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Mostrando postagens de Outubro, 2007
Mesquita, os bueiros e algo mais

Recentemente minha cidade natal esteve presente nos noticiários. O motivo não me deixa feliz, mas serviu para que o município de Mesquita seja lembrado. Emancipado recentemente (setembro de 1999), Mesquita é o mais novo município do Estado do Rio de Janeiro. Herdou problemas sérios das administrações passadas (era distrito de Nova Iguaçu) e convive com novos. O mais recente teve haver com o resultado das chuvas da última semana. Vários pontos de alagamento, desabrigados, mortos.

Uma criança foi sugada pelas forças das águas e caiu num bueiro. Há algum minha mãe comentou que as tampas dos bueiros estavam sendo roubadas. Passeando por Mesquita é fácil se deparar com buracos abertos, bueiros sem a tampa. Embora nunca tenha levantado, a tampa de um bueiro daqueles, não parece ser algo fácil de carregar. E se a intenção é vender, é bem possível que não tenham ido muito longe. Sugestão à polícia, à prefeitura, aos agentes do Estado pagos para fiscalizar tais c…
Aborto e paz (?)

Numa postagem recente eu comentei a declaração do governador Sérgio Cabral sobre a questão do aborto ser a solução para a diminuição da criminalidade. Sérgio se baseava no livro “Freakonomics - o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta” do economista Steven Levitt. A declaração foi feita ao G1, há uma semana. Hoje o G1 traz uma entrevista com o autor do livro, feita por e-mail, na qual ele faz uma comparação entre Brasil e EUA, defende suas idéias de maneira não tanto radical quanto a declaração do governador. Leia aqui.

O Globo de sexta-feira trouxe outra declaração do governador, com uma mudança de tom, dentro de uma matéria de Ruben Berta intitulada “Governador, agora, diz que é contra o aborto”. Algo que me chamou atenção ao ler foi um quadro posto no meio da matéria. O título: Opinião. Não sei se do grupo do jornal ou somente do autor da matéria. Lê-se: “Fato Objetivo – Pode-se concordar ou discordar da defesa feita da legalização do aborto pelo governador S…
Blogs d'Italia

Li no espanhol El País que os blogs italianos podem ser afetados por uma lei que pretente regular o conteúdo publicado. Trata-se de um mecanismo de supervisão e controle do governo de Romano Prodi que obrigaria blogueiros a dependerem de um "editor responsável". O controle seria feito pela Autoridade de Comunicações daquele país.
Está aberta a polêmica. É notório que a difusão dos blogs como instrumentos de denúncia e informação, por vezes, incomoda muita gente. E, muitas vezes, os incomodados ocupam posições de destaque num governo, numa companhia. Como sabemos que democracia se tornou algo relativo, mesmo em governos ditos democráticos e ditos populares, já era de se esperar que algo do tipo surgisse.
Segundo o blog de Beppe Grillo, o texto da nova lei diz que o blogueiro, após o registro e devidamente certificado, teria ainda de pagar impostos, mesmo que a informação disponibilizada pelo blog não tenha fins lucrativos. Pegaram pesado!
Se considerarmos a lei…
As desumanidades começam nas palavrasAgora pouco estava lendo uma matéria sobre a infeliz (mais uma) declaração de um de nossos governantes. Agora foi a vez de Sérgio Cabral, governador do Rio (do Estado, mas parece da cidade). Colando do G1… "Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal" declarou Cabral. A entrevista completa pode ser lida aqui.Então o governador relaciona a taxa de natalidade com o índice de violência. A declaração poderia até passar, se não fosse feita de forma tão grosseira. Além disso, essa não é a realidade. Isso é jogar toda a responsabilidade do crescimento da violência, nas costas, ou melhor, nos úteros, da população pobre. É, de certa forma, confortável para os governantes, não apenas para Cabral, uma vez que não mais importam as políticas públicas cretinas, inconseqüentes, eleitoreiras e até desum…
O que desejo pra vocêPrimeiramente te desejo PAZ. E PAZ no sentido mais amplo que essa linda palavra, hoje tão pouco praticada, pode assumir.

Pra você desejo um bom emprego. Desejo que tenhas atividades que te façam progredir. Não necessariamente de forma financeira. Desejo que tu tenhas horas de ofício e ócio, pois ambas são importantes.

Pra você desejo uma roda de samba. E que seja animada. E que dure o tempo que quiser. E que esse tempo não seja mais nem menos do que o necessário.

Pra você desejo amigos, nas horas certas e principalmente nas incertas. E se não forem muitos, que seja pelo menos um, mas seja amigo. E que você saiba disso e ele também, e que ambos respeitem essa coisa sublime que é a amizade.

Desejo que tu tenhas consciência do que faz, a ti e aos outros. E que essa consciência não te tire a boa espontaneidade. Desejo também que tenhas uma família, e que seja unida e feliz. Em não sendo unida, que sejam felizes, mas sejam felizes.

Desejo que tu tenhas momentos de reflexão,…
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Licença para matar
Nas últimas semanas ocorreram vários acidentes nas estradas, como sempre. Os que chegaram à mídia foram todos causados por imprudência do motorista. As estradas, assim como o Congresso, são ambientes de impunidade. Eu realmente não entendo. É de conhecimento geral que uma pessoa alcoolizada tem seus reflexos prejudicados, isso para dizer o mínimo. Logo, ela deve estar ciente disso. Pois bem, se uma pessoa resolve dirigir, estando bêbada, está assumindo um grande risco. É fato. Assim como se alguém resolve apontar uma arma carregada para outra pessoa. A arma pode disparar. Isso também é fato. Então, por que a pena prevista é homicídio culposo e não doloso? Isso é retirar a responsabilidade que de fato existe. Se bebeu, sabia e quis assumir o risco. É dolo. Tinha a intenção. Responsabilidade é algo esperado de todos, mas legalmente deve ser exigida. Infelizmente o que se vê é no máximo uma prisão de alguns dias e liberação, para serviços comunitários, doações de cestas…
Um samba, pra variar


Coisas boas da Internet

Por vezes me surpreendo com as novidades da Internet, seus recursos e possibilidades. Também me surpreendo ao pensar que não usamos praticamente nada do que se oferece, muitas vezes por desconhecimento. Já tinha ouvido falar, por exemplo, de um serviço (mais um) do Google para busca de informações “em livros”. Fazendo uma pesquisa simples sobre informação e memória, me deparei com uma citação do serviço em questão. Com isso, lá fui eu conferir. É excelente. Trata-se, primeiramente, de uma iniciativa do Google que, num trabalho junto a bibliotecas do mundo, digitaliza livros e os disponibiliza na Internet. Muitos somente em trechos, por questões autorais, mas muitos também na íntegra, inclusive para download. O material é vasto e rico (palavra que lembra a empresa).

Dos que estão na íntegra, pode-se encontrar a edição de 1858 de Historia de Portugal, de Alexandre Herculano. Também vi uma edição de 1821 de “Memoria sobre a necessidade de abolir a introdução dos esc…
Uganda: recolhendo os pedaços
O Útimo Rei da Escócia, tema base para uma postagem de fevereiro aqui no blog, foi um filme que mostrou o regime ditatorial de Idi Amin Dada Oumee, em Uganda. O regime termina em 1979, quando foi destituído pelas tropas da Tanzânia com apoio do povo de Uganda. Aqui termina a trama… do filme. A situação do povo ugandense estaria marcada por muitos conflitos, com mais sofrimentos e mortes, nas duas décadas seguintes. Uma rebelião, em meados dos anos 80, e liderada pelo NRA (National Resistance Army) com o atual presidente do país, Yoweri Museveni, lutando contra as forças do governo de então, destruiu boa parte de Uganda. Dois milhões de refugiados internos. 20 mil crianças seqüestradas, mortas ou treinadas como soldados. Muitas dessas crianças-soldado morreram. Outras tentam até hoje, já adultos, reconstruir suas vidas.

Uganda vive hoje um sério problema humanitário, uma vez que, com as negociações de paz, os campos de refugiados (mantidos pelo governo) são …
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Anna Politkovskaya

Tanta coisa escrota acontecendo no mundo e muita gente faz tudo para esconder. É mais simples viver sem saber de certos acontecimentos. E certos acontecimento incomodam alguns. Algumas dessas coisas são simplesmente omitidas dos telejornais que se ocupam de abordar, superficialmente, os "temas da moda". É o caso de Burma (ou Mianmar) questão que abordei aqui no Blog em Julho e que a grande imprensa só mostrou dois meses depois, quando os monges marcharam. Isso sem falar em Darfur e outras regiões da África que sempre abordo.

Outras vezes a "repressão" à liberdade de informação é feita por meios menos sutis. É o caso da Rússia de Vladimir Putin. Há exatamente um ano, Anna Politkovskaia, renomada jornalista e escritora russa, foi assassinada no elevador do edifício onde morava. Naqueles dias ela terminava um artigo sobre as torturas na Chechênia, mais um entre em que descrevia e expunha os abusos contra os direitos humanos e a verdade sobre a "G…
France. Why?

It’s a bit long text, which allows me to test my English reading skills. The issue is lengthy too, related to the history of African continent, from 19th century to now. It’s also an opportunity to realize what is going on there and understand the conflicts taking place in different parts of the continent. And of course, this is the kind of theme rarely deeply investigated and uncovered, when it happens to appear on TV news. If you are interested in foreign affairs, politics, history, sociology, humanities, even psychology, you must read it.

The article by Johann Hari, entitled Inside France's secret war, was published today on The Independent. As the title show, it’s about a war, hidden from the world, lasting for decades, with France managing to place and displace dictators working as countries presidents on French concerns. The dust and sad history is linked to Rwanda genocide of 1994 and actual Darfur region conflict, in Sudan. It’s about Central African Republic. A…
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Sobre Etanol Só mais uma indicação

Li um artigo na revista The Economist sobre o Etanol. Combustível verde, mas nem tanto. A matéria (Ethanol, schmethanol - Everyone seems to think that ethanol is a good way to make cars greener. Everyone is wrong), no caderno de Ciência e Tecnologia, traz alguns detalhes sobre a razão de o Etanol ser considerado um combustível verde, o motivo de ter se tornado algo fashion nos dias de hoje e fala sobre as pesquisas com o propósito de produzir um combustível realmente verde.
A matéria me chamou atenção ao trazer informações sobre o Etanol sendo usado há muito tempo, sobre sua reduzida capacidade de produção de calor na queima do combustível em comparação aos derivados de petróleo, e sobre a liberação do CO2 como sendo mais uma devolução do gás ao meio. A reportagem está em inglês. Basta clicar na imagem acima ou aqui. Caso não esteja mais disponível, me mande um e-mail e lhe envio em pdf.
Dúvidas

Democracia, Imposições e Esquisitices

Estou evitando os telejornais. Internet e impressos também. As notícias parecem sempre se repetir. Corrupção, violência, manifestações contra ambas… Está ficando chato. E as dúvidas aumentam. As minhas, pelo menos. Sinceramente não acredito que diminuiriam se eu lesse cada impresso, acompanhasse cada telejornal, notícias e noticiários on-line. Penso que o que é posto tem a finalidade de confundir, não de esclarecer. Mas como o negócio aqui é seguir “Trocando uma idéia sobre tudo”, não resisto em comentar o que vejo; expondo, assim, minhas dúvidas. Quem sabe alguém lê e, misericordiosamente, decide esclarecer tudo pra mim.

Tenho lido e assistido, por alto, a questão da fidelidade partidária em Brasília. Se o mandato dos deputados seria dele mesmo ou do partido/legenda. Parece que o STF decidiu a favor da segunda opção. Pois bem. Eles esqueceram algo simples: o voto. Consultando meu querido e velho amigo, o Aurélio, eu vejo que voto é o modo d…
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Ah, o Metrô

Acordo. Tomo café, tomo banho, me “ajeito”. Durante o café ainda rola um jornalzinho matinal. Do tipo televisivo, muitas vezes perturbador, tragédias, previsões para tudo: economia, política, clima, trânsito, esporte… Vez por outra troco a telinha pelas rádios. A mesma coisa, acrescentando o horóscopo e a novela. Mais previsões. Sempre a mesma coisa. Trágicas, engraçadas, preocupantes, supérfluas. Lembro de um livro do Bukowski; não me recordo o nome. Mas ele comentava, num de seus contos um tanto autobiográficos, que, ao acordar, baixava para calçar os sapatos e pensava “oh, deus todo poderoso, o que vem agora?”. Os jornais, as rádios, as notícias, as previsões. Saio. Desço. Bom dia porteiro! Por vezes a gentileza, que deveria ser algo normal, parece uma “forçação de barra”. Meu ‘bom dia’ é sincero. Sei disso. Não espero recíproca verdadeira. É melhor assim. Fazer o quê? Ando. Ando. Espero. O sinal fecha (ou não). Atravesso. Ah, o Metrô. Com bilhete sigo direto. Algumas ve…