presidente do Senado, estamos diante de outra podridão da política nacional. Como declarou o senador Jefferson Peres (PDT/AM), "parece que a ética do país está de cabeça para baixo, está invertida" ... "considera-se um fato corriqueiro, normal, o fato de os (...) investigadores irem consultar o investigado, os juízes irem ouvir o réu para decidir o que fazer". É mesmo. A união deles fica clara nessas ocasiões. Não querem condená-lo, isso é um outro fato já externado pelo corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM/SP), em 31 de maio, quando este declarou "Não quero condená-lo, quero absolvê-lo. Mas quero ter certeza de que ele não vai ser pego na primeira esquina". É interessante notar, com relação ao cargo de Corregedor do Senado, que, conforme art. 2º da Resolução nº 17/1993, dentre suas atribuições estão: promover a manutenção do decoro, da ordem e da disciplina no âmbito do Senado Federal; dar cumprimento às determinações da Mesa referentes à segurança interna e externa da Casa e fazer sindicância sobre denúncias de ilícitos no âmbito do Senado, envolvendo Senadores. Sem comentários!

quarta-feira, junho 13, 2007

Foto do DIA
Não resisto em colocar aqui a foto de Severino Silva / Agência O Dia. Vejam (e leiam) a pintura. Excelente!!

terça-feira, junho 12, 2007

Dia dos namorados
Hoje (e sempre) vale o romantismo. Então, abaixo vocês poderão ver parte do filme Before Sunset (Antes do Pôr-do-sol). Dirigido por Richard Linklater (mesmo da Escola do Rock) e com Ethan Hawke e Julie Delpy no elenco. Um filme de 2004. Neste clip Julie Delpy canta Waltz. Assistam (a letra está abaixo)





Julie Delpy - A Waltz For a Night Lyrics

Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my thoughts
Let me sing you a waltz
About this one night stand

You were for me that night
Everything I always dreamt of in life
But now you're gone
You are far gone
All the way to your island of rain

It was for you just a one night thing
But you were much more to me
Just so you know

I hear rumors about you
About all the bad things you do
But when we were together alone
You didn't seem like a player at all

I don't care what they say
I know what you meant for me that day
I just wanted another try
I just wanted another night
Even if it doesn't seem quite right
You meant for me much more
Than anyone I've met before

One single night with you little Jesse
Is worth a thousand with anybody

I have no bitterness, my sweet
I'll never forget this one night thing
Even tomorrow, another arms
My heart will stay yours until I die

Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my blues
Let me sing you a waltz
About this lovely one night stand

segunda-feira, junho 11, 2007

RCTV: o outro lado da moeda

Postei dias atrás uma crítica com relação ao fechamento da RCTV. A crítica, foi dirigida ao Hugo Chaves e sua política um tanto repressora, em minha opinião. Como este é um espaço para a troca de idéias, acho por bem mostrar algo que rebata, se certa forma, meu pensamento, minhas críticas. Algo que vejo ser importante para refletirmos sobre o papel da mídia na sociedade. Com esse propósito, indico o artigo de Ignacio Ramonet, reproduzido na Agência Carta Maior, nesta data.

O título é A mídia do ódio; e começa assim ..."Por que ninguém protestou quando a RCTV foi fechada em 1976, por difusäo de notícias falsas, ou quando foi lacrada em 1980, por sensacionalismo, ou quando foi fechada em 1981, por difusão de programas pornográficos, ou quando foi condenada, em 1981, por ter ridicularizado o presidente da República?". Cliquei aqui para ler o artigo na íntegra.
“A classe política rouba, rouba, e não acontece nada”

Também título de uma reportagem. Desta vez trata-se de uma entrevista concedida à revista Isto É pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). Aqui o senador gaúcho expõe seus pensamentos sobre a degradação ética e moral que vê no Congresso brasileiro (Senado + Câmara) e no ambiente político nacional. Afirma que a mudança deve ser exigida pela sociedade. Essa entrevista tem muito haver com a postagem anterior, sobre a reportagem da revista Época. Mas uma vez falamos em corrupção. Sobre pessoas ocupando cargos públicos, mas agindo em benefício próprio.

Um item que chama atenção em ambas as reportagens é a questão do foro privilegiado, que fere o quinto artigo de nossa tão amada constituição (Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…). Fiz uma pesquisa rápida e vejo que se trata da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n° 358/2005, ainda em tramitação no congresso. Clique aqui. A PEC propõe o foro privilegiado inclusive para ex-autoridades. “É ser generoso com os ladrões de milhões e rigoroso com os ladrões de tostões”, li num editorial.

Se você vir o que aconteceu no caso de Fernando Collor, alguém disse que, perto do que acontece hoje, ele deveria ser levado para um tribunal de pequenas causas”. Cita em determinado ponto da entrevista. Também aborda a questão da venda, por R$ 3 bilhões, da Companhia Vale do Rio Doce, hoje avaliada em R$ 90 bilhões. Coisas que nos fazem refletir.

Aí, nós temos o corregedor, Romeu Tuma, dizendo que quer absolver (o Renan Calheiros), não quer condenar. Eu nunca vi isso na minha vida”. Realmente, analisando todos os fatos que nos são apresentados, percebemos que é preciso mudar muita coisa. “Agora, eu, no lugar dele (Renan), me licenciaria”. Diz Simon. O senador faz uma comparação que usei recentemente no blog, entre o que aconteceu no Japão e aqui. Lá o suicídio do político corrupto, aqui… bem, aqui não aconteceu nada.

Os atalhos para a entrevista são: primeira e segunda parte

Mais?

PEC 358/2005 na íntegra

Privilégio para improbidade?

Foro privilegiado – artigo de Fernando Machado da Silva Lima


“O que o Brasil precisa fazer para combater a corrupção”

Este é o título de uma matéria de Leandro Loyola, Murilo Ramos e Marcela Buscato, disponível on-line na revista Época. Ao apresentar cinco práticas para diminuir a corrupção, os autores fazem comparações com os resultados em outros países e nos lembra alguns casos recentes de corrupção e desvio de dinheiro público no Brasil. Exemplo disso são as pontes construídas no Maranhão pela Gautama, que ligam nada a lugar algum; o programa Luz para Todos no Piauí, que deixa muitos brasileiros no escuro, dentre outros. Também faz uma crítica a estrutura atual do poder público, com organismos de repressão e fiscalização que não comunicam. Os pontos abordados na matéria são: orçamento, impunidade, controle, transparência, nomeações políticas (“hoje cerca de 24 mil vagas que podem ser preenchidas por indicação de políticos”).

Primeira página da matéria

Segunda e última página da matéria

Como sempre, é muito interessante ler os comentários também disponíveis nessa matéria. Funcionam como complemento para a mesma e expõe dados que a matéria não cita.

E por falar em gastos públicos...

Transparência Brasil

O Portal da Transparência reúne informações sobre o uso do dinheiro público pelo Governo Federal

O projeto Excelências traz informações sobre os parlamentares em exercício nas principais Casas legislativas brasileiras

Assim a fumaça nunca se apagará

Ontem vi no programa Fantástico uma reportagem sobre a Operação Prometeu que a PF efetuou no nordeste visando à erradicação da maconha, coibindo seu plantio. Cultivo esse que, descobriram, estava sendo feito inclusive em terras da União. Até aí nenhuma novidade, pois sabemos que muitos crimes são cometidos em áreas públicas. Até mesmo a água usada para a irrigação da erva era desviada do Rio São Francisco.

Absurdos a parte, me chamou atenção o modo como algumas das plantas era “erradicadas”. Os policiais, provavelmente com escassos conhecimentos de agricultura, cortavam algumas das plantinhas a altura do caule. Aquilo mais parecia uma boa poda. Logo, as plantas crescerão frondosas e mais rápido do que se imagina, estarão novamente prontas para a colheita… e consumo. Outras, é claro, eram arrancadas.

Em outro ponto da reportagem temos as entrevistas com os “agricultores” presos. Um não tinha conhecimento do valor de mercado do produto que cultivava. Outros, mas ligados no assunto, deram uma aula sobre a comercialização da erva no Brasil. Preços, vantagens, riscos, etc. “Se der certo vale a pena”, diziam.

É triste ver que o cultivo da droga atrai mais do que o cultivo de alimentos. Pela reportagem vemos que existem outros aspectos muitas vezes não abordados quando se fala no combate às drogas. Também é preciso que operações como essa da PF, de repressão na fonte, sejam contínuas. Não adianta simplesmente coibir o consumo. Enquanto houve produção haverá um mercado e vice-versa. Parece um ciclo vicioso que não deixa a fumaça se apagar.

Veja a reportagem clicando aqui.
Dificultando para facilitar

No Globo de hoje temos a seguinte notícia “O ministro da Justiça, Tarso Genro, prepara um projeto que restringe a concessão de escutas telefônicas pelas polícias Federal e Civil. O Ministério Público também deverá dar o seu aval antes de o pedido de grampo seguir para a Justiça...”

Já era de se esperar. É notório que a PF está agindo contra a roubalheira que assola o país. Quase toda semana é uma operação nova com nome esquisito que põe no xilindró um monte de figurões. Os bandidos estão em todos os escalões do governo e ocupam posições de destaque no cenário político nacional. Não é de hoje, é claro. Muitos fazem o que fazem há anos, mas parece que agora estão começando a cair nas malhas da justiça. Malha essa que poderá ficar com alguns buracos caso comecem a reprimir a ação da polícia. Refrear a ação da justiça é tornar o ambiente propício para os criminosos.

O objetivo seria evitar abusos e distorções no uso da escuta, mas também pode beneficiar aqueles ladrões que ocupam cargos públicos em benefício próprio. Dificultasse o trabalho de uns para facilitar o “trabalho” de outros.

Matérias no:

Mande um oi para o ministro no Fale Conosco do Ministério da Justiça

sexta-feira, junho 08, 2007

Comentando o comentário

Gostaria de fazer um adendo à postagem anterior sobre a reportagem e o comentário sobre o G8 e a África. A essência do comentário (que comentei) seria a corrupção que suga o dinheiro enviado por países ricos, em detrimento ao real foco de tal ajuda: os africanos pobres. Quanto a isso, eu concordo em número e grau com o autor do comentário. O que realmente critico é a questão, como destaquei, da generalização. Os corruptos, ladrões, ditadores, tanto aqui como lá, não são maiorias, não espelham uma nação. A critica que fiz, então, se dá ao perigo que vejo em julgar todo um continente por mazelas sociais causadas por algumas pessoas. Da mesma forma criticaria expressões do tipo: o Brasil é um país corrupto. Em uma postagem futura eu gostaria de abordar mais amplamente a questão da corrupção, assim como a questão do “perigo” que vejo em determinadas posições político-ideológicas (já presenciei exposições interessantes em sala de aula, vindas de doutos docentes). Não sou nenhum sensor. Encaro a internet como um canal democrático de exposição de idéias/críticas e este é o foco que tendo dar ao meu blog. Comentários em matérias de periódicos on-line são fontes de informação riquíssimas, pois podemos de certa forma observar o impacto do que está reportado, na sociedade, nas pessoas.

E algo que talvez não tenha ficado claro: eu sou contra essa “ajuda” do G8. Da maneira como o auxílio é dado, alguns africanos continuarão a comprar suas Mercedes… às custas da vida de seus compatriotas. Uma posição pessimista. Espero estar errado.

60 bilhões de dólares para a África.

Li hoje pela manhã uma notícia sobre o comprometimento (mais uma vez) do G7 + 1 em adotar um pacote de 60 bilhões de dólares para o combate a AIDS e outras doenças que assolam o continente Africano. Como quase sempre, fui ler os comentários a essa notícia. Sempre instrutivos, ilustram o pensamento de muitos em relação não só a notícia, mas também sobre determinado aspecto da mesma, neste caso, a África. Um dos comentários me chamou atenção, primeiramente pelo caráter denunciativo (mesmo que o autor aparentemente não tenha se dado conta) e depois pelo desfecho preconceituoso e até desrespeitoso com os africanos.

A denuncia – sendo o autor um funcionário de uma embaixada em Roma e tendo contato com diplomatas de diversos países, ele se diz “escandalizado” como desperdício de dinheiro que fazem os diplomatas africanos. Exemplifica citando o caso de um embaixador de um país “miserável” da África que comprou recentemente um automóvel Mercedes avaliado em 95 mil euros.

Com certeza esse não é um caso isolado. Qualquer pessoa que procure se inteirar sobre os aspectos sociais do continente africano saberá que existem muitos que se usam de posições políticas privilegiadas em benefício próprio, mesmo que a razão de ser de tais cargos seja o desenvolvimento de uma maioria. Maioria que padece. É interessante como somos (Brasil e África) parecidos nesse aspecto.

O preconceito – o autor do comentário termina com a seguinte declaração “Riqueza a africa tem e muita o que não tem assim como nós e vergonha na cara” (texto exato; grifo meu). Não sei a origem do autor. Questionei, também postando um comentário, quem seriam “nós”. Gostaria de saber quem é esse povo tão melhor que os africanos, com “vergonha na cara”. Também fiquei escandalizado, mas pelo vazio de comentários como esse. Lembrei também de minhas aulas de Teoria da História (ou Introdução aos Estudos Históricos) quando discutimos os obstáculos epistemológicos. Um deles era justamente o uso de generalizações indevidas. No caso do comentário em questão, a generalização atinge um continente inteiro, que o autor considera como não tendo “vergonha na cara”.

Procuro postar sobre a África em diversos aspectos políticos, culturais, sociais. Meu conhecimento é mínimo, mas me permito tecer comentários objetivando a quebra de paradigmas, aumento do conhecimento sobre o continente africano, análises comparativas do que acontece aqui e lá, posicionamento crítico de determinadas informações que lemos nos jornais e revistas, etc. Eu tento. Comentários como o que li hoje no O Globo On-line, me fazem pensar que ainda há muito que fazer. A ignorância gera preconceito. Isso é um fato!


Links relacionados:

O Globo On-line

BBC News (inglês)

terça-feira, junho 05, 2007


Terça-feira, dia 5 de Junho, Dia do Meio Ambiente. Mais uma data estabelecida pela ONU. Esta em 1972, pela Assembléia Geral, para marcar a abertura da conferência sobre Meio Ambiente Humano, em Estocolmo. Mesmo dia em que outra resolução criava o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O tema deste ano é o derretimento das calotas polares. O título em inglês é “MELTING ICE - A HOT TOPIC”. Bem apropriado.

Já faz 35 anos. Período em que a humanidade evoluiu (e poluiu) muito. Por que só agora surge esse furor em relação ao meio ambiente? Em minha opinião a resposta é: mídia. Com certeza muitas pessoas conscientes da importância em preservar, não precisaram ler reportagens apocalípticas nos jornais para fazer algo. Não precisaram ser alarmadas em todos os telejornais sobre o que o ser humano anda fazendo com a Terra. Mas a maioria parece que precisou de um empurrãozinho. A mídia mais uma vez mostra sua força. É certo que os detentores dessa “força” são cônscios desse fato. Deveriam usa-lá mais vezes. Para o bem, é claro.

O documentário do ex-vice-presidente americano Al Gore, também serviu para reacender a discussão, muitas vezes travada por interesses econômicos, por influência do poluidor-mor, EUA. Mas parece que mais pessoas e governos passam a enxergar a real importância do assunto. Reconhecendo que não vivem num mundo a parte, (com exceção do financeiro, é claro) e que os resultados de tanto descaso com a natureza estão sendo sentidos hoje, agora. E não, como pensavam, daqui há décadas quando já estiverem mortos.
Trio Parada Dura


Bush querendo implantar um sistema antimíssil na Europa. E logo nas barbas de Putin, ex-KGB e que vem se mostrando um ditador nato na condução de seu país. Por falar em ditador, ainda temos o Chaves, que não gosta que ouvir críticas e, como “ganhou” o poder em seu país, simplesmente passa por cima de quem as faz.

O Bush agora quer que todos se unam para algo que ele recusou há tempos, preservar o mundo. Chaves critica o mundo capitalista e globalizado, como se não dependesse desse mundo para vender seu petróleo. Bush critica Chaves que critica Bush que compra petróleo de Chaves. E Putin nem ao menos ri para parecer mais agradável. Mais parece um cão feroz aguardando por uma boa briga. Enquanto isso não acontece, ele vende caças ao Chaves para que este se defenda de Bush que afronta Putin com a base antimíssil na Europa.

Enquanto isso centenas de milhares de pessoas morrem em Darfur, a calota polar derrete, a Terra esquenta, o mar sobe, espécies se extinguem, os Iraquianos padecem com a “ajuda” de Bush, que quer petróleo, pois não pode viver sem esse produto, que também compra de Chaves, que não pode viver sem esse dinheiro, que gasta comprando caças de Putin, que não pode viver sem uma boa confusão.

O mundo seria bem melhor sem esses três!