quarta-feira, março 29, 2017

O emprego

Eis uma animação, belíssima, de Santiago Grasso, um cineasta argentino que demonstra muita sensibilidade e consegue nos fazer refletir sobre as relações humanas no trabalho, sobre o trabalho que exercemos para os outros, sobre o trabalho que os outros exercem para nós... 
Somos patrões? Somos empregados? 
Somos o sapato? Somos o capacho?
Sobre a relevância e a irrelevância do que fazemos.
Sobre a visibilidade e a invisibilidade do que fazermos.

quinta-feira, dezembro 15, 2016

O Brasil num momento Jânio

A foto  
 
Uma das fotos que mais gosto. 
Quase impossível segurar o riso. 
Erno Schneider é o fotógrafo. 
Jânio Quadros é o retratato. 

Presidente do Brasil por 207 dias no ano de 1961. 
Depois de Kubitschek
Antes de Ranieri
Numa década nada monótona. 

Clicada em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, 
em 21 de abril de 1961, a foto ficou famosa,
não apenas por ser engraçada (é hilária!), 
mas por retratar o momento político do país.
Venceu o Prêmio Esso de Jornalismo em 1962.
“Pra que lado eu vou?”

Obrigado por compartilhar. Lembre-se de citar a fonte: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/janio-quadros-renuncia/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues

O fato é que a considero, em essência, muito atual. 
O Brasil está desse jeito. 
Num momento Jânio. Tipo “Pra que lado eu vou?”

Meio seguindo em frente, meio retrocedendo
Meio parado, meio avançando 
Meio indo, meio vindo 
Meio lá, meio cá 
Meio estático, meio em movimento 
Meio agindo, meio assistindo 
Meio a fim, meio ao fim 
Meio partindo, meio partido
Meio ao meio



quinta-feira, julho 14, 2016

O Banquete Sagrado: notas sobre os 'de comer' em terreiros de candomblé

"É um estudo específico sobre alimentação ritual. Premiado com menção honrosa pelo Prêmio Silvio Romero no ano de 1998, este trabalho, agora sob forma de livro, não somente reúne elementos do folclore e da cultura popular, mas é pioneiro sobre o assunto no campo da antropologia da alimentação no Brasil"

sexta-feira, abril 22, 2016

O Centro do Rio

Muitas obras, algumas violências e tantas hipocrisias.

O Centro do Rio sempre me despertou admiração e encanto. Principalmente pelas construções antigas, carregadas de histórias. Os sobrados, os casarões, os palácios, as ruas…

Uma das coisas que a insegurança, ou a sensação de insegurança, nos tira é a oportunidade de contemplação. Mas nem sempre foi assim, tão proibitivo (e pouco recomendado) contemplar os sobrados, os casarões, os palácios, as ruas…

O Rio passa por uma transformação. Os Jogos Olímpicos parecem pedir uma mudança de paisagem. O Rio precisa de roupa nova para essa festa. E contamos que as vestimentas sejam de qualidade e duradouras. Embora, pelo acontecimento recente e triste na Ciclovia Tim Maia…

VLT, Museu do Amanhã, Museu de Arte do Rio, Aquário, Passeios públicos, Túneis… As obras são diversas.

Infelizmente não são apenas obras de melhoria que vemos se multiplicarem. Os assaltos também. O Rio de Janeiro, em particular o Centro do Rio, Cidade Olímpica, está cada vez mais violento. Os assaltos ocorrem diariamente, em vários pontos da cidade, independente do período do dia, independente da presença de aparato de “segurança”. E as aspas nunca foram tão adequadas para se falar em segurança no Rio de Janeiro. Nem a presença da mídia coibe a ação dos assaltantes. Assaltantes de todas as idades.


A insegurança é um monstro. E, como todo monstro, se alimente de algo para crescer e se multiplicar, para tomar espaço.

Será que todo celular roubado será utilizado pelo criminoso que praticou o assalto? E cordões, relógios? Duvido muito. Arrisco dizer que a maioria dos itens serão convertidos em dinheiro para, aí sim, ser usufruído de algum modo por aquele assaltante.

Mas, como se dá a transformação dos celulares, dos cordões, dos relógios, em dinheiro? Comércio! Alguém precisa adquirir a mercadoria. Compra e venda. Oferta e procura. Simples assim.

Mas o monstro tem uma dieta diversificada. Por isso cresce saudável.

Há alguns anos tenho percebido a tranquilidade que algumas pessoas consomem maconha nas ruas do Centro do Rio. Sim, fico chocado, impressionado, preocupado e indignado, ao passar por pessoas fumando maconha em plena Avenida Rio Branco, ou na Presidente Vargas, as duas principais vias do Centro, às três da tarde de um dia útil.

Recentemente alguns veículos de imprensa noticiam o combate ao tráfico no Morro da Conceição. Um morro no coração do Centro do Rio, de grande importância histórica, com construções seculares e grande potencial turístico, a exemplo de Santa Teresa.

A região no entorno do Morro da Conceição conta com alguns dos aparelhos culturais novos ou recentemente valorizados por conta da revitalização da região portuária. Dois museus, bares, bailes de rua.

As pessoas que trabalham no Centro, em especial nas proximidades da Praça Mauá, têm ali um ponto de fácil acesso para curtir.

Infelizmente o consumo de entorpecentes parece fazer parte desse “curtir” para muitas pessoas. E, mais uma vez, temos a velha questão de causa e consequência. Procura e oferta. Compra e venda. Consumo e fornecimento.

E quando o ponto é bom, o comerciante se esforçará para se manter ali. A logística é fácil, pois ele pode entregar a mercadoria ao consumidor em pouco tempo. E o consumidor existe e tem condições financeiras para consumir o seu produto. É simples. É muito simples.

Mas infelizmente temos outro tipo de alimento em abundância, muito apreciado pelo mesmo monstro: a hipocrisia.

Comprar mercadoria roubada é crime e alimenta o crime. A desculpa do desconhecimento é tão perniciosa quanto o próprio ato de comprar mercadoria roubada.


Quem cheira uma carreira de cocaína deve saber que é responsável por toda uma cadeia de acontecimentos até ali, e além dali, envolvendo sofrimento de muitos. O mesmo para os que consideram o ato de fumar maconha coisa inocente e aceitável. Que o ato de acender um baseado ilumine todos os acontecimentos até ali, e além dali, e que o tragar traga também responsabilização.

Autógrafo na era do e-book

Há uns 15 anos, num dos ótimos momentos da roda de samba que acontecia no Museu da Imagem e do Som (MIS), em sua sede da Praça XV, no Centro do Rio, ocorreu o lançamento do Livro A Velha Guarda da Portela de Carlos Monte (pai da maravilhosa Marisa Monte) e João Baptista M. Vargens.

Foi um momento mágico. Muitos artistas compareceram. Beth Carvalho, por exemplo, lá estava. E outros tantos. Comprei o livro, como não poderia deixar de fazê-lo. A leitura foi prazerosa. As muitas histórias de cada um dos integrantes da Velha Guarda, contadas com linguagem fácil e descontraída, foram ali registradas para que todos pudessem conhecer um pouco mais da vida daqueles senhores e senhoras do samba. A Velha Guarda da Portela estava vivendo, e proporcionando, uma ótima fase. Shows, evidência no espaço cultural.

Nunca gostei de abordar famosos para autógrafos. E no MIS não foi diferente. Somado ao fato de que estava bem cheio e a aproximação mais difícil. Mas tive outra oportunidade. A Velha Guarda (ou alguns de seus integrantes) comandava uma pequena casa de show, muito bem localizada num sobrado da Rua Primeiro de Março, também no Centro do Rio. E, pouco tempo depois, entre um samba e uma cerveja, lá estava eu no camarim, com aquelas lendas vivas colhendo autógrafos. Mais um momento mágico.

Pausa de alguns anos. Alguns sambas depois. Muitos livros depois. Muitas cervejas depois…

O lugar é outro. Renascença Clube. Com toda sua força e história. O livro também era outro. Poétnica. Livro com poesias do autor produzidas no período de 1966 a 2013. O autor? Nei Lopes. Com toda sua força e história. Com toda sua consistência artística e intelectual. Além de autógrafo com dedicatória, tive o privilégio de uma foto. Momento mais do que mágico. Seguido por uma roda de samba. E algumas cervejas.

Outros livros foram autografados ao longo desses anos. Caneta no papel. Dure o tempo que durar.

Ao longo desses anos surgiu na minha vida de leitor o e-book. Tenho um Kindle. Facilidade de aquisição. Preço. Variedade. Internet, sincronização e lá está o ícone do livro novo. Livro? 

E meus autógrafos? Será com assinatura digital?
E minha dedicatória? Será um e-mail para ser anexado?
E o olhar do autor? E o deslumbramento de estar diante de quem produziu aquela história, aquelas palavras? 
E a fila para colher a assinatura?
A caneta no papel?

Os argumentos contra e a favor do livro digital, do e-book, são tão frios quanto um click e tão vazios quanto as prateleiras de uma biblioteca sem papel.

Sobre o silêncio

O que dizer quando o que se tem a dizer nada acrescenta?
A relevância da palavra só existe quando o conteúdo da mesma for, em si, relevante.
O que não digo tem mais consistência do que poderia sequer pronunciar.
Embora, se comparado ao que penso, 
e não sou competente para transpor no limiar da língua,
meu silêncio só consiste em ausência de som.
Por isso, o meu silêncio, peço que o relevem.

segunda-feira, janeiro 18, 2016

Martin Luther King Day

“Injustice anywhere is a threat to justice everywhere. We are caught in an inescapable network of mutuality, tied in a single garment of destiny. Whatever affects one directly, affects all indirectly.”

"A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar. Estamos presos em uma rede inevitável de mutualidade, amarrados em um único tecido de destino. O que quer que afeta uma pessoa diretamente, afeta indiretamente todos."

-Martin Luther King

terça-feira, dezembro 01, 2015

Há 60 anos...

Uma Rosa chamada Rosa Louise McCauley
 
Uma Rosa que brotou
E nos encantou
Uma Rosa de luz
E que nos conduz
 
Ao putrefato racismo
 Seu perfume de liberdade
Nos fez resistir
Nos fez refletir

 Seu perfume de liberdade
Que nos impregna
E nos envolve
E nos ilumina
E nos dá força
 E nos inspira

Flor corajosa
Rosa amorosa
Rosa mulher
Anjo bem-nos-quer


Montgomery City Code related to Rosa Parks arresting





sexta-feira, março 06, 2015

Algumas pessoas carecem. Eu não!

Assaltos e sequestros-relâmpagos em shoppings do Rio, da Zona Sul do Rio. Discutem de quem é a responsabilidade pela segurança nesses ambientes, discutem o “abuso” dos criminosos em atuarem em áreas como essas, discutem, discutem, discutem…

Me compadeço das vítimas. Tenho medo e a cada dia fico mais medroso. Espero que as autoridades façam o que se espera, de maneira simples e eficaz e responsável e justa: conduzir os bandidos (todos) à justiça, para que respondam por seus crimes a luz da legislação vigente. Quero paz!!

Dito isto, devo comentar (e registrar) minha discordância com os que bradam que os shoppings da Zona Sul se tornam ambientes inseguros. Não penso assim. Eu, por exemplo, me sinto seguro.

Ao adentrar nesses ambientes, automaticamente tenho toda a atenção dos prestimosos seguranças. Mesmo os que estão à paisana, facilmente reconhecíveis pela ânsia em me “ajudar”.  Estão sempre próximos. Sempre atentos. Sempre prontos para me prestar seu “apoio”. Às vezes penso até que almejam que eu “precise de ajuda”. Por vezes penso que os seguranças dos shoppings da Zona Sul do Rio de Janeiro têm a certeza absoluta de que “pedirei ajuda”. E até se decepcionam quando não têm a oportunidade de me “ajudar. Triste.

Me sinto culpado por decepcioná-los. Mas, acima de tudo, lamento o fato de que, ao me dispensarem tanta atenção, deixam de observar os que realmente precisam de “ajuda”. São pessoas que, para os seguranças dos shopping centers da Zona Sul do Rio de Janeiro, aparentemente (aparência, aparência suspeita, boa aparência, aparência…) não precisarão de “ajuda”, pessoas com as quais eles não precisam se preocupar. Para eles seria um espanto se determinadas pessoas necessitassem de “ajuda” e eu não.

Essa mesma presteza demonstrada de forma nada sutil pelos seguranças dos shopping centers da Zona Sul do Rio de Janeiro eu noto também em seus congêneres que trabalham mercados, galerias, lojas de rua, vias públicas, espaços culturais e outros estabelecimentos. Até em policiais, sempre tão prestativos.

Já escrevi para estabelecimentos como Hortifruti, Supermercado Zona Sul e outros para reclamar de tanta “atenção”. Mas parece que os responsáveis por esses estabelecimentos não conseguem coibir o impulso assistencialista dos seguranças. Ou até entendem e estimulam. Quem sabe?

Algumas vezes considero um preconceito dos seguranças de shopping centers da Zona Sul do Rio de Janeiro (e seus congêneres), por acharem que precisarei de “ajuda”. Ou mesmo com quem eles pensam que nunca precisarão de ajuda. Um conceito que, por sua reincidência, por sua reiteração, por sua persistência, por sua obstinação… mas parece um conceito. Um infeliz conceito. Uma infeliz certeza.

Mas não são apenas os seguranças de shopping centers da Zona Sul do Rio de Janeiro (e seus congêneres) que pré(conceituam) minha carência de auxílio, de ajuda, de assistência. Existem muitas pessoas que, preparadas e ávidas para “ajudar”, correriam para me “acudir” e outras tantas que, por medo ou receio de uma situação em que eu necessite de ajuda, se afastariam, precavidamente.  Triste. Muito triste.

Finalizo. Existem, infelizmente, muitas pessoas que precisam desse tipo de ajuda. Eu não. Aos seguranças de shopping centers da Zona Sul do Rio de Janeiro eu digo: eu não preciso do tipo de ajuda, do tipo de atenção, do tipo de assistência que cismam em me proporcionar.

Não sou um carente.

Sou um cliente. 

segunda-feira, março 02, 2015

Cai Lun foi para o espaço

Quando penso em NASA, o que me vem a mente é, em essência, tecnologia. Exploração espacial, satélites moderníssimos, viagens a outros planetas, caminhada na Lua... Mas a essência é tecnologia de ponta. 

Há algum tempo assino o "Image of the Day for NASA" uma newsletter do NASA News Services. E vivo me deliciando com as imagens incríveis que são postadas. 

Hoje, um detalhe me chamou atenção. A foto tirada em 1º de Março pelo astronauta Terry W. Virts (@AstroTerry) e entitulada "Astronauts Complete Series of Three Spacewalks" mostra seu colega Barry Eugene "Butch" Wilmore durante uma caminhada espacial (a execução de um serviço externo) na Estação Espacial Internacional (EEI). 

O detalhe a que me refiro é um caderno, preso ao braço de Butch. Isso mesmo. Um caderno. Papel. Folhas presas num espiral. Não é um tablet ou um smartphone ou qualquer outro gadget conhecido ou não. Era um caderno. 

Apesar de certas dificuldades na absorção de tanta inovação que chega em avalanche, eu sou um entusiasta da tecnologia. Porém não de forma irrestrita, cega, fundamentalista. Eu admiro, gosto, tento acompanhar, uso, me surpreendo, sonho...

Mas eis que temos o papel. Tecnologia com mais de mil anos, sempre presente em nosso cotidiano, em nossas atividade. 

Será que Cai Lun imaginou que seu invento pudesse ir tão longe?


Para ver o tweet de Virts clique aqui.

sábado, janeiro 31, 2015

Os anciões e a preservação da essência de nossa cultura

O que um episódio de Jornada nas Estrelas pode nos fazer refletir sobre preservação no contexto informacional? Muita coisa!

Não posso me considerar um aficionado pela séria, embora goste muito da temática. Ficção, tecnologia, espaço... a fronteira final.

Tantos séculos à frente e a referência ao passado é sempre constante. Fatos, relatos, imagens... Até representações holográficas desse passado remoto. Informação, preservada e acessível.

Há algum tempo fiz a seguinte pergunta a uma amiga: qual a data do e-mail mais antigo que você ainda guarda? Sinceramente não me recordo da resposta. No meu caso, o mais antigo datava de 4 de Abril de 2004. Quase dez anos na ocasião da pergunta. Reparei que isso era e ainda é raridade. Hoje já não tenho esse e-mail. Graças ao IG que parece ter deletado todo conteúdo de minha conta, sem avisar. Hoje, o mais antigo que tenho data de 2006. Claro, quando se tem um e-mail corporativo, numa empresa que se preocupa minimamente com a preservação (mesmo que indiscriminada) por questões de negócio, é fácil encontrar e-mail mais antigos. É a política do "arquiva tudo".

No caso de fotos é indiscutível que as mais antigas e ainda acessíveis não estão em mídias digitais, mas em papel. Algumas pessoas até mesmo preservam aqueles velhos filmes, bastando uma boa vista e uma fonte de luz para “acessar” a informação ali registrada. Claro, aqui não considero os processo de digitalização para a acesso.

Mas será que em algumas décadas ainda teremos acesso a tais informações? Ainda poderemos abrir um e-mail antigo, ler seu conteúdo, recordar?

O fato é que as mídias mais seguras para preservação de longo prazo não são os discos ópticos, não são os muitos pen-drives acumulados em nossas gavetas, não são os cartões de “memória” de nossos celulares, câmeras fotográficas, ou quaisquer outros dispositivos móveis.

O microfilme se destaca nesse quesito. Para muitos ultrapassados, mas atualmente muito utilizado.

Não esqueçamos o retorno do disco de vinil. Para muitos, simples saudosismo, onda retrô. Mas em termos de preservação é bem mais seguro que um CD ou outra mídia usada popularmente para armazenamento de arquivo MP3, por exemplo.

Voltando ao filme…

Num dos episódios, Vulcano, o planeta natal do incrível personagem Spock, é destruído. No filme, ele comenta algo, num tom de lamento. É mais ou menos assim: “…mesmo que a essência de nossa cultura tenha sido preservada pelos anciões…”.

O fato é que fica claro, naquela declaração, que não é a tecnologia, não são as mídias, as responsáveis pela preservação do conhecimento daquele povo. São os anciões.

Tal como os griôs nas sociedades africanas (pelo menos as mais tradicionais) os anciões vulcanos têm esse importante papel: a preservação da memória, principalmente por meio da disseminação.

Dito isso, vamos a análise crítica e as comparações para tentar emendar essas duas linhas de raciocínio.

Já não temos mais disquetes. Os CD-ROMs são praticamente inexistentes. Temos um ou mais pen-drives. Temos nossos cartões de memória em nossos smartphones e/ou em quaisquer outros dispositivos móveis. São nossos espaços locais. Temos também nossos espaços na nuvem, na clould. Este último, claro, estamos terceirizando (Google, Amazon, Apple…) e raramente refletimos sobre como nosso espaço está sendo cuidado. Ou, se deixarmos de “frequentar” esses espaços virtuais durante algum tempo, quando retornarmos, será que “nossas coisas” acessíveis? Normalmente só nos preocupamos quando, por algum problema técnico, nosso espaço na nuvem fica inacessível.

E como estamos cuidados de nossos espaços locais? Os guardamos em local seguro? Fazemos migrações periódicas de maneira a mantermos os arquivos acessíveis por programas atualizados? Eliminamos o desnecessário, as duplicações? Fazemos verificações sobre a segurança dos arquivos, sua integridade, etc.?

E nossas mídias humanas? Como as tratamos? Nossos anciões, nossos velhos, nossos “mais antigos”. Eles estão acessíveis? Ainda conseguimos “lê-los”? Estamos cuidados deles de modo a preservar o que nos têm a oferecer? Estamos, de alguma forma, registrando o que os guardiões da essência de nossa cultura nos transmitem? 

E, por fim, temos consciência de que nós, os “não tão antigos”, os Spocks desse espaço, também somos responsáveis pela preservação de nossa memória?


A vaquinha do governo

O governo resolveu fazer uma vaquinha para salvar o país. Achou isso melhor, mais prático e mais fácil do que eliminar a corrupção. Além de ser uma medida mais rápida de ser aplicada, uma vez que não corre o risco de quebra-quebra (já que estamos falando de mais de 20 centavos) e não precisa dar satisfação a ninguém. Por ser uma entidade muito eficiente e contar com pessoas competentes e proativas, resolveram sinalizar graficamente qual será a contribuição do povo. Assim não fica dúvida alguma. Muito didático.