sábado, novembro 15, 2008


A crise mundial
World crisis


Neste sábado, líderes das nações economicamente mais poderosas do mundo, além daquelas ditas economias emergentes, participam de uma reunião para discutir a crise econômica que atinge vários países.

This saturday, leaders of world most economically powerful nations, and these emerging economies, participate in a meeting to discuss the economic crisis afflicting many countries.

Crise que começa no setor financeiro, diminuindo o lucro dos ricos e preocupando governos. Os EUA já engedraram um pacotão para ajudar os coitados. Aqui no Brasil, o Luiz da Silva faz o mesmo. Fico pensando: será que ele se imaginava fazendo o jogo que tanto criticou?

Crisis that began in the financial market, reducing the profits of the rich and while governments. The U.S. has launched an economic package to help the "Poor". Here in Brazil, Luiz da Silva did the same. I wonder if he imagined doing something he always criticized.

O fato é que parece ter havido uma união mundial em prol de uma causa humanitária. Humanitária porque, quer queiramos, quer não, da maneira como as coisas estão estruturadas, se o rico deixa de obter muito lucro, o pobre deixa de ganhar o básico para sua subsistência. Se a bolsa "cai" um ponto percentual, alguém deixa de ganhar um milhão, e muitos deixam ganhar o pão. A lógica é absurda, desumana, cruel.

The fact is that there seemed to be a global union for a humanitarian cause. Humanitarian because, like it or not, the way things are structured, if the rich no longer get much profit, the poor cease to win the basic for living. If the stock market goes one point down, someone stops earning a million, and many people starve. The logic is absurd, inhuman, cruel.

Esse é o preço de se pautar desenvolvimento basicamente em fatores econômicos. A verdadeira crise mundial não começa nos índices da bolsas de valores. Ela começa justamente quando os valores se perdem, ou são deturpados.

This is the price of understanding development just as an economic goal. The real world crisis does not begin in the stock exchanges indexes. It begins precisely where the values are lost, or are misrepresented.

Esse tipo de união, esse clamor da elite, não vemos em questões que envolvem os mais pobres. A bolsa de valores humanos parece ter quebrado e poucos se importam. Os grandes conglomerados de miseráveis e famintos ficam ser socorro. Os executivos-executores de nações mais pobres não sofreram sanções de fato, continuam executando seus povos. Não houve pacotes de ajuda para os seres humanos que tiveram suas vidas falidas.

This sort of union, this demand of the elite, we don't see on issues involving the real poor. The human stock market seems to have broken and few seems to be concerned. Large conglomerates of miserable and hungry had no help. The executive-killers of some poorest nations did not suffer real sanctions, still running their peoples. There was no package of help for humans beings who have had their lives failed.

Nesse ponto a fraternidade não tem vez, ou é relativizada uma vez que se aplica ou entende-se num pequeno grupo: aqueles que deixaram de ganhar seus milhões, seus bilhões. Um exemplo contundente da desigualdade.

At this point the fraternity have no place or is only applied to a small group: those who failed to keep earning millions, their billions. That is called inequality.

Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.
Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em
espírito de fraternidade.

Article 1
All human beings are born free and equal in dignity and rights.
They are endowed with reason and conscience and should act
towards one another in a spirit of brotherhood.

quarta-feira, novembro 12, 2008


Histórico, sim. E para todos!


Minha postagem sobre a vitória de Barack Hussein Obama nas eleições presidenciais estadunidenses foi, reconheço, sem aprofundamento. Fiquei, sim, contente pelo simbolismo que o fato representa. Ciente de que, por outro lado, mudanças drásticas e esperadas na política que a todos afeta podem demorar.

Mas o que tenho eu com o que ocorre nos EUA? Por que não cuido da minha vida, busco e comemoro minhas (do país em que nasci e vivo) vitórias?

Essas indagações foram geradas após ver um comentário recebido para a postagem citada, quando afirmo ser histórico o desfecho eleitoral estadunidense. O leitor diz “Histórico pra eles, vamos deixar de comemorar as vitorias dos outros e buscar as nossas...”. Agradeço, como sempre, os comentários e a oportunidade para expor o que penso, o que sinto, enfim, para trocar uma idéia sobre tudo.

Nascido e criado em Mesquita (Baixada Fluminense, RJ) há alguns anos, trabalhando e vivendo boa parte do dia na cidade do Rio de Janeiro, percebi o quanto ambas as localidades se afetavam. Tão próximas: da Praça Mauá, chega-se em Mesquita, sem trânsito e de van, em trinta minutos. E tão distantes: a realidade estrutural, econômica, cultural, social é absurdamente diferente. E mesmo assim, o que ocorre num local tem reflexo, por vezes imediato, noutro.

Lendo, estudando, abrindo os olhos e quebrando a barreira do pensamento estreito, percebi depois que essa relação de causa e efeito não se restringia apenas aos locais onde vivia minha vida profissional e familiar.

Essa sensibilização, adquirida ao longo de anos, me permitiu sair de um casulo social e, humildemente aprender que não estou só, que meus atos afetam as pessoas, que os atos das pessoas me afetam. Independente de onde eu esteja e independente de onde as pessoas estejam. Pode parecer pieguice… que seja.

Esse “eu” e essas “pessoas” podem ser países, povos, etnias, camadas sociais, vizinhos de um prédio ou de um continente.

Digamos que um cientista de uma tradicional universidade estadunidense anunciasse a descoberta de uma cura para a AIDS, ou para a Malária, ou para o Câncer. Eu, com toda a certeza, celebraria essa vitória que não afeta apenas uma tradicional universidade estadunidense e seus cientistas. Da mesma forma, ficaria triste e indignado ao saber que por ganância um desses cientistas ou laboratórios não democratizasse tal conhecimento, tal descoberta, tal vitória.

A vitória de Obama nas eleições de 4 de novembro, que fui saber e me contentar no dia seguinte (por isso o título da postagem comentada), é um desses eventos que, ocorridos a milhares de quilômetros de meu umbigo, com certeza me afetam em algum grau.

A primeira coisa, talvez óbvia, mesmo que, repito, simbólica: ele é negro. Ele, Barack Hussein Obama, é o primeiro presidente negro da história dos EUA. E esse fato desperta em mim desde um sentimento de “nós podemos”, orgulho, auto-estima fortalecida, até uma perspectiva de mudança numa política externa que nos impacta, queiramos ou não.

O fato é histórico e continuará sendo. Como Monroe Anderson escreveu recentemente na revista EbonyJet: quando Obama for, em 20 de Janeiro, declarado formal e solenemente como POTUS (Presidente Of The United States) ele oficialmente – e para sempre – será o primeiro presidente negro dos EUA.

É isso. As redomas são frágeis, sucumbindo a mais tênue das relações sociais. As verdades vitórias e as verdadeiras derrotas são de todos.

“É preciso alimentar o conhecimento com a reflexão;
é preciso alimentar a reflexão com o conhecimento.”
Edgar Morin

sábado, novembro 01, 2008

A postagem a seguir começou a surgir após a leitura do artigo How we fuel Africa's bloodiest war (Como abastecemos - ou alimentamos, ou estimulamos, ou financiamos - a mais sangrenta guerra da África) de Johann Hari no The Independent. Li ontem o artigo publicado um dia antes e uma coisa me intrigou, além do título, é claro: o coltan. Uma das conclusões a que cheguei foi que minha ligação com o continente africano não se dá simplesmente na origem, na história, no sangue. Meu modo de vida, os recursos de que disponho e que acabam se tornando banais, também me ligam àqueles do outro lado do Atlântico e de uma maneira que não imaginava. A propósito, você também está ligado a tudo isso.

Vamos conversar

- Alô! É "do Congo"?
- Sim. Quem fala?
- Aqui é o Alex, do Brasil. Tudo bem por aí?
- Oi Alex. Sinceramente não está nada bem, e há muito tempo.
- Ainda em guerra?
- Sim. Parece interminável. Somos milhões, e todos sofremos muito.
- Por aqui não se fala muito. Parece que se trata de mais um filme hollywoodiano. Parece surreal, ficcão.
- Mas é tudo verdade. Está acontecendo agora, enquanto conversamos.
- Como posso ajudar você, "do Congo"?
- O que vou dizer pode soar contraditório, mas uma das coisas seria parar de conversar.
- Não entendo.
- Alex, parece mesmo difícil fazer a "conexão". Mas, como eu disse, o "parar de conversar" poderia soar contraditório. As pessoas estão conversando muito, e ao mesmo tempo dialogam pouco, refletem menos ainda, se entendem em quase nada, ignoram e não se importam. Essa conversa (e outras modernidades) tem um efeito colateral que poucos sabem: a guerra.
- Poxa! Agora mesmo que não entendi nada "do Congo". Pode explicar melhor.
- Façamos uma coisa Alex, pesquise, analíse, pense, reflita e começará a entender um pouco. A palavra mágica: COLTAN. Até mais!





Fontes:
© JONATHAN SHAPIRO. 23-5-2008

Zapiro (sempre uma grande charge). Clique
aqui para ver outras.

SEPPIR, aí complica!

Hoje li uma “matéria” (entre aspas, em protesto pelo tom usado no referido texto de O Globo) sobre a proposta de criação de uma delegacia especial de crimes étnico-raciais pela SEPPIR. Assim como o autor do texto no jornal, eu não concordo com esse projeto da secretaria. Aliás, uma secretaria assim como outras desse governo (e herdadas de governo anterior), que tem se mostrado inútil.

Polêmica já se esperava de um órgão público criado para lidar com uma questão que a maioria finge que não existe. Mas tais polêmicas poderiam ser minimizadas com foco em ações que realmente impactassem a sociedade, de forma positiva, não resolvendo o “problema” (também entre aspas, pois, para uma parcela da população, não configura problema), mas contribuindo para diminuir seus sintomas.

Pelo que li no site da instituição, uma das justificativas para a criação da tal delegacia seria a falta de preparo das atuais delegacias em lidar com queixas por racismo. É óbvio que o atual modelo de delegacia (e atual modelo de policiais) teriam “dificuldades” nesses casos. Ora, como lidar com algo que não se entende, não se reconhece, não se aceita, não quer ver nem ouvir? É difícil mesmo. Mas esse atual modelo que falo não está despreparado somente para questões raciais. A polícia está despreparada para questões humanas.

Como o próprio site e a “matéria” fazem, é inevitável a comparação com a delegacia das mulheres. Uma comparação que torna a proposta ainda mais, digamos, complicada. E reducionista, como a maioria das políticas. Ainda mais em se tratando da instituição Polícia, cuja história de formação (e atuação) está diretamente ligada ao binômio preto-pobre.

A polícia continuará desacreditada. Ações violentas continuarão acontecendo. Sou a favor de uma mudança institucional. Formação continuada dos policiais. Uma formação humanística de fato, de forma que se conscientizem que seu dever maior é respeitar o ser humano, promovendo a segurança. É aí que o SEPPIR deveria atuar.

Infelizmente, mais uma vez a politicagem toma conta de instituição pública. A cegueira e a falta de bom senso inundam instituições de suma importância para o país. Quem está lá quer aparecer. Afinal, o que chama mais atenção, um trabalho inteligente dentro das instituições ou uma bela construção (em algum ponto de destaque, podem ter certeza) com a inscrição na faixada “Delegacia contra Crimes Étnico-Raciais”?

Estão jogando anos de luta na lata do lixo.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...