segunda-feira, outubro 29, 2007

Mesquita, os bueiros e algo mais

Recentemente minha cidade natal esteve presente nos noticiários. O motivo não me deixa feliz, mas serviu para que o município de Mesquita seja lembrado. Emancipado recentemente (setembro de 1999), Mesquita é o mais novo município do Estado do Rio de Janeiro. Herdou problemas sérios das administrações passadas (era distrito de Nova Iguaçu) e convive com novos. O mais recente teve haver com o resultado das chuvas da última semana. Vários pontos de alagamento, desabrigados, mortos.

Uma criança foi sugada pelas forças das águas e caiu num bueiro. Há algum minha mãe comentou que as tampas dos bueiros estavam sendo roubadas. Passeando por Mesquita é fácil se deparar com buracos abertos, bueiros sem a tampa. Embora nunca tenha levantado, a tampa de um bueiro daqueles, não parece ser algo fácil de carregar. E se a intenção é vender, é bem possível que não tenham ido muito longe. Sugestão à polícia, à prefeitura, aos agentes do Estado pagos para fiscalizar tais coisas e, é claro, aos moradores que porventura tenham acesso: verifiquem nos muitos ferros-velhos e “bagulhões” que existem no município.

À população fica o apelo: assim como aconteceu com a criança, um menino de 9 anos, todos correm o risco. Então, façamos nossa parte, fiscalizando, denunciando, cobrando. Mas nunca esqueçamos de que não devemos ser apenas objetos de ações do Estado. Sejamos sujeitos, participando, agindo e interagindo.

À prefeitura: a segurança da população deve vir antes de questões de embelezamento estrutural, com perfil eleitoreiro. O reflorestamento dos morros que circundam Mesquita favoreceria uma maior retenção d’água, além de contribuir para o clima e paisagem natural do município. E o asfalto deve vir sempre acompanhado de infra-estrutura de drenagem adequada, considerando todos não só a geografia local, uma vez que Mesquita não está isolado. Caso contrário, as pessoas deixam de pisar na lama para se afogarem no asfalto.

Aborto e paz (?)

Numa postagem recente eu comentei a declaração do governador Sérgio Cabral sobre a questão do aborto ser a solução para a diminuição da criminalidade. Sérgio se baseava no livro “Freakonomics - o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta” do economista Steven Levitt. A declaração foi feita ao G1, há uma semana. Hoje o G1 traz uma entrevista com o autor do livro, feita por e-mail, na qual ele faz uma comparação entre Brasil e EUA, defende suas idéias de maneira não tanto radical quanto a declaração do governador. Leia aqui.

O Globo de sexta-feira trouxe outra declaração do governador, com uma mudança de tom, dentro de uma matéria de Ruben Berta intitulada “Governador, agora, diz que é contra o aborto”. Algo que me chamou atenção ao ler foi um quadro posto no meio da matéria. O título: Opinião. Não sei se do grupo do jornal ou somente do autor da matéria. Lê-se: “Fato Objetivo – Pode-se concordar ou discordar da defesa feita da legalização do aborto pelo governador Sérgio Cabral. Mas é irrefutável que, por falta de um programa sério de planejamento familiar, as camadas pobres da população converteram-se numa fábrica de reposição de mão-de-obra para o exército da criminalidade”.

É. Pelo que vejo a opinião de que pobre é sinônimo de marginal não é exclusiva de Cabral. Eu sou contra essa visão estreita, esse conceito turvo. Sou a favor de planejamento familiar por qualidade de vida, à família, às crianças. Infelizmente (ou felizmente, diriam alguns) essa “fábrica”, essa camada da população, não tem recursos para comprar a publicação que traz a matéria. Dois reais. E tendo acesso talvez nem criticasse, uma vez que a ignorância, a inexistência de visão crítica, faz parte da política daquele mesmo Estado, emperrado, do senhor Cabral, que parece ter descoberto a fórmula da paz.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Blogs d'Italia

Li no espanhol El País que os blogs italianos podem ser afetados por uma lei que pretente regular o conteúdo publicado. Trata-se de um mecanismo de supervisão e controle do governo de Romano Prodi que obrigaria blogueiros a dependerem de um "editor responsável". O controle seria feito pela Autoridade de Comunicações daquele país.

Está aberta a polêmica. É notório que a difusão dos blogs como instrumentos de denúncia e informação, por vezes, incomoda muita gente. E, muitas vezes, os incomodados ocupam posições de destaque num governo, numa companhia. Como sabemos que democracia se tornou algo relativo, mesmo em governos ditos democráticos e ditos populares, já era de se esperar que algo do tipo surgisse.

Segundo o blog de Beppe Grillo, o texto da nova lei diz que o blogueiro, após o registro e devidamente certificado, teria ainda de pagar impostos, mesmo que a informação disponibilizada pelo blog não tenha fins lucrativos. Pegaram pesado!

Se considerarmos a lei como um tipo de censura, com certeza seria algo extremamente negativo para todos. Por outro lado, a lei talvez demonstre que o Estado (não só o Italiano, pois isso se espalha) e a sociedade, reconhecem a importância dessa ferramenta como meio de comunicação. Viva ao Blog! Viva aos Blogueiros! Mas fiquemos atentos.

quarta-feira, outubro 24, 2007

As desumanidades começam nas palavras

Agora pouco estava lendo uma matéria sobre a infeliz (mais uma) declaração de um de nossos governantes. Agora foi a vez de Sérgio Cabral, governador do Rio (do Estado, mas parece da cidade). Colando do G1… "Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal" declarou Cabral. A entrevista completa pode ser lida aqui.

Então o governador relaciona a taxa de natalidade com o índice de violência. A declaração poderia até passar, se não fosse feita de forma tão grosseira. Além disso, essa não é a realidade. Isso é jogar toda a responsabilidade do crescimento da violência, nas costas, ou melhor, nos úteros, da população pobre. É, de certa forma, confortável para os governantes, não apenas para Cabral, uma vez que não mais importam as políticas públicas cretinas, inconseqüentes, eleitoreiras e até desumanas, feitas ao longo das últimas péssimas gestões. Elas [essas políticas públicas a que me refiro] não levaram em conta o ser humano, o meio ambiente natural e social, e o desenvolvimento de fato.

Assim, o governador se soma a lista dos que usam a África como instrumento de comparação ao resultado de suas fracassadas ações. Além disso, ele marginaliza os recém-nascidos de áreas onde o Estado fez questão de se fazer ausente por tanto tempo. O marginal de hoje, mais especificamente os de áreas que ele compara ao Gabão e Zâmbia, na maioria das vezes foram crianças sem perspectiva, sem bons exemplos, sem oportunidades. Não estou defendendo bandido. Até porque sei que existe muita gente que não presta, independente se sua origem ou residência ou mesmo história de vida.

Cabral cita o livro Freakonomics (Steven Levitt e Stephen J. Dubner) como justificativa academicista para sua posição. Diz que é cristão e católico. Mas o que no fundo vejo, na declaração comparativa do governador, não posso dizer que seja preconceito. É mais grave, pois não tem o “pre”. É, na verdade, um conceito, puro e simples, já enraizado em muitos: pobre é bandido.

segunda-feira, outubro 22, 2007

O que desejo pra você

Primeiramente te desejo PAZ. E PAZ no sentido mais amplo que essa linda palavra, hoje tão pouco praticada, pode assumir.

Pra você desejo um bom emprego. Desejo que tenhas atividades que te façam progredir. Não necessariamente de forma financeira. Desejo que tu tenhas horas de ofício e ócio, pois ambas são importantes.

Pra você desejo uma roda de samba. E que seja animada. E que dure o tempo que quiser. E que esse tempo não seja mais nem menos do que o necessário.

Pra você desejo amigos, nas horas certas e principalmente nas incertas. E se não forem muitos, que seja pelo menos um, mas seja amigo. E que você saiba disso e ele também, e que ambos respeitem essa coisa sublime que é a amizade.

Desejo que tu tenhas consciência do que faz, a ti e aos outros. E que essa consciência não te tire a boa espontaneidade. Desejo também que tenhas uma família, e que seja unida e feliz. Em não sendo unida, que sejam felizes, mas sejam felizes.

Desejo que tu tenhas momentos de reflexão, momentos de silêncio. E que nesses momentos tu possas consertar aquelas pequenas coisas interiores que estejam te atrapalhando, impedindo que tu sigas a trilha da felicidade.

Desejo que tu tenhas força, e que essa força seja suficiente para que tu possas encarar a vida e tudo que ele tem a lhe proporcionar.

Desejo que tenhas esperança; e que tenha fé; e que tenha serenidade; e que tenha certezas e incertezas.

Desejo que teus olhos brilhem e que esse brilho nunca desapareça. E que faça outros olhos brilharem. E que esse brilho seja contagiante, assim como teu sorriso deve ser.

E por falar em olhos e outros… desejo que olhe os outros sempre nos olhos.
E por falar em sempre… desejo que viva para sempre… a cada dia que viver.
E por falar viver… desejo que viva com saúde, que respeite seu corpo e cuide dele.
E por falar em respeito, que é bom e gostamos… desejo que respeite a si, a natureza, os outros, a vida.

Desejo que fale. E falando, que te escutem. Desejo também que ouça aos que falarem a ti e a teu coração, que também “fala” e deve ser “ouvido”.

Desejo que ganhe o que for para ser conquistado. E desejo também que, perdendo, saiba suportar. E ganhando, que tenha humildade. E sendo humilde, que não baixe a cabeça. E mantendo a cabeça erguida, tenha consciência de que existe algo acima, que te acolhe quando ganha, quando perde… sempre.

Desejo que aquela roda de samba, os amigos, a família, a saúde, a PAZ, a alegria, a força acolhedora, e todos os bons momentos e as boas coisas da vida estejam sempre com você.

Que Deus (da maneira como você o concebe) te abençoe!

Alex Amaral

Dedicado a Michael Leandro (1987-2007)


Escrevi o texto acima há mais de 3 anos. Postei agora com algumas alterações, mas a essência é a mesma. Esses têm sido dias difíceis para mim e minha família. A violência que assistimos na TV e lemos nos jornais se materializou, tirando-nos uma pessoa que amamos muito. E sempre amaremos. Foi real, avassalador, assustador, e muito triste. Por isso dedico o texto a meu primo. Mas é o que desejo a todos: PAZ!

sexta-feira, outubro 19, 2007

Licença para matar

Nas últimas semanas ocorreram vários acidentes nas estradas, como sempre. Os que chegaram à mídia foram todos causados por imprudência do motorista. As estradas, assim como o Congresso, são ambientes de impunidade. Eu realmente não entendo. É de conhecimento geral que uma pessoa alcoolizada tem seus reflexos prejudicados, isso para dizer o mínimo. Logo, ela deve estar ciente disso. Pois bem, se uma pessoa resolve dirigir, estando bêbada, está assumindo um grande risco. É fato. Assim como se alguém resolve apontar uma arma carregada para outra pessoa. A arma pode disparar. Isso também é fato. Então, por que a pena prevista é homicídio culposo e não doloso? Isso é retirar a responsabilidade que de fato existe. Se bebeu, sabia e quis assumir o risco. É dolo. Tinha a intenção. Responsabilidade é algo esperado de todos, mas legalmente deve ser exigida. Infelizmente o que se vê é no máximo uma prisão de alguns dias e liberação, para serviços comunitários, doações de cestas básicas.

Soma-se a isso casos como o do promotor que, embriagado e na contramão, matou três pessoas em SP. Não pode ser preso em flagrante por conta dos privilégios do Ministério Público Estadual (MPE). Mais impunidade!

Impunidade como o que vemos no caso de Gabriela Ribeiro, baleada e morta aos 14 anos durante um assalto no metrô do Rio. O STF anulou a sentença de um dos acusados. Motivos técnicos. Gostaria de ouvir um dos ministros que votaram a favor da anulação explicando aos familiares de Gabriela esses detalhes técnicos.

A bandidagem realmente é uma categoria privilegiada. A lei está a seu favor.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Coisas boas da Internet

Por vezes me surpreendo com as novidades da Internet, seus recursos e possibilidades. Também me surpreendo ao pensar que não usamos praticamente nada do que se oferece, muitas vezes por desconhecimento. Já tinha ouvido falar, por exemplo, de um serviço (mais um) do Google para busca de informações “em livros”. Fazendo uma pesquisa simples sobre informação e memória, me deparei com uma citação do serviço em questão. Com isso, lá fui eu conferir. É excelente. Trata-se, primeiramente, de uma iniciativa do Google que, num trabalho junto a bibliotecas do mundo, digitaliza livros e os disponibiliza na Internet. Muitos somente em trechos, por questões autorais, mas muitos também na íntegra, inclusive para download. O material é vasto e rico (palavra que lembra a empresa).

Dos que estão na íntegra, pode-se encontrar a edição de 1858 de Historia de Portugal, de Alexandre Herculano. Também vi uma edição de 1821 de “Memoria sobre a necessidade de abolir a introdução dos escravos africanos no Brasil” de João Severiano Maciel da Costa – O Marquês de Queluz. Muito interessante.

Encontrei várias edições do século XIX da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (clique aqui ou aqui para exemplos) e também da Revista da Academia Real das Sciencias de Lisboa.

O livro “Memoria geografica, e politica das possessões portuguezas n'Affrica occidental...” de Joaquim António de Carvalho e Meneses, edição de 1834. Historia do imperador Carlos Magno e dos doze pares de França de 1863 (clique aqui)

Também me deparei com uma edição de 1729 do livro “The Mathematical Principles of Natural Philosophy” de ninguém mais que Sir Isaac Newton (ele morreu dois anos antes dessa edição). Há uma edição de Hamlet do ano de 1860.

Dos recentes temos a edição de 2003 do livro “Uma história não contada: negro, racismo e branqueamento em São Paulo no pós-abolição”, Petrônio Domingues. Este está em parte, muitas partes. E “The Economics of Apartheid” de Stephen R. Lewis, 1990.

Vi livros até do século XVIII e XVII! Como “Iornada de Africa” de Hieronimo de Mendoça (ou Jornada de África de Jerônimo de Mendonça) do ano de 1785! E uma cópia (não sei se da original) de 1605 de “El ingenioso hidalgo don Quixote de la Mancha” (O engenhoso fidalgo dom Quixote de La Mancha – ou simplesmente Dom Quixote de Miguel de Cervantes). Encontrei até reproduções completas de livros do século XVI. Impressionante e numa escrita que, se não fossem as aulas de paleografia, ficaria difícil entender.

Eu gostei e indico. Pesquisa de livros do Google

quarta-feira, outubro 10, 2007

Uganda: recolhendo os pedaços

O Útimo Rei da Escócia, tema base para uma postagem de fevereiro aqui no blog, foi um filme que mostrou o regime ditatorial de Idi Amin Dada Oumee, em Uganda. O regime termina em 1979, quando foi destituído pelas tropas da Tanzânia com apoio do povo de Uganda. Aqui termina a trama… do filme. A situação do povo ugandense estaria marcada por muitos conflitos, com mais sofrimentos e mortes, nas duas décadas seguintes. Uma rebelião, em meados dos anos 80, e liderada pelo NRA (National Resistance Army) com o atual presidente do país, Yoweri Museveni, lutando contra as forças do governo de então, destruiu boa parte de Uganda. Dois milhões de refugiados internos. 20 mil crianças seqüestradas, mortas ou treinadas como soldados. Muitas dessas crianças-soldado morreram. Outras tentam até hoje, já adultos, reconstruir suas vidas.

Uganda vive hoje um sério problema humanitário, uma vez que, com as negociações de paz, os campos de refugiados (mantidos pelo governo) são desativados. A população retorna para suas aldeias, vilas, cidades, com suas vidas desmanteladas, sem recursos para um recomeço. O julgamento dos “culpados” deverá ficar a cargo da ICC (International Criminal Court) em The Hague, na Holanda? Ou deverão ser submetidos à justiça local? . Que tipo de justiça será feita? O que esperam as pessoas que sofreram tanto nas duas décadas vivendo em campos de refugiados? O que acontecerá agora?

Outro filme, este em forma de documentário, foi produzido pela IRIN (Integrated Regional Information Networks), que integra o escritório para coordenação de assuntos humanitários da ONU, OCHA. O documentário relata a situação atual de Uganda, focando em seu povo, nos hoje adultos soldados-crianças, nos jovens que sonham com um futuro melhor, nas pessoas que tentam reconstruir suas vidas. Aborda ainda outra questão preocupante: o enfraquecimento da cultura local, com valores familiares que foram desaparecendo ao longo das duas décadas nos campos de refugiados. O título do documentário - Picking up the pieces (algo como Recolhendo os pedaços), nos remete a questão do recomeço. São seres humanos que recolhem pedaços de suas próprias vidas, despedaçadas em suas décadas de sofrimento nos campos de refugiados, e tentam montar um futuro de paz.

OBS.: Tentarei colocar a transcrição nos comentários.

domingo, outubro 07, 2007

Anna Politkovskaya

Tanta coisa escrota acontecendo no mundo e muita gente faz tudo para esconder. É mais simples viver sem saber de certos acontecimentos. E certos acontecimento incomodam alguns. Algumas dessas coisas são simplesmente omitidas dos telejornais que se ocupam de abordar, superficialmente, os "temas da moda". É o caso de Burma (ou Mianmar) questão que abordei aqui no Blog em Julho e que a grande imprensa só mostrou dois meses depois, quando os monges marcharam. Isso sem falar em Darfur e outras regiões da África que sempre abordo.

Outras vezes a "repressão" à liberdade de informação é feita por meios menos sutis. É o caso da Rússia de Vladimir Putin. Há exatamente um ano, Anna Politkovskaia, renomada jornalista e escritora russa, foi assassinada no elevador do edifício onde morava. Naqueles dias ela terminava um artigo sobre as torturas na Chechênia, mais um entre em que descrevia e expunha os abusos contra os direitos humanos e a verdade sobre a "Guerra contra o Terrorismo" empreendida pela Russia naquela região. Assim, mais uma jornalista era assassinada, mais uma voz calada, desde 2000, quando Putin se tornou presidente.

A crise na Chechênia continua, como mostra o relatório da Human Rights Watch e é preciso que todos saibam para que algo seja feito. Anna fez seu papel, pagando com a própria vida a tentativa de levar ao conhecimento de todos algo que era (e é) escondido. É preciso que não seja em vão. Que a informação seja difundida, livre. Esta postagem é uma homenagem à Anna Politkovskaya (1958 - 2006).

sexta-feira, outubro 05, 2007

France. Why?

It’s a bit long text, which allows me to test my English reading skills. The issue is lengthy too, related to the history of African continent, from 19th century to now. It’s also an opportunity to realize what is going on there and understand the conflicts taking place in different parts of the continent. And of course, this is the kind of theme rarely deeply investigated and uncovered, when it happens to appear on TV news. If you are interested in foreign affairs, politics, history, sociology, humanities, even psychology, you must read it.

The article by Johann Hari, entitled Inside France's secret war, was published today on The Independent. As the title show, it’s about a war, hidden from the world, lasting for decades, with France managing to place and displace dictators working as countries presidents on French concerns. The dust and sad history is linked to Rwanda genocide of 1994 and actual Darfur region conflict, in Sudan. It’s about Central African Republic. And Mr. Hari is looking for answers.

To read it, click here. If it’s not available anymore just send me an e-mail and I’ll forward you a PDF copy.


França. Por quê?

É um texto um pouco longo, onde tive de testar meus dotes lingüísticos. O assunto é igualmente extenso, relacionado à história do continente Africano desde o século XIX. É também uma oportunidade para tomarmos conhecimento e tentar entender o que está ocorrendo na África, com tantos conflitos em diferentes regiões do continente. Fica claro que trata-se de um tema pouco explorado nos telejornais, nas poucas ocasiões que são mencionados. Mas se você tem interesse em relações internacionais, política, história, sociologia, humanidades, ou mesmo psicologia, não deixe de ler.

O artigo de Johan Hari, cujo título original é “Inside France's secret war” (algo como “Por dentro da guerra secreta da França”), foi publicado hoje no britânico The Independent. Fala sobre uma guerra, escondida do mundo e que já dura décadas, com a França conduzindo ao poder e destituindo ditadores do comando de um país, para atender interesses franceses. A triste e suja história está ainda relacionada ao genocídio ocorrido em 1994 em Ruanda e com o atual conflito na região de Darfur no Sudão. É sobre a República Centro-Africana. E Johan Hari vai à busca de respostas.

Para ler o artigo, clique aqui. Se não estiver mais disponível me envie um e-mail e eu lhe encaminho uma cópia em PDF.

Sobre Etanol
Só mais uma indicação

Li um artigo na revista The Economist sobre o Etanol. Combustível verde, mas nem tanto. A matéria (Ethanol, schmethanol - Everyone seems to think that ethanol is a good way to make cars greener. Everyone is wrong), no caderno de Ciência e Tecnologia, traz alguns detalhes sobre a razão de o Etanol ser considerado um combustível verde, o motivo de ter se tornado algo fashion nos dias de hoje e fala sobre as pesquisas com o propósito de produzir um combustível realmente verde.

A matéria me chamou atenção ao trazer informações sobre o Etanol sendo usado há muito tempo, sobre sua reduzida capacidade de produção de calor na queima do combustível em comparação aos derivados de petróleo, e sobre a liberação do CO2 como sendo mais uma devolução do gás ao meio. A reportagem está em inglês. Basta clicar na imagem acima ou aqui. Caso não esteja mais disponível, me mande um e-mail e lhe envio em pdf.
Dúvidas

Democracia, Imposições e Esquisitices

Estou evitando os telejornais. Internet e impressos também. As notícias parecem sempre se repetir. Corrupção, violência, manifestações contra ambas… Está ficando chato. E as dúvidas aumentam. As minhas, pelo menos. Sinceramente não acredito que diminuiriam se eu lesse cada impresso, acompanhasse cada telejornal, notícias e noticiários on-line. Penso que o que é posto tem a finalidade de confundir, não de esclarecer. Mas como o negócio aqui é seguir “Trocando uma idéia sobre tudo”, não resisto em comentar o que vejo; expondo, assim, minhas dúvidas. Quem sabe alguém lê e, misericordiosamente, decide esclarecer tudo pra mim.

Tenho lido e assistido, por alto, a questão da fidelidade partidária em Brasília. Se o mandato dos deputados seria dele mesmo ou do partido/legenda. Parece que o STF decidiu a favor da segunda opção. Pois bem. Eles esqueceram algo simples: o voto. Consultando meu querido e velho amigo, o Aurélio, eu vejo que voto é o modo de expressar a vontade num ato eleitoral. Essa vontade, num Estado Democrático (sic), é do eleitor. O eleitor decide, escolhe, vota, elege um representante seu. Mesmo um mau caráter. Não é um cargo ou uma vaga que está sendo votada, é uma pessoa para ocupar a tal vaga, o tal cargo representativo.
Minha dúvida: Por que o eleitor fica de fora quando alguns discutem se o mandato deve ficar com o eleito ou com o partido?

Outra coisa é esse negócio da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo que agora passa a Ministério Extraordinário de Assuntos Estratégicos, projeto que alguns chegaram a apelidar de Ministério do Futuro. A medida provisória (a expressão me assusta) que criava a Secretaria foi rejeitada no Senado. Coisa normal. Não vivemos numa ditadura. Existem instituições que representam (ou pelo menos deveriam representar) os cidadãos, coibindo decisões e posturas autoritárias dos governantes. Mas acho que estou enganado, pois li que o governante, o Luís da Silva, criou o Ministério do Futuro com um nome mais bonito, e por decreto.
Minha dúvida: Se o presidente do país tem esse poder de decretar, impondo sua vontade, suas decisões, qual o papel de instituições como o Senado Federal?

CPMF. Coisa Perniciosa sobre a Movimentação Financeira ou ainda Coleta Permanente sobre Movimentação Financeira. Tudo, menos contribuição. Tudo, menos provisória. Parece que vai continuar. Sem ela, o governo diz que não pode dar continuidade a seu grandioso projeto. Então deram um jeitinho. O provisório vai ficando cada vez mais definitivo. Li (um dos últimos que li completo) um artigo no JB do último domingo sobre a CPMF. Quem quiser o artigo me envie um e-mail que eu encaminho em pdf. O autor é Alcides Amaral, jornalista e ex-presidente do Citibank no Brasil. Ele comenta coisas interessantes sobre esse imposto, além de fazer um breve histórico. Uma delas é como a discussão em torno da aprovação ou não ajuda manter a máquina corrupta em Brasília, com os favorecimentos e tudo mais. Se eles aprovam ou reprovam direto, não ganham nada. Então, discutem um pouco. Liberação de verbas aqui e ali, cargos numa ou noutra Estatal… e pronto! É lamentável. Não se discute o uso do valor arrecadado, a aplicação.
Dúvida simples: Até quando?

Democracia mais esquisita essa em que vivemos.

Drogas

Volta e meia reacendem (com trocadilhos, por favor) a questão da descriminalização das drogas. Uns são contra, outros a favor, uns ficam no meio só assistindo. Um dia desses ouvi uma conversa (ou teria eu assistido alguma entrevista?), onde alguém expunha sua posição quanto ao assunto. Favorável, a pessoa comentava que o viciado chegaria numa instituição (?), receberia a dose com acompanhamento até se livrar do vício. Essa foi uma das poucas vezes que ouvi algo, mesmo tosco, relacionado ao funcionamento de uma sociedade onde as drogas não seriam ilícitas. Mas, como sou um cara muito complicado, comecei a ficar com mais dúvidas. Oh ignorância! Hoje existem remédios tipo tarja-preta que não podem ser vendidos sem uma receita especial, que fica retida. Certo? Mas burlam essa determinação. Também existe o contrabando de medicamentos gerais, com roubo de cargas para revenda. E as farmacêuticas, por sua vez, exercem grande influência com seu poderio financeiro, fazendo lobby, controlando patentes importantes em detrimento à saúde das pessoas, que acabam não tendo condições de adquirir os medicamentos. Tudo isso envolve remédios. Então, o crime também existe nas drogas legais. Ah, não falei no cigarro, mas deixa pra lá. É dinheiro, política, produção, comércio, patentes, pesquisas… São muitas coisas relacionadas.
Minhas dúvidas:
Numa eventual descriminalização de drogas como maconha e cocaína, quem fabricará? A FioCruz, Bayer, Glaxo, Pfizer?? Quem comercializará? Quem determinará os preços? Onde serão adquiridas as matérias-primas para a produção? Quem ganhará com tudo isso?

Liberar ou não é uma discussão simplista e superficial!

terça-feira, outubro 02, 2007

Ah, o Metrô

Acordo. Tomo café, tomo banho, me “ajeito”. Durante o café ainda rola um jornalzinho matinal. Do tipo televisivo, muitas vezes perturbador, tragédias, previsões para tudo: economia, política, clima, trânsito, esporte… Vez por outra troco a telinha pelas rádios. A mesma coisa, acrescentando o horóscopo e a novela. Mais previsões. Sempre a mesma coisa. Trágicas, engraçadas, preocupantes, supérfluas. Lembro de um livro do Bukowski; não me recordo o nome. Mas ele comentava, num de seus contos um tanto autobiográficos, que, ao acordar, baixava para calçar os sapatos e pensava “oh, deus todo poderoso, o que vem agora?”. Os jornais, as rádios, as notícias, as previsões. Saio. Desço. Bom dia porteiro! Por vezes a gentileza, que deveria ser algo normal, parece uma “forçação de barra”. Meu ‘bom dia’ é sincero. Sei disso. Não espero recíproca verdadeira. É melhor assim. Fazer o quê? Ando. Ando. Espero. O sinal fecha (ou não). Atravesso. Ah, o Metrô. Com bilhete sigo direto. Algumas vezes compro. Fila. Espero. Bom dia! Por favor… Sempre a mesma coisa. O normal soa anormal. Força-se a barra. Pego e sigo. Passo. Desço. Espero. Vejo que sempre estou no mesmo lugar, ou quase. Costume? Monotonia? Cotidianismo? Ele vem. Vamos lá. Ou melhor, eu vou. Transporte coletivo, sinônimo de individualismo. Cada um na sua. Eu fico na minha. Segue, para, mais seres humanos (?). Entram. Saem. Enfim… Desço. Ali vejo a disputa. Para muitos a primeira do dia. Eles seguem olhando, mas sem ver. Alguns se esbarram. Alguns esperam. Não gostam da disputa. Nem a percebem. Têm tempo. Aguardam. O objetivo dos outros, maioria, é chegar primeiro. Acionar a escada rolante. Ah, que vitória! Sou o primeiro… devem pensar… pelo menos aqui. Prefiro a escada convencional. É curta. Sou sedentário, como a maioria ali. Penso que isso me fará viver (?) uns minutos além do que é… Sei lá. Uma hora aqui, noutra não. Mas estou no Metrô. Quero sair. Quero me livrar dessa etapa da minha vida… até amanhã… se der. Elas sobem… de escada rolante, no esforço da convencional. Olho para o lado, para frente. Engraçado. Não penso nas de trás. Perdedores. Somos todos, de certa forma. Vida de gado. Todos marcados. Todos fazendo parte de uma única massa. Todos indo para o abate. E como seguem. Apressados, monótonos, inconscientes. Seres andantes. Saio. Todos saem. Esse é um dos objetivos. Ando. Espero. Mais um sinal que parece dizer “pense antes de atravessar”. Ele espera minha decisão. Simplesmente sigo. Chego. Mais uma espécie de Metrô. Mais seres. Espero. Entro. Ele sobe levando todos os seres. Cada um para sua estação, imposta, escolhida. Saio. Sigo. Abro. Seria uma escolha? Mais uma. Entro. Abatido. Ah, o Metrô.