terça-feira, julho 28, 2009

Inexistentes. Será?

Uma vez li um artigo sobre o governo estadunidense e sua relação com arquivos com restrições de acesso. Tais documentos estavam – ou esperava-se que estivessem – classificados como, por exemplo, secreto, ultrassecreto, etc. Bem, alguém, que não me recordo no momento, tentava localizar algum tipo de informação que, passado anos, já deveria ter seu acesso mais, digamos, democratizado.

Esse pesquisador, procurando por informação secreta, não logrou sucesso. Nada foi encontrado.

Qual foi a tática do governo para manter uma informação secreta, mesmo depois de prescrito o prazo para que tal informação permanecesse com essa classificação?

Simples. A informação procurada não foi classificada. Para todos os efeitos, ela não existia.

Logo, o governo poderia dizer ao pesquisador: a informação secreta que você procura não existe!

Lembrei-me dessa história após ler declaração recente do Luiz da Silva a respeito dos arquivos da ditadura. Leia aqui. São muitos os interesses na abertura desses arquivos. Igualmente numerosos são aqueles contrários.

sexta-feira, julho 24, 2009

Parabéns Madiba!


© JONATHAN SHAPIRO. 20-07-2009
Zapiro (sempre uma grande charge). Clique
aqui para ver outras.

quinta-feira, julho 23, 2009

Até onde vai isso tudo?

O Profeta Gentileza, hoje lembrado com saudades e pouco compreendido quando ainda caminhava pela cidade, dizia e deixou registrado: "gentileza gera gentileza". Hoje, sinceramente, situações vividas e vivenciadas me fazem discordar dessa afirmação. A famosa frase do "amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento” mais soa como uma quimera. O esforço diário é para que esse fato não me transforme no que abomino. Talvez ele pensasse mesmo nessa frase como um desejo, uma bela esperânça fortalecida pela sua fé, tal como amor gera amor, um sorriso sempre contagia...

A ignorância e a intolerância criam uma afirmativa diversa daquela quimera profética: o ódio gera mais ódio. E isso pode ser contagiante, um ciclo vicioso difícil de ser quebrado.

É o que se percebe nestes tempos quando se trata, por exemplo, dos que praticam o Islamismo e que nos últimos anos são tidos por muitos como sinônimo de terroristas. Sua fé, seus costumes, são observados com receio, medo, quando não, repelidos.

No vídeo abaixo, uma das polêmicas envolvendo os islâmicos é a vestimenta feminina. Mas especificamente o véu. Vestimenta parecida com a usada, por exemplo, por Madre Teresa de Calcutá. Será que ela seria discriminada e obrigada a retirar seu véu? E quanto às representações de Nossa Senhora, Virgem Maria... deverão as imagens e esculturas serem alteradas para mostrar uma mulher sem o seu véu? Até onde vai isso tudo?



Leniência ou relativismo

"É preciso saber o tamanho do crime, ou seja, uma coisa é você matar, outra coisa é você roubar, outra coisa é você pedir um emprego, outra coisa é relação de influências, outra coisa é o lobby..." - Palavras de Luiz da Silva, Presidente deste país de meu deus! sobre as gravações divulgadas recentemente onde podemos ouvir um ex-presidente deste mesmo país de meu deus! e atual presidente do Senado e membros de sua grande família falando sobre contratação de parentes. Ou melhor, assumindo a prática desse "desvio".

Luiz da Silva relativiza o crime, insinuando diferentes graus de importância ou gravidade para cada uma das ações [que cita]. Eu também poderia relativizar o impacto dessas práticas do Congresso no país. É simples, se o dinheiro que pagamos de impostos está sendo usado para algo escuso, para pagar quem não deveria receber, ou mesmo para pagar X a alguém que deveria receber um décimo de X... bem, se isso ocorre, consequentemente, algum valor está deixando de ser aplicado em educação, em políticas públicas saúde, sanitarismo, na segurança alimentar sustentável (diferente da esmola), segurança pública. Enfim, coisas básicas que esperamos de nossos funcionários (os servidores públicos, concursados, eleitos por nós). Sem essas coisas básicas, simples, temos um aumento da criminalidade, diminuição da educação, doenças evitáveis se alastrando por baixa condição sanitária, fome, medo... e uma apatia da sociedade que, por ignorância (no sentido de desconhecer, ignorar), acaba por achar isso tudo normal, uma sina talvez. Uma das consequências disso tudo: mortes.

Então, relativizando as ações de nossos digníssimos deputados, senadores, vereadores, ministros, prefeitos, presidentes... eles podem ser considerados assassinos ou não.

Mas o que mais me impressiona não é a relativização desses atos criminosos. O que me espanta é a leniência para com esses atos que, não ajudando a abolí-los ou diminuir a incidência, pelo contrário, acaba por incentivar a continuidade desse absurdo.

quarta-feira, julho 22, 2009

Guia de sobrevivência

Este documentário, produzido para a BBC, mostra uma jovem mulher nigerina (Baraca Lawali) e seu bebê enfrentando o desafio diário para se alimentarem. O Níger é um dos países mais pobres do mundo. Ex-colônica francesa, esse país africano tem a maior parte de seu território coberto pelo Saara. As dificuldades são muitas.

O que chama atenção no vídeo, além do problema social e humanitário agravado pelo machismo comum em várias sociedades, é algo que sempre me emociona e me encanta: a mulher africana. Quanta coragem, beleza, força, quanta nobreza...




O documentário também mostra o trabalho da ONG Action Against Hunger e UNICEF...

Mas as heroínas são elas, as Mulheres Africanas.


sexta-feira, julho 17, 2009

A passeata dos R$ 100 mil


"Com uma manifestação em defesa da Petrobras e contra a CPI no Senado para investigar a empresa, começa hoje o 51º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), que tem entre os patrocinadores a própria estatal, que direcionou R$ 100 mil ao evento." De Angela Pinho para a Folha de S.Paulo. Leia na íntegra.

sábado, julho 04, 2009

Barreias ao Acesso

Já comentei com algumas pessoas sobre minha percepção da receptividade na Biblioteca Nacional e no Real Gabinete Português de Leitura. Na primeira instituição, tive a impressão de que partem do princípio do “culpado até que prove a inocência” (ou até que saia do recinto). Cheguei a ficar constrangido com esse “esquema de segurança”. Essa impressão se agravou quando, pouco tempo depois, pude comparar com outra grande instituição, o Real Gabinete. Neste, me senti em casa, à vontade, senti que minha presença ali era o que a instituição (e os que ali trabalhavam) esperavam, era algo normal. Afinal, o que é uma biblioteca sem os seus frequentadores, leitores, pesquisadores?

Quando se fala em acesso à informação, pouco se fala na relação interpessoal inerente, muitas vezes, nesse acesso. Esse aspecto, por vezes, é ignorado nas políticas de Preservação do acervo. A antipatia e o preconceito, além da má vontade, se tornam ferramentas de conservação.

É preciso que se entenda que o usuário não solicita o acesso como um favor. O acesso é um direito!

O cerceamento ao direito de acesso á informação não se dá apenas nos atos oficiais e oficiosos dos governos. Acontece no cotidiano, em instituições de arquivo, bibliotecas e tantas outras. E é pratica por pessoas comuns nas funções de atendentes (que não sabem atender), seguranças e vigias (sem preparo para lidar com outro ser humano) e outras atividades, sendo estrategicamente posicionais para dificultar o acesso. Funcionam melhor que quaisquer leis restritivas de nossos direitos.

A inspiração para esta postagem surgiu recentemente em uma visita ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Na foto abaixo, poderão ver os arames farpados que cercam a instituição pública. Tenham certeza de uma coisa: o arame não é a única barreira ao acesso.
Fiscalizando nossos empregados

O G1 publicou um Guia muito interessante com dicas para fiscalizar parlamentares via Internet. Clique aqui.
Deve haver uma segunda opinião

Nos últimos dias tenho lido e assistido muitas reportagens sobre o "golpe" em Honduras. A deposição, por militares, de um presidente eleito democraticamente gerou críticas e até ameaças de intervenção internacional. Algo que me intrigou, desde o início, foi a postura do presidente venezuelano. Eu realmente não consigo acreditar nesse cara. Como diria minha cunhada, eu "peguei abuso dele".

Se Chaves se mostra tão indignado com uma coisa, neste caso a deposição ou "golpe", alguma coisa existe além do que é amplamente noticiado. E não deu outra. A primeira coisa que ficou clara é a intervenção do presidente venezuelano. Ele gosta de confusão e, pelo que se sabe, quer ampliar sua filosofia bolivariana para além das fronteiras de seu país.

Outra coisa que só fui saber depois, tem relação com a Constituição hondurenha. Pelo visto, o presidente eleito democraticamente, não estava contente com o texto que jurou seguir e defender. E, com vistas a uma reeleição não prevista no texto, queria convocar plebiscito para tentar ficar no poder. Isso é apenas um resumo da coisa.

A intenção é indicar matérias e textos que vão além das primeiras páginas dos jornais e nos dão uma idéia do que realmente está acontecendo em Honduras.

Tristes trópicos - Roberto Fendt
Honduras Defends Its Democracy - Mary Anastasia O'Grady
Constituição de Honduras