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quinta-feira, dezembro 15, 2016

O Brasil num momento Jânio

A foto  
 
Uma das fotos que mais gosto. 
Quase impossível segurar o riso. 
Erno Schneider é o fotógrafo. 
Jânio Quadros é o retratato. 

Presidente do Brasil por 207 dias no ano de 1961. 
Depois de Kubitschek
Antes de Ranieri
Numa década nada monótona. 

Clicada em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, 
em 21 de abril de 1961, a foto ficou famosa,
não apenas por ser engraçada (é hilária!), 
mas por retratar o momento político do país.
Venceu o Prêmio Esso de Jornalismo em 1962.
“Pra que lado eu vou?”

Obrigado por compartilhar. Lembre-se de citar a fonte: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/janio-quadros-renuncia/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues

O fato é que a considero, em essência, muito atual. 
O Brasil está desse jeito. 
Num momento Jânio. Tipo “Pra que lado eu vou?”

Meio seguindo em frente, meio retrocedendo
Meio parado, meio avançando 
Meio indo, meio vindo 
Meio lá, meio cá 
Meio estático, meio em movimento 
Meio agindo, meio assistindo 
Meio a fim, meio ao fim 
Meio partindo, meio partido
Meio ao meio



sábado, novembro 16, 2013

A hibernação da CCJC, os crimes hediondos e a nossa atenção

Em 2009 um menino com seus 10 anos, foi violentado e assassinado. Um crime bárbaro contra um ser humano, contra uma criança. Um crime hediondo. O monstro foi preso.

Naquele mesmo ano o Deputado Federal Valtenir Pereira (PSB/MT), apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (a PEC 364/2009). A proposta previa o cumprimento de pena em regime integralmente fechado ao autor de crime hediondo, alterando o XLIII, do artigo 5° da Constituição Federal. Leiam aqui o inteiro teor da proposta, para um entendimento do que se espera com essa PEC.

A proposta foi apresentada em plenário no dia 14/05/2009, aproximadamente um mês após o crime.

Em 20/08/2009, o relator, o então Deputado Federal Ciro Nogueira (PP/PI), da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), apresentou parecer pela admissibilidade da proposta. Leiam o parecer aqui.

Achou rápido? Eu também.

Porém, e parece sempre existir um porém... Durante mais de 520 dias todos parecem ter esquecido. Uma inércia de aproximadamente um anos e meio.

Até que, em 31/01/2011, com o fim da legislatura e com base no artigo 105 do Regimento Interno da casa, a proposta foi arquivada.

Quinze dias depois o autor da proposta requisitou o desarquivamento, solicitação atendida em 17/02/2011.
Um novo relator foi designado em 11/11/2011. Deputado Edson Silva (PSB/CE), da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

Desta vez a hibernação foi de quase dois anos. Mais de 720 dias.

Vale registrar que o Deputado Edson Silva se licenciou por dois períodos nesta legislatura. Está em sua biografia no site da Câmara. "Licenciou-se do mandato de Deputado Federal, na Legislatura 2011-2015, em Licença Conjunta Consecutiva por 130 dias, de 21 de março de 2012 a 28 de julho de 2012, e em Licença Conjunta Consecutiva por 128 dias, a partir de 16 de setembro de 2013." No momento, ele não exerce a atividade parlamentar, estando licenciado. Se o primeiro período de licença teve início em 21/03/2012, o relator nada fez durante aproximadamente três meses.

Em 07/11/2013 a proposta foi devolvida "sem manifestação". A inércia da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados foi espantosa.

Dois anos para designar outro relator, o Deputado Felipe Maia (DEM/RN). Veremos.

Os holofotes da mídia e o clamor popular parecer colaborar e muito para acelerar a atuação de nossos parlamentares. Mas o silêncio e falta de cobrança, o esquecimento mudo, parece colaborar para um ambiente de hibernação de nossos representantes.

De:
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; (...)

Para:
XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis, insuscetíveis de graça ou anistia, devendo a pena ser cumprida em regime integralmente fechado, a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; (...)

Em memória de Kaytto Guilherme. 

sábado, outubro 26, 2013

Financiamento (à revelia) de campanha eleitoral

Muito se discute, mas ainda não foi implantado – pelo menos em lei – o financiamento público de campanha eleitoral. Ainda tramita no Senado Federal PROJETO DE LEI Nº 268/2011.

A [falta de] qualidade de boa parte de nossos políticos me faz duvidar da eficácia de uma lei como essa. Mas não tenho uma opinião totalmente formada a respeito.

E como eleitores, nós também devemos aprimorar nossas escolhas. Como cidadãos, devemos aprender a utilizar as ferramentas existentes para controle e acompanhamento do que é nosso. Devemos fortalecer nossos direitos e também nossos deveres. Se é certo que tenho direito a uma cidade limpa, é igualmente certo que tenho o dever de manter essa cidade limpa!

Fala-se muito em corrupção do ente político, no atacado, mas se minimiza ou se ignora por completo a corrupção daquele que escolhe o mesmo ente político (o cidadão, o eleitor), no varejo.

Mas voltando ao financiamento público de campanha eleitoral...

Esse financiamento já ocorre e muitos nem se dão conta. Fica mais evidente nos meses que antecedem as eleições. Nossos representantes (eleitos democraticamente) usam verbas de gabinete para estreitar o contato com sua base eleitoral. Quem paga isso? O partido? A coligação? Não. Sou eu, é você. É dinheiro público! Apesar de alocado como uma rubrica bem distinta e específica (discutível, claro), é o mesmo dinheiro que poderia (deveria) ser usado para levar saneamento e consequente saúde e qualidade de vida àquele que é obrigado por lei a exercer seu dever de cidadão, em períodos de dois em dois anos. E que, por ironia, pode ter contribuído para eleger (democraticamente) o mesmo representante que usa a verba de gabinete para estreitar o contato com sua base eleitoral. É um ciclo. É causa e efeito.

Podemos comprovar o financiamento público de campanha de forma mais evidente ainda, eu diria até escandalosa, no modo como a Presidente da República Federativa do Brasil tem usado a mídia e os recursos e as ferramentas de Estado (pelo menos deveriam ser de Estado, e não de Governo, ou do Partido) para fazer sua campanha antecipada.

Cresceu o número de entrevistas em rádio, o número de aparições, os pronunciamentos, os anúncios, as propagandas... O leilão (?) do Campo de Libra foi um exemplo. Aquela aparição em rede nacional foi campanha antecipada. E não foi das mais sutis.

E quem financia isso tudo. O ParTido? O cartel político que forma a base aliada (a propósito, aliada a quê? aliada para quê?)? Hummm, eu acho que não.

Se já não fosse grave estarmos financiando uma campanha eleitoral velada (ou explícita) com vistas a 2014, ainda financiamos uma campanha de governo, política e partidária. À revelia.

terça-feira, outubro 15, 2013

DECIDAM e SAIBAM o que estão fazendo

Hoje, no ônibus indo para o trabalho, li um texto (Deveríamos queimar o rabo do Tio Sam?) do Bukowski no livro “Pedaços de um caderno manchado de vinho” (L&PM Pocket) e, vejo que o velho Hank sempre me surpreende pela sua atualizade. Ainda mais num texto que me parece tão atual.

"O grande esforço de suas mentes não deve ser como destruir um governo, mas sim como criar um governo melhor..."

Meu ponto é que já ouvi gritaria similar a essa que agora toma as ruas antes, e tudo isso não deu em nada. Houve traições e viradas em abundância. As pessoas tinham comida em suas barridas. As pessoas tinham feito dinheiro na guerra. A Rússia aliada passou a ser a Rússia inimiga. Joe Stalin, agora que o mundo tinha sido salvo, dava uma de Hitler com seu povo. Mais uma vez – como sempre – os intelectuais tinham sido enganados. A realidade superou a teoria. A ganância e a mesquinhez humanas se tornaram história. A proclamada bondade do homem revelou-se um belo golpe. Traição. Documentos. Conversa para boi dormir. (…) A Direita estava de volta. Mas como? Não tinham sido destruídos na Segunda Guerra? Cada homem era suspeito. “Vocês nunca participaram do Partido Comunista? Não éramos a maioria de nós?” Mas ninguém nunca disse isso. (…)


Agora mais uma vez os intelectuais gritam “Revolução”. Um banco é incendiado. A IBM sobre um atentado, um companhia telefônica também, e outros lugares… Policiais são apedrejados; seus carros queimados; policiais são mortos, policiais matam – sempre acontece. (…) Garantiu a eles mais um dia. Bem, vocês podem e perguntar, qual é o meu PROPÓSITO? Bem, sou um fotógrafo da vida, não um ativista. Mas antes de se decidir por uma Revolução tenham certeza de que vocês têm uma voa chance de vencer – com isso, me refiro a uma vitória pela violência. Antes de isso acontecer vocês precisão promover alguma revolução dentro dos ranques da Guarda Nacional e da força policial. Isto não acontecerá em nenhum grau. Então é preciso fazer isso através dos votos. (…) 

A essa altura já há muitas pessoas temendo por seus empregos, há muitas pessoas comprando carros, aparelhos de tevê, casas, créditos estudantis. Crédito e propriedade e um trabalho de oito horas são grandes amigos do Establishment. Se vocês precisaram comprar coisas, usem apenas dinheiro, e só comprem aquilo que tenham real valor – nada de bugigangas ou engenhocas. Tudo o que vocês possuem deve caber dentro de uma mala; só então suas mentes poderão estar livres. E antes que vocês enfrentem as tropas nas ruas, DECIDAM e SAIBAM o que estão fazendo, quem colocarão no lugar dos que ao estão e por quê. Slogans românticos não farão o serviço. Tenham um programa definido, com palavras charas, pois se vocês VENCEREM terão um forma de governar decente e adequada. Pois tenham em mente que em todos os movimentos há oportunistas, gente ávida de poder, lobos sob vestes Revolucionárias. São esses os homens que derrubam uma Causa. 

Estou do lado dos que querem um mundo melhor, para minha filha, para mim mesmo, para vocês, mas é preciso ter cuidado. Uma mudança no poder não significa uma cura. Entregar o poder às pessoas não é uma cura. O poder não é uma cura. O grande esforço de suas mentes não deve ser como destruir um governo, mas sim como criar um governo melhor. Não sejam mais uma vez enganados e aprisionados. E se vocês vencerem, tenham cuidado com o governo que seja mais Autoritário e que acabe por deixá-los numa situação mais opressiva do que a anterior. Não sou exatamente um patriota, mas apesar de todas as enormes e fodidas injustiças ainda se pode expressar uma opinião e protestar e agir num amplo espectro social. Digam-me, poderia eu escrever um texto contra o governo DEPOIS que vocês assumirem? Poderia ficar nas ruas e parque e dizer a vocês o que eu penso? Espero que sim. Mas sejam cuidadosos se for para perdermos esse direito em nome da Justiça. Peço que me apresentem seu programa para que possa escolher entre o de vocês e o deles, entre a Revolução e o governo existente. Será que não me colocarão para cortar cana? Isso me deixaria bastante chateado. Por acaso a construirão novas fábricas. Teriam meus escritos, minha música, minhas pinturas que leva em conta o bem-estar do Estado? Deixariam que eu ficasse largado em parques e cubículos bebendo vinho, sonhando, me sentindo bem e tranquilo? (…)


quinta-feira, agosto 29, 2013

Vandalismo político

Mais uma vez a Câmara dos Deputados debocha dos brasileiros. Protegidos pelo execrável voto secreto, os deputados inocentaram um bandido. O criminoso foi condenado pela Justiça e seus colegas deputados "disseram": a Justiça não importa nesta casa!

Nenhum sistema é perfeito. E não seria diferente com a Democracia. Isso mesmo, ela não é perfeita. Mas é coerente.  Isto é. Consideremos que entre nós, brasileiros, existem não apenas cidadãos inocentes e éticos, mas também culpados e corruptos. Consideremos que num sistema democrático pressupõem-se direitos iguais. Consideremos que um desses direitos é o de se candidatar a cargos públicos. Logo, seria coerente corrêssemos o risco de termos determinadas figuras indesejadas como nossos representantes.

Algo muito prezado em nossa imperfeita democracia é o direito de livre manifestação. E quando penso nos eventos recentes que ocorrem por todo o país, não posso deixar de fazer um paralelo com a recente vergonha a que os deputados nos sujeitaram quando cuspiram na cara da Justiça e da Ética.

Tenho criticado bastante a covardia de alguns ditos manifestantes (aliás, a imprensa deveria parar de chamar criminoso de manifestante... vândalo é criminoso!) quando escondem o rosto para, aproveitando-se de um ato de protesto por um Brasil melhor, depredam o patrimônio público e privado; cerceiam nosso direito de ir e vir; sujam as ruas espalhando lixo, ateando fogo; desacatam oficiais da segurança pública; vandalizam nossa cidade, vandalizam nossa cidadania e, mais que isso, vandalizam nossa já imperfeita democracia.

Dizem que esses marginais “protestam”, dentre outras coisas, contra a corrupção na política (como se ser corrupto fosse uma "doença" que acometesse somente quem ocupa cargo público). Pergunto: qual a diferença entre esses e aqueles sobre os quais falei acima? Se existe, são poucas. Vamos às similaridades.

O vândalo se esconde atrás de máscaras, cobram o rosto com camisas, lenços, etc.
Os políticos se escondem atrás do voto secreto.

O vândalo, quando os agentes de segurança pública conseguem prendê-los, pouco tempo ficam numa delegacia. Seus iguais se manifestam. Advogados aparecem.
Os políticos... idem.

O vândalo se acha no direito de fazer o que faz, justifica suas ações pelo bem da sociedade, se isola numa ética totalmente própria que obedece a seus interesses.
Os políticos... idem.

Então, vamos mantendo essa tal coerência em nossa imperfeita democracia, com as máscaras e o voto secreto, assim como aqueles que os usam como escudo, os vândalos e os políticos. Dois seres tão antagônicos e ao mesmo tempo tão parecidos, tão próximos em sua "maneira de ver o mundo".

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Revirando as Cinzas


Algumas observações, lembranças e percepções. O que vi neste Carnaval?

Pra começar ficou claro que meu tempo de folião inveterado é passado. Ou talvez esteja apenas hibernando. Nunca se sabe. Boas lembranças de outros carnavais que iniciavam na quinta-feira e seguiam ininterruptamente até bem depois das Cinzas.

O fato é que este ano saí pouco, por opção mesmo. Menos até que no ano anterior. Mas algumas coisas eu não deixei de observar e aqui registro.

Primeiramente algo que penso que todos perceberam foi o aumento de turistas no Rio de Janeiro. A folia de rua está cada vez mais forte na cidade. O número de blocos parece não comportar tanta gente. Avenida Rio Branco, Lapa, Aterro, Orla da Zona Sul, Ruas e Praças e Esquinas… A qualquer hora, em qualquer local. 

Mas ainda acho que poderia haver uma descentralização maior, até por conta da quantidade de pessoas. Zona Norte, Zona Oeste, Baixada… Estive em Mesquita ontem, e em Nilópolis também. Nem sinal da animação que se viu na Zona Sul e Centro do Rio de Janeiro nesses últimos dias. Uma pena.

Ah, o número de turistas, brasileiros e estrangeiros, também parece ter aumentado. Um teste para os grandes eventos que estão por vir.

Bem, vamos aos detalhes, aquelas observações que aparentemente não tem importância, mas que, analisando bem, dizem muita coisa.

Foi inevitável uma comparação, pelo menos em alguns momentos, com o carnaval passado, no que diz respeito à quantidade de catadores de latinhas. Teve um momento que eu estranhei mesmo. Ninguém aparecia e as latinhas se acumulavam. Pensei “isso mostra que a condição de vida daquelas pessoas melhorou e não existe mais a necessidade…”. Mas, claro, pode ser que a relação oferta-procura esteja desequilibrada. Não me entendam mal, não fico feliz ao ver tanta gente trabalhando como catadores de latinha para sobreviver. E não me venham dizer que é um trabalho como outro qualquer, digno, gera renda, sustentável, blábláblá. O ideal seria que as latinhas fossem depositadas em lugares adequados e recolhidas diretamente para reciclagem. Não faço parte da turminha que se regozija e se promove com a miséria dos outros. Mas o fato é que não vi tantos catadores como nos anos anteriores.

Ainda com relação aos catadores eu presenciei uma cena, no mínimo, curiosa. E que mostra tanto a força da propaganda como também o condicionamento das pessoas. Todos sabem que a cerveja Antarctica, como patrocinadora do Carnaval de Rua no Rio, praticamente domina o comércio nessa época. Latinha azul. Pois bem, estávamos numa praça, próximos a um amontoado de latinhas azuis. Mas uma delas era vermelha (Coca-cola). Um senhor chega e começa a recolher as latinhas e simplesmente ignora a vermelha. Foi algo inusitado. Ele estava tão condicionado a pegar latinhas azuis que não se apercebeu da latinha vermelha (mesmo material e valor).

A cada ano as fantasias me surpreendem mais. A criatividade das pessoas parece não ter fim. E, a maioria dessas, feitas em casa com o material que tinham a mão. Ou mesmo compradas nas farmácias (fraldas geriátricas, por exemplo). Carnaval barato e cheio de animação, descontração e com muito humor.

Álcool! Aí vai um recado para os reguladores de plantão. Vendedores ambulantes devidamente registrados e autorizados a comercializar bebidas - principalmente a cerveja de latinha azul que compram com vantagens em mercados e depósitos - estão vendendo a bebida para menores. Como fica claro que não há controle, pergunto se houve pelo menos uma conscientização (ou um simples aviso) no ato do registro. 

Carnaval parece época de esquecer. Esquecer o trabalho, os problemas pessoais, as dívidas… Esquecer e relaxar, aproveitar, foliar. Mas basta uma olhadinha para o lado que vemos algo simplesmente inesquecível. Inesquecível de tão triste e preocupante. Falo do crack. A chamada epidemia que assusta a sociedade (assusta mesmo?) e destrói a vida de tantos. Ontem, voltando de Nilópolis de ônibus, passando pela Avenida Brasil, altura de Bonsucesso, acesso à Ilha do Governador. Ali mesmo. No mesmo local. Nada muda. A não ser o número de seres que engrossam aquela massa de humanos totalmente à margem da sociedade – neste caso, à margem da Brasil… do Brasil – que tiveram suas vidas literalmente interrompidas pelo consumo dessa porcaria chamada crack. Posso viver o melhor Carnaval de minha vida, mas aquela cena é deprimente. E lamentável, posto que evitável, uma vez que basta que aqueles que podem e devem fazer alguma coisa, façam tal coisa.

Sobre essa questão das drogas, acabei de ler que um ator, conhecido por atuações em telenovelas, está se juntando a certo grupo (não vou complementar com “político”, pois não é bem isso que tal grupo tem feito nos últimos anos) e dá entrevista lamentando que “tantos presos lotando os presídios só porque fumou ou vendeu um baseado” que diz que uma de suas bandeiras será a liberação da maconha. Gostaria que ele hasteasse essa bandeira em frente às casas de mães e pais e irmãos e amigos que perderam os seus pelo que ele quer liberar. Mais um medíocre a querer “salvar” o país de terno, com fórum privilegiado, salários e tantos outros benefícios garantidos sem exigência de ibope. Essa é uma folia que parece não ter fim.

segunda-feira, julho 09, 2012

"Se o parlamentar mentir, é um problema..."

"Se o parlamentar mentir, é um problema..."

A frase bem que poderia estar completa e deveria ser uma afirmação. Estaria correta. Se um político eleito democraticamente (por uma maioria) mente, é um problema, ponto. E não apenas para a maioria; é um problema para todos. Um problema, digamos, democrático. Mas parece que o nível da podridão na política assumiu níveis assustadores.

A seguir a frase completa.

"Se o parlamentar mentir, é um problema dele com sua consciência e sua audiência, não com o decoro. Aliás, nada do que o parlamentar diz da tribuna pode ser quebra de decoro".


quarta-feira, setembro 14, 2011

Informação é preciso


Desvio-Roubo

Um dos destaques nos noticiários dessa noite é a “saída” de mais um ministro. Parece que a fila está andando.  Já é o quinto e, se mexer bem nesse antro, muitos outros bichos poderão sair.

Fico intrigado e até incomodado com tratamento dispensado a esses sujeitos.  O grande crime de que é suspeito (sic) é o desvio de verba pública. Suspeito?! Isso indica que não existe controle sobre a verba pública, sobre os gastos públicos. Se houvesse o mínimo de controle, essa suspeição se tornaria uma insuspeição, uma certeza. E é disso que precisamos. Precisamos saber, com certeza, sem margem para dúvidas, com exatidão, o que está sendo feito com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

Outra coisa é com relação à acusação. Considerando que houve mesmo o “desvio”. Acho que devemos tratar tais criminosos como o que realmente são: bandidos! Para que fique claro para todos, para que percebamos o que realmente se passa e como isso nos afeta, é bom ser claro e direto e verdadeiro. Ele está sendo acusado de roubar dinheiro público para custear seus luxos (governanta, motorista para esposa e sabe-se lá quais outras “vantagens” ministeriais).

Se um marginal bate sua carteira ou rouba seu carro ou sua casa não dizemos que “fulano está desviando seu dinheiro para uso próprio” ou que “beltrano está desviando seus bens para uso próprio”. Então não vamos poupar os “Excelentíssimos”.

Ainda nesse caso… Não acho que esse e outros do tipo sejam casos para CPI. É caso de polícia! Se um bandido rouba o Banco Central a polícia cuida do caso. Por que atribuir aos Deputados e Senadores (muitos, sabemos, despreparados para o básico que seria nos representar, legislar) o papel de polícia?


A informação liberta… 

...E, aqueles que não nos querem libertos, lutam para que a informação seja algo restrita a poucos, lutam para que a verdade, a luz e a justiça que podem advir da informação continue vedada aos nossos olhos.

Tramita no senado a PLC – Projeto de Lei da Câmara – nº 41 de 2010, cujo apelido é “Lei Geral de Acesso à Informação”.  Há dois meses eu abordei o assunto aqui no TUIST, clique aqui para ler. 

Aos interessados (e o interesse é de todos, pois afeta a todos) vale acompanhar a tramitação, clicando aqui.

Assino o boletim e recebo as atualizações da tramitação. Hoje, por exemplo, li a proposta de emenda do Senador Blairo Maggi. Algumas das propostas do senador sinalizam para a manutenção do silêncio, para uma política de ignorância da maioria em prol dos interesses de alguns poucos.

Em uma das propostas, por exemplo, ele parece justifica que promover a divulgação de informações de interesse coletivo ou geral produzida por órgãos e entidades públicas independente de requerimentos (a tal TRANSPARÊNCIA) despenderia esforços de tempo, pessoal e dinheiro, sobrecarregando a máquina pública. Então, a Transparência não faz bem ao Estado?

Em outra proposta ele contesta os prazos máximos de restrição ao acesso à informação. Mais especificamente da informação classificada como ultrassecreta. Segundo o senador, a prorrogação dos documentos ultrassecretos deve se dar quantas vezes for necessário para garantir a segurança do Estado e da sociedade. Em outras palavras… o silêncio eterno. 

Ele também critica a supressão do nível “confidencial”, justificando que isso contraria a tradição brasileira nessa área. Eu cairia na gargalhada se essa posição do ilustre senador não fosse tão absurda.


sábado, junho 25, 2011

Se os eleitos fossem craques...

Essa semana li uma notícia sobre a reação de torcedores do Flamengo ao comportamento "agitado" de um de seus jogadores. Não sei se é o melhor de fato, mas é certo que é o mais caro e o mais financeiramente valioso. A notícia dizia que um torcedor engajado, e por sinal criativo, criou uma versão do disque-denúncia específica para o craque.

Considerando que o a vida noturna do jogador pode estar afetando seu rendimento (não a sua renda) em campo, o canal de denúncia foi criado como uma tentativa de coibir tais excessos.

Achei muito interessante a iniciativa. O compromisso do jogador não se resume ao cumprimento de um contrato com o clube ou seus patrocinadores. A torcida espera e exige que sua atuação em campo seja, no mínimo, profissional. É preciso que o jogador não apenas cumpra seu contrato, mas atue a contento, acertando as jogadas, marcando gols, levando o time (jogador + clube + torcida + patrocinadores) à vitória.

Pois bem, as pessoas que me conhecem sabem que não sou um apaixonado por uma das paixões nacionais que é o futebol. Embora me agradem as atuações brilhantes, pelo menos da seleção. E não preciso entender de futebol (não entendo mesmo) para vibrar com jogadas, me aborrecer com atuações medíocres, e comemorar gols, vitórias. E, como todo assunto traz uma essência filosófica mais ou menos evidente, permitindo – aos que se predispõe a isso – uma análise crítica, comparativa, associativa... Bem, eu não pude deixar de comparar o mundo futebolístico com o mundo político.

E essa comparação foi relativamente simples. Imaginei um ambiente onde os políticos recebessem a mesma atenção de seus eleitores-torcedores. E os meios existem. A política de transparência já existe em muitas instituições públicas, como o Congresso Nacional, por exemplo. Mas, infelizmente, não ganha tanta atenção quanto uma noitada de um craque.

Nossos eleitos fazem mais do que noitadas. E tais noitadas não têm como resultado uma atuação duvidosa em 90 minutos de uma partida de futebol. Essas noitadas, que bancamos (somos os patrocinadores e os diretores do clube, não apenas torcida), tem como resultado os péssimos índices na educação, o caos na saúde, a falta de uma política de segurança que nos dê... segurança. Isso para citar apenas alguns dos possíveis resultados dessa partida que dura, no mínimo, 2.102.400 minutos!

Imaginem um mundo onde os eleitos fossem craques e os eleitores realmente amassem o time e respeitassem e vestissem a camisa.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Sarney, PLS 166 e a fumaça que encobre a história

Sempre me pergunto a razão de José Sarney ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Figura conhecida mais por sua atuação no cenário político do que no mundo literário, este maranhense não desperta muitos sentimentos bons nas pessoas que conheço. As palavras corrupção e coronelismo o acompanham. Uma pergunta que já virou piada é "você já leu algum livro do Sarney?". Não vou e nem posso julgar sua qualidade literária, até porque a desconheço, nunca li seus livros. Já me basta sua influência política.

Mas um texto de sua autoria está sendo motivo de discussões e vale conhecer, mesmo em parte. Até porque não se pode combater ou criticar estando completamente ignorante. Este texto, um Projeto de Lei do Senado, é como um livro, com suas mais de 250 páginas, e capítulos e parágrafos.

Li muitos livros que me decepcionaram no fim. Algumas vezes por um parágrafo, outras pela sensação de que algo deixou de ser escrito. Este "livro" é mais um da autoria do senador-escritor que não li, pelo menos não por completo (fui direto ao ponto). Porém, por se tratar de um projeto de lei, creio que a leitura parcial, direcionada ao item de interesse, não é empecilho para o entendimento da gravidade.

Um único artigo, uma pequena parte, e bastou para que o "livro" mostre que propõe um crime histórico. Desrespeita o patrimônio documental do Brasil. Facilita o esmaecimento da memória, tornando-a inacessível sobre a fumaça da incineração de documentos públicos.

Tomei conhecimento do fato através de um texto (enviado por uma amiga e colega arquivista) do jornalista Elio Gaspari publicado em 21 de julho de 2010 no jornal O Globo. Acho que não fui o único. Resolvi pesquisar na fonte (o Senado) e, ao mesmo tempo que me estarrece comprovar mais uma tentativa de queimar a história e despedaçar a memória, fiquei contente por conhecer a iniciativa de combate a tais tentativas. No contexto da PLS n° 166, com suas mais de duas centenas de páginas, temos a emenda proposta pela ANPUH (Associação Nacional dos Professores Universitários de História) que, com 5 páginas, nos dá uma aula de importância da preservação da memória e de como podemos nos organizar para fiscalizar os delírios desses nossos empregados, desses nossos servidores.

Imortal deve ser a memória, a história, a democracia.

Links relacionados:

segunda-feira, maio 10, 2010

Política de dominação

Parece que ele aprendeu. E aperfeiçoou essa tal política.

Creio que o Brasil tem um sério problema de memória. E memória num contexto social. Ela é seletiva, funcionando quando interessar. Mas é também planejada e cultivada de maneira sutil e eu diria até profissional de maneira a moldar e a conduzir a sociedade de acordo com os interesses de um ou outro grupo.

Algumas vezes, eventos e ações, que dão corpo a essa memória, são registrados. Temos então os documentos, os arquivos. Nem sempre esses documentos nos são acessíveis da maneira como deveriam segundo a lei. Outras vezes, porém, tais registros constitutivos de nossa memória são publicizados, tornados acessíveis mesmo fora do âmbito do Estado. Com a ajuda das novas tecnologias essas ocasiões têm sido mais frequentes.

Entretanto, a problemática da memória na trama da política de dominação não estaria completa sem o que chamo de política de ignorância. Este, um crime perpetrado ao longo de décadas. Se, no primeiro caso, temos afetada nossa memória, neste é ceifada nossa capacidade crítica. Passamos a aceitar, tal como os gados da canção de Zé Ramalho.

Desta forma, temos o documento, temos acesso aos arquivos, mas sem a capacidade crítica para interpretar a informação transmitida pela ação/evento alí registrada e contextualizá-la com nossa realidade, esse documento é banalizado. Crime perfeito!

sábado, novembro 14, 2009

Coloquem na Ordem do Dia! Já!

Eu mesmo já critiquei (e continuo criticando) algumas ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. As imagens repetidas vezes veiculadas nos telejornais mostram como uma minoria busca externar seu descontentamento com uma injustiça histórica que tem como fruto as mazelas reais e contemporâneas, que também vemos, não apenas na televisão e impressos, mas em nosso dia-a-dia. Embora muitas vezes a conexão da causa com o efeito se faça difícil, as consequências das injustiças e barbaridades cometidas no campo, a forma como os "poderesos" se perpetuaram, podem ser percebidas em nosso cotidiano. Basta parar e refletir. Os fatores exploração e desigualdade caminharam juntos para construir a realidade brasilieira, assim como de outros países. E ainda caminham. O que alimenta isso tudo são os desinteresses e interesses de uns e de outros ou, como demonstrarei, de uns e dos mesmos.

O Brasil é notoriamente um dos países onde o trabalho escravo é mais combatido. Temos aí o Grupo de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego, que faz um ótimo serviço. Mas parece algo paleativo. Um crime tão hediondo como a exploração do trabalho escravo deve ser combatido com toda força da sociedade e do Estado. E até que doa no bolso dos criminosos, os grande fazendeiros neo-escravocratas, essa ferida história continuará aberta.

Um importante recurso legal está parado praticamente desde sua proposição. Trata-se da Proposta de Emenda à Constituição número 438 de autoria do Senado Federal Ademir Andrade do PSB/PA. A PEC do Trabalho Escravo, como ficou conhecida, foi apresentada ao Senado Federal em 1° de Novembro de 2001. Clique aqui ou aqui para ver o diário da Câmara dos Deputados onde a PEC foi publicada.
A PEC estabelece "a pena de perdimento da gleba onde for constada a exploração de trabalho escravo (expropriação de terras), revertendo a área ao assentamento dos colonos que já trabalhavam na respectiva gleba. Altera a Constituição Federal de 1988.". Resumindo, se constatado trabalho escravo, perde a fazenda!

E, pelo histórico do andamento na Câmara, que podemos consultar aqui, pode-se ver os desinteresses e os interesses dos ilustres parlamentares. Desinteresse em mudar a triste realidade social, onde em pleno século 21 temos a utilização do trabalho escravo como "ferramenta produtiva" e ao mesmo tempo o interesse desse mesmo grupo (e seus asseclas) em manter as vantagens obtidas ao longo da história.

Fazer com que cães larguem tão suculento osso é mesmo difícil. Mas não impossível.

Existem um abaixo-assinado pela aprovação imediata da PEC 438/2001, a PEC do Trabalho Escravo. Até o momento, cerca de 165890 aderiram tanto na versão em papel, como também via Internet. É pouco, mas é um começo.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...