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Mostrando postagens de Agosto, 2007
Sinais de mudança

A declaração de Morgan Tsvangirai, líder da oposição no Zimbábue, sinaliza que algo começa a mudar, ou mesmo transparecer, na cultura política de países africanos. Sei que generalizações indevidas representam grave erro no entendimento de um assunto, mas neste caso gostaria de arriscar. Por isso, mantenho a abrangência da primeira frase.

O Zimbábue vive hoje uma grave colapso social, econômico e político. É mais uma crise humanitária, mundo afora ou África adentro. As principais vítimas são os zimbabuanos e o principal responsável seria o atual presidente, Robert Mugabe. Seu opositor, Morgan Tsvangirai, fez uma declaração que, mesmo carregada de intenções políticas, traz certa serenidade ao analisar a situação atual. Segundo Morgan a preocupação com Mugabe, mas especificamente em tirá-lo do poder, deve ficar em segundo plano. A preocupação maior deve ser com a cultura política instituída no país, que desrespeita as pessoas, violando direitos e bem estar econômicos da m…
Que não seja um pretexto

A decisão do STF foi algo de muito positivo. Disso não resta a menor dúvida. Foi aceita a denúncia contra os 40 bandidos, a maioria ocupante de cargos públicos, que participaram do esquema (um deles) conhecido como mensalão. Igualmente importante foi o papel do Ministério Público Federal, investigando e apresentando a denúncia contra a quadrilha. Mas algo está me incomodando. Principalmente após assistir a última edição do Jornal Nacional. Alguns políticos, dentre eles ACM Neto, apareceram para elogiar a "afirmação da justiça", o "fortalecimento da democracia". Diziam que a decisão do Supremo era um alerta aos que tentam se proteger com o foro privilegiado. Demonstraria que estão enganados os que pensam que foro privilegiado é sinônimo de impunidade. De certa forma, é justamente isso. Temos dezenas de parlamentares que, mesmo com foro privilegiado, agora são réus. Nem culpados, nem inocentes. Apenas réus. Julgamento final, culpando-os ou ino…
África
Gostaria de indicar dois artigos que li recentemente. O primeiro, intitulado “África, 2057”, traça um breve panorama do continente desde o ciclo de independências inciado em 1957, analisa a África de hoje e vislumbra o que poderá ser continente, sócio-economicamente, em 50 anos. É de autoria do professor Immanuel Wallerstein pesquisador sênior da Universidade de Yale, no EUA, e foi publicado originalmente como artigo para a Agence Global (AG), mas pode ser lido em português no site do Fernand Braudel Center, Universidade de Binghamton, de Nova Iorque. ou na revista eletrônica Informação Alternativa.
Em português Fernand Braudel Center ou Revista Informação Alternativa
Original em Inglês, no Agence Global
O segundo artigo, “África além dos preconceitos”, procura analisar os clichês que parecem retornar, embora nunca tenham deixado de existir, à imprensa e às produções intelectuais sobre o continente. Tem como base um trabalho desenvolvido pelo IRD (L'Institut de recherche pour le…
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Não reclame! Aceite e aplauda sempre, ou fique calado.

"...Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz...", como na música Admirável Gado Novo, do Zé Ramalho. Parece ser exatamente isso que querem. E ainda falam do período da ditadura como se praticassem algo totalmente diferente hoje. Realmente fica difícil entender esses distintos cavalheiros. Vejamos. Durante a inauguração de uma unidade do CEFET em Campos, no Rio, algumas pessoas, entre estudantes e professores, resolveram protestar contra as condições de trabalho e estudo atuais, usando nariz de palhaço e apitos. Segundo reportagem (leia aqui ou aqui), o senhor Sérgio Cabral “Filho” não gostou e os chamou atenção, criticando-os, da mesma forma fez nosso querido presidente Luiz da Silva, presente para a inauguração.

Então está tudo muito bem. Ambos são sinônimos de perfeição como “funcionários públicos”. Estão exercendo seus papéis de forma primorosa. Logo, fiquemos quietos ou aplaudamos. Certo? Errado! Mesmo que den…
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Véu: um jeito simples de proteger

O governo do Quênia, em parceria com a OMC (Organização Mundial de Saúde) e o Departamento Britânico para o Desenvolvimento Internacional, achou uma maneira simples para reduzir, aproximadamente à metade, as mortes por malária em áreas de maior risco.

O Ministério da Saúde queniano distribuiu à população milhões de redes tipo véu com tratamento inseticida, conseguindo assim reduzir à metade as mortes pela doença que mais mata no continente africano. São cerca de um milhão de mortes por ano, sendo 34 mil no Quênia. O programa de distribuição em massa das redes salva a vida de milhares de crianças e adultos e consegue reduzir o custo atual com o tratamento da doença.

Fonte: Guardian Unlimited

Net: an easy way to protect

The Kenyan government, supported by WHO (World Health Organization) and the Britain’s Department for International Development, found a simple method to halve deaths from malaria in high-risk areas of country.

Kenya’s Health Ministry has distr…
Million Voices




Música de Wyclef Jean que serviu de trilha sonora para o filme Hotel Ruanda, sobre o genocídio de 1994 naquele país africano. Escrevi há alguns meses um post sobre o que ocorreu em Ruanda. Leiam aqui. O filme, apesar de forte, eu indico aos que quiserem ter uma idéia do que ocorreu.
Com relação a música eu penso que algumas coisas merecem ser consideradas. Além, é claro, do brilhantismo deste haitiano engajado em questões humanitários e que, ao lado de Lauryn Hill e Pras, faz o som do Fugees.

A música de Wyclef, Million Voices, é o grito por uma Africa una. É o inconformismo com a política de dividir para enfraquecer e dominar, usada pelos colonizadores e que tem como resultado muitas das mazelas que vemos hoje no continente Africano. É a lastimação em saber que a busca por riquezas materiais, tais como diamentes, pode destruir tantas vidas.
O futuro é retratado. As crianças que tanto sofrem, aqui dançam, cantam, alegres e felizes. Quando a luz do Sol brilhará novamente s…
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Lição não aprendida. Iraque, EUA e Lawrence da Arábia

Já virou algo banal ligar a TV ou abrir um jornal e ver mais uma notícia sobre atentados suicidas no Iraque. Mortes no atacado. Um dessas foi durante um casamento. Convidados e parentes foram mortos com a explosão de um carro-bomba. Por vezes me pergunto como suportam, como podem continuar com suas vidas, casando, trabalhando, fazendo coisas simples ou não, com tanta guerra, com tanto risco. Algumas dessas vezes eu olho para minha cidade e concluo que vida deve continuar, apesar dos pesares. Não comentarei aqui a ocupação do Iraque pelos EUA. A intenção aqui é indicar um artigo de Robert Fisk, do inglês The Independent, que ratifica uma conclusão óbvia: eles (os invasores) não fazem idéia da encrenca em que se meteram. Ou fazem, mas não querem admitir. O artigo de Fisk analisa a ação invasora fazendo uma relação com os escritos de T.E. Lawrence, também conhecido com Lawrence da Arábia, intelectual, escritor... e soldado britânico, m…
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Rambo no chifre da África

Rambo. Eu assistia repetidas vezes os filmes 1, 2 e 3. Soube que virá o quarto da série. Se não me engano foi Rambo III que trouxe a história da guerra no Afeganistão. Lembro que os maus e opressores eram os soviéticos, os oprimidos eram os afegãos e, como não poderia deixar de ser, EUA eram os heróis, representados pela figura do Rambo. Lembro também que os rebeldes afegãos foram auxiliados pelos EUA. Posso estar enganado, mas a “ajuda” também se deu em forma de armamento. Também posso estar enganado, mas o filme, de certa forma, refletiu a realidade: EUA armou o Afeganistão na luta contra a União Soviética. Seria a Guerra do Afeganistão, 1979, ainda no contexto da Guerra Fria. Bin Laden e Rambo lutando lado a lado. Veja só!

Pelo pouco que li, Saddam Hussein também teria sido armado pelo EUA. Parece que é uma prática comum na política externa estadunidense. O resultado imediato é sempre o mesmo: o sofrimento de um povo.

Mas também podemos citar outros produtos …
Anistia e Vaticano

Ontem o inglês The Independent trouxe em sua capa uma matéria sobre a campanha da Anistia Internacional que se mostra favorável ao aborto. O foco da reportagem, na verdade, foi o conflito que tal posição suscita entre a instituição e a Igreja Católica. “Anistia desafia Igreja Católica pelos direitos das vítimas de estupro”. O Cardeal Renato Martino, presidente do Pontifício Conselho por Justiça e Paz, declarou que a menos que essa política da Anistia [Internacional] se reverta, o Vaticano irá convocar os católicos de todo o mundo a boicotar a organização. Posição um tanto ríspida a meu ver, mas é preciso lembrar que a Anistia, instituição criada em 1961, está lidando com outra com dois milênios de história.

Não tenho uma opinião formada com relação ao aborto. Se é crime ou direito. Se é pecado. Se é certo ou errado. Até mesmo porque as variáveis ou “razões” para a prática do aborto não se limitam ao simples desejo de ter ou não filhos. Muito menos se restringe ao pla…
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É mais fácil derrubar a árvore

Recebi de um amigo uma matéria do jornal português Diário de Notícias sobre o caso de Mychal Bell, um adolescente americano de 16 anos condenado por agressão num caso que envolve ainda cinco outros “réus”, também adolescentes. No link vocês poderão ler o caso, em português, no qual Bell recebe pena de 22 anos de prisão após uma briga na escola. Notando que o “vitimado”, atendido logo após o incidente, saiu do hospital após cerca de 3 horas. Estava bem, passa bem.

Como não poderia deixar de ser, resolvi pesquisar mais e vi que a história não é tão simples assim. Percebi também que o conflito racial nos EUA, daqueles que sempre virão filmes dramáticos, infelizmente, ainda existe. Além disso, ficou mais uma vez claro, algo que chamei atenção no blog por ocasião da inscrição do repórter americano no PAN (o “Welcome to Congo”): o Katrina deixou transparecer a mazela que os EUA só enxerga na África e venda os olhos para seu próprio território.

Após a devastação d…
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A evidência
Crianças. Futuro da humanidade. Prova viva do que acontece hoje e, ao mesmo tempo, do reflexo que tal acontecimento tem ou terá no amanhã. Sinceridade, espontaneidade, honestidade. Reflexo. Resultado. Produto. Prova.
A organização britânica Waging Peace (Promovendo a Paz) que, dentre outras coisas, luta em prol das vítimas em Darfur, no Sudão, fez um trabalho junto às mulheres daquela região, para que expusessem sua visão do conflito, seus temores, suas dores, para que denunciassem as atrocidades. Uma vez que o governo sudanês, segundo informações, sistematicamente intimida as organizações humanitárias, além de apoiar a milícia e seu exército que promovem o massacre e, claro, cala a população. "You have to be our voice. We don't have a voice" (Você tem de ser nossa voz. Nós não temos voz). Era a resposta de muitas das mulheres entrevistadas, a maioria tendo perdido seus maridos de forma brutal, assim como seus filhos mais velhos, numa região onde o estupro é ar…
E o Renan?!

Acobou o recesso e, assim como a trégua durante o PAN, acabou a trégua para o RenAN. Mas recomeça também a mesma ladainha. Ele diz que fica, que dali não arreda o pé. O PSOL e outros gatos pingados dizem que é um absurdo, que ele deve sair, que vacilou, blábláblá. Latifundiários como o Renan devem sim se afastar de cargos públicos. Sou pessimista quanto a isso, pois acho que sempre usarão o cargo público em benefício próprio. Agora, por exemplo, surge a denúncia de "relações" entre o clã Calheiros e a cervejaria Schincariol (isso vai dar dor de cabeça em alguém). Também li algo sobre apropriação ilegal de área rural. As denúncias foram protocoladas pelo P-SOL. Vamos ver no quê dá.
Enquanto isso...

Será que tudo quanto é escândalo termina em Playboy? É o que parece. A jornalista com quem o Renan teve uma filha está prestes a ser capa da revista. Ao que tudo indica, o que foi visto pelo Renan em breve poderá ser visto por todos.
Em comemoração ele poderia dar uma festa…
'Vuelve la guerra de las favelas'

Título de reportagem do espanhol El Pais sobre o fim da trégua na batalha entre traficantes e policiais (população à margem) no Rio de Janeiro. Fim do PAN, recomeço do pan pan pan. Foi mesmo um momento de paz. Os jogos poderiam durar eternamente. Mas o que é bom dura pouco e estamos de volta à realidade. Operações nas comunidades, chacinas, balas perdidas. É guerra!
Enquanto isso a Força Nacional de Segurança (FN) continua acampada em condições de extrema precariedade. Situação que dura mais de dois meses. Mas uma coisa em comum com a guerra. A edição on-line do Jornal Extra traz um vídeo (mais um) feito pelos integrantes da FN onde podemos ver como o Estado vem cuidando da segurança. O vídeo me fez lembrar a universidade onde estudo, com infiltrações, banheiros interditados (total ou parcialmente). É o Estado cuidando da Educação, da Segurança, da Saúde. Assim é complicado.
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Até então eram os negócios que vinham primeiro

Qual a relação entre o Petróleo e o crescimento de uma nação? Isso é fácil. O padrão energético atual exige o combustível fóssil para diversas aplicações. É uma dependência. Quanto mais uma nação cresce, mas consome o ouro negro. E qual seria então a relação entre o crescimento econômico de uma nação e a morte de muitos milhares e sofrimento de alguns milhões de seres humanos noutra nação? Os interesses comerciais vindo antes, muito antes, dos interesses humanos e sociais.
É mais ou menos o que houve entre Sudão e China. Sendo os maiores compradores do petróleo sudanês, os chineses por muito tempo foram um dos entraves para um boicote comercial e pressão internacional de fato no governo que apoia, ou no mínimo tolera, um genocídio. Para não prejudicar sua relação comercial com o Sudão, a China fez vista grossa para o que ocorria e, infelizmente, ainda ocorre naquele país, na região de Darfur.
Mas finalmente a China resolveu aceitar a respo…
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Extra-oficialmente

Ontem postei sobre o plano americano de vender armas para alguns países do Oriente Médio, agora de forma mais intensa e levando adiante a idéia absurda de "armar para pacificar". Hoje, na versão on-line do britânico The Guardian, li uma matéria muito interessante sobre as operações, digamos, extra-oficiais dos EUA no Iraque e em outros países. Os abusos e absurdos que assistimos na TV envolvendo soldados americanos, no Iraque por exemplo, talvez não se comparem aos abusos cometidos pelos mercenários também americanos. A reportagem comenta que a guerra está, de certa forma, privatizada. São dezenas de empresas que lucram prestando serviços de "segurança" naquela região. São vários casos de abusos onde a pena é uma simples demissão, já que não são militares, não respondem a corte marcial e dificilmente condenados como réus comuns.
São empresas muito bem relacionadas com a Casa Branca. A reportagem cita a BlackWater, que tem em seu quadro de diretores…