sexta-feira, maio 30, 2008

Rabos presos, bandido solto

E assim vai a falência mais uma empresa: Segurança Pública S/A. Leiam aqui. Uma infelicidade. Deputados da ALERJ votaram e decidiram soltar um colega, preso em flagrante essa semana, com provas, apresentadas pela polícia, de sua vida político-criminal. A soltura do deputado estadual Álvaro Lins (que com certeza sabe de muitas coisas de muitas pessoas), além de ser uma aberração jurídica como já se fala, é mais uma evidência, e das mais fortes, do óbvio: os deputados têm rabo preso.

quinta-feira, maio 29, 2008

Resposta à mediocridade de certo(s) programa(s) de TV…

… Que não é o único a apresentar coisas de tão baixa qualidade e tão prejudiciais. Existem outros tantos em outros tantos canais.

Esse lance de "pegadinha" a qualquer custo, de "trotes" e brincadeiras de extremo mau gosto sendo veiculada através de uma concessão pública de televisão é o absurdo dos absurdos. É o mesmo que indivíduos trabalhando no serviço público (políticos ou não) atuarem de forma a prejudicar aquele que deveria servir: o povo.

O problema é que quando começam a criticar essa “forma de expressão” levanta-se a bandeira (justa, mas por vezes usada sem critério) da liberdade de expressão. Seria censura não deixar rolar desse jeito, dizem. O estímulo grosseiro à ignorância deve ser livre, mais parecem querer dizer. Vejam só?!

Mas algumas vezes aquele que sofre de imediato os efeitos dessa coisa reflete de forma ampla sobre a agressão, contribuindo para uma discussão (e reflexão por outros) e, quem sabe, uma mudança de postura. Uma dessas reflexões, também um desabafo como não deveria deixar de ser, partiu do ator Wagner Moura em forma de artigo publicado hoje no O Globo. Para ler, clique aqui.

quarta-feira, maio 28, 2008

A viabilidade do SER

Mesmo com meu pessimismo, de certa forma eu continuo acreditando nas pessoas. Não todas, é certo. Aí seria otimismo demais, ou cegueira absoluta. E ainda tem o maldito preconceito, ou medo, ou ignorância, que por vezes me fazem acreditar ou desacreditar das pessoas, das coisas, erradamente. É boa ou má, honesta ou corrupta? Viável ou inviável?

Hoje recomeça no Supremo Tribunal Federal a audiência sobre o uso de células-tronco nas pesquisas científicas. O lado que defende argumenta, dentre outras coisas, que o "material" objeto da pesquisa e debate não geraria um ser. Lidariam, pois, apenas com embriões inviáveis. O outro lado diz se tratar de uma vida em formação, sendo um ato desumano, antiético e reprovável sob o olhar de Deus, seu uso para pesquisas científicas.

De certa forma, ambos os lados defendem a vida. Um usando as pesquisas e suas possibilidades como forma de salvar vidas. Outro, com um posicionamento de certa forma pautado na religião, defende que o direito à vida deve ser resguardado desde o início. Bem, nada contra inclinações religiosas de um, até porque esse negócio de Estado laico é balela; ou visões cientificistas de outro, pois muito do que somos hoje deve-se aos avanços das ciências.

Mas o que eu gostaria de refletir é sobre essa tal viabilidade ou inviabilidade. Pra começar, sempre penso como seria bom se toda essa energia usada para se discutir o pode-não-pode das pesquisas com células-tronco, citando vida e direitos humanos em ambos os lados, fosse revertida para a defesa de certos seres humanos que a sociedade trata, apesar do discurso, como inviáveis.

Imaginem se fosse levado ao Supremo Tribunal Federal ou instituições congêneres de quaisquer países um processo relacionado à defesa do menor que perambula, dorme e tenta sobreviver nas ruas. Imaginem se fossem ao nosso STF defender a aplicação de fato do Estatuto da Criança e do Adolescente. Imaginem se essa audiência tivesse o objetivo de fazer com que o dinheiro público fosse aplicado, primeiramente em educação, de modo a extirpar de nossas vidas as políticas sujas e horrendas que promovem cenas tristes como as de crianças andando à pé quilômetros e mais quilômetros para ter aula, muitas sem alimentação básica, com escolas por vezes sem o básico (e um governo querendo colocar todas informatizadas) de uma construção, o teto, com estruturas insalubres. Eis uma causa que realmente defende a vida, em termos científicos, religiosos, sociais, morais, éticos...

E existem outras causas, igualmente humanitárias, que prezariam pela vida, como por exemplo, justiça, funcionalismo público, família. Imaginem um processo junto ao Supremo que pedisse o fim da impunidade; o fim das brechas "legais" que permitem que assassinos confessos continuem a solta; que corruptos que desviam dinheiro do povo posassem de bons moços desfilando pelos mesmos corredores de órgãos de onde cometeram o roubo.

Imaginem um processo que exigisse o fim dessa relatividade da justiça, onde quem tem usufrui e quem não tem paga. E se um grupo humanitário entrasse com um processo contra todos os funcionários pagos com dinheiro público (em cargos políticos ou concursados ou quaisquer outros) que insistissem em prestar um desserviço à população sabendo de sua certa impunidade? E outro processo para resguardar aqueles que cumprem com sua função e obrigação, fazendo jus ao salário, dos destemperes de superiores postos lá por critérios políticos e pessoais.

E se organizações em prol dos direitos humanos brigassem na última instância da justiça desse país para que o bem-estar da família fosse resguardado, sem paternalismos viciantes de governo, mas com políticas de fato, consistentes, definitivas, sérias?

Mas eis que temos, não sem importância, um embate legal para saber se um organismo considerado inviável pode ou não ser usado em pesquisas que num dado tempo permitiriam que outros seres, esses definitivamente humanos em sua forma e conteúdo, ganhem ou tenham restabelecida a qualidade de vida.

Desde que comecei a trabalhar e pude ver algo diferente do que via em Mesquita, uma das cenas que mais me impactou, e que me recordo até hoje, foram de pessoas (seres humanos, viáveis em última instância) recolhendo os restos de restaurante próximos ao escritório. A cena continua e, me parece, tem aumentado o número de protagonistas nessa triste história. Nesses dias, passei a acordar mais cedo devido ao novo emprego; saio cedo de casa e, no caminho para o ponto do ônibus, vejo muitos meninos dormindo nas calçadas com seus blusões envolvendo o corpo em posição fetal como que regredindo ao ambiente seguro do ventre materno e tendo o blusão por placenta. (Eis a razão de os ditos meninos de rua terem sua imagem estereotipada como figuras pequenas vestindo camisas num manequim bem alto. O blusão é uma proteção). Me imagino questionando um desses seres, tidos como viáveis por uns e inviáveis por outros, o que ele acha sobre a defesa das células-tronco.

Teria de explicar o que seria uma célula-tronco e... Ô tio, qui parada é essa? Os cara num-taum nem aí pra mim, só mi dão porrada, mi-ixculaxam. Cuando mi pegam mi tacam naquele inferno e saiu pió de lá, tá ligado? Na-dianta falá qui só quero cumida qui geral acha que vô robá. Até tu fica bolado. Tá pensando qui num vi. Essa vida é um isculaxo merrmo! Aí tu tá falanu qui-us dotô tá defendeno essa po*&%$rra aí que num vai nem nacê? I EU po%&*rra?

É muito complicado. Acho melhor não perguntar tal coisa, pois esse SER poderia se sentir ainda mais enjeitado por todos e ficar ainda mais revoltado. Eu provavelmente ficaria.

Como explicar que existem “coisas” que são viáveis e outras que são inviáveis? E que mesmo as inviáveis se tornam viáveis sob certo aspecto? E, além disso, como explicar, ou melhor, como posicioná-lo dentro desse contexto de viabilidade e inviabilidade, explicando por fim a razão de não ser ele tratado como um ser viável de fato e defendido como tal?

Enquanto isso, no Supremo…

Ser
Pode Ser
Pode não Ser
Ser poder
Não poder Ser
O Ser que pode Ser
O Ser que não pode Ser
Ser

terça-feira, maio 27, 2008

É aquela velha história...

...No dos outros é refresco. Há muito se sabe que o discurso estadunidense de paz se torna um tanto incoerente levando em consideração sua política e cultura belicista. As guerras das quais participam Bush e seus soldados em "prol da democracia" (sic) em grande parte, se não todas, tem como berço algum projeto ou ação dos EUA. Ah, além de serem alimentadas com o fogo produzido por armas fabricadas por... isso mesmo: EUA.

Mas algumas vezes alguém resolve falar o que é óbvio, mas tratado como segredo ou tabu. E não pensem que é "chover no molhado", pois essas declarações têm sua importância. Pelo menos para abrir os olhos de alguns e trazer para a razão as opiniões de outros.

Uma dessas declarações foi feita recentemente por um ex-presidente estadunidense, Jimmy Carter. Segundo ele "os Estados Unidos têm mais de 12 mil armas nucleares; a União Soviética tem aproximadamente o mesmo; a Grã-Bretanha e França têm várias centenas e Israel tem 150 ou mais". Leia aqui. Com isso, Bush e seus amiguinhos e Putin têm a cara-de-pau e a força para "pedir" qualquer coisa. Até a paz e a guerra.

"Justo e honrado é o homem
que mede seus direitos com a
mesma régua de seus deveres."
J.B. Henri Lacordair

domingo, maio 25, 2008

Ora, direis! E eu indico

Míriam Leitão escreveu hoje no Panorama Econômico do O Globo. (...) A luta contra a escravidão foi um movimento cívico de envergadura. Misturou povo e intelectuais, negros e brancos, republicanos e monarquistas. Foi uma resistência que durou anos. Houve passeatas de estudantes e lutas nos quilombos. Houve batalhas parlamentares memoráveis e disputas judiciais inesperadas. Os contra a abolição reagiram nos clubes da lavoura, na chantagem econômica e nos sofismas. (...) Leia mais clicando aqui.

sábado, maio 24, 2008

Ódio e mais ódio

E parece que nada foi aprendido. Lamentável. Tutu e Mandela, assim como muitos outros, negros, brancos, africanos dos mais diversos países, etnias, tribos, pessoas de paz de todo o mundo devem estar tristes ao assistirem tudo isso. Eu estou.

© JONATHAN SHAPIRO. 23-5-2008

Zapiro (sempre uma grande charge). Clique aqui para ver outras.
Panteras Negras

Recebi a dica do Aldeia Griot e compartilho aqui. Está disponível uma versão legendada do filme Panteras Negras, sobre a história do partido negro revolucionário estadunidense, nascido em 1966. São 12 partes devido limitação do Youtube. Abaixo assistam a primeira. As seguintes podem ser vistas no site Aldeia Griot.


terça-feira, maio 20, 2008

O tal Eike

Ontem assisti a entrevista que aqui indico e fiquei impressionado. A sagacidade da entrevistadora, Míriam Leitão, não me causou espanto. O que me marcou foi o fato de a entrevista permitir conhecer um pouco dos negócios (seus impactos e visões) das empresas desse bilionário brasileiro. Até então tinha uma visão totalmente positiva de Eike Batista. É bom saber certas coisas.




Caso não consigam visualizar o objeto incorporado, cliquem aqui para acessar o vídeo.
Arquivos "fechados": a quem interessa o silêncio?

Há algum tempo não escrevo sobre assuntos relacionados à arquivística. Vou tentar corrigir isso. Nesse post eu indico um artigo originalmente publicado na Folha de São Paulo e, digamos, "democratizado" pelo ótimo blog Arquivo de Artigos Etc. O texto é do professor de história do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos, Marco Antonio Villa.

Aborda num dado momento a questão dos arquivos da Ditadura, ainda fechados e sem muito movimento (do governo) de fato que caminhe para sua abertura. A postura do governo nessa questão parece ser a mesma que mantém para outras: foge do diálogo político; coloca-se numa posição de ofendido e injustiçado ao mero esboço de crítica (algo do qual visivelmente se esquiva)... Bem, o fato é que minha velha frase parece se adequar a tudo isso: a ignorância é uma política de Estado.

A quem interessa que a verdade, trancada nos arquivos, apareça? E a quem interessa que essa mesma verdade continue trancada? É mais cômodo criar um imaginário onde é tudo ou nada, esquerda e direita, democracia e ditadura, certo e errado. Mas o fato é que está tudo errado.

O professor Marco Antonio Villa, num curto texto, expõe alguns fatores que são, no mínimo, incômodos para àqueles que se dizem "pela democracia", tanto à esquerda como à direita (palavras que parecem mais indicar a posição física de um e outro numa mesa de um rodízio de pizza).

Onde está a arquivística nisso tudo? Simples. Na atuação política que não apenas arquivistas devem ter. No viés social, uma vez que liberdade de informação deve ser sempre resguardada.

Clique aqui para ler.

quinta-feira, maio 15, 2008

Ambientalismo, um palavrão

Parece que há uma contradição entre ambientalismo e desenvolvimentismo. E tal contradição, em minha opinião, é criada e alimentada de forma premeditada por aqueles que visam um desenvolvimento nada sustentável, a qualquer custo.

Estava lendo hoje a coluna Coisas de Política do JB, onde Rodrigo de Almeida comenta essa tal contradição, ou dilema de um governo que se vê (ou melhor, se acha) dividido entre objetivos de desenvolvimento e responsabilidades ambientais. No texto, Rodrigo cita o exemplo da China, que, apesar de sinais de mudança, parece ter seu crescimento pautado numa agressão ao meio-ambiente que torna o ar de algumas se suas cidades quase que irrespirável. O Brasil teria, segundo o autor, o benefício de poder olhar a China como exemplo.

Muito se fala que por aqui existem mudanças positivas, mais o grau de mudança e a velocidade com que são implantadas parecem não ser suficientes. O discurso vai para um lado e a prática para outro. A saída da Senadora Marina Silva do ministério do Meio Ambiente sinaliza que o governo não tolera "barreiras" em seu programa de crescimento. Li várias declarações de pessoas do governo que falam de Marina como uma radical, um empecilho. O termo "ambientalista" é usado quase como um palavrão. Ambientalistas, para tais críticos, são os radicais, algumas vezes chatos, que impediriam ou atrapalhariam o crescimento do país.

A vaga parece ter sido confirmada para outro "ambientalista". Esse com posturas que até então me agradam no Rio de Janeiro, apesar de parecer gostar de aparecer demais. A pergunta que fica é: será que Minc continuará sendo o Minc que foi até aqui. Ou, estando em campo, jogará conforme as regras que parecem estar estabelecidas.

Para Marina, um pedido: no Senado, por favor, continue sendo ambientalista.
Meu silêncio

Textinho bem pessoal sobre esse tempo todo sem escrever coisa alguma.

Primeiramente saibam que não existe uma razão específica. A inspiração surge em diversos momentos, em vários lugares. As notícias "do Brasil e do Mundo" continuam me instigando a pensar, refletir, criticar. Infelizmente meu micro não está muito confiável nos últimos dias e sua utilização demanda paciência e mais tempo que eu tenho disponível. Falando em tempo, comecei a trabalhar numa empresa nova.

As atribuições até aqui fogem totalmente do que fiz ao longo de 12 anos. Com isso, fico como um peixe fora d'água. Mas a expectativa continua, num ambiente novo, rodeado de pessoas que não conheço; tenho de cultivar relações, coisa que há muito não fazia no ambiente de trabalho, pelo menos pessoalmente. Um novo risco, como já havia comentado. Vida de adulto.

Mas cá estou de volta. Escrever é algo que tem me ajudado muito. É um exercício de análise e auto-análise, um meio de expressão, de coisas que muitas vezes se tornam difíceis de serem expostas. Um terapia, que eu indico.

quinta-feira, maio 01, 2008

Trocando uma idéia...

Esta postagem não terá um tema específico. Não tenho tido muito tempo para pesquisar, refletir, ler e escrever sobre muitos assuntos que me interessam. Mas gostaria pelo menos de comentar algumas notícias que pude ler rapidamente nos jornais ou assistir nos telejornais. Vamos lá.

O jatinho e a defesa

Já devem ter lido ou assistido algo sobre "passeio" do governador do Ceará à Europa, no qual alugou um jatinho e levou sua sogra e outros para o tur. Que é um absurdo, isso não tem discussão. Mas algo que me deixou perplexo foi a defesa do Luiz da Silva a esse tipo de gasto irresponsável do dinheiro público, num estado onde muitos carecem do básico. O mandatário de nosso querido país criticou a imprensa pela cobertura. Vejam isso! Agora a imprensa deve se calar diantes dos abusos dos funcionários públicos? Seria isso uma censura? No comentário de defesa, Luiz da Silva ainda diz que o governador tem feito coisas muito boas e a imprensa não cobre. Vejam mais essa. Se não me engano, a boa governança deve ser o normal, o esperado, o padrão, o básico, a obrigação do eleito para o cargo. Ele fala dessa não-cobertura como se as boas ações fossem algo extraordinário, e como tal, merecessem cobertura. As características ditatoriais se mostram, por vezes sem sutileza alguma.

Amy Nazário

O escândalo em que o jogador Ronaldo Nazário, o Fenômeno, se envolveu me faz refletir, sem conclusões, eu assumo, sobre a razão de pessoas tão bem sucedidas em suas carreiras jogarem tudo por água abaixo. Não se trata de preconceito com comportamentos sexuais pouco, digamos, ortodoxos, mas sim de desvios grotescos se comparado ao que a própria pessoa demonstra e vive perante aos demais. Noivo, com um filho de união passada, num processo de recuperação física que conta com apoio e expectativa de seus torcedores, e de repente tem sua vida estraçalhada, ou melhor, estraçalha a própria vida. O caso me fez lembrar Amy Winehouse, cantora com talento indiscutível, elogiada por seu ritmo e voz, que parece ter visto nas drogas e em relacionamentos e comportamentos idiotas o caminho para um destino nada glorioso. Como Amy e Ronaldo, outros, não apenas nos esportes e no meio artístico, seguiram caminho parecido. Recordo-me de uma novela que mostrava, por vezes de forma caricata, a cultura islâmica. Umas das expressões proverbiais usadas era “Alá te proteja de ti”. É verdade. Nós, na maioria das vezes, somos nossos próprios carrascos. Que Alá [da maneira como você o concebe] nos proteja de nós mesmos!

Por que somente agora?

Vemos esses dias que um grupo contrário ao sistema de cotas raciais levou ao STF um manifesto onde expõem as razões que os levam a crer ser prejudicial à sociedade essa forma de ação afirmativa. Uma das pessoas usou o velho argumento, correto, digas-se de passagem, de que o caminho seria o investimento na educação de base. Outros dizem que as cotas são injustas uma vez que o impedimento ao ingresso se dá em razão de renda e não de raça, justificativa que também tem um pouco de verdade, porém, seria mais verídica ainda se a proporção de negros e não-negros pobres fosse a mesma; o que, neste amado país tropical seria uma mentira dizer. A entrega do manifesto ao presidente do STF, contou com participação não apenas de afro-brasileiros. A postura contrária às cotas não é algo isolado racialmente. A discussão é saudável e espero que o STF analise bem o documento, as justificativas. Mas uma coisa me intriga. Se a questão da exclusão se deve a fatores financeiros ou mesmo devido à fraca educação básica (que conta com uma política de ignorância impelida pelo Estado brasileiro ao longo de anos) por que somente agora o manifesto? Por que somente agora, quando se propõem ou se aplicam políticas de ações-afirmativas que, embora não com exclusividade, têm o negro como objeto a ser incluído? Por que somente agora quando o negro se torna o principal beneficiário? Será que somente agora se construiu o abismo social? Será que somente agora a educação de base foi abandonada pelo Estado? É mesmo intrigante!