quarta-feira, janeiro 11, 2012

Conhecimento puro e aplicado

Bunker Roy: Aprendendo com um movimento de pés-descalços

Respeito muito o ensino dito superior, quando este se apresenta (e se representa) num nível além do simples "estar na faculdade".

Se a venda de diplomas constitui um crime, o frequentar a faculdade ou universidade com vistas apenas ao canudo não me parece algo que se diga nobre. Mesmo se constitui a realização de um sonho.

Também não posso deixar de considerar aqui o mundo animal no qual vivemos, onde as regras do mercado parecem ditar projetos que deveriam estar acima disso tudo.

Esses e outros fatores talvez contribuam para um distanciamento entre a universidade e a sociedade; para uma desvalorização do ensino realmente superior. Além de certa falta de apreço para o conhecimento que se adquire na vida e para a vida.

O vídeo abaixo fala desse tipo de conhecimento negligenciado. E como pode ser resgatado para um desenvolvimento de nível superior. Um conhecimento pé no chão. Sustentável, para se usar a palavra da moda.

Importante também destacar o protagonismo feminino no desenvolvimento de uma sociedade. Mais uma vez, fica evidente. Já falei aqui no TUIST como admiro as mulheres africanas "símbolo de resistência e força, se considerarmos todas as desventuras por quais passam, e com amor e atenção, duplicam essa força para que possam a seus filhos proteger".

"Em Rajasthan, na Índia, uma escola extraordinária ensina mulheres e homens do meio rural - muitos deles analfabetos - a tornarem-se engenheiros solares, artesãos, dentistas e médicos nas suas próprias aldeias. Chama-se Universidade dos Pés-Descalços, e o seu fundador, Bunker Roy, explica como funciona."

 

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Educação. Apenas um negócio?

O título da matéria publicada no O Globo Online é "Universidades privadas, em crise, demitem e fecham unidades no RJ". Leia aqui, caso o jornal não tenha cometido o crime informacional e arquivístico de alterar o link, tornando a informação inacessível.

É preocupante quando a educação se torna um negócio que visa apenas o lucro. Não sou contra o ensino privado, mas quando se coloca objetivo aparentemnte único a obtenção de lucros em instituições que deveriam ser de ensino (pesquisa e extensão talvez seja exigir muito) temos um problema a curto, médio e longo prazo.

Muitas dessas universidades particulares atendem a demanda crescente que o Estado não consegue suprir. Embora, como sabemos, esse mesmo Estado as subsidia de forma direta ou indireta. Logo, temos dinheiro público "ajudando" a gerir tais instituições. 

Abrir e fechar universidades como se fossem lojas cujo mercado local não foi condizente com o planejado (não vendeu tanto quanto se esperava) é a prova de que a educação não foi levada a sério. Se é que foi considerada. 

Considero uma tragédia anunciada. 

sábado, janeiro 07, 2012

Arquivo: informação viva!



Rascunhos sem valor jurídico”. Essa descrição foi fixada num caixa a ser encaminhada ao Arquivo Central de uma grande empresa.

Poderíamos até intuir que, apesar da ausência de valor jurídico, o conteúdo poderia ter algum valor histórico, sendo, pois, de guarda permanente. Mas não creio que se atribua, numa grande empresa, o termo “rascunho” a algo que possa ter valor secundário. Imaginem se uma empresa de médio ou grande porte começasse a armazenar o volume diário de post-its rabiscados por seus funcionários. Uma situação tão bizarra que impensável para qualquer gestor inexperiente.

Talvez o apego de algumas pessoas por tais papéis, mesmo que reconhecidos e declarados rascunhos, tenha algum fundo emocional, até familiar. É o que talvez possamos compreender na vida pessoal quando se perde um ente querido. O valor que não se apaga com a morte e se fixa em nosso cotidiano, nos tornando de certa forma apegados a quem já se foi (aqui, sem considerações filosóficas ou religiosas).

Na gestão das informações e arquivos de uma empresa, porém, não cabe esse apego. Se não tem valor, não é arquivo! Não deve, pois, ser conservado, mantido, guardado. Mas o que se vê é muito diferente do ideal. Se por um lado a maioria dos programas e projetos de gestão documental não considera o fator humano, por outro existe um tipo de humanização bem evidente no trato com os documentos ditos de arquivo. Nesses casos, ao contrário do que se ouve na graduação em Arquivologia, temos o Arquivo Morto.

Numa espécie de apego informacional, vêem-se salas, repartições, mobiliários rotulados, sinalizados como “Arquivo Morto”. Caixas assim denominadas e cujo conteúdo é descrito como “rascunho sem valor jurídico”. Além, é claro, de pastas na rede nomeadas da mesma forma.

O que vemos morrer, nesses casos, é a gestão documental de qualquer organização.

Durante pouco mais de três anos trabalhei num setor cuja atividade principal era, de certa forma, garantir a segurança operacional (de ativos e pessoas e meio-ambiente e processos) de uma grande empresa. Nesse período, foram vários os programas voltados à conscientização de trabalhadores sobre segurança. Percepções, ato inseguro, análise, planejamento das atividades… Um trabalho contínuo de mudança de cultura que usava recursos diversos como palestras, padronização e normatização de processos, materiais impressos, treinamentos, sinalizações. Ou mesmo ações mais firmes e diretas, tais como interrupções da atividade que estivesse comprometendo a segurança do trabalhador, da instalação, do processo, do meio-ambiente. Algumas vezes mesmo com advertências formais.

Algumas empresas já investem nesse tipo de conscientização. Embora, a meu ver, de maneira ainda tímida. Por vezes até sem jeito. Mas isso já sinaliza uma percepção por parte dos gestores de que perdas podem também ocorrer num ambiente de insegurança informacional. E não falo aqui de pilhas de papéis sem valor jurídico caindo sobre um funcionário. Falo de processos emperrados quando uma informação necessária não está disponível ou quando o tempo para recuperá-la (nesse caso, que tal, ressuscitá-la?) é demasiado. Falo de perdas financeiras por uso de informação desatualizada ou descontextualizada ou falsa. Falo de risco por acesso indevido a informações cujo conteúdo é restrito. Falo de aumento de custo operacional e administrativo com a manutenção de espaço destinado a guarda de informações sem valor, ou com a ampliação da capacidade de armazenamento dos servidores. Falo de negociações ou processos interrompidos ou mesmo tendo de ser refeitos quando a informação que deveria ser compartilhada fica sob guarda de uma única pessoa, que está ausente e salvou informações corporativas em unidade de armazenamento pessoal. E muitos outros atos informacionalmente inseguros que deveriam ser evitados, coibidos.

Por isso penso que campanhas de conscientização deveriam ser constantes nas empresas. Funcionários e gestores devem ser capacitados para lidar com informação produzida, recebida e armazenada na empresa.

Creio que existe ainda muito a ser feito em termos de gestão documental e informacional nas empresas. Pretendo escrever mais sobre minhas experiências, visões, preceitos e preconceitos arquivísticos.

Começando 2012


Não farei aqui um balanço do ano anterior. Isso seria mais adequado ao final daquele ano. Porém, não descarto a possibilidade de fazê-lo num próximo post. Afinal, estamos apenas no começo.

Nesta primeira postagem desse novo ano que se inicia, eu desejo que todos tenham um 2012 de paz, com paz e em paz. Coloco como exceção os bandidos que permeiam a administração pública em suas diversas esferas e diversas entidades. Para esses eu desejo um 2012 repleto de turbulências, de constrangimentos, de conflitos, de confusões, de noites insones. E, sempre que a Lei permitir que se faça Justiça, lhes desejo também algemas, camburões, celas. Votos esses que se renovarão a cada ano.

Desejo que todas as pessoas se conscientizem de que suas ações e opções têm conseqüências. E que tais conseqüências não são tão egoístas quanto aquelas ações e opções. Paranóias a parte, aquele papel de bala jogado na rua pode ter um efeito tão devastador quanto a má aplicação (ou desvio) da verba pública destinada ao saneamento de uma localidade.

Logo, antes de xingar aquele político que você elegeu democraticamente, avalie suas próprias ações, suas próprias opções.

Desejo que todas as pessoas tenham saúde (física, mental, emocional). E que sejam agentes de sua própria condição.

Desejo que todas as pessoas percebam que viver na era da informação não significa viver em tempos de passividade. Critiquem e avaliem a informação recebida e possivelmente gerada. Utilizem de forma consciente as informações que lhes possam auxiliar no trabalho, nos cuidados com a saúde, na busca e no fortalecimento de seus direitos e na percepção e conscientização de seus deveres, em seus estudos, na administração de sua vida. Preservem tudo que possa ter um valor permanente e positivo em suas vidas. Descartem o resto.
Desejo que os momentos de alegria sejam mais constantes e que perdurem.

Enfim, desejo força aos que já começam o ano com as provações, privações e perdas causadas por enchentes e deslizamentos.

Feliz 2012!


sábado, dezembro 17, 2011

Gentileza não gera gentileza

Triste constatação. Bons dias, boas tardes e boas noites ficam solitários, sem respostas. Quando muito respondidos com um resmungo, sem um olhar, sem sinceridade. Com licença e por favor, parecem ter se licenciado. A falta de desculpas ou perdões denota certa ausência de arrependimento, pelo menos aquele sincero. O como tem passado, como estás, tudo bem com você também estão escasseando, o que mostra que as pessoas parecem não mais se importarem umas com as outras.

Por vezes eu pensei que tudo isso se devia ao desenvolvimento tecnológico, que afastava ou diminuía o contato das pessoas. Mas o problema não é a tecnologia, são as pessoas. E tudo isso parece um ciclo vicioso, algo contagiante em sua perniciosidade. Como disse, triste.

No ônibus, com a implantação do bilhete eletrônico, raramente as pessoas cumprimentam ou mesmo olham o cobrador (presente ali, uma vez que boa parte das passagens é pagas em dinheiro). E o cobrador, por sua vez, parece preferir o isolamento. O mesmo ocorre com o condutor. Aliás, este último parece não se dar conta da importância de seu cargo, da responsabilidade em conduzir seres humanos. Por outro lado, os seres estão perdendo a humanidade. 

Essa falta de humanidade, de civilidade, esse afastamento se vê em várias outras situações. Na relação com os atendentes nos mercados, nos caixas, no elevador, nas portarias... e até mesmo dentro de nossas casas. 

Tudo isso fica ainda mais triste, mais difícil, eu diria ainda mais perturbador, quando a postura humana, civilizada, é considerada e tratada com estranheza ou mesmo com certa animosidade.

O profeta ficaria triste.

Bom dia, boa tarde, boa noite a todos.

O futuro do livro: papel ou chip

No último dia 14 de Dezembro estive na Academia Brasileira de Letras onde ocorreu o encerramento do Seminário “Brasil, brasis” de 2011, apresentando o tema “O futuro do livro: papel ou chip”, com a presença de Carlos Eduardo Ernanny e Silvio Meira, mesa sob coordenação geral do Acadêmico e Presidente da ABL Marcos Vinicios Vilaça e coordenação do Acadêmico Arnaldo Niskier. Confesso que não conhecia tanto Carlos Ernanny e sua Gato Sabido (pioneira no mercado de e-Books no Brasil) como o professor e cientista Silvio Meira.

O tema do seminário já foi abordado aqui no TUIST, na postagem Livros abertos, livros ligados

No seminário eu senti falta do debate, nos questionamentos do público. Ficou só na palestras e intervenções dos acadêmicos à mesa. De qualquer forma, farei alguns comentários sobre as falas de ambos os convidados.
 
Começarei pelo dono da Gato Sabido. A impressão que tive foi de uma abordagem muito comercial, mercadológica. Embora com algumas críticas e referências mais globais ao tema em questão. Mas o que ficou foi a relação livro digital x mercado. Silvio Meira, por sua vez, explanou de forma brilhante e com um toque de humor inteligente seu ponto de vista, embora talvez tenha focado, em determinado momento, o caráter prático, cômodo e até fantástico das novas tecnologias e sua integração com os diversos aspectos do cotidiano. Foi algo taxativo ao prever o fim do livro impresso em 15 anos.

Silvio fez uma relação muito interessante da literatura com a música. A evolução dos suportes de áudio foi relativamente rápida e, podemos até afirmar, definitiva. Hoje praticamente só precisamos de um player. O vinil virou CD que por sua vez virou MP3 que podemos acessar numa rede remota através da Internet, sem necessidade de armazenarmos localmente. É por esse tipo de transformação que o livro impresso pode passar. 

Um tema a meu ver indissociável ficou de fora. A preservação. Hoje pode-se ler um livro impresso há 500 anos. Não se pode afirmar que o novo formato terá a mesma duração. Ou melhor, não se pode afirmar que a informação estará acessível daqui há 500 anos. 

A questão dos direitos autorais também não foi abordada a fundo, apesar de uma provocação dos acadêmicos.

Um mercado em expansão para uma maravilha tecnológica. Este pode ser um resumo das falas. Penso que ainda temos muito que discutir sobre o futuro do livro. Papel ou chip? Bem, romantismos e modismos a parte, que o conteúdo do livro seja perene.

quarta-feira, novembro 02, 2011

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...