sexta-feira, outubro 23, 2009

Polícia ou Bandido?

O recente ato de violência que culminou na morte do coordenador do AfroReggae Evandro João da Silva engrossa as estatísticas da criminalidade no Rio de Janeiro. O assassinato que, de forma covarde, interrompeu a vida de um ser humano que atuava justamente em prol da humanidade, da dignidade, da não-violência... da vida, foi agravado pela atuação daqueles que deveriam zelar pela segurança pública. Servidores, pagos com dinheiro público, trajando farda e em veículo oficial, se portaram como marginais desumanos.

Eu acredito, quero acreditar, que essa escória seja uma minoria no universo das corporações policiais. Que esse (e tantos outros que ganharam repercussão) sejam casos isolados.

Espero que aqueles que honram essa importante função e o Estado - que deve mostrar eficiência, deixando das politicagens típicas e agir com inteligência - estirpem dos quartéis e das ruas esses bandidos (com ou sem farda).

Um artigo de Javier Méndez Araya publicado hoje no periódico Chileno El Mercurio me desperta uma curiosidade. A notícia, sobre segurança pública na Venezuela, dizia que em 20% (vinte por cento, um quinto, dois em cada dez) dos crimes praticados têm participação de policiais. Leiam aqui.
Fico imaginando... No Brasil, qual a porcentagem?
Leniency

Do you remember the last year events on University of the Free State's campus in South Africa? Click here or here. And check my post about this.

The disciplinary charges against those criminals were dropped. According to University rector Jonathan Jansen it was "a gesture of racial reconciliation, and the need for healing". But I do have another opinion: Leniency.

Read here, here, here... Or use your own news search engine.


© JONATHAN SHAPIRO. 22-10-2009
Zapiro (always a great cartoon). Click on picture to check others.

segunda-feira, outubro 19, 2009




Neste domingo eu recebi uma mensagem de uma amiga. Ela contava sobre uma pessoa que, confesso, até então eu não tinha ouvido falar, havia sido assassinada. A vítima da violência era alguém muito querido e próximo a um de nossos amigos em comum. Por isso a mensagem. Hoje tive oportunidade de falar com esse amigo. Não para consolá-lo. Se esse fenômeno existe, vem de dentro, de algo maior do que simples palavras. Não pedi que ele esquecesse essa tragédia, essa dor. Mas pedi e peço que ele guarde o que ficou de bom, ou pelo menos dê mais importância a isso. E use em seu benefício e de todos.

Amanhã (20/10) faz dois anos que passei (eu e minha família) por uma situação parecida. A violência que assistíamos na televisão, líamos nos jornais e sobre a qual comentávamos, como algo ficcional, distante, irreal de tão absurdo... bem, essa irrealidade se materializou de forma avassaladora. E levou alguém muito querido, que era filho, era irmão, era pai. Era meu primo.

Quando esse absurdo irreal se mostra concreto em nossas vidas é possível olhar com outros olhos as "ficções" jornalísticas, televisivas e comentadas.

Combater algo irreal é uma irrealidade. A violência não é ficção que presenciamos, que assistimos, comendo pipoca no conforto do lar. Não é algo distante que simplesmente apontamos, por vezes nem ao menos olhamos, como se fosse um direito que nos coubesse, já que "estamos do lado de cá do muro, da fronteira... da situação". Não está no passado para que possamos ler nos livros de história ou pesquisar nos arquivos, embora o enfrentamento do que se faz presente esteja justamente ligado ao entendimento do que se passou.

Primeiramente te desejo PAZ... Te desejo, PAZ!




As imagem que ilustram essa postagem são
símbolos Adinkras relacionados com a PAZ.
O primeiro, BI NKABI (ninguém deve agredir
o outro) é um símbolo de paz e harmonia, o
segundo é MPATAPO (laço de pacificação e
reconciliação) que é um símbolo da
reconciliação, da paz e pacificação .
Em nome do conhecimento
Em nome do aprendizado
Em nome do esclarecimento

A propósito de recente postagem entitulada Me prendam!, onde faço uma crítica às ações do MST, gostaria de indicar um texto de Mauro Santayana, publicado em 14/10/2009 no Jornal do Brasil. Clique aqui para ler A CPI do MST e as terras roubadas.

O texto me foi enviado por uma amiga, colega de trabalho e blogueira e ajuda a colocar meus pés no chão. Além disso, me faz lembrar as excelentes aulas de Teoria da História, ministrada por uma grande professora. Naquelas aulas iniciais, preparatórias não apenas para os densos debates que estavam por vir, mas também para a vida, tive contato "formalmente" com os Obstáculos Epistemológicos. Hoje, lendo o texto enviado pela também professora e agora blogueira, tenho a oportunidade de criticar o que escrevo, e pensar no que penso. Realismo ingênuo, credulidade, dogmatismo e certo preconceito. Esses foram alguns dos obstáculos ao saber, à verdade, que poderemos ver no meu texto. Mas não me prendam por isso. Até porque não incorri, como poderão ver, nas generalizações assistemáticas, outro obstáculo.

Ainda acho, porém, e talvez concordem, que certas ações de movimentos sociais estão impregnadas do mal que combatem. Entretanto, de maneira alguma devemos olhar os "episódios isolados" e construir o todo.

Lendo, relendo e revendo tudo que li e o pouco que escrevi, só me resta terminar esta postagem como terminei a outra a que me referi no início. "Tem alguma coisa muito errada nessa história toda!"



A imagem que ilustra essa postagem é o símbolo Adinkra
Nea Onnim No Sua A, Ohu que significa Aquele que não
tem conhecimento, poderá obtê-lo com o aprendizado.

domingo, outubro 18, 2009

Acabou o papel?

A Association for Information and Image Management (AIIM) publicou o resultado da pesquisa "Electronic Records Management - still playing catch-up with paper", algo como Gerenciamento de registros eletrônicos - ainda tentando recuperar o atraso com papel(*). Alguns pontos de destaque:

Boa parte das empresas não possuem quaisquer políticas de gerenciamento de seus registros eletrônicos;

As chances de tais registros eletrônicos serem realmente gerenciados é duas vezes menor que a dos registros em meio físico (papel);

Os arquivos em papel, cujo volume tem aumentado na maioria das empresas, são mais ativamente gerenciados;

Embora mais da metade das empresas pesquisadas tenham como padrão a digitalização de documentos recebidos em papel para posterior arquivamento em meio eletrônico, 40% delas admitiram que imprimem documentos recebidos em meio eletrônico para arquivamento em papel;

Na maioria das empresas pesquisas, são os profissinais de TI os responsáveis pelos processos de gerenciamento eletrônicos de documentos, incluindo e-mails.

Trata-se de uma pesquisa interessante, conduzida por uma entidade conceituada internacionalmente e que nos permite comprovar que ainda há muito por fazer.

Original aqui.

(*) Traduzido com o Bing Translator

segunda-feira, outubro 12, 2009

Sagrado

Qual o papel das religiões do mundo contemporâneo? A Rede Globo e o Canal Futura lançam Sagrado. Uma séria que apresenta a diversidade religiosa "mostrando a visão e o entendimento de cada religião a respeito de assuntos muitas vezes polêmicos como: violência urbana, liberdade de expressão, sexualidade, novas famílias, entre outros." Vejam abaixo os vídeos do quarto ao sexto episódio.

quinta-feira, outubro 08, 2009

Vale a leitura e reflexão

Razão, crença e dúvida. Onde se manifesta a razão? Na arrogância de certezas absolutas ou na capacidade de duvidar? (...) Clique aqui e leia a íntegra do ótimo artigo de Contardo Calligaris, publicado hoje (08/10/2009) na Folha de São Paulo.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Me prendam!

Confesso: eu financio o crime organizado. O esquema é relativamente simples. Todo mês, com meu trabalho, pago uma série de impostos que não saberia listar. Boa parte desse valor vai para a conta da União (Governo Federal). Esse "órgão", por sua vez, destina parte desses recursos, captados com minha diligente ajuda, para instituições conhecidas como ONGs que financiam ações de organizações que, na outra ponta do esquema, algumas vezes fazem o que veremos no vídeo abaixo.

A desculpa, dizem, seria o objetivo de implantar de maneira mais ampla a reforma agrária no país. Porém, qual a linha que separa as ações de um movimento social legítimo das ações de uma quadrilha, de criminosos (com direito a rostos cobertos, vandalismo...) organizados. Tem alguma coisa muito errada nessa história toda!
Sagrado

A Rede Globo e o Canal Futura lançam Sagrado. Uma séria que apresenta a diversidade religiosa "mostrando a visão e o entendimento de cada religião a respeito de assuntos muitas vezes polêmicos como: violência urbana, liberdade de expressão, sexualidade, novas famílias, entre outros." Vejam abaixo os vídeos dos três primeiros programas.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Absurdos cotidianos

Estava eu num ônibus, passando por uma rua do Centro do Rio, na região da Lapa. Veículo parado (sinal?, trânsito?... sei lá!), olho pela janela, reconheço um prédio ocupado pelos Sem-teto. Movimento, grupo, quase partido, que pelo menos faz com que governantes e proprietários se apercebam da estupidez, e absurdo, que é o abandono e descaso com edificações que poderiam ser funcionais. Na janela, vejo um dos "ocupantes". Olhando a paisagem, cigarro numa das mãos, latinha de cervaja na outra.

É, para algumas coisas sobra dinheiro. Absurdo!
O cruel desinteresse

Tanta comida, porém tanta fome... Este é o título de um artigo publicado originalmente para o NY Times em 19 de Setembro deste ano, por Andrew Martin. Foi traduzido e publicado hoje na Folha de São Paulo. Fala de uma crise desnecessária, de uma realidade cruel com quase um bilhão de vítimas.

So Much Food. So Much Hunger
Tanta comida, porém tanta fome

domingo, outubro 04, 2009

Rio 2016

Que tudo corra (e nade, e salte, e pule, e jogue...) muito bem.



From RAYMA (publicado no El Universal em 03/10/2009)

sexta-feira, outubro 02, 2009

Zé Peixe e outro lado da($) moeda($)

Hoje uma amiga me enviou um vídeo de uma reportagem exibida no Jornal Nacional, pelo visto, há aproximadamente uma década. Conta a história do sergipano José Martins Ribeiro Nunes, o Zé Peixe. Pesquisem no Google, as referências são muitas. Mas, vamos ao vídeo.

Zé Peixe atuava como Prático (profissional que atua no atracamento do navio, guiando-o ao entrar num porto) em Aracaju. O que me chamou atenção foi a simplicidade, não apenas da pessoa, mas também de seu lar. Um lugar humilde. O interesse veio com uma lembrança de um comentário feito por um amigo, sócio de uma empresa de navegação, que numa conversa me falou sobre esse tipo de profissional. E o quanto era o salário.

À época não acreditei, mas hoje, vendo o vídeo, resolvi pesquisar. Encontrei algumas referências que ratificam a informação desse meu amigo. É impressionante.

Salário de prático passa de R$ 100 mil por mês
DPC confirma Concurso para Prático, com salários até R$ 130 mil por mês
Profissão: prático, salário: R$ 100 mil
Práticos de Santos ganham até R$ 200 mil

quinta-feira, outubro 01, 2009

Segurança de todos

No último Domingo, o programa Fantástico apresentou uma reportagem sobre como a legislação, que prevê a progressão de pena, está beneficiando condenados por crimes hediondos. A polícia faz seu papel, prendendo o monstro e, independente da barbaridade cometida, a "justiça" o brinda com o benefício da progressão de pena, devolvendo-o a sociedade.

A justificativa para o "presente", conforme artigo (Progressão de regime de cumprimento da pena para crimes hediondos) de Juliana Moura Nogueira é que "terão mais chances de se adequar de volta à sociedade, pois com o cumprimento da pena em regime semi-aberto, onde o preso sai de manhã para 'trabalhar' e volta à penitenciária para dormir, terão mais condições de serem absorvidos pela sociedade".

O que permite isso é o artigo abaixo, da Lei nº 7.210, de 11 de Julho de 1984.

Art. 112 - A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva, com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e seu mérito indicar a progressão.

Parágrafo único. A decisão será motivada e precedida de parecer da Comissão Técnica de Classificação e do exame criminológico, quando necessário.


Eles se baseiam, também, na condição de o detendo ter tido boa conduta durante o cumprimento da pena. Ora, até Hitler, em algum momento da vida dele, deve ter tido um bom comportamento. Aliás, parte da biografia dele é até elogiada, mas isso não o impediu de cometer as atrocidades. E vale lembrar que, segundo consta, certa entidade sobrenatural maligna da tradição judaico-cristã havia sido um anjo querubim. Mas deixa pra lá.

Eu sinceramente gostaria de ver esses juristas explicando (olho no olho) para um pai ou uma mãe que tenha perdido um filho(a) vítima de um crime considerado hediondo, que o responsável por aquela monstruosidade seria solto uma vez que teve bom comportamento, ou que seu regime de prisão passaria a semi-aberto para que sua volta ao convível social fosse facilitada. Creio que esse pragmatismo jurídico não suporta a realidade nua e crua durante muito tempo.

Abaixo segue o vídeo da reportagem.

É importante saber que essa aberração legal que solta monstros nas ruas, felizmente é fortemente combatida por alguns. É o caso da Proposta de Emenda à Constituição n° 364/2009 (leia na íntegra) que tramita na Câmara dos Deputados. A PEC - apelidade de KAYTTO GUILHERME, em alusão ao bárbaro crime ocorrido em Abril deste ano em Mato Grosso (leia aqui) - é de autoria do Deputado Valtenir Pereira (PSB-MT) e "determina o cumprimento da pena no regime integralmente fechado ao autor de crime hediondo". Vamos acompanhar.

Uma declaração dada pelo Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, exibida durante a reportagem, merece destaque.

Segurança pública é polícia, é o Ministério Público, é o Tribunal de Justiça, é o sistema penitenciário, é o Legislativo e o Executivo que sanciona essas leis. Então, a polícia faz a primeira parte e prende. E, se nesse sistema todo, um elo dessa cadeia se dissolve, o problema volta pra polícia novamente, assim como estamos vivendo o problema de hoje. E em outros estados da Federação, isso é muito comum”.

Alguém discorda?