sexta-feira, maio 25, 2007


D i a d a Á f r i c a

“In the life of any individual, family,
community or society, memory is of
fundamental importance.”

Na vida de todo o indivíduo, família,
comunidade ou sociedade, a memória
é de fundamental importância.
Nelson Mandela

Era 25 de maio de 1963, cidade de Adis Abeba, Etiópia. Naquele dia 32 chefes de estados africanos se reuniram para criar a Organização da Unidade Africana (OUA), um marco na continuação do processo de autodeterminação dos africanos, iniciado após a II Guerra Mundial com ações dos movimentos de libertação nacionais surgidos no continente. Era a continuidade de uma luta contra a colonização e subordinação sofrida pelo continente, devastando riquezas naturais e vidas humanas. Um basta!

Algum tempo depois a ONU institui o dia de hoje, 25 de Maio, como o Dia da África, em reconhecimento a importância da criação da OUA, hoje União Africana (UA), na busca por unidade e solidariedade entre os estados africanos. Desejos e objetivos simbolizados no emblema da organização, que traz um continente africano sem as fronteiras. Fronteiras fixadas de forma a atender aos interesses da exploração dos recursos naturais e do comércio local pelas potências colonizadoras, sem levar em conta a realidade pré-existente. Talvez por pressa de saquear aquele continente, talvez conscientemente com vistas a enfraquecê-lo para então explorá-lo de forma mais intensa e contínua.

Alguns condenam a OUA por ter adotado o princípio da intangibilidade das fronteiras existentes, mesmo sendo africanos em busca da unidade africana. Justificam tal visão dizendo que os lideres ali reunidos “representavam elites étnicas cujo poder estava assentado justamente nos Estados existentes, que, portanto deviam ser conservados”. Mas tal pensamento também pode ser argumentado como o fato de que a contestação das fronteiras herdadas significava, provavelmente, acender o pavio de mil guerras étnicas. Não sei.

Mas penso que os objetivos não podem ser postos de lado. Não podem ser esquecidos. Soberania, integridade e independência, justiça, igualdade e dignidade, coesão e cooperação entre o povo e entre os Estados Africanos. A busca por um desenvolvimento do continente. Um desenvolvimento endógeno, sustentável.
Our freedom is meaningless
until all Africans are free"

Nossa liberdade não terá
sentido até que todos os
africanos estejam livres
Haile Selassie

Em tempos que muito se comenta no Brasil sobre o ensino de História da África (Lei 10.639), com muitas discussões e poucas ações, acho por bem trazer para o blog alguma informação, mesmo que parca, sobre o continente, sua cultura, suas aspirações, sua política e história, seu povo. São 54 países independentes, sendo 48 continentais e 6 insulares. Em cinco deles o português é língua oficial.

Querem mais?
Angola Press – Especial Dia de África
Site da União Africana (inglês)
Projeto África do Wikipedia
Fundação Nelson Mandela (inglês)
Moldando um novo futuro para a África [Discurso do Prof. Alpha Oumar Konare, presidente da Comissão da União Africana e ex-presidente de Mali, na abertura da Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora (Ciad), Dakar/2004]


Repeteco. No início do ano eu tomei conhecimento de um hino do Congresso Nacional Africano. Também considerado um hino não oficial da luta contra o regime de segregação racial, o apartheid. Era, e é, cantado nas 3 línguas mais faladas pelos sul-africanos negros, Xhosa, Zulu e Sesotho. Talvez para demonstrar que a política de desunir para demoninar, encontrava resistência. O hino chama-se Nkosi, sikelel' iAfrika! (Senhor, Abençoe a África!). Após ouví-la, durante aniversário de uma amiga (quase irmã), fui em busca de informações. Trabalho feito, resolvi montar esse clipe e o postei no YouTube. Mesmo sendo algo bem amador, já teve mais de 5 mil acessos. Espero que gostem, tem algo haver com esse dia, o Dia da África.


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