sexta-feira, maio 15, 2009

Preconceito? Sei não

A turma do Ancelmo pisou na bola. Li agora pouco no blog deles, no O Globo Online, uma postagem sobre a proibição de cartazes da peça “Apocalipse segundo Domingos Oliveira” nos murais da PUC (Pontifícia Universidade CATÓLICA); que fique bem grifado o natureza da instituição que, queiram ou não, deve ser respeitada. O texto, que foi enviado por Aydano André Motta (o mesmo da seção Chope do Aydano) diz que a universidade alegou que o slogan da produção não estaria de acordo com os preceitos de uma instituição CATÓLICA. E termina com a ironia característica do blog, na maioria das vezes muito bem posta, mas dessa vez de forma um tanto inadequada (em minha opinião e, pelo que li, de muitos que comentaram): “Como diz o chefe, parece censura. E é.”



Bem, sendo uma instituição CATÓLICA, será que a postura deveria ser diferente? Fiquei pensando no Lugo e alguns padres da Igreja Católica que não seguem as regras da instituição que escolheram seguir e depois se acham injustiçados ou vítimas de preconceitos. Não seria melhor se abandonassem, fossem seguir outro caminho de forma respeitosa ao invés de simplesmente quebrarem as regras. É o mesmo que policial que comete crime. Estão numa instituição que combate a marginalidade e, lá de dentro, usando a farda da polícia, sendo pagos pelo Estado (contribuinte) agem como bandidos. Como diz o chefe, parece a mesma coisa. E é.

Com relação à proibição do cartaz, considerando a justificativa de inadequação com preceitos estabelecidos, não considero preconceito. É, antes de tudo, coerência.

quarta-feira, maio 13, 2009

13 de Maio, o começo

EU-Repórter - O Globo

Carro abandonado e falta de segurança preocupam internauta (eu) do Flamengo, Zona Sul do Rio. (...) O problema já foi comunicado à polícia, porém sem ação: os bandidos se escondem no veículo para assaltar pessoas que estão de passagem ou estacionando seus carros. Quem será a próxima vítima? (...). Para ler a íntegra da "minha" matéria, clique aqui.

sábado, maio 02, 2009

Relativizando o erro

Imaginem o seguinte: Nossos tempos… estupro é crime, certo? Será que em algum momento da história recente da humanidade esse ato abominável foi tido como normal? Não sei, mas não me surpreenderia se a resposta fosse positiva. É tanta escrotidão! Imaginem agora um cidadão de nossos tempos que reconhecendo – mesmo que precariamente, pois esse é seu jeito político – ser o estupro um crime, diz ter praticado no passado e não vê razão para tanto alvoroço após ser noticiado que esse absurdo é praticado corriqueiramente, nos dias de hoje, por um grupo de pessoas com as quais aquele cidadão se relaciona. Diz ele: “Eu não vejo onde está o tamanho do crime que as pessoas estão vendendo”.

Esse tipo de estupro acontece com o dinheiro público, com os recursos que deveriam ser empregados para o bem de toda uma população, e é usado como algo privado por políticos que pensam (pensam não, acreditam, têm certeza) que estão lá fazendo um favor, que uma vez lá tudo podem, que estão acima da lei, acima da ética e da moral. Esquecem-se, se é que em algum momento pensaram, que são SERVIDORES.

Assistam a reportagem abaixo. Vidas Alagadas: crianças enfrentam a natureza para ir à escola na Amazônia. É parte de uma séria exibida recentemente no Jornal Nacional. Pode não parecer, mas tem certa ligação com a história sórdida que ocorre no Congresso e no Planalto. Algo como causa e efeito.

O cidadão que cito no início é o Luiz da Silva, o “cara”. E esse “cara” ainda questiona: “Qual é o crime de um deputado levar a mulher para Brasília?” Nenhum Luiz. Mas que tal usar o salário que recebem mensalmente, além de todos os adicionais, para comprar a passagem de suas amadas?

Comigo as desculpas desses “caras” não colam. As defesas calorosas, as lágrimas (até isso!), as lamentações… me enojam! Mas quem sabe, com a lábia que o Luiz e os seus têm, consigam explicar à pequena Luziane e seu irmãozinho, que vão de bote remando, enfrentando os riscos, chuvas, para chegar à escola em Tapará-Grande? Quem sabe não consigam convencê-los de que é mais justo para todos que deputados, senadores, ministros recebam tantos benefícios em transportes? Que o valor gasto até hoje nessa farra parlamentar e ministerial seria o suficiente para comprar e manter um barco seguro que os buscassem todos os dias e os levassem à escola em segurança, ao abrigo da chuva, para que guardassem seus esforços e suas preocupações somente para o aprendizado… Mas como ficariam as esposas, os líderes sindicais agraciados com passagens, os parentes e os filhos desses “caras” em suas viagens ao exterior?

Ou quem sabe esses “caras”, com sua conversa fiada, consigam convencer aquele estudante que teve de abandonar os estudos, pois não tinha como bancar o transporte. Poderiam usar desculpa esfarrapada parecida num bate-papo com os familiares daquela idosa que não teve ambulância para ser transportada de um hospital para outro e teve ser levada, de favor, num carro de passeio. Ou de tantos outros brasileiros que não têm o mesmo benefício de transporte que nossos admiráveis representantes.

Espero que Luziane não se convença, não se compadeça de nenhuma história pra-boi-dormir. Espero que os esforços dela e de seu irmãozinho, nessa luta diária por educação, se consolidem numa formação sólida e num olhar crítico sobre sua situação, e que no futuro ajude o país a extirpar essa corja que habita os ambientes públicos.

Até que os políticos aprendam que não estão acima do bem e do mal, que seus erros e crimes não podem ser relativizados, os abusos continuaram, as violações serão tidas como normais. Até lá continuaremos remando nossos botes para que “caras”-de-pau viajem de primeira classe, com seus parceiros e parentes. E nossas vidas continuarão alagadas nesse mar de podridão.

sexta-feira, maio 01, 2009

Não é questão de não querer

A lógica de evento que traz investimentos não me convenceu. Pode ter dado certo em outros lugares, mas aqui não é outro lugar. Tentar copiar um projeto, um política, um "jeito de fazer" de outros lugar e tentar colá-lo aqui já mostrou que nem sempre dá certo. Eu diria até que, na maioria das vezes, o resultado é o oposto do que se espera.

Mas essa não é a razão para "não querer", nesse momento, que o Rio de Janeiro seja sede das olimpíadas em 2016. Muitos vão achar que sou do contra, que estou falando um absurdo, muitos outros iram simplesmente ignorar o que escrevo ou me xingar de diversas coisas. Não estou nem aí!

Penso que um SIM do COI (Comitê Olímpico Internacional), nessa candidatura que está sendo mais política (no mau sentido) do que qualquer coisa, daria força para manutenção de "seres" no cenário atual. Alguns desses "seres" foram eleitos democraticamente (o que não garante qualidade), outros foram indicados por seus predicados (sic), alguns parecem que simplesmente nos são impostos, como um castigo por um pecado gravíssimo.

Essa força viria da ilusão de que tudo está muito bem. Dirão os que não conhecem a realidade: a cidade está perfeita; tudo está funcionando muito bem; os sólidos projetos atenderão a contento as condições impostas... Ilusão. A cidade NÃO ESTÁ BEM.

Crimes, infraestrutura falha, transporte precário, população de rua... Hoje os representantes do COI visitaram o metrô. Justamente num feriado! Isso não vale. Que tal retornar num dia útil e ver "a vida como ela é"? Que tal entrevistar moradores da cidade que não estão "comprados" pelos que tocam o projeto olímpico? Que tal passear sem batedores uniformizados e motorizados?

Cria-se um ambiente fantasioso para tentar vender mais esse peixe. Varrem a sujeira para debaixo do tapete. Implantam-se medidas paliativas, sem consistência a longo prazo, frágeis, demonstrando até certo egoísmo e desprezo com os que estão por vir.

É preciso criar soluções para benefício da população de hoje e de amanhã. Soluções de fato! E não fazer um teatro para impressionar estrangeiros e usar como trampolim político para futura candidatura.

Talvez um NÃO tenha o poder de colocar os pés de alguns no chão. Um NÃO, assim como para uma criança mimada, pode fazer com que vejam que nem tudo tem solução fácil, que deve haver responsabilidade para com a sociedade. Um NÃO talvez sirva para mostrar que um bom representante público não é aquele que organiza um evento e sim o que prepara a cidade sob sua administração para quaisquer eventos.

Ficaria feliz se o Rio de Janeiro sediasse as Olimpíadas. Mas, nesse momento, o NÃO ajudaria mais que o SIM. Essa é minha opinião.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...