quarta-feira, março 16, 2011

Liberdade

Faz tempo que não escrevo. Esses intervalos têm ficado mais freqüentes ultimamente. Este último então… Cansaço, desanimo, falta de inspiração, preguiça… Ou simples opção. A opção de não escrever. O escrever aqui no TUIST, conforme já declarado, é basicamente uma exposição de idéias, de pensamentos, opiniões, visões, sentimentos. Mas também é, talvez acima de tudo, um desabafo. E talvez nesse período eu simplesmente tenha optado, pois é uma prerrogativa de cada um, não desabafar. Mas não deixem de considerar as demais opções apresentadas acima. Tenham liberdade para tanto, assim como tenho aqui a liberdade expressar ou não o que me vem na cabeça.

Liberdade é uma palavra muito importante. Mais que uma palavra, é um sentimento, uma condição, uma característica, um fundamento básico do ser vivo.

Há algum tempo, recebi um e-mail de um amigo que trazia um desses textos recorrentes na Internet, precedido por comentário próprio. O texto, que ainda pode ser encontrado, discorria sobre as benesses provindas do período em que os militares estiveram no poder. Lá para o final, apresenta a seguinte frase (que pode ser utilizada para buscar a íntegra na internet): “Tudo isso e muito mais os militares fizeram em 22 anos de governo. Depois que entregaram o governo aos civis, estes, nos vinte anos seguintes, não fizeram nem 10% dos estragos que os militares fizeram.” Já o comentário do meu amigo, a respeito do texto citado, em determinado momento dizia “do jeito que a nossa [liberdade] ta fazendo as coisas descambarem, tenho certeza que estaríamos melhor…”

Aquele simples e-mail suscitou em mim uma reflexão sobre liberdade, sobre ditaduras, sobre a natureza humana. Refleti considerando situações vividas, experiências factuais. Respondi o e-mail externando em palavras tais reflexões, com exemplos de entendimento comum, gerais, religiosos, culturais, filosóficos… Sempre com minhas analogias esdrúxulas e de qualidade duvidosa. Talvez eu o publique, em parte.

Os recentes eventos em países do norte do continente africano e do oriente médio me fizeram lembrar aquele e-mail. Países que há décadas nos apresentam o mesmo “dirigente”. Pessoas que há décadas vivem sob julgo de um mesmo mandatário. Déspotas que, a exemplo de Kaddafi (ou Gaddafi), se autoproclamam libertadores e representantes de toda uma população, quando o que representam é nada mais que uma idéia retrógrada mesclada com interesses muitos particulares (ou familiares, conforme pude perceber pela arrogância de seu filho) de dominação e manutenção de poder. A única liberdade que cretinos como ele pregam é a liberdade de poderem fazer o que bem entendem, sem serem questionados.

A liberdade então me parece algo latente. E, uma vez despertada, se mostra contagiante. A onda libertária que começa na Tunísia, já avançou pelo Iêmen, Bahrein, Egito, Argélia, e sacode a Líbia do ditador citado. Muito se comenta que as manifestações nesses países são apartidárias, e assim espero. Que esse brado por liberdade, por mudanças, tenha nascido de uma constatação (ou exemplo) de que é possível desatar o nó que nos prende a situações que por perdurarem durante tanto tempo, passam a ser considerada por alguns como normal. Fica a minha torcida.