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Mostrando postagens de Novembro, 2009
Me lembrei do poço

Até há alguns anos eu, minha mãe e minhas irmãs morávamos numa casa deixada por uma tia-avó em Mesquita. Na origem, o local era uma única residência, construída por minha avó. Mas foi desmembrada de modo a abrigar várias pessoas de minha família.

Hoje, totalmente descaracterizado, o lugar pouco guarda do que foi antes. Um item ficou. O poço. Na verdade uma espécie de mina d'água, usada para diversos fins e, mesmo antes da escassez que se acentua hoje na localidade, já tinha sua importância.

Infelizmente, meus familiares não se davam conta disso. E o abandono daquele ponto especial me entristecia. Mesmo após ter saído de casa, quando retornava em visita sempre me dirigia à parte dos fundos para ver como estava o poço e a área ao redor. Me doía ver tudo alagado, com lodo e lixo.

A ação era automática. Pegava vassoura para limpar a área e, com um balde, diminuía o nível da água no poço, de modo a permitir uma renovação daquele bem tão precioso. Além de renovar a água, …
Nós, os outros

Ontem, sentado no ônibus voltando do trabalho para casa, ao olhar pela janela vi duas meninas sentadas no último banco do coletivo ao lado. Elas se beijavam. Com sorrisos nervosos, tentando se esconderem de quaisquer olhares, tentando refrear o impulso que as empurrava uma para outra. Como se estivessem a cometer um crime ou uma travessura, elas tentavam, também, ocultar aquele ato de afeto.

Tenho muitos preconceitos. E reconheço que o primeiro pensamento ao ver a demonstração de carinho e desejo entre dois seres humanos do mesmo sexo não foi dos mais nobres.

Nessa mesma semana, estava conversando com uma amiga sobre a estranheza que nos toma conta diante de uma situação que deveria ser simples e natural. Temos amigos e amigas gays – que prezamos e respeitamos – e, mesmo assim, não conseguimos agir com naturalidade diante do que é natural para tais amigos e amigas. E, mais ainda, quando o natural se manifesta em desconhecidos.

Durante essa conversa eu disse algo que irei re…
A continuidade da web e o acesso à informação

Em Março deste ano escrevi duas postagens sobre acesso e preservação da informação em meio digital. Ambas relacionadas com os links, endereços de internet (web sites) que nada mais são que uma referência, um meio de acesso a uma informação armazenada na Internet.
A primeira postagem foi sobre informações que não mais estavam acessíveis uma vez que seus links haviam sido alterados ou removidos. E, quando no segundo caso, sem recurso de redirecionamento automático para o novo “local”; algo relativamente simples para os informáticos. O título da postagem é Link perdido, acesso comprometido.

A segunda postagem foi um exemplo prático da primeira. Naquela mesma época, os jornais International Herald Tribune e o NY Times se “fundiram”, prevalecendo o segundo. Naqueles dias, todos os links de reportagens (todos as referências de documentos) do IHT – e eu tinha alguns – eram direcionados para a página principal do NY Times. É como se a ficha de um liv…
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Quingentésima 500
Lá se vão quase três anos da inauguração do TUIST e a primeira postagem. Aproveito a oportunidade, a efeméride dos 500, para repetir aqui dois vídeos. Na verdade são montagens feitas por este blogueiro, com músicas e imagens que, considerando as celebrações da Consciência Negra, são bem oportunas. A primeira traz o Nkosi Sikelele, um hino de libertação e união para fortalecimento. A segunda é uma homenagem que fiz e faço às mulheres Africanas, lindas e cheias de força. Agora são outros 500! Até lá!

It's been almost three years of the inauguration of the first TUIST post. Take this opportunity, the anniversary of 500, to repeat here two videos. They are video assemblies there that I made, with music and some images and, considering the celebration of Black Consciousness, its a good time to repeat them. The first brings the Sikelele Nkosi, an anthem of freedom and unity to strengthen. The second is a tribute I did and do for African women, beautiful and full of streng…
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Coloquem na Ordem do Dia! Já!

Eu mesmo já critiquei (e continuo criticando) algumas ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. As imagens repetidas vezes veiculadas nos telejornais mostram como uma minoria busca externar seu descontentamento com uma injustiça histórica que tem como fruto as mazelas reais e contemporâneas, que também vemos, não apenas na televisão e impressos, mas em nosso dia-a-dia. Embora muitas vezes a conexão da causa com o efeito se faça difícil, as consequências das injustiças e barbaridades cometidas no campo, a forma como os "poderesos" se perpetuaram, podem ser percebidas em nosso cotidiano. Basta parar e refletir. Os fatores exploração e desigualdade caminharam juntos para construir a realidade brasilieira, assim como de outros países. E ainda caminham. O que alimenta isso tudo são os desinteresses e interesses de uns e de outros ou, como demonstrarei, de uns e dos mesmos.

O Brasil é notoriamente um dos países onde o trabalho escravo é mai…
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Se liga na real!

O TUIST está prestes a completar 3 anos e a postagem número 500 está próxima! O que foi escrito desde o "lançamento" deste blog em Dezembro de 2006 de certa forma refletiu minha vida, meu pensamento, meus medos, meus preconceitos, minhas angústias, emoções, raivas... Mas também pude externar meu carinho, meu afeto, minha dedicação, meu amor, por coisas, pessoas, momentos... Os textos e recursos multimídia (vídeos, músicas, figuras) postados também refletiram momentos da sociedade. E não apenas do Brasil. Minhas reflexões contemplaram vários países na Europa, Ásia, Américas, África. Política, economia, questões sociais e humanitárias, acadêmicas... enfim, uma série de temas, vários assuntos.

Dentre as questões sociais e humanitárias, em alguns textos eu abordei a violência. E as drogas. Recentemente, numa conversa com um amigo, falamos da questão da influência (do meio, dos colegas, da família) no desenvolvimento de uma criança. Embora o assunto não estivesse r…