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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

A Foice, o Martelo e o Swoosh

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De uma das janelas da empresa onde trabalho é possível ver a Igreja da Candelária, no Centro do Rio. A parte de traz da igreja, próximo à Avenida Rio Branco, é palco de diversas manifestações de todo o tipo.
Ali naquela calçada, onde tantas pessoas se reúnem, uma pichação já gasta pelo tempo, pela chuva, pelos pés de quem ali passa, chama minha atenção. E sempre me faz refletir sobre a posição “política” de algumas pessoas (e a minha também) e os atos e posturas dessas mesmas pessoas (me incluo).
Morte ao capital
Capital aí entendido como patrimônio, riqueza, bem econômico. O mesmo capital usado para produção e aquisição da tinta usada naquela inscrição. O mesmo capital utilizado para custear o deslocamento do autor da inscrição de sua casa até aquele local, para comprar sua roupa, seu calçado, talvez seu relógio, celular… A lista parece infinda.
Há poucos dias caminhava na praia quando notei a tatuagem num rapaz que. Tatuagem grande, no braço. Era uma foice e um martelo cruzados. O sím…

Próteses e prontuários

Problemas e problematizações em gestão documental.
Recentemente um dos assuntos mais comentados diz respeito aos problemas com próteses para implantes mamários fabricadas criminosamente com silicone industrial. São próteses das marcas PIP (francesa) e Rofil (holandesa) utilizadas por milhares de pessoas.
Numa das muitas reportagens sobre o assunto, algo passa quase despercebido. Trata-se da importância dos prontuários médicos. Leiam (e assistam) aqui.
Uma das vítimas desse crime declara não se lembrar da marca da prótese que usa, embora tenha recebido “um certificado como se fosse uma nota fiscal” e não saiba onde guardou, ou mesmo se ainda existe.
A reportagem segue observando que o médico deve saber qual a marca usada em sua paciente e que os prontuários (onde tais informações devem ficar registradas) são mantidos por 20 anos.
O prazo citado é estabelecido pelo Conselho Federal de Medicina em sua resolução n°1.821 de 2007 e diz respeito aos prontuários em suporte de papel. Diz a resoluçã…

Conhecimento puro e aplicado

Bunker Roy: Aprendendo com um movimento de pés-descalços
Respeito muito o ensino dito superior, quando este se apresenta (e se representa) num nível além do simples "estar na faculdade".
Se a venda de diplomas constitui um crime, o frequentar a faculdade ou universidade com vistas apenas ao canudo não me parece algo que se diga nobre. Mesmo se constitui a realização de um sonho.
Também não posso deixar de considerar aqui o mundo animal no qual vivemos, onde as regras do mercado parecem ditar projetos que deveriam estar acima disso tudo.
Esses e outros fatores talvez contribuam para um distanciamento entre a universidade e a sociedade; para uma desvalorização do ensino realmente superior. Além de certa falta de apreço para o conhecimento que se adquire na vida e para a vida.
O vídeo abaixo fala desse tipo de conhecimento negligenciado. E como pode ser resgatado para um desenvolvimento de nível superior. Um conhecimento pé no chão. Sustentável, para se usar a palavra da moda.

Educação. Apenas um negócio?

O título da matéria publicada no O Globo Online é "Universidades privadas, em crise, demitem e fecham unidades no RJ". Leia aqui, caso o jornal não tenha cometido o crime informacional e arquivístico de alterar o link, tornando a informação inacessível.
É preocupante quando a educação se torna um negócio que visa apenas o lucro. Não sou contra o ensino privado, mas quando se coloca objetivo aparentemnte único a obtenção de lucros em instituições que deveriam ser de ensino (pesquisa e extensão talvez seja exigir muito) temos um problema a curto, médio e longo prazo.
Muitas dessas universidades particulares atendem a demanda crescente que o Estado não consegue suprir. Embora, como sabemos, esse mesmo Estado as subsidia de forma direta ou indireta. Logo, temos dinheiro público "ajudando" a gerir tais instituições. 
Abrir e fechar universidades como se fossem lojas cujo mercado local não foi condizente com o planejado (não vendeu tanto quanto se esperava) é a prova de …

Arquivo: informação viva!

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Rascunhos sem valor jurídico”. Essa descrição foi fixada num caixa a ser encaminhada ao Arquivo Central de uma grande empresa.
Poderíamos até intuir que, apesar da ausência de valor jurídico, o conteúdo poderia ter algum valor histórico, sendo, pois, de guarda permanente. Mas não creio que se atribua, numa grande empresa, o termo “rascunho” a algo que possa ter valor secundário. Imaginem se uma empresa de médio ou grande porte começasse a armazenar o volume diário de post-its rabiscados por seus funcionários. Uma situação tão bizarra que impensável para qualquer gestor inexperiente.
Talvez o apego de algumas pessoas por tais papéis, mesmo que reconhecidos e declarados rascunhos, tenha algum fundo emocional, até familiar. É o que talvez possamos compreender na vida pessoal quando se perde um ente querido. O valor que não se apaga com a morte e se fixa em nosso cotidiano, nos tornando de certa forma apegados a quem já se foi (aqui, sem considerações filosóficas ou religiosas).
Na gest…

Começando 2012