Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Nós, os outros

Ontem, sentado no ônibus voltando do trabalho para casa, ao olhar pela janela vi duas meninas sentadas no último banco do coletivo ao lado. Elas se beijavam. Com sorrisos nervosos, tentando se esconderem de quaisquer olhares, tentando refrear o impulso que as empurrava uma para outra. Como se estivessem a cometer um crime ou uma travessura, elas tentavam, também, ocultar aquele ato de afeto.

Tenho muitos preconceitos. E reconheço que o primeiro pensamento ao ver a demonstração de carinho e desejo entre dois seres humanos do mesmo sexo não foi dos mais nobres.

Nessa mesma semana, estava conversando com uma amiga sobre a estranheza que nos toma conta diante de uma situação que deveria ser simples e natural. Temos amigos e amigas gays – que prezamos e respeitamos – e, mesmo assim, não conseguimos agir com naturalidade diante do que é natural para tais amigos e amigas. E, mais ainda, quando o natural se manifesta em desconhecidos.

Durante essa conversa eu disse algo que irei repetir aqui, talvez como forma de um exercício a ser praticado não apenas por mim. Eu disse: “Sou heterossexual e manifesto minha sexualidade, minha orientação sexual, dentre outras formas simples e naturais, beijando minha mulher, andando de mãos dadas com ela, abraçando-a… Como seria se não me fosse permitido expressar essa sexualidade em público?

É como o enredo do filme A cor da fúria, estrelado por John Travolta e Harry Belafonte. Para quem não sabe, o filme é de 1995 e se passa numa sociedade estadunidense onde a questão racial (de cor da pele) é invertida. Os negros ocupam as camadas mais altas da pirâmide social, com todos os benefícios e privilégios, e os brancos são relegados às bases, sofrendo todo tipo de preconceito e discriminação. Uma paralaxe conceitual interessante. Faz refletir. Trazendo para o caso aqui abordado, ao invés da questão da cor da pele (e das questões sociais inerentes), imagine se inversão estivesse na orientação sexual.

Estaria eu levantando a bandeira GLBT ou algo do tipo? Não necessariamente. Levanto a bandeira da humanidade, do respeito, da tolerância e da coerência. Para mim e para todos.

A continuidade da web e o acesso à informação

Em Março deste ano escrevi duas postagens sobre acesso e preservação da informação em meio digital. Ambas relacionadas com os links, endereços de internet (web sites) que nada mais são que uma referência, um meio de acesso a uma informação armazenada na Internet.

A primeira postagem foi sobre informações que não mais estavam acessíveis uma vez que seus links haviam sido alterados ou removidos. E, quando no segundo caso, sem recurso de redirecionamento automático para o novo “local”; algo relativamente simples para os informáticos. O título da postagem é Link perdido, acesso comprometido.

A segunda postagem foi um exemplo prático da primeira. Naquela mesma época, os jornais International Herald Tribune e o NY Times se “fundiram”, prevalecendo o segundo. Naqueles dias, todos os links de reportagens (todos as referências de documentos) do IHT – e eu tinha alguns – eram direcionados para a página principal do NY Times. É como se a ficha de um livro numa biblioteca lhe conduzisse sempre a recepção dessa instituição, agora com outro nome. O título da postagem é Péssimo exemplo.

Pois bem. Hoje, li uma matéria sobre o projeto do Arquivo Nacional da Inglaterra (The National Archives – UK) chamado Web Continuity (algo como Continuidade Web). O projeto, a ser lançado oficialmente no próximo mês, é de grande importância no âmbito da preservação digital de arquivos públicos.

O Web Continuity foi apresentado em Dezembro de 2008 por Amanda Spencer, chefe do projeto, na 4ª Conferência Internacional de Curadoria Digital (4th International Digital Curation Conference) , evento organizado pelo DCC (Digital Curation Centre) . O trabalho, entítulado UK Government Web Continuity: Persisting access through aligning infrastructures (Persistindo o acesso através de alinhar as infra-estruturas) pode ser lido aqui.

Spencer faz um comentário interessante, que nos faz pensar na origem dessa cultura de não se preservar o link. “Quando foi criada, a internet era considerada como efêmera. As páginas web não eram vistas como documentos que precisavam ser preservados.” Hoje sabemos que muitos documentos importantes, para a administração pública, por exemplo, só existem em meio digital com acesso via internet. Garantir esse acesso é garantir não somente o funcionamento adequado do Estado, mas a nossa cidadania.

A propósito, buscando referências antigas de matérias do antigo International Herald Tribune, posso ver que o redirecionamento automático foi enfim implantado. Ponto para o grupo NY Times. A web continua!

Domingo, Novembro 15, 2009


Quingentésima
500

Lá se vão quase três anos da inauguração do TUIST e a primeira postagem. Aproveito a oportunidade, a efeméride dos 500, para repetir aqui dois vídeos. Na verdade são montagens feitas por este blogueiro, com músicas e imagens que, considerando as celebrações da Consciência Negra, são bem oportunas. A primeira traz o Nkosi Sikelele, um hino de libertação e união para fortalecimento. A segunda é uma homenagem que fiz e faço às mulheres Africanas, lindas e cheias de força. Agora são outros 500! Até lá!

It's been almost three years of the inauguration of the first TUIST post. Take this opportunity, the anniversary of 500, to repeat here two videos. They are video assemblies there that I made, with music and some images and, considering the celebration of Black Consciousness, its a good time to repeat them. The first brings the Sikelele Nkosi, an anthem of freedom and unity to strengthen. The second is a tribute I did and do for African women, beautiful and full of strength. Let's wait for another 500! See you there!





A imagem acima do título é o símbolo Adinkra NKONSONKONSON
que significa "o elo ou a corrente". É o símbolo das relações humanas.
Símbolo da unidade, interdependência, fraternidade e cooperação.
A união faz a força!

The image above title is the Adinkra symble NKONSONKONSON
that means "the link or the chain". Symbol of human relations.
Symbol of unity, interdependence, brotherhood, and cooperation.
A reminder to contribute to the community, that in unity lies strength!

Fonte: Adinkra: sabedoria em símbolos africanos = african wisdom symbols

Sábado, Novembro 14, 2009

Coloquem na Ordem do Dia! Já!

Eu mesmo já critiquei (e continuo criticando) algumas ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. As imagens repetidas vezes veiculadas nos telejornais mostram como uma minoria busca externar seu descontentamento com uma injustiça histórica que tem como fruto as mazelas reais e contemporâneas, que também vemos, não apenas na televisão e impressos, mas em nosso dia-a-dia. Embora muitas vezes a conexão da causa com o efeito se faça difícil, as consequências das injustiças e barbaridades cometidas no campo, a forma como os "poderesos" se perpetuaram, podem ser percebidas em nosso cotidiano. Basta parar e refletir. Os fatores exploração e desigualdade caminharam juntos para construir a realidade brasilieira, assim como de outros países. E ainda caminham. O que alimenta isso tudo são os desinteresses e interesses de uns e de outros ou, como demonstrarei, de uns e dos mesmos.

O Brasil é notoriamente um dos países onde o trabalho escravo é mais combatido. Temos aí o Grupo de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego, que faz um ótimo serviço. Mas parece algo paleativo. Um crime tão hediondo como a exploração do trabalho escravo deve ser combatido com toda força da sociedade e do Estado. E até que doa no bolso dos criminosos, os grande fazendeiros neo-escravocratas, essa ferida história continuará aberta.

Um importante recurso legal está parado praticamente desde sua proposição. Trata-se da Proposta de Emenda à Constituição número 438 de autoria do Senado Federal Ademir Andrade do PSB/PA. A PEC do Trabalho Escravo, como ficou conhecida, foi apresentada ao Senado Federal em 1° de Novembro de 2001. Clique aqui ou aqui para ver o diário da Câmara dos Deputados onde a PEC foi publicada.
A PEC estabelece "a pena de perdimento da gleba onde for constada a exploração de trabalho escravo (expropriação de terras), revertendo a área ao assentamento dos colonos que já trabalhavam na respectiva gleba. Altera a Constituição Federal de 1988.". Resumindo, se constatado trabalho escravo, perde a fazenda!

E, pelo histórico do andamento na Câmara, que podemos consultar aqui, pode-se ver os desinteresses e os interesses dos ilustres parlamentares. Desinteresse em mudar a triste realidade social, onde em pleno século 21 temos a utilização do trabalho escravo como "ferramenta produtiva" e ao mesmo tempo o interesse desse mesmo grupo (e seus asseclas) em manter as vantagens obtidas ao longo da história.

Fazer com que cães larguem tão suculento osso é mesmo difícil. Mas não impossível.

Existem um abaixo-assinado pela aprovação imediata da PEC 438/2001, a PEC do Trabalho Escravo. Até o momento, cerca de 165890 aderiram tanto na versão em papel, como também via Internet. É pouco, mas é um começo.

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Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Se liga na real!

O TUIST está prestes a completar 3 anos e a postagem número 500 está próxima! O que foi escrito desde o "lançamento" deste blog em Dezembro de 2006 de certa forma refletiu minha vida, meu pensamento, meus medos, meus preconceitos, minhas angústias, emoções, raivas... Mas também pude externar meu carinho, meu afeto, minha dedicação, meu amor, por coisas, pessoas, momentos... Os textos e recursos multimídia (vídeos, músicas, figuras) postados também refletiram momentos da sociedade. E não apenas do Brasil. Minhas reflexões contemplaram vários países na Europa, Ásia, Américas, África. Política, economia, questões sociais e humanitárias, acadêmicas... enfim, uma série de temas, vários assuntos.

Dentre as questões sociais e humanitárias, em alguns textos eu abordei a violência. E as drogas. Recentemente, numa conversa com um amigo, falamos da questão da influência (do meio, dos colegas, da família) no desenvolvimento de uma criança. Embora o assunto não estivesse relacionado ao uso de drogas, é fácil perceber uma ligação entre o uso/consumo de entorpecentes e a influência sofrida (pela criança, adolescente, jovem) do meio em que se vive, das pessoas, familiares ou não, com quem convive.

Sou um medroso! Tenho medo que situações tristes, difíceis e trágicas aconteçam ou voltem a se repetir. Vivi uma situação na qual a influência teve papel determinante no que culminou numa tragédia com ente querido.

Penso que espaços estão aí para serem preenchidos. E não me refiro ao "físico", mas ao emocional, ao moral, ao intelectual, ao dos valores... Quando esses espaços não-físicos deixam de ser preenchidos com algo positivo, cria-se condições para o que "não desejamos aos nossos filhos". Mesmo não sendo pai, hoje vivo uma angústia dessas. O ser humano é um ser influenciável por natureza.

Penso que o medo me permitiu estar aqui, ileso (pelo menos fisicamente). A essa emoção salvadora em alguns momentos, algumas vezes juntou-se a informação que, consequentemente, me permitiu uma reflexão. Aquele famoso "pesando os prós e os contras". É claro, sendo um ser pseudo-racional, atitudes erradas, mesmo nessas condições, podem ser tomadas. Mas, a partir do momento em que temos subsídios decisórios (informação) e alguma perspectiva (que pode ser esperança, sonho) creio que as idéias se iluminam. Da mesma forma, tirando a informação (por exemplo, numa sociedade deficitária no nível educacional) e/ou a perspectiva (estrutura familiar fraca, poucas oportunidades e muitas barreiras, falta de condições para uma vida digna, falta de apoio e exemplos), o que se impõe é uma visão obscurecida da vida. Neste último caso o espaço não-físico é facilmente preenchido por...

Nos últimos meses tenho notado um aumento expressivo no número de jovens (muitos ainda crianças) sobrevivendo nas ruas aqui próximo. Alguns desses jovens praticam delitos que, quando muito, são "tratados" de maneira paleativa pelo Estado. O consumo de drogas é feito a qualquer hora do dia. A cola e o tiner são os mais usados. Mas o crack também é uma realidade.

Com excessão de alguns casos onde a tragédia se deu num ambiente familiar relativamente constituído e de pessoas com certa condição social, o que sobra (e é a grande maioria) é tratado no coletivo. Essas micro-tragédias de pessoas já "invisíveis" socialmente, é colocada num único bolo. Logo, não se vislumbra uma mudança a curto ou médio prazo.

Mas talvez (e aqui entra a esperança "que nos move") seja possível criar condições melhores com a influência certa. A informação nesse caso é essencial. Ela dá subsídios, ou mesmo traz o medo, faz refletir, avisa.

No caso das drogas, essa informação, esse aviso, algumas vezes é melhor percebido quando vindo daqueles diretamente ligados a essa tragédia social e de saúde pública: um drogado (para saibamos onde aquilo pode levar), um familiar (para termos alguma noção, mesmo que distante, da tristeza e dor que pode causar), ou um traficante minimamente coinsciente das causas e efeitos de seu "ofício" (para mostrar um pouco do sua visão sobre o produto e mercado consumidor).

Tomei conhecimento de um dessas oportunidades de esclarecimento através de um artigo de Zuenir Ventura para o jornal O Globo, publicado em 07 de Novembro de 2009 e entitulado "Quem vende sabe"



O artigo de Ventura cita uma entrevista com um traficante, feita pelo membro do AfroReggae, José Júnior. Assista abaixo e se liga na real!

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Polícia ou Bandido?

O recente ato de violência que culminou na morte do coordenador do AfroReggae Evandro João da Silva engrossa as estatísticas da criminalidade no Rio de Janeiro. O assassinato que, de forma covarde, interrompeu a vida de um ser humano que atuava justamente em prol da humanidade, da dignidade, da não-violência... da vida, foi agravado pela atuação daqueles que deveriam zelar pela segurança pública. Servidores, pagos com dinheiro público, trajando farda e em veículo oficial, se portaram como marginais desumanos.

Eu acredito, quero acreditar, que essa escória seja uma minoria no universo das corporações policiais. Que esse (e tantos outros que ganharam repercussão) sejam casos isolados.

Espero que aqueles que honram essa importante função e o Estado - que deve mostrar eficiência, deixando das politicagens típicas e agir com inteligência - estirpem dos quartéis e das ruas esses bandidos (com ou sem farda).

Um artigo de Javier Méndez Araya publicado hoje no periódico Chileno El Mercurio me desperta uma curiosidade. A notícia, sobre segurança pública na Venezuela, dizia que em 20% (vinte por cento, um quinto, dois em cada dez) dos crimes praticados têm participação de policiais. Leiam aqui.
Fico imaginando... No Brasil, qual a porcentagem?

Leniency

Do you remember the last year events on University of the Free State's campus in South Africa? Click here or here. And check my post about this.

The disciplinary charges against those criminals were dropped. According to University rector Jonathan Jansen it was "a gesture of racial reconciliation, and the need for healing". But I do have another opinion: Leniency.

Read here, here, here... Or use your own news search engine.


© JONATHAN SHAPIRO. 22-10-2009
Zapiro (always a great cartoon). Click on picture to check others.

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Segunda-feira, Outubro 19, 2009




Neste domingo eu recebi uma mensagem de uma amiga. Ela contava sobre uma pessoa que, confesso, até então eu não tinha ouvido falar, havia sido assassinada. A vítima da violência era alguém muito querido e próximo a um de nossos amigos em comum. Por isso a mensagem. Hoje tive oportunidade de falar com esse amigo. Não para consolá-lo. Se esse fenômeno existe, vem de dentro, de algo maior do que simples palavras. Não pedi que ele esquecesse essa tragédia, essa dor. Mas pedi e peço que ele guarde o que ficou de bom, ou pelo menos dê mais importância a isso. E use em seu benefício e de todos.

Amanhã (20/10) faz dois anos que passei (eu e minha família) por uma situação parecida. A violência que assistíamos na televisão, líamos nos jornais e sobre a qual comentávamos, como algo ficcional, distante, irreal de tão absurdo... bem, essa irrealidade se materializou de forma avassaladora. E levou alguém muito querido, que era filho, era irmão, era pai. Era meu primo.

Quando esse absurdo irreal se mostra concreto em nossas vidas é possível olhar com outros olhos as "ficções" jornalísticas, televisivas e comentadas.

Combater algo irreal é uma irrealidade. A violência não é ficção que presenciamos, que assistimos, comendo pipoca no conforto do lar. Não é algo distante que simplesmente apontamos, por vezes nem ao menos olhamos, como se fosse um direito que nos coubesse, já que "estamos do lado de cá do muro, da fronteira... da situação". Não está no passado para que possamos ler nos livros de história ou pesquisar nos arquivos, embora o enfrentamento do que se faz presente esteja justamente ligado ao entendimento do que se passou.

Primeiramente te desejo PAZ... Te desejo, PAZ!




As imagem que ilustram essa postagem são
símbolos Adinkras relacionados com a PAZ.
O primeiro, BI NKABI (ninguém deve agredir
o outro) é um símbolo de paz e harmonia, o
segundo é MPATAPO (laço de pacificação e
reconciliação) que é um símbolo da
reconciliação, da paz e pacificação .

Em nome do conhecimento
Em nome do aprendizado
Em nome do esclarecimento

A propósito de recente postagem entitulada Me prendam!, onde faço uma crítica às ações do MST, gostaria de indicar um texto de Mauro Santayana, publicado em 14/10/2009 no Jornal do Brasil. Clique aqui para ler A CPI do MST e as terras roubadas.

O texto me foi enviado por uma amiga, colega de trabalho e blogueira e ajuda a colocar meus pés no chão. Além disso, me faz lembrar as excelentes aulas de Teoria da História, ministrada por uma grande professora. Naquelas aulas iniciais, preparatórias não apenas para os densos debates que estavam por vir, mas também para a vida, tive contato "formalmente" com os Obstáculos Epistemológicos. Hoje, lendo o texto enviado pela também professora e agora blogueira, tenho a oportunidade de criticar o que escrevo, e pensar no que penso. Realismo ingênuo, credulidade, dogmatismo e certo preconceito. Esses foram alguns dos obstáculos ao saber, à verdade, que poderemos ver no meu texto. Mas não me prendam por isso. Até porque não incorri, como poderão ver, nas generalizações assistemáticas, outro obstáculo.

Ainda acho, porém, e talvez concordem, que certas ações de movimentos sociais estão impregnadas do mal que combatem. Entretanto, de maneira alguma devemos olhar os "episódios isolados" e construir o todo.

Lendo, relendo e revendo tudo que li e o pouco que escrevi, só me resta terminar esta postagem como terminei a outra a que me referi no início. "Tem alguma coisa muito errada nessa história toda!"



A imagem que ilustra essa postagem é o símbolo Adinkra
Nea Onnim No Sua A, Ohu que significa Aquele que não
tem conhecimento, poderá obtê-lo com o aprendizado.

Domingo, Outubro 18, 2009

Acabou o papel?

A Association for Information and Image Management (AIIM) publicou o resultado da pesquisa "Electronic Records Management - still playing catch-up with paper", algo como Gerenciamento de registros eletrônicos - ainda tentando recuperar o atraso com papel(*). Alguns pontos de destaque:

Boa parte das empresas não possuem quaisquer políticas de gerenciamento de seus registros eletrônicos;

As chances de tais registros eletrônicos serem realmente gerenciados é duas vezes menor que a dos registros em meio físico (papel);

Os arquivos em papel, cujo volume tem aumentado na maioria das empresas, são mais ativamente gerenciados;

Embora mais da metade das empresas pesquisadas tenham como padrão a digitalização de documentos recebidos em papel para posterior arquivamento em meio eletrônico, 40% delas admitiram que imprimem documentos recebidos em meio eletrônico para arquivamento em papel;

Na maioria das empresas pesquisas, são os profissinais de TI os responsáveis pelos processos de gerenciamento eletrônicos de documentos, incluindo e-mails.

Trata-se de uma pesquisa interessante, conduzida por uma entidade conceituada internacionalmente e que nos permite comprovar que ainda há muito por fazer.

Original aqui.

(*) Traduzido com o Bing Translator

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Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Sagrado

Qual o papel das religiões do mundo contemporâneo? A Rede Globo e o Canal Futura lançam Sagrado. Uma séria que apresenta a diversidade religiosa "mostrando a visão e o entendimento de cada religião a respeito de assuntos muitas vezes polêmicos como: violência urbana, liberdade de expressão, sexualidade, novas famílias, entre outros." Vejam abaixo os vídeos do quarto ao sexto episódio.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Vale a leitura e reflexão

Razão, crença e dúvida. Onde se manifesta a razão? Na arrogância de certezas absolutas ou na capacidade de duvidar? (...) Clique aqui e leia a íntegra do ótimo artigo de Contardo Calligaris, publicado hoje (08/10/2009) na Folha de São Paulo.

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Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Me prendam!

Confesso: eu financio o crime organizado. O esquema é relativamente simples. Todo mês, com meu trabalho, pago uma série de impostos que não saberia listar. Boa parte desse valor vai para a conta da União (Governo Federal). Esse "órgão", por sua vez, destina parte desses recursos, captados com minha diligente ajuda, para instituições conhecidas como ONGs que financiam ações de organizações que, na outra ponta do esquema, algumas vezes fazem o que veremos no vídeo abaixo.

A desculpa, dizem, seria o objetivo de implantar de maneira mais ampla a reforma agrária no país. Porém, qual a linha que separa as ações de um movimento social legítimo das ações de uma quadrilha, de criminosos (com direito a rostos cobertos, vandalismo...) organizados. Tem alguma coisa muito errada nessa história toda!

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Sagrado

A Rede Globo e o Canal Futura lançam Sagrado. Uma séria que apresenta a diversidade religiosa "mostrando a visão e o entendimento de cada religião a respeito de assuntos muitas vezes polêmicos como: violência urbana, liberdade de expressão, sexualidade, novas famílias, entre outros." Vejam abaixo os vídeos dos três primeiros programas.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Absurdos cotidianos

Estava eu num ônibus, passando por uma rua do Centro do Rio, na região da Lapa. Veículo parado (sinal?, trânsito?... sei lá!), olho pela janela, reconheço um prédio ocupado pelos Sem-teto. Movimento, grupo, quase partido, que pelo menos faz com que governantes e proprietários se apercebam da estupidez, e absurdo, que é o abandono e descaso com edificações que poderiam ser funcionais. Na janela, vejo um dos "ocupantes". Olhando a paisagem, cigarro numa das mãos, latinha de cervaja na outra.

É, para algumas coisas sobra dinheiro. Absurdo!

O cruel desinteresse

Tanta comida, porém tanta fome... Este é o título de um artigo publicado originalmente para o NY Times em 19 de Setembro deste ano, por Andrew Martin. Foi traduzido e publicado hoje na Folha de São Paulo. Fala de uma crise desnecessária, de uma realidade cruel com quase um bilhão de vítimas.

So Much Food. So Much Hunger
Tanta comida, porém tanta fome

Domingo, Outubro 04, 2009

Rio 2016

Que tudo corra (e nade, e salte, e pule, e jogue...) muito bem.



From RAYMA (publicado no El Universal em 03/10/2009)

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Zé Peixe e outro lado da($) moeda($)

Hoje uma amiga me enviou um vídeo de uma reportagem exibida no Jornal Nacional, pelo visto, há aproximadamente uma década. Conta a história do sergipano José Martins Ribeiro Nunes, o Zé Peixe. Pesquisem no Google, as referências são muitas. Mas, vamos ao vídeo.

Zé Peixe atuava como Prático (profissional que atua no atracamento do navio, guiando-o ao entrar num porto) em Aracaju. O que me chamou atenção foi a simplicidade, não apenas da pessoa, mas também de seu lar. Um lugar humilde. O interesse veio com uma lembrança de um comentário feito por um amigo, sócio de uma empresa de navegação, que numa conversa me falou sobre esse tipo de profissional. E o quanto era o salário.

À época não acreditei, mas hoje, vendo o vídeo, resolvi pesquisar. Encontrei algumas referências que ratificam a informação desse meu amigo. É impressionante.

Salário de prático passa de R$ 100 mil por mês
DPC confirma Concurso para Prático, com salários até R$ 130 mil por mês
Profissão: prático, salário: R$ 100 mil
Práticos de Santos ganham até R$ 200 mil

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Segurança de todos

No último Domingo, o programa Fantástico apresentou uma reportagem sobre como a legislação, que prevê a progressão de pena, está beneficiando condenados por crimes hediondos. A polícia faz seu papel, prendendo o monstro e, independente da barbaridade cometida, a "justiça" o brinda com o benefício da progressão de pena, devolvendo-o a sociedade.

A justificativa para o "presente", conforme artigo (Progressão de regime de cumprimento da pena para crimes hediondos) de Juliana Moura Nogueira é que "terão mais chances de se adequar de volta à sociedade, pois com o cumprimento da pena em regime semi-aberto, onde o preso sai de manhã para 'trabalhar' e volta à penitenciária para dormir, terão mais condições de serem absorvidos pela sociedade".

O que permite isso é o artigo abaixo, da Lei nº 7.210, de 11 de Julho de 1984.

Art. 112 - A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva, com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e seu mérito indicar a progressão.

Parágrafo único. A decisão será motivada e precedida de parecer da Comissão Técnica de Classificação e do exame criminológico, quando necessário.


Eles se baseiam, também, na condição de o detendo ter tido boa conduta durante o cumprimento da pena. Ora, até Hitler, em algum momento da vida dele, deve ter tido um bom comportamento. Aliás, parte da biografia dele é até elogiada, mas isso não o impediu de cometer as atrocidades. E vale lembrar que, segundo consta, certa entidade sobrenatural maligna da tradição judaico-cristã havia sido um anjo querubim. Mas deixa pra lá.

Eu sinceramente gostaria de ver esses juristas explicando (olho no olho) para um pai ou uma mãe que tenha perdido um filho(a) vítima de um crime considerado hediondo, que o responsável por aquela monstruosidade seria solto uma vez que teve bom comportamento, ou que seu regime de prisão passaria a semi-aberto para que sua volta ao convível social fosse facilitada. Creio que esse pragmatismo jurídico não suporta a realidade nua e crua durante muito tempo.

Abaixo segue o vídeo da reportagem.

É importante saber que essa aberração legal que solta monstros nas ruas, felizmente é fortemente combatida por alguns. É o caso da Proposta de Emenda à Constituição n° 364/2009 (leia na íntegra) que tramita na Câmara dos Deputados. A PEC - apelidade de KAYTTO GUILHERME, em alusão ao bárbaro crime ocorrido em Abril deste ano em Mato Grosso (leia aqui) - é de autoria do Deputado Valtenir Pereira (PSB-MT) e "determina o cumprimento da pena no regime integralmente fechado ao autor de crime hediondo". Vamos acompanhar.

Uma declaração dada pelo Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, exibida durante a reportagem, merece destaque.

Segurança pública é polícia, é o Ministério Público, é o Tribunal de Justiça, é o sistema penitenciário, é o Legislativo e o Executivo que sanciona essas leis. Então, a polícia faz a primeira parte e prende. E, se nesse sistema todo, um elo dessa cadeia se dissolve, o problema volta pra polícia novamente, assim como estamos vivendo o problema de hoje. E em outros estados da Federação, isso é muito comum”.

Alguém discorda?

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Ibeji. A beleza dos doces

O último domingo, dia 27 de Setembro, dia de São Cosme e São Damião foi “dia de pegar doce”. É com grande carinho, apreço e, por que não, certo saudosismo que me recordo de anos anteriores, principalmente na minha infância, esta data festiva.

Com o passar dos anos, tendo contato com mais pessoas, percebendo o mundo com outros olhos, analisando criticamente o que vejo, ouço, leio, vivendo outras situações que não aquelas da infância, onde tudo era festa (que saudade!), as lembranças dos 27 de Setembro de minha infância ganham mais valor.

São Cosme e São Damião, além de figuras santas no Catolicismo, estão sincretizados nas religiões afro-brasileiras como o orixá Ibeji da Mitologia Ioruba. Existem muitas referências ao orixá-criança na Internet. Vale pesquisar. Não me alongarei nessa questão, apesar de ter vontade de escrever mais sobre o assunto específico, pois me falta mais conhecimento. É o básico.

O preconceito e a ignorância, não necessariamente nessa ordem, contribuem para que muitos rejeitem (o que pode ser natural) ou, muitas vezes, hostilizem e até agridam quaisquer manifestações de festejo ou simples referência às festividades daquela data.

Talvez este seja um dos temas discutidos durante o Seminário Nacional sobre Proteção à Liberdade Religiosa, promovido pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR e que ocorre hoje e amanhã aqui n Rio de Janeiro. O assunto é de grande relevância.

A estupidez demonstrada pelas pessoas que destilam seus preconceitos e ignorância e mesmo aquelas que, dizendo respeitar, usam de comentários jocosos, com piadas e galhofas, não esquecendo os próprios seguidores e devotos que, pelo comportamento, ajudam a deturpar algo belo… essa estupidez me entristece. E me preocupa, uma vez que tal postura parece muitas vezes tida como comportamento vigente, normal, aceitável.

E é por conta desse sentimento tristeza que me ligo ao passado para viver melhor o presente. E nesse passado, foram exatamente as festividades de São Cosme e São Damião, no ambiente dos cultos afro-brasileiros, celebrando o Orixá-criança, o Ibeji, as crianças, que passei a respeitar e admirar algo cada vez mais desrespeitado, menosprezado, por muitos.

Vou contar brevemente, até para registrar para aqueles com os quais nunca compartilhei tais lembranças [e para mim mesmo], as festas e celebrações, os acontecimentos marcantes, as cerimônias em homenagem a São Cosme e São Damião.

A expectativa era grande nos dias que antecediam a data. Onde os doces seriam distribuídos? Sorteariam brinquedos? Dariam senha antes? Naquele tempo o mundo a minha volta parecia enorme, era gigantesco e, em grande parte inatingível. Meu microcosmo era um universo. Conforme crescia, vi as coisas foram diminuindo, ficando alcançável fisicamente e utópicas ao mesmo tempo, conseguia enxergar além daquelas ruas pelas quais corria para pegar os doces. Mas a sensação de mantém. Aquele mundo pequenino ainda está em mim.

Fora todas as casas e centros de Candomblé e Umbanda, existia um lugar particularmente esperado. Lá ocorria a grande festa, aguardada durante todo o ano. Era a casa da Dona Dagmar. Uma casa muito grande para os padrões de Mesquita, com dois andares, um salão na parte de baixo, terreno a imensa cozinha onde se preparava as guloseimas para a festança.

Se bem me recordo, o evento era de um dia, porém, estendia-se considerando os preparativos, que eram atrações a parte. Dos preparativos, muitos participavam. Eu mesmo ajudava na limpeza, no empacotamento dos doces, da feitura das comidas, muita comida. O grande dia era dividido em três partes: almoço para muitos convidados, distribuição dos doces e a festa noturna.

Para o almoço, dois porcos eram preparados. Um menor, que ia à mesa, assado inteiro, e o maior, usado no preparo das lingüiças e alguns cortes. Uma experiência única: encher lingüiça.

A comida era farta, saborosa, feita com esforço e dedicação e consumida com gosto por todos.

Pulemos para a festa noturna. Música, bebida, diversão, alegria, mais comida, danças. A festa, sempre aguardada, atraia pessoas de vários lugares. A religião ali não era estampada, mas internalizada e ficava patente a crença reinante. Era algo para todos.

E, entre o almoço e a festa à noite, eventos quase sobrepostos tamanha a grandiosidade do evento e tão curto tempo, estava a distribuição de doces.


Essa parte da celebração, onde o caráter religioso mais ficava evidente, se dividia em três estágios. Sendo que dois ocorriam ao mesmo tempo, mas em lugares separados.

Um desses estágios, no grande salão ou mesmo numa parte do terreno, era a mesa de doces. Manjas, pudins, bolos, cocadas, pés-de-moleque… uma miríade de cores, odores, texturas e sabores dispostas numa mesa imensa, especialmente montada para o evento, mas que também havia servido para o banquete do almoço.

O estágio concomitante, do qual tive o privilégio de participar pelo menos uma vez, era uma cerimônia onde o patriarca da família servia um prato de doces para algumas crianças escolhidas na casa. Comíamos sentados no chão, rodeados de representações e instrumentos em devoção aos orixás. Era a casa de santo. A cerimônia envolvida naquele momento era de uma beleza única. Era o lugar mais seguro e acolhedor do mundo. Ali, estávamos protegidos, cuidados, alimentados. Em paz. Se eu pudesse voltar a ser criança e viver momentos de minha infância, gostaria de voltar àquela casinha, me sentar no chão e degustar um prato de doce, rodeado de orixás protetores.

O terceiro estágio dessa segunda parte das celebrações era a distribuição dos pacotes de doces e alguns brinquedos. As senhas eram distribuídas com antecedência. Não lembro a quantidade, mas com certeza algumas centenas. Eu era um privilegiado, pois, sendo amigo da família, participava de tudo de dentro da casa. Podia assim ver a aglomeração de pessoas ao portão, crianças, adolescentes e adultos à espera de um saquinho de doces. Os que recebiam se retiravam para analisar o conteúdo, se maravilhar com a diversidade e quantidade.

Uma festa para todos, com um conteúdo e significado religioso, intrínseco no todo e evidente em alguns momentos. Tendo participado dessa celebração no passado, me fez nutrir um respeito tanto pelo viés católico como do sincrético afro-brasileiro. E, por essas e outras, me entristeço com o que algumas pessoas tentam fazer de algo tão belo.


Tendo ficado claro que algumas pessoas de minha família seguiam e seguem a religião dos Orixás, não posso deixar de citar outro evento do qual participei quando criança e que, assim como as festividades para as Crianças, me marcou profundamente. Foi quando minha prima, ainda adolescente, “fez o santo”. Foi uma cerimônia muito bonita. Cheia de cores, beleza, cheiros. O filho dela recentemente seguiu os passos da mãe. Ouvi alguns comentários do tipo “como pode envolver uma criança nesse tipo de coisa”… Bem, esse tipo de coisa é uma religião e merece ser respeitada. Não pude deixar de fazer algumas comparações com o Bar Mitzvá no judaísmo e o Batizado no cristianismo. Todas são cerimônias de grande importância, significado e beleza. Por que o preconceito?