quinta-feira, junho 11, 2009

Arquivo Técnico e Administrativo

Nesta postagem eu gostaria de refletir um pouco sobre a importância ou foco que as empresas dão a um ou outros dos seus diferentes tipos de arquivos, ignorando o tratamento ou abordagem, digamos, global, da informação. Na empresa em que trabalho existem vários arquivos setoriais ditos técnicos. Arquivo Técnico, segundo definição do Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística, é o arquivo com predominância de documentos decorrentes do exercício das atividades-fim de uma instituição ou unidade administrativa.

Realmente, na empresa, estes arquivos tem sua atuação voltada para as informações técnicas da empresa (plantas, projetos, etc.), e pelo que vejo atuam mais como áreas de armazenamento e reprografia.

Para se ter uma ideia do quanto a balança pende para o lado do arquivo técnico, basta notar que esta mesma empresa conta com um órgão central que, já no nome, entende-se como atue mais globalmente, focando a informação, porém o que vemos é uma atuação mais voltada para a informação técnica. Trata-se do CID – Centro de Informação e Documentação.

Ora, nenhuma empresa ou instituição vive de informações técnicas, por mais tecnicista que seja sua área de atuação. Não se pode olhar apenas a atividade-fim de quaisquer negócios sem cuidar daquelas que servem de suporte, as atividades-meio. Por isso, faz-se necessário olhar, também, para os arquivos administrativos que, no mesmo dicionário citado anteriormente são definidos como aqueles com predominância de documentos decorrentes do exercício das atividades-meio.

Uma gestão documental que se prende mais num tipo de documentação, deixando de lado outro(s) é falha. Prejudica o uso da informação tanto para as atividades-fim como para as atividades-meio, emperrando diversas áreas da empresa que deveriam estar integradas.
O funk abatido

Ontem fui ao Canecão, para o Baile dos Namorados da Orquestra Imperial, a convite de um integrante da Banda, o Trombonista Bidu Cordeiro. Um show muito animado, como todas as apresentações do grupo e que, como sempre, no intervalo, conta com a participação do DJ Malboro (ou Marlboro; como queiram). O DJ, hoje envolvido num escândalo de pedofilia, há muito tempo é conhecido por sua atuação no “mundo funk”. Mas não é sobre ele, ou sobre a acusação que sofre, o assunto desta postagem.

As músicas que ele tocou ontem no baile, muitas delas são velhas conhecidas. Algumas com mais de 10 anos! Então, o que quero é falar do funk. E falando do funk, eu quero comentar sobre como o preconceito, como sempre, foi prejudicial para toda a sociedade.

Nascido e criado em Mesquita, hoje cidade (pois foi emancipado) da Baixada Fluminense, região vitimada pelo preconceito da sociedade e pelo descaso do Estado há muitas décadas, tive o funk como trilha sonora de várias festas, como música acessível, falando sobre nossas coisas, nosso cotidiano, nosso modo de ser e em “nossa” língua. Uma manifestação cultural que, embora tenha se originado fora das fronteiras de nosso país, foi moldada e transformada para renascer nas favelas, nos subúrbios, na Baixada Fluminense.

Sendo a sociedade dominada por uma minoria que define o que é bom ou não, o funk foi então taxado de ruim. Não era uma cultura ou manifestação cultural autêntica ou admissível, era promíscuo e violento. O funk então não prestava, era feio, muito preto, muito pobre e muito favelado.

Não cheguei a frequentar um baile funk propriamente dito, como o do Mesquitão (como chamavam o baile do Mesquita Futebol Clube). Eu era muito novo e, verdade seja dita, muito paradão (mudei alguma coisa?). Mas, quando comecei a trabalhar, eu ia na Must, uma discoteca em Nova Iguaçu que, a partir de certa hora, se transformava num baile funk. Lá pude assistir, inclusive, duplas que se tornariam conhecidas país a fora, como o Claudinho e Buchecha.

Eu via alegria, descontração. E, desde muito antes dessa experiência, dessa ambientação, eu ouvia letras cheias de humor, letras que contavam situações reais naquele momento e, principalmente (e agora chego ao ponto que quero) letras carregadas de crítica à pobreza, à violência, ao descaso dos governantes, à cegueira consciente e hipócrita das elites, letras que clamavam por paz, por dignidade, por dias melhores.

Os Raps (como eram conhecidas as músicas que tocavam nos bailes), ou simplesmente os funks, valorizavam cada favela ou localidade pobre, onde o movimento tinha seu valor, ganhava força, onde os bailes ocorriam, onde os funkeiros estavam, de onde os MCs (os cantores/compositores dos Raps) vinham.

Aquela espécie de trigo que nascia e crescia à margem da sociedade mandante era visto como algo ruim, negativo. Então passaram a valorizar o joio. Se brigas ocorriam num baile, todos os bailes foram taxados como campo de barbárie. Se letras faziam apologia ao crime, como realmente ocorreu e ocorre (graças ao fortalecimento do bandido pela ausência do Estado), todas as letras de funk eram criminosas.

Focalizando o lado ruim, não valorizaram o que nascia de bom. Não valorizaram o que valorizava o pobre, o preto e favelado. Fico pensando: será que foi medo? Talvez um medo inconsciente. Se coloquem no lugar deles (a elite da época, governos ou não) ouvindo aquelas letras que criticavam a pobreza, que pediam a união das favelas. Eram letras de quem estava pensando, compreendendo o que acontecia a sua volta e querendo mudança. Era, de fato, uma ameaça ao que estava estabelecido.

Com o passar do tempo, o que era negativo foi absorvido pela sociedade, foi sendo aceito a trancos e barrancos. Sem a ameaça das letras que faziam pensar, refletir, o povo continuou sendo marcado, e ficando feliz. Numa mansidão conveniente para muitos.

E ontem lá estava eu. Da Must para o Canecão. Lado a lado com outros de minha idade, alguns mais novos, alguns mais velhos. Estavam lá, chegados de taxi ou com seus carros, consumindo Skol a R$ 5,50 a latinha, alguns fumando maconha na segurança de seu ambiente elitizado, próximos a suas casas na Zona Sul. A maioria, com certeza, ignora o que aconteceu com o funk até ali. Como algo antes criticado, atacado, negligenciado, e até temido, pôde se tornar adorado ali naquele baile e aceitável na sociedade.

Enquanto isso, o que ocorreu naqueles ambientes que valorizaram o funk no passado, quando o funk era discriminado? Eu posso lhes contar sobre Mesquita, pelo menos o que vejo: o que foi valorizado pelos de dentro e criticado pelos de fora, perdeu força. Ganhou espaço justamente o que era criticado nas letras de então.

É como uma criança que faz coisas boas e ruins. Se os pais valorizarem sempre as coisas ruins e negligenciarem as boas, algum dia o que foi valorizado prevalece.

sexta-feira, maio 15, 2009

Preconceito? Sei não

A turma do Ancelmo pisou na bola. Li agora pouco no blog deles, no O Globo Online, uma postagem sobre a proibição de cartazes da peça “Apocalipse segundo Domingos Oliveira” nos murais da PUC (Pontifícia Universidade CATÓLICA); que fique bem grifado o natureza da instituição que, queiram ou não, deve ser respeitada. O texto, que foi enviado por Aydano André Motta (o mesmo da seção Chope do Aydano) diz que a universidade alegou que o slogan da produção não estaria de acordo com os preceitos de uma instituição CATÓLICA. E termina com a ironia característica do blog, na maioria das vezes muito bem posta, mas dessa vez de forma um tanto inadequada (em minha opinião e, pelo que li, de muitos que comentaram): “Como diz o chefe, parece censura. E é.”



Bem, sendo uma instituição CATÓLICA, será que a postura deveria ser diferente? Fiquei pensando no Lugo e alguns padres da Igreja Católica que não seguem as regras da instituição que escolheram seguir e depois se acham injustiçados ou vítimas de preconceitos. Não seria melhor se abandonassem, fossem seguir outro caminho de forma respeitosa ao invés de simplesmente quebrarem as regras. É o mesmo que policial que comete crime. Estão numa instituição que combate a marginalidade e, lá de dentro, usando a farda da polícia, sendo pagos pelo Estado (contribuinte) agem como bandidos. Como diz o chefe, parece a mesma coisa. E é.

Com relação à proibição do cartaz, considerando a justificativa de inadequação com preceitos estabelecidos, não considero preconceito. É, antes de tudo, coerência.

quarta-feira, maio 13, 2009

13 de Maio, o começo

EU-Repórter - O Globo

Carro abandonado e falta de segurança preocupam internauta (eu) do Flamengo, Zona Sul do Rio. (...) O problema já foi comunicado à polícia, porém sem ação: os bandidos se escondem no veículo para assaltar pessoas que estão de passagem ou estacionando seus carros. Quem será a próxima vítima? (...). Para ler a íntegra da "minha" matéria, clique aqui.

sábado, maio 02, 2009

Relativizando o erro

Imaginem o seguinte: Nossos tempos… estupro é crime, certo? Será que em algum momento da história recente da humanidade esse ato abominável foi tido como normal? Não sei, mas não me surpreenderia se a resposta fosse positiva. É tanta escrotidão! Imaginem agora um cidadão de nossos tempos que reconhecendo – mesmo que precariamente, pois esse é seu jeito político – ser o estupro um crime, diz ter praticado no passado e não vê razão para tanto alvoroço após ser noticiado que esse absurdo é praticado corriqueiramente, nos dias de hoje, por um grupo de pessoas com as quais aquele cidadão se relaciona. Diz ele: “Eu não vejo onde está o tamanho do crime que as pessoas estão vendendo”.

Esse tipo de estupro acontece com o dinheiro público, com os recursos que deveriam ser empregados para o bem de toda uma população, e é usado como algo privado por políticos que pensam (pensam não, acreditam, têm certeza) que estão lá fazendo um favor, que uma vez lá tudo podem, que estão acima da lei, acima da ética e da moral. Esquecem-se, se é que em algum momento pensaram, que são SERVIDORES.

Assistam a reportagem abaixo. Vidas Alagadas: crianças enfrentam a natureza para ir à escola na Amazônia. É parte de uma séria exibida recentemente no Jornal Nacional. Pode não parecer, mas tem certa ligação com a história sórdida que ocorre no Congresso e no Planalto. Algo como causa e efeito.

O cidadão que cito no início é o Luiz da Silva, o “cara”. E esse “cara” ainda questiona: “Qual é o crime de um deputado levar a mulher para Brasília?” Nenhum Luiz. Mas que tal usar o salário que recebem mensalmente, além de todos os adicionais, para comprar a passagem de suas amadas?

Comigo as desculpas desses “caras” não colam. As defesas calorosas, as lágrimas (até isso!), as lamentações… me enojam! Mas quem sabe, com a lábia que o Luiz e os seus têm, consigam explicar à pequena Luziane e seu irmãozinho, que vão de bote remando, enfrentando os riscos, chuvas, para chegar à escola em Tapará-Grande? Quem sabe não consigam convencê-los de que é mais justo para todos que deputados, senadores, ministros recebam tantos benefícios em transportes? Que o valor gasto até hoje nessa farra parlamentar e ministerial seria o suficiente para comprar e manter um barco seguro que os buscassem todos os dias e os levassem à escola em segurança, ao abrigo da chuva, para que guardassem seus esforços e suas preocupações somente para o aprendizado… Mas como ficariam as esposas, os líderes sindicais agraciados com passagens, os parentes e os filhos desses “caras” em suas viagens ao exterior?

Ou quem sabe esses “caras”, com sua conversa fiada, consigam convencer aquele estudante que teve de abandonar os estudos, pois não tinha como bancar o transporte. Poderiam usar desculpa esfarrapada parecida num bate-papo com os familiares daquela idosa que não teve ambulância para ser transportada de um hospital para outro e teve ser levada, de favor, num carro de passeio. Ou de tantos outros brasileiros que não têm o mesmo benefício de transporte que nossos admiráveis representantes.

Espero que Luziane não se convença, não se compadeça de nenhuma história pra-boi-dormir. Espero que os esforços dela e de seu irmãozinho, nessa luta diária por educação, se consolidem numa formação sólida e num olhar crítico sobre sua situação, e que no futuro ajude o país a extirpar essa corja que habita os ambientes públicos.

Até que os políticos aprendam que não estão acima do bem e do mal, que seus erros e crimes não podem ser relativizados, os abusos continuaram, as violações serão tidas como normais. Até lá continuaremos remando nossos botes para que “caras”-de-pau viajem de primeira classe, com seus parceiros e parentes. E nossas vidas continuarão alagadas nesse mar de podridão.

sexta-feira, maio 01, 2009

Não é questão de não querer

A lógica de evento que traz investimentos não me convenceu. Pode ter dado certo em outros lugares, mas aqui não é outro lugar. Tentar copiar um projeto, um política, um "jeito de fazer" de outros lugar e tentar colá-lo aqui já mostrou que nem sempre dá certo. Eu diria até que, na maioria das vezes, o resultado é o oposto do que se espera.

Mas essa não é a razão para "não querer", nesse momento, que o Rio de Janeiro seja sede das olimpíadas em 2016. Muitos vão achar que sou do contra, que estou falando um absurdo, muitos outros iram simplesmente ignorar o que escrevo ou me xingar de diversas coisas. Não estou nem aí!

Penso que um SIM do COI (Comitê Olímpico Internacional), nessa candidatura que está sendo mais política (no mau sentido) do que qualquer coisa, daria força para manutenção de "seres" no cenário atual. Alguns desses "seres" foram eleitos democraticamente (o que não garante qualidade), outros foram indicados por seus predicados (sic), alguns parecem que simplesmente nos são impostos, como um castigo por um pecado gravíssimo.

Essa força viria da ilusão de que tudo está muito bem. Dirão os que não conhecem a realidade: a cidade está perfeita; tudo está funcionando muito bem; os sólidos projetos atenderão a contento as condições impostas... Ilusão. A cidade NÃO ESTÁ BEM.

Crimes, infraestrutura falha, transporte precário, população de rua... Hoje os representantes do COI visitaram o metrô. Justamente num feriado! Isso não vale. Que tal retornar num dia útil e ver "a vida como ela é"? Que tal entrevistar moradores da cidade que não estão "comprados" pelos que tocam o projeto olímpico? Que tal passear sem batedores uniformizados e motorizados?

Cria-se um ambiente fantasioso para tentar vender mais esse peixe. Varrem a sujeira para debaixo do tapete. Implantam-se medidas paliativas, sem consistência a longo prazo, frágeis, demonstrando até certo egoísmo e desprezo com os que estão por vir.

É preciso criar soluções para benefício da população de hoje e de amanhã. Soluções de fato! E não fazer um teatro para impressionar estrangeiros e usar como trampolim político para futura candidatura.

Talvez um NÃO tenha o poder de colocar os pés de alguns no chão. Um NÃO, assim como para uma criança mimada, pode fazer com que vejam que nem tudo tem solução fácil, que deve haver responsabilidade para com a sociedade. Um NÃO talvez sirva para mostrar que um bom representante público não é aquele que organiza um evento e sim o que prepara a cidade sob sua administração para quaisquer eventos.

Ficaria feliz se o Rio de Janeiro sediasse as Olimpíadas. Mas, nesse momento, o NÃO ajudaria mais que o SIM. Essa é minha opinião.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...