terça-feira, fevereiro 12, 2008

Algumas coisas

Faz tempo que não escrevo. Não ando muito inspirado atualmente. Hoje, por exemplo, é um dia especial. Um dia de lembranças fortes. Mas gostaria de tentar escrever algo. Estava assistindo ao Jornal Nacional e parece que as notícias, apesar de se renovarem de tempos em tempos, de certa forma continuam as mesmas.

Amazônia. Em tempos de preocupações globais com o aquecimento da Terra, a floresta Amazônica é tema freqüente. Afinal, o desmatamento aumentou ou teve seu ritmo reduzido? No fim da semana passada li uma reportagem num jornal estrangeiro (Viva a Internet!) sobre uma pesquisa com um tema já abordado aqui: o biocombustível. É, fizeram as contas e dizem que o etanol não é tão "verde" assim. A corrida para sua produção, inicialmente para que seja acrescido ao combustível fóssil numa dada porcentagem acaba por gerar ações inconseqüentes de desmatamento. Isso, somado ao desmatamento para extração de madeira, traz sérias conseqüências para todos.

A reportagem mostrava uma operação dos fiscais do Ibama que investigavam denúncias de desmatamentos ilegais. Assista aqui.

Um dos lugares já havia sido abandonado, noutro, montou-se uma emboscada e algumas pessoas foram detidas. Duvido muito que a pessoa que as contratou será presa. Nesse momento deve estar contratando outros para fazer o mesmo serviço sujo numa outra área longe de fiscalização. Por falar em fiscalização, achei interessantes as contas de um dos fiscais. Ele cita a área aproximada da floresta e o número atual de fiscais. Realmente fica difícil fiscalizar algo. O mais certo é por denúncia (ou sorte) quando o estrago já está feito. Falta de interesse? De quem? Por que não põe as forças armadas para atuar como fiscais?

Mais uma coisa me chamou atenção. As serras. Não são dessas que encontramos em lojas de departamento ou de ferramentas. Parecem maiores. Especiais para derrubar uma árvore e extrair madeira de lei. Fiquei pensando: será que não seria interessante começar a fiscalização com a venda (e fabricação) dessas serras? Só uma idéia.


Carnaval. Um dos motivos de meu silêncio foi o carnaval. Saí dois dias. Um bloco aqui próximo aonde moro. O mau tempo não intimidou os foliões. Alguns amigos, algumas cervejas, muito bate-papo, samba, muita animação. Foi um carnaval bom. Não tenho mais "disposição" para encarar os grandes blocos, cada vez mais lotados, onde não se consegue ouvir as "marchinhas de sempre". E a eliminação da cerveja e de outros líquidos fica comprometida com a falta dos banheiros. O cheiro acaba ficando insuportável a cada dia de folia. Aja essência de eucalipto! Num ano vi cenas insólitas de mulheres se aliviando em plena rua, ao lado dos homens já acostumados (por elas, mulheres, mães).

Mas nada se compara a cena da barraca, montada por um camelô visionário em cima de um bueiro de águas pluviais, que oferecia o alívio coberto por R$ 0,50. Como não posso deixar de lançar um olhar crítico, pensei cá com meus botões soltos: as pessoas da fila são as mesmas que ficam chateadas com as praias poluídas. Veja a foto.

Mas uma coisa ficou nítida neste carnaval. Pelo menos onde estive. As pessoas se emocional com manifestações pacíficas. É uma constatação que me impressionou.


Cartões. Parece que o ato da ex-Ministra Matilde Ribeiro, além do cometido pelos ministros do Esporte e da Pesca, desencadeou uma corrida para saber quem mais vacilou. Acho legal. Serviu para alguma coisa. Algo que a maioria da população ignorava, essa ferramenta de gasto indiscriminado do dinheiro público (mais uma) é freada para análise. Como sempre nessas horas percebemos as idiossincrasias da política. Quando a oposição propõe investigar os gastos do governo-situação, a situação-governo diz que quer estender a investigação ao governo anterior. Num primeiro momento fica a questão da justiça, a importância de saber não só o que acontece, mas também o que aconteceu e punir os culpados de hoje e de ontem. Mas o discurso me faz pensar que o que se pretende é dizer a população: Estão vendo? Eles roubaram! Por que não iríamos roubar também? É lamentável.

Interessante. Enquanto escrevo lembro de um livro que estou lendo no momento. Ainda não terminei O Nome da Rosa, mas já engrenei em outro. Leio "O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio". Título grande. É mais um do Bukowski. Esse lançado postumamente. Trata-se de um diário onde posso perceber certa maturidade de um escritor que mantém a personalidade. Então com 71 anos, o eterno Henry Chinaski me brinda com suas observações de um mundo louco. Num dos textos ele fala do ato de escrever. Elogia e critica alguns escritores famosos e fala de quando constatou que alguns de seus colegas não tinham como se sustentar, apesar de ostentar uma condição sempre melhor que sua miséria. Descobriu então que muitos eram bancados pela mãe ou viviam de renda, a boa herança deixada por descendentes que realmente haviam construíram algo que deixou frutos materiais. Bem, não me enquadro na categoria de escritor. Aqui eu só lavo a alma digitando letras que se transformam em palavras na tela.

No início falei que a data de hoje era especial. E é. Meu primo faria aniversário. Ainda é difícil.

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