segunda-feira, maio 28, 2007

Comparações

Brasil e Japão

Tóquio: “Escândalo leva ministro japonês ao suicídio”. O ministro de Agricultura, Florestas e Pesca do Japão, Matsuoka Toshikatsu, foi acusado de malversação de fundos públicos. Ele morreu horas depois de ter sido encontrado enforcado nesta segunda-feira em um prédio residencial para parlamentares em Tóquio.

Brasília: Renan Calheiros, presidente do Senado, foi acusado em reportagens veiculadas na Revista Veja e no jornal O Globo, de ter usado "laranjas" para ocultar propriedades rurais. Pairando ainda a dúvida de como o subsídio de R$ 12.500,00 que receber como parlamentar o permitia pagar uma mesada de R$ 16.500,00 a uma jornalista com quem tem uma filha. Ele diz que tudo é calúnia, difamação. Diz que, em seu pronunciamento de hoje à tarde, irá esclarecer tudo. Sei não…

Imaginem se a moda pega aqui.


Brasil e Venezuela

Caracas: TEVES. Este é o nome do novo canal de televisão da Venezuela. Criada pelo governo venezuelano como uma televisão de serviço público, a Televisão Venezuelana Social entrou no ar na madrugada desta segunda-feira às 0h20m, ocupando a freqüência até então utilizada pela RCTV, que não teve sua concessão renovada pelo governo.
Hugo Chaves, no fim do ano passado e pouco depois de confirmada sua reeleição, anunciou que a concessão da RCTV não seria renovada, acusando a emissora de ser um canal golpista de televisão. Fica a impressão de que, quem não segue a cartilha do governo está fora.

USP – São Paulo: A notícia me lembrou de um comentário feito por um veterano de um curso da USP, do grupo a favor da greve e da ocupação, sobre o posicionamento de um calouro do mesmo curso. O veterano escrever que, pelo fato de o calouro não ter o mesmo posicionamento político deles (os grevistas e ocupantes da reitoria) este estaria “queimado” no curso. Assim como Chaves, o preclaro (mais uma vez essa palavra) veterano persegue e exclui os que não seguirem sua cartilha.
Raízes Afro-Brasileiras

A BBC lançou hoje o especial Raízes Afro-Brasileiras, que traça o perfil genético de nove brasileiros famosos de origem africana. Clique aqui.

Muito interessante o trabalho e o material disponibilizado no site da BBC, complementando a pesquisa, também bastante é rico. Existe inclusive outro especial, Escravidão.

Neste, o legado da escravidão é analisado à luz de fatos e notícias bem atuais, como, por exemplo, o ainda presente trabalho escravo nas propriedades rurais do Brasil e o combate a essa “prática”, assim como os entraves legais e logísticos; a declaração da Ministra do SEPPIR, Matilde Ribeiro; o tráfico de mulheres; a escravidão de crianças no ápice do período escravista, algo que eu desconhecia até o momento.

Outro ponto impressionante são as imagens doadas ao Real Museu Naval da Grã-Bretanha pela família de um marinheiro britânico que fazia parte da tripulação de um navio de combate ao tráfico de escravos. Um exemplo é a foto de um ferreiro que rompe as correntes que prendem um africano, de 1907. Clique aqui .

Com a nova pesquisa, surgirão novas abordagens, argumentos, opiniões, mais debates. A polêmica também terá seu lugar, isto é certo. Mas é tudo muito bom. O importante é não silenciar para um assunto, a meu ver, tão significante. E fica a esperança de que o conhecimento obtido ajude a reaproximar o Brasil e a África. Parabéns BBC!

sexta-feira, maio 25, 2007


D i a d a Á f r i c a

“In the life of any individual, family,
community or society, memory is of
fundamental importance.”

Na vida de todo o indivíduo, família,
comunidade ou sociedade, a memória
é de fundamental importância.
Nelson Mandela

Era 25 de maio de 1963, cidade de Adis Abeba, Etiópia. Naquele dia 32 chefes de estados africanos se reuniram para criar a Organização da Unidade Africana (OUA), um marco na continuação do processo de autodeterminação dos africanos, iniciado após a II Guerra Mundial com ações dos movimentos de libertação nacionais surgidos no continente. Era a continuidade de uma luta contra a colonização e subordinação sofrida pelo continente, devastando riquezas naturais e vidas humanas. Um basta!

Algum tempo depois a ONU institui o dia de hoje, 25 de Maio, como o Dia da África, em reconhecimento a importância da criação da OUA, hoje União Africana (UA), na busca por unidade e solidariedade entre os estados africanos. Desejos e objetivos simbolizados no emblema da organização, que traz um continente africano sem as fronteiras. Fronteiras fixadas de forma a atender aos interesses da exploração dos recursos naturais e do comércio local pelas potências colonizadoras, sem levar em conta a realidade pré-existente. Talvez por pressa de saquear aquele continente, talvez conscientemente com vistas a enfraquecê-lo para então explorá-lo de forma mais intensa e contínua.

Alguns condenam a OUA por ter adotado o princípio da intangibilidade das fronteiras existentes, mesmo sendo africanos em busca da unidade africana. Justificam tal visão dizendo que os lideres ali reunidos “representavam elites étnicas cujo poder estava assentado justamente nos Estados existentes, que, portanto deviam ser conservados”. Mas tal pensamento também pode ser argumentado como o fato de que a contestação das fronteiras herdadas significava, provavelmente, acender o pavio de mil guerras étnicas. Não sei.

Mas penso que os objetivos não podem ser postos de lado. Não podem ser esquecidos. Soberania, integridade e independência, justiça, igualdade e dignidade, coesão e cooperação entre o povo e entre os Estados Africanos. A busca por um desenvolvimento do continente. Um desenvolvimento endógeno, sustentável.
Our freedom is meaningless
until all Africans are free"

Nossa liberdade não terá
sentido até que todos os
africanos estejam livres
Haile Selassie

Em tempos que muito se comenta no Brasil sobre o ensino de História da África (Lei 10.639), com muitas discussões e poucas ações, acho por bem trazer para o blog alguma informação, mesmo que parca, sobre o continente, sua cultura, suas aspirações, sua política e história, seu povo. São 54 países independentes, sendo 48 continentais e 6 insulares. Em cinco deles o português é língua oficial.

Querem mais?
Angola Press – Especial Dia de África
Site da União Africana (inglês)
Projeto África do Wikipedia
Fundação Nelson Mandela (inglês)
Moldando um novo futuro para a África [Discurso do Prof. Alpha Oumar Konare, presidente da Comissão da União Africana e ex-presidente de Mali, na abertura da Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora (Ciad), Dakar/2004]


Repeteco. No início do ano eu tomei conhecimento de um hino do Congresso Nacional Africano. Também considerado um hino não oficial da luta contra o regime de segregação racial, o apartheid. Era, e é, cantado nas 3 línguas mais faladas pelos sul-africanos negros, Xhosa, Zulu e Sesotho. Talvez para demonstrar que a política de desunir para demoninar, encontrava resistência. O hino chama-se Nkosi, sikelel' iAfrika! (Senhor, Abençoe a África!). Após ouví-la, durante aniversário de uma amiga (quase irmã), fui em busca de informações. Trabalho feito, resolvi montar esse clipe e o postei no YouTube. Mesmo sendo algo bem amador, já teve mais de 5 mil acessos. Espero que gostem, tem algo haver com esse dia, o Dia da África.


Êta semaninha!!!

Hoje eu acordei com um pesadelo daqueles. Simplesmente sonhei com o fim do mundo. Não fiquem rindo, é sério. Não gosto de expor coisas desse tipo, tão pessoais, aqui no blog, até porque esta não é a intenção, mas o pesadelo foi terrível. Talvez eu esteja assistindo muito telejornais e lendo muitas das reportagens que foram veiculadas nos últimos dias. Preciso parar com isso e me alienar um pouco. Relaxar!

É tarde de sexta-feira. Cá estou no escritório e, como quase sempre, aproveitando para "alimentar" o blog. Ouço sirenes estridentes. Olho pela janela e vejo várias viaturas da Polícia Federal, que parece ter chegado a um acordo com o governo e posto fim a greve. Estão levando o Fernandinho Beira-Mar. Acho que a única coisa desagradável para ele foi o engarrafamento no Centro do Rio, que não perdoa nem ambulância. De resto, penso que a viagem será tranqüila. O vôo dele não atrasará, ele não enfrentará filas de check-in, terá segurança e lugar garantido no avião. Tudo isso por conta dele: o povo!

Por falar em povo… imaginem se todos tivessem o mesmo privilégio. Não o do Beira-Mar, mas o do ministro do Supremo, acusado de envolvimento com a máfia… Já nem sei se é a dos caça-níqueis, do bicho, das obras públicas, ou outra da moda. Bem, o preclaro (*) poderá ser obrigado a se aposentar caso comprovado seu envolvimento. Presentão né? E a aposentadoria, provavelmente, será integral.

(*) Em homenagem ao Alberico, o Licão, ou Liquinho. Significa distinto, eminente, ilustre. Mas sem relação deste com aquele.


E por falar nesses figurões que estão caindo na teia da polícia, estou vendo que parlamentares, altos funcionários do governo, ministros e até o Luiz da Silva, estão criticando, em maior ou menor grau, as ações da PF. Só espero que não se perca o foco com essas acusações de abuso por parte da polícia. O papel deles é investigar e prender bandido. Certo? Existem alguns canalhas que estão larapiando dinheiro público, com suas artimanhas, malandragens e assinaturas oficiais (enquanto o público se f…). São criminosos, certo? E quando a PF põe os caras onde merecem ficar, no chilindró, ainda recebe críticas?!

A imagem da ponte no Maranhão não me sai da cabeça.


Tem uma galera que fica feliz com a mudança climática. Tá certo que o Sul é bem frio, mas ver aquelas pessoas comemorarem neve, cachoeiras congelando, etc. É complicado. São as mesmas que festejam por “dar praia” mais dias a cada ano. Outros ficam felizes porque o mar está mais propício ao surf, com ondas imensas. Estes só faltam falar: “Pô, legal que a água tá mais perto. Só assim não preciso andar muito nessa área escaldante!”.

Meu pesadelo teve um pouco haver com tudo isso. Chega! Quero esquecer.

quinta-feira, maio 24, 2007

USP - sobre a ocupação da reitoria

Fazendo referência a um editorial da Envolverde, eu elogiei aqui no blog o protesto dos estudantes da USP, que ocupam desde o inicio do mês a reitoria daquela universidade. Neste período de ocupação também lemos notícias de greve de professores e funcionários. As reivindicações são variadas, em ambos os movimentos. E, é claro, penso que devem ser ouvidas e analisadas à luz da realidade da instituição e considerando sempre o estado de direito em que vivemos.

Mantenho o elogio aos movimentos e manifestações que reivindicam a melhoria e democratização da educação, do ensino. Tenho certeza de que muito do que hoje temos em termos de ensino, mesmo que ainda seja insuficiente, deve-se ao engajamento de alguns que lutaram por isso no passado.

Mas penso que a questão da USP deve ser analisada sem esse romantismo ou saudosismo que surge quando falamos sobre o movimento estudantil. E podemos estender tal análise para outros movimentos em outras instituições.

1º - A lei existe, apesar de pouco praticada, e já determinou a reintegração de posse da reitoria da universidade. Logo, já deveria estar desocupada. Mas dizem que a lei não é para todos. Eu não concordo. Se assim fosse, eu passaria a apoiar a falta de punição dos parlamentares que desviam dinheiro público.

2º - Os manifestantes representam o pensamento da maioria? Sinceramente não sei. Tenho lido muitas declarações de estudantes da USP contrários à greve, nas quais relatam o que a imprensa talvez desconheça, talvez ignore. Tanto na questão da greve, como também na ocupação da reitoria existem os que apóiam, os que ficam neutros e vão vivendo suas vidas, e os que repudiam. Seria interessante quantificar isso, pois com certeza muitos estão sendo prejudicados pela paralisação de atividades acadêmicas e administrativas na universidade. Li que são mais de 80 mil alunos matriculados e aproximadamente 5 mil professores e 15 mil funcionários.

3º - Quando reivindicamos maiores investimento na educação, parece que esquecemos o que podemos fazer para não “piorar” o pouco que temos, conservando o ambiente de ensino e, fundamentalmente, estudando. No blog oficial da ocupação, eu vi um vídeo onde um professor, para exercer sua função (a docência) tentava em vão desfazer o monte de carteiras que os manifestantes (discentes) haviam empilhado. A cena também mostra que, ao mesmo tempo em que o professor as tirava, os alunos refaziam a pilha. Isso é um dos fatos, documentados pelos próprios manifestantes, mesmo que de forma não intencional. Nos relatos que li dos alunos e professores que são contra a ocupação e greve, também constam informações sobre intimidações e ameaças, pichação, dentre outros.
Logo, vemos a democracia tão defendida indo pra o buraco, uma vez que encaram os neutros e contrários como ameaça, mesmo que maioria. E também vemos a depredação do patrimônio público. Notando que uma das reivindicações diz respeito à construção de novos prédios e “manutenção” dos existentes.

4º - De onde parte o movimento? Pelo que li ficou claro que a maioria não está sendo ali representada. Até onde as associações de classe atuantes na USP (de professores e funcionários) têm ingerência nesses atos? Tem origem ou influencia partidária? Esta manifestação tem ou não certo grau de manipulação? São perguntas para as quais ainda não tenho resposta. Talvez nunca as tenha.
São mais de 20 dias de ocupação e me parece que a essência se perdeu. Se é que existiu.

Só espero que não acabe em pizza, assim como outros eventos país a fora. Essa manifestação na USP é uma oportunidade para discutir e rever diversos aspectos da sociedade, não apenas referentes ao ensino.

quarta-feira, maio 23, 2007

África e Blair

Muito interessante o artigo/comentário de Alex Vines na edição eletrônica do Mail&Guardian de ontem. Vines, que é chefe do Africa Programme da organização Chatham House em Londres, faz um panorama da política do primeiro ministro Tony Blair no que diz respeito ao continente africano.

O artigo ressalta a importância do primeiro ministro para a implementação de programas de auxílio à África e também por este trazer para a ordem do dia, de grupos como G8 e União Européia, assuntos referentes ao desenvolvimento do continente africano.

Ao analisar algumas dessas políticas, implantadas durante a gestão do primeiro ministro, não deixa de fazer uma crítica às incoerências verificadas. Cita como exemplos uma redução no número de funcionários de departamentos que trabalham ligados à África e o encerramento de missões diplomáticas em Lesoto, Madagascar e Suazilândia. Também se menciona a falta de estabilidade na liderança do departamento para África do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido (FCO - Foreign and Commonwealth Office) com uma troca constante de chefes comprometendo com isso a continuidade e a implementação de importantes trabalhos além de deixar o departamento vulnerável a questões financeiras e de pessoal.

Meu chará fala ainda sobre impactos positivos a partir do perdão ou redução das dívidas com países do G8. Cita exemplos de Uganda que dobrou o número de matriculados no ensino fundamental e fez investimentos importantes no combate à AIDS; Moçambique que investiu na imunização de crianças e Tanzânia que também investiu em educação. Mas também observa que há um certo exagero na agenda humanitária, com políticos dando maior ênfase no propósito de simples ajuda e esquecendo-se, até por comodidade, da necessidade de entender a política, a história e o contexto social do continente africano. Observação interessante, pois mostra como a visão da África, mesmo quando se pretende ajudar, ainda pode ser equivocada (quando não, falhas) uma vez que se as políticas ignoram a cultura dos países africanos, a possibilidade de não terem sucesso é grande. Alex Vine ainda expõe o despreparo dos funcionários de departamentos voltados para a África, como por exemplo, o desconhecimento de idiomas.

Um artigo interessante. Ao mesmo tempo em que elogia o engajamento de Tony Blair para com o desenvolvimento do continente africano, observa que suas políticas, apesar de indubitavelmente importantes, tiveram falhas. E espera que seu substituto no cargo, Gordon Brown, continue e melhore tais políticas. Blair fica no cargo até 27 de junho.

quinta-feira, maio 17, 2007

Curtas daqui e dali


- Chegamos a meados de Maio e milhares de crianças e jovens do Rio de Janeiro continuam sem aula. As reportagens sobre a tragédia que é o sistema educacional do Rio se repetem dia após dia. Escolas caindo aos pedaços (uma chegou a ser interditada na zona Oeste); corrupção na aquisição de material pedagógico; professores com salários de fome (isso quando há professores). Se já não bastasse ainda temos aí a maldita Resolução 946, que prevê a aprovação automática para os alunos do ensino fundamental. Como sempre digo: a ignorância é uma política de Estado.


E vou dizer mais...

- Ainda em Educação. Recentemente li um artigo na Revista Eletrônica Envolverde sobre a ocupação do prédio da reitoria pelos estudantes da USP. O autor lembrava do tempo em que os estudantes se organizavam para reivindicar, protestar, lutar pela educação. E de certa forma congratulava aqueles alunos por mostrar que a alienação não contagiou a todos. Também gostaria de parabenizar os estudantes que, desde o início de maio, ocupam o prédio da reitoria da USP como uma forma de pressão para que suas reivindicações sejam atendidas. É uma luta que vale a pena.

O negócio é mais embaixo.
- Na onda de protestos, faço aqui o meu com relação ao estado atual da UniRio. É cada vez mais triste chegar à universidade e ver ali o retrato da gestão educacional que tanto criticamos. A estrutura é lamentável. Banheiros interditados, salas sem iluminação. Um conjunto de coisas que acaba por desanimar a todos, ou pelo menos os muitos que se sensibilizam com o que vêem. A universidade deveria ser um lugar mais atrativo.

Ainda temos as incoerências. Há pouco mais de um ano foram instalados aparelhos de ar-condicionado em todas as salas. Ótimo. Em determinados períodos do ano ficava difícil, mas foram muitos anos sem tais aparelhos. Enquanto isso, os banheiros continuavam em precárias condições, sem material de higiene e mesmo sem água, havia falta de professores para determinadas disciplinas, falta de material pedagógico, água nos bebedouros, até mesmo papel para impressão da carteira da universidade faltou. Por que o luxo se não temos o básico, o essencial? É lamentável! Vejo reportagens falando sobre a construção de novas universidades federais, sobre a ampliação das vagas. Simplesmente não entendo. O mais eu vejo lá são salas ociosas. E amigos que cursaram disciplinas no período da manhã dizem que não é diferente. Então, por que falam em falta de vagas? Com certeza alguém está ganhando com isso. E não são os estudantes.

Desce mais.
- E o príncipe Harry? Finalmente os milicos ingleses perceberam a M que estavam por fazer. É melhor deixar o menino em casa, curtindo a vida nobresca, pois no Iraque ele iria dar mais prejuízo do que já causa. Os colegas que o acompanhariam devem estar pulando de alegria. “Agora temos chance!”


Vai descendo.

- Talvez seja besteira minha, o que não seria novidade, mas considero estranhas as críticas que o presidente Luiz da Silva faz às manifestações grevistas do setor público. Vi uma reportagem onde ele fazia uma comparação do ato de greve no setor privado e no público. Grosso modo, dizia que num o prejudicado era o empresário e noutro o povo. Concordo. Discurso bonito, como sempre. Foi uma comparação fria e certeira. Mas será que os funcionários públicos - e aqui eu me refiro àquela parcela que vive com salários irrisórios e condições de trabalho precárias - devem mesmo ficar calados e se comportar como robôs perante o patrão (o glorioso Estado) ou mesmo trabalhar por ideologia? Sei não. E não imagino o mesmo Luiz da Silva externando tal visão há alguns anos. Mas, as coisas mudam.

“Nada mais conservador que um liberal no poder. Nada mais liberal que um conservador na oposição.” – Oliveira Viana

Tem mais lá.
- PAN PAN PAN PAN. Evento mais aguardado que esse, impossível. Todos os olhos e bolsos se voltam para o jogos e as benesses que trará ao Estado do Rio e para algumas pessoas em particular (já que ninguém é de ferro). Mas, com não poderia deixar de ser, uma coisa me incomoda: será que as autoridades envolvidas da organização dos jogos, os políticos e até mesmo os simples entusiastas do grande evento estão tendo uma visão macro do que é a preparação de uma cidade para abrigar tão grandioso acontecimento? Ih, sei não hein. Ficam matando mosquito da dengue no quarteirão de um estádio, de uma quadra esportiva, de uma vila olímpica, enquanto dois quarteirões adiante os mosquitos fazem a festa e aguardam sangue novo. Começam um processo de encobrir o que o Rio quer esconder (os mendigos, os moradores de rua, os menores e os nem tão menores assim que perambulam por aí inalando cola e thinner). Existem coisas que não podem simplesmente ser escondidas ou disfarçadas, pois de uma hora para outra reaparecem mais visíveis que nunca. Outra coisa (que no fundo está relacionada) é o desequilíbrio nos investimento. Vemos um montão de grana sendo aplicada numa área e noutra a carência reina absoluta. Em médio prazo os resultados não são muito agradáveis.

Mas, afora meu pessimismo, fica a esperança de que os jogos se realizem num clima de tranqüilidade e muita paz.

Tem mais embaixo.
7ª - Ou vai ou racha. É isso aí. Gostei da declaração do presidente Luiz da Silva sobre o caso dos bingos. "Ou proíbe ou regulamenta. O que não pode ficar é essa indústria de liminares. Defina a regra do jogo, o que pode e o que não pode". Chega de palhaçada. Indefinição também gera corrupção.

Já estou terminando. Desce mais um pouco. Não custa nada.
- Muito interessante o projeto "Viva o Rio Madeira Vivo: diga não às hidrelétricas do Madeira". O endereço www.riomadeiravivo.org/cenario.htm traz uma apresentação bem legal sobre o impacto da construção de duas mega-usinas naquele rio (Jirau e Santo Antônio). Com imagens de satélite do programa 'Google Earth' e legendas explicativas, o site nos ajuda a ter uma idéia do que está acontecendo… e do que pode acontecer. Muito importante o Plano de Aceleração do Crescimento, mas até onde vai isso? Quem sai ganhando e quem sai perdendo? Qual o imPACto desse PAC?
É finito!

segunda-feira, maio 14, 2007

Alvorecer de um novo dia

Manhã de 14 de maio de 1888. O Brasil acordava feliz. Enfim livre de uma chaga. Talvez não soubesse que ficaria aberta durante muito tempo. Naquela ocasião, assim como nos dias de hoje, já existiam dois Brasis. Um deles, embora feliz, estava preocupado com o porvir. “E agora?”, se perguntava. O outro, também feliz, dizia: “Esqueçamos!”.

Mais parece o início de um romance, mas poderia ser utilizado para representar um fato histórico bem brasileiro e o que tal fato reflete até os dias atuais em nossa sociedade.

Todos sabem (pelo menos eu gostaria que fosse de conhecimento de todos) que em 13 de Maio comemora-se a data da abolição (sic) do regime escravocrata no Brasil, com a assinatura, pela Princesa Isabel, da lei nº 3.353/1888. A bendita Lei Áurea. Isso é ensinado até os dias atuais nas escolas como sendo algo desconexo da realidade, folclórico, distante, isolado; logo, sem muita importância. Ensino este que também desconsidera o fato de boa parte dor negros já terem sido libertos naquela data; o que contribui para a falta de entendimentos das relações sociais contemporâneas. Um erro grave que talvez seja corrigido com a implementação da Lei 10.639. Eu espero.

Mas a razão da importância dessa data, o quatorze de maio, está no fato de ter se iniciado então o que hoje tanto comentasse e criticasse: a exclusão social e o preconceito. Se no treze de maio o escravo é liberto, no quatorze o negro é excluído. Os criminosos (até o dia 13 de maio) do regime escravocrata foram tidos como generosos a partir do dia 14 por terem “dado” a liberdade. Naquele treze de maio usou-se uma bela pena de ouro não somente para “simbolizar” o fim de um regime, mas também para por fim a quaisquer discussões que poderiam (deveriam com certeza e muito provavelmente seriam realizadas) ter sido feitas sobre os aspectos morais e éticos do regime então abolido, suas conseqüências para uma parcela considerável da população e sobre como o Estado poderia integrar tal população de forma digna. Fez-se, então, o silêncio.

Art. 1°: É declarada extincta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário.

Li um artigo de Mônica Kalile para o portal Adital onde ela diz que o dia “14 de maio de 1888 - deixou bem evidente o significado daquela assinatura imperial: liberdade para o trabalho livre onde não há possibilidade de trabalho; liberdade para habitar onde quiser onde não há possibilidade de terra; liberdade para ser o que quiser onde não há possibilidade de educação. O dia seguinte ao 13 de maio significou a negação do regime escravista e fez o que pôde para ser a negação do povo negro. Ainda nos dias de hoje, vivemos sob a dissimulação do dia 14 de maio de 1888!” Triste verdade ignorada por muitos.

Não estou com isso querendo diminuir a importância da Lei Áurea, com todo seu simbolismo e tudo mais, e sim quero levantar a questão para o que se deu após aquele ato simbólico. Ou melhor, o que não se deu.

quinta-feira, maio 10, 2007

Cortina de fumaça

A chegada do Papa Bento XVI ao Brasil veio bem a calhar. Todos os olhos se voltam para São Paulo, com o forte aparato de segurança para recepcionar o sumo pontífice, a imensa quantidade de fiéis e curiosos a espera de um aceno do chefe da Igreja Católica.

Enquanto isso, num parque de diversões em Brasília, uma das cada vez mais raras sessões do congresso é interrompida devido a uma briguinha de crianças. Uma das crianças chamou a outra de feia, que por sua vez foi se queixar, já aos prantos, ao colega que chefiava a brincadeira. Mas todos sabem como são as crianças. Logo fazem as pazes e voltam a brincar juntas. Ainda mais quando a brincadeira é divertida e o brinde que ganham por brincar, é tão querido. No fundo essas crianças são muito unidas em suas brincadeiras, com eventuais briguinhas e desavenças. O fato é que elas são muito espertas.

Enquanto todos os adultos ficaram olhando o Papa e sua espetacular visita à maior cidade brasileira, as crianças aproveitaram e tomaram uma decisão. Aumentaram o brinde que recebem por brincarem; agora muito mais valioso. Usaram a velha tática de cortina de fumaça. Essas crianças são danadinhas! Basta deixá-las sem supervisão que aprontam. Mereciam mesmo umas palmadas, uns puxões de orelha. Mas pelo visto os responsáveis por essas crianças terão é de trabalhar mais para bancar esses brindes tão polpudos. Que coisa feia!

sexta-feira, maio 04, 2007

Brasil - “Entre o ônibus em chamas e o caveirão”: em busca da segurança cidadã

Fiquei curioso para saber o conteúdo do relatório da Anistia Internacional sobre a questão da violência no país, mas especificamente as políticas públicas de segurança. Após as críticas do novo secretário de segurança do Estado, José Mariano Beltrame, ao dizer que o relatório faz uma "leitura míope" da situação, essa curiosidade aumentou.

Pois bem, a curiosidade me levou ao site da Anistia Internacional. Li o relatório e, no tocante ao Rio, concordo com o conteúdo. As ditas políticas públicas de segurança de fato não existem, pelo menos não as verdadeiras, aquelas de longo prazo. Que não visam somente a promoção individual (parece que o destino dos secretário do Estado quando não é a Câmara Federal é a Estadual) e sim o bem da população.

Para quem quiser ler o relatório, basta clicar aqui.

quinta-feira, maio 03, 2007

Nota Zero

Depois de todo alvoroço dos primeiros dias, com promessas de choque de gestão na saúde, combate à criminalidade e outros ajustes tão necessários, o que vemos é o caos. Até aí tudo bem.

Os hospitais continuam sem condições de atender a demanda da população, que por sua vez continua sofrendo a cada dia. Os profissionais de saúde fazem os milagres possíveis com recursos tão escassos e seus salários indignos. Pessoas morrem mais e mais nos hospitais por falta de condições básicas de serem atendidas. Isso quando têm a “sorte” de conseguir acesso a tal privilégio, o atendimento.

A segurança parece uma utopia. O número de assaltos aumenta, assim como o de encontros fatais com balas perdidas. Vidas inocentes são dilaceradas cotidianamente. Crianças, jovens, adultos, idosos. Não há idade certa para tragédias como as que vemos, lemos, ouvimos e sofremos todos os dias. Talvez o caso mais emblemático tenha sido o de Edna Ezequiel, moradora do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Num espaço de pouco mais de um mês chorou a morte de sua filha Alana (12 anos) e de seu irmão Hélio. Ambas vítimas das já famosas (e temidas) balas perdidas, expressão infeliz para designar balas que matam inocentes e que a meu ver diminui a responsabilidade do Estado sobre essa tragédia social.

Na educação a tragédia social se repete. Milhares de crianças e jovens estão sem aulas por falta de professores. Há o risco de perder o ano letivo, pois muitas disciplinas não estão sendo ministradas. O motivo básico é falta de gestão e respeito a esse serviço básico tão importante que é a educação. Com isso temos um déficit de professores causado por uma baixa taxa de ingressantes (concursados) e um alto número de aposentadorias, além, é claro, da evasão. Professores ganhando abaixo de R$ 500!!! Estagiários de muitos cursos universitários ganham mais do que isso para trabalhar 4 horas por dia. Exercer uma função tão nobre como a de educador por ideologia, sem nem mesmo ter condições de arcar com despesas de transporte? Isso é querer demais.

E se não fosse o bastante ainda iniciamos o mês de maio com a triste imagem abaixo. A homenagem do nosso querido governador Sérgio Cabral à ex-governadora Rosinha Garotinho — cujo nome foi dado a uma ponte em Campos.

Chegamos, assim, ao fundo do poço. Até agora nota zero, Cabral.