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Mostrando postagens de Novembro, 2007
Through kids' eyes



"Before you talk about education, please feed us. We need to survive. We are hungry."
Mumina Yusuf, 15

"I would like to tell the rest of the world that we want peace."
Kalson Hussein, 13
Televisão, Cultura, Preconceito e Ignorância

Há algumas semanas eu ouvi ou li um comentário sobre manifestações racistas no programa do Jô. Pensei: tanta coisa acontecendo nesses dias que precedem o feriado de Zumbi e Semana/Dia da Consciência Negra… Essa é mais uma, talvez invenção ou paranóia. Não procurei me inteirar e ignorei o assunto.

Hoje pela manhã, ao ler a Folha Online, me deparo com a seguinte matéria: Ministério Público Federal investiga programa de Jô Soares. Bastou para relembrar o ‘boato’ e ter a curiosidade aguçada. Com isso, fui eu pesquisar, começando pela leitura da matéria que comenta sobre a suposta manifestação de preconceito no programa exibido em 18 de junho deste ano (quanto tempo!) que traz uma entrevista com um tal de Ruy Moraes e Castro. A matéria traz um link para o vídeo da entrevista, disponível no YouTube (viva a democratização!).

Confesso que assisti ao vídeo estando um tanto tenso com as acusações que estão sendo investigadas pelo MPF. Mas tentei percebe…
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É fantástico Comentário breve sobre reportagem exibida a pouco no Fantástico. Título no site, Símbolo do Desmatamento. A matéria é sobre um projeto do Greenpeace que retira um tronco de uma árvore derrubada na Amazônia para que seja exibida no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília (onde os grandes madeireiros fazem seu lobby). A primeira tentativa, na cidade de Castelo dos Sonhos, Pará, em 16 de outubro de 2007, a equipe passou por situação complicada com pressão de madeireiros. Intimidação sem retoques.
Mas o que me impressionou, apesar de pouco explorado na matéria, foi a falta de autoridade do Estado brasileiro, ali representado pelo Ibama, Exército e Polícia Civil. A equipe do Greenpeace estava autorizada a fazer a remoção da tora naquela cidade e foi impedida por bandidos que não se deixaram dobrar nem pelo Exército Brasileiro. E depois alguns criticam quando reportagens internacionais taxam o Brasil de incompetente em se tratando de preservação da Amazônia.Conseguiram, enfim, um ta…
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Viva Zumbi dos Palmares

Cá estou me recuperando de uma virose que há três dias tenta me derrubar. Com isso, provavelmente não poderei estar presente nos eventos que ocorrem nesta data. 20 de Novembro, ponto alto na Semana da Consciência Negra. Data em que, no ano de 1695, morria Zumbi dos Palmares. Dia da Consciência Negra.

Algo de interessante acontece nesses dias. São muitos eventos para discutir a situação do afro-descendente na sociedade brasileira, trazer e renovar estudos sobre a escravidão, festejar a cultura e a herança cultural africana no Brasil e, mais importante, elevar a auto-estima de boa parcela da população. Ao mesmo tempo, outros escolhem a data e os dias que a precedem para tecer críticas ao elevado número de feriados, ao perigo do "neo-racismo" (essa eu li hoje no site de conceituada revista) e também comentam, alguns de forma calorosa, outros riscos envolvidos quando se trata de integrar, de fato, afro-descentes e outras categorias numa sociedade tão democr…
Estejam mais avisados ainda

No embalo da Semana Nacional da Consciência Negra e comemorações do dia de Zumbi dos Palmares, gostaria de divulgar mais dois eventos. Além do já comentado II Festival Afro, acontece:

Na UFRJ
A Faculdade de Letras da UFRJ, numa realização em parceria com a UFF e a Fundação Biblioteca Nacional, realiza o III Encontro de Literaturas Africanas- Pensando África: crítica, pesquisa e ensino. O evento acontece de 21 a 23 de Novembro. Para maiores informações clique aqui.

Na ABL
A Academia Brasileira de Letras vai reunir em sua sede especialistas de várias partes do mundo, de 22 a 24 de Novembro, para debater as diversas formas históricas de escravidões na Conferência “Confrontando as Escravidões” – Um diálogo visando ao entendimento cultural. Para maiores informações e programação completa, clique aqui.

Alguns dizem que tais eventos acadêmicos têm um propósito mercadológico, tendo em vista a Lei 10.639 e atribuem isso, também, como motivo para o grande número de public…
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Atenção nunca é demais

Em 2003, a revista Super Interessante trouxe como matéria de capa a reportagem “Como Hitler pôde acontecer?” Um cara baixinho, com um bigode exótico, cuja aparência, em seu conjunto, fugia daquilo que pregava ser característica de raça superior. Fazia aquele penteado esquisitão, comportava-se de maneira mais esquisita ainda e, como ninguém é perfeito, ainda tinha algumas idéias bem escrotas. Mas ele “aconteceu” e deixa seu rastro podre até hoje.

A reportagem fazia um histórico do surgimento à decadência dessa figura. E a primeira conclusão, talvez óbvia, é que esse tipo de gente não surge do nada. São eventos, atitudes, palavras, acontecimento que se sucedem e… lá está ele. Será que foi tão discreto ao galgar os degraus que o levaram até o poder? Não. Não houve discrição. Ele vai mostrando a que veio para aqueles que querem ver. Alguns, descrentes, o ignoram. Outros ficam mais atentos. Mas o fato é que o bigode chegou onde queria.

Mas de quem seria a responsabilida…
Educação: um risco

No dia 6 de novembro, publiquei um texto no Jornal de Debates, numa proposta de discussão sobre educação. A proposta era “Por que a educação não tem prioridade no Brasil?”. Intitulei meu artigo com outra pergunta: “A quem interessa?”. Basicamente falo de dominação a partir da [falta de] educação. Poucos dias depois, 11, assisti no Fantástico uma reportagem que, embora, infelizmente nada tenha de novidade, me deixa triste e indignado.

Escolas caindo aos pedaços” foi o nome da matéria. Apresentou escolas do Maranhão (me lembrei de um imortal), Minas Gerais (onde tem um que quer ser e um que já foi), Alagoas (me lembrei muito do Renan) e Mato Grosso (riqueza, agronegócios, etc.). Estados onde oligarquias parecem resistir ao tempo. Eram escolas municipais e estaduais. Públicas. Ensino fundamental. Na definição, fundamental é o que serve de fundamento, básico, base, alicerce... para o futuro. Futuro sem janelas, paredes ou teto. Futuro aos pés de uma mangueira. Ao sol, ao…
Ajudar funciona (?)

Muito se discute sobre o real impacto que a ajuda (financeira) internacional tem no continente Africano e noutros países dos demais continentes. Sobre África, o que vejo de comentários se resume basicamente a corrupção de alguns chefes de Estado que acabam por desviar o dinheiro doado, ou aplicando de forma errônea, logo, sem impacto no desenvolvimento local e na redução da pobreza. Isso sem falar nas “pesquisas” que dão um tom racista na visão que alguns países desenvolvidos têm do continente Africano, relacionando a cor da pele com pobreza, desmerecendo todo um universo cultural de extrema riqueza, e desconsiderando a História. Com isso, concluem secamente que ajudar não adianta.

O mais correto, a meu ver, seria dizer que a forma atual de ajuda, aonde cada dólar chega impregnado de interesses comerciais, políticos, estratégicos, realmente não adianta. É bom esclarecer que a ajuda a que me refiro é aquela conhecida como ODA (Official Development Assistance) que, na
Na van

Estava eu indo à Mesquita (a cidade, não o templo) e, como quase sempre, fazendo uso do transporte alternativo. Não que eu seja afeito a Vans, mas o transporte oficial que liga Mesquita ao Centro do Rio, mais especificamente à Praça Mauá (dando nome aos bois: linha 005 e 131; empresa: Transmil), não atende a população. Ônibus precários, longas esperas e alto custo da passagem, contribuem para que o oficial perca para o oficioso. Sinceramente, ambos deixam a desejar.

Pois bem, conversas em transporte público, alternativo ou não, muitas vezes são interessantes. É bem verdade que, na maioria, são caóticas, deprimentes, incômodas. Mas a que me refiro, que poderia muito bem ser tema de um estudo, tem haver com ética, corrupção, conceitos e outras coisas mais que se possa extrair daquilo tudo.

Van cheia, sem cabeça para ler um livro (espécie de salva vidas, sempre próximo) as conversas, ou melhor, a conversa, preencheu o tempo. Não participei. Apenas ouvi e me impressionei. Falavam sob…
Haja coração!
Eis um ano inesquecível: 2007. Um ano, como qualquer outro, onde tristezas e alegrias se sucedem, com emoções novas a cada dia, risos e lágrimas, de alegria ou não. A vida é formada de perdas e ganhos. E neste ano essas palavras ganharam mais significado, como se o coração fosse marcado a ferro em brasa para defini-las, de uma vez por todas. Espero, sinceramente, que acontecimentos tão intensos cessem daqui para o fim do ano. Chega, por enquanto.

No espaço de dezenove dias, a morte e a vida se materializaram em minha frente, desafiadoras, exigindo ação, atitude, força… e também permitiram reflexão. Refleti sobre a vida e a morte, força e fraqueza, sobre esperança e desilusão, sobre violência e paz, sobre família, sobre passado, presente e futuro.

Em 07 de Novembro de 2007, nasceu minha sobrinha. Presenciei a vida chegando com força, num presente de 3.315gr distribuídos em 50cm de esperança num futuro de paz.
Seja bem-vinda, Júlia!
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Estejam avisados...
De 21 a 25 de Novembro acontecerá no SESC Tijuca o II Festival Afro, como parte das comemorações da Semana da Consciência Negra e homenagens a Zumbi dos Palmares. E o patrocínio da Petrobras (órgão do Ministério da Cultura) garante a entrada gratuita.
"O Projeto II Festival de Música, Dança e Cultura Afro-brasileiras consiste na realização, na cidade do Rio de Janeiro, de espetáculos de música e dança, oficinas culturais, um seminário e uma exposição de artes plásticas e uma exposição fotográfica que darão ao público carioca uma mostra da rica herança cultural que o povo de origem africana legou ao nosso país. Seu objetivo é contribuir para a promoção e divulgação da cultura de raiz afro-brasileira, abrindo espaço também para a discussão e o debate sobre a cultura negra no Brasil de ontem e hoje." Para maiores informações clique na imagem abaixo.

Formas de tratamento

Há poucos meses foi uma empregada doméstica. Alguns dos criminosos alegaram que pensavam se tratar de uma prostituta. Postei sobre isso aqui . Agora parece que acertaram, pois desta vez o alvo foi realmente uma prostituta. O cenário, mais uma vez, a Barra, mas poderia ter sido em qualquer lugar. Os "protagonistas" mais uma vez jovens de classe média alta, que vivem no conforto e relativa segurança dos condomínios da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Já ia esquecendo o motivo: o desprezo pela vida, pelo próximo; e, é claro, a sensação de impunidade. Uma matéria do O Globo Online fala sobre a falta de valores, a infantização, e isolamento social desses jovens. São realmente fatores que contribuem para a formação desses que, tendo estudado em boas escolas, com oportunidades para se profissionalizarem e com todos os recursos de que dispõe, são os mais cotados para ocuparem postos de comando num futuro próximo.

Uma coisa que acho bem interessante ao fazer uma …
Sem querer causar intriga

Cá estou, em horário de almoço (isso, na verdade, não existe) no escritório. Sala de fundos, de cara para o que ficou conhecido como o "Triângulo das Bermudas" - local onde fica a sede da Petrobrás, o BNDES e o prédio do antigo BNH - pois é onde o dinheiro do Brasil desaparecia, dizem.
Pois bem, os protestos, como tenho percebido, são constantes. Algumas vezes fica difícil me concentrar no "trabalho". No princípio eu ficava curioso, mas agora parece que é normal, não é mais uma novidade.
Hoje, por exemplo, resolvi observar um pouco a manifestação de um dos sindicatos. A primeira coisa que reparo é o baixíssimo quórum de funcionários em frente ao famoso Edise, como é conhecido o Edifício Sede da Petrobrás. Alienação? "Sou terceirizado, não tenho nada com isso"? Falta de engajamento? Acomodação? Um direito (já que a associação é livre)? Sei lá! Mas centenas de funcionários saem para o almoço ou outras tarefas. A maioria pela lateral,…