No último dia 14 de Dezembro estive na Academia Brasileira de Letras onde ocorreu o encerramento do Seminário “Brasil, brasis” de 2011, apresentando o tema “O futuro do
livro: papel ou chip”, com a presença de Carlos Eduardo Ernanny e Silvio
Meira, mesa sob coordenação geral do Acadêmico e Presidente da ABL Marcos Vinicios Vilaça e coordenação do Acadêmico Arnaldo Niskier. Confesso que não conhecia tanto Carlos Ernanny e sua Gato Sabido (pioneira no mercado de e-Books no Brasil) como o professor e cientista Silvio Meira.
O tema do seminário já foi abordado aqui no TUIST, na postagem Livros abertos, livros ligados.
No seminário eu senti falta do debate, nos questionamentos do público. Ficou só na palestras e intervenções dos acadêmicos à mesa. De qualquer forma, farei alguns comentários sobre as falas de ambos os convidados.
Começarei pelo dono da Gato Sabido. A impressão que tive foi de uma abordagem muito comercial, mercadológica. Embora com algumas críticas e referências mais globais ao tema em questão. Mas o que ficou foi a relação livro digital x mercado. Silvio Meira, por sua vez, explanou de forma brilhante e com um toque de humor inteligente seu ponto de vista, embora talvez tenha focado, em determinado momento, o caráter prático, cômodo e até fantástico das novas tecnologias e sua integração com os diversos aspectos do cotidiano. Foi algo taxativo ao prever o fim do livro impresso em 15 anos.
Silvio fez uma relação muito interessante da literatura com a música. A evolução dos suportes de áudio foi relativamente rápida e, podemos até afirmar, definitiva. Hoje praticamente só precisamos de um player. O vinil virou CD que por sua vez virou MP3 que podemos acessar numa rede remota através da Internet, sem necessidade de armazenarmos localmente. É por esse tipo de transformação que o livro impresso pode passar.
Um tema a meu ver indissociável ficou de fora. A preservação. Hoje pode-se ler um livro impresso há 500 anos. Não se pode afirmar que o novo formato terá a mesma duração. Ou melhor, não se pode afirmar que a informação estará acessível daqui há 500 anos.
A questão dos direitos autorais também não foi abordada a fundo, apesar de uma provocação dos acadêmicos.
Um mercado em expansão para uma maravilha tecnológica. Este pode ser um resumo das falas. Penso que ainda temos muito que discutir sobre o futuro do livro. Papel ou chip? Bem, romantismos e modismos a parte, que o conteúdo do livro seja perene.
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