domingo, março 14, 2010

O choro pelos royalties

Já adianto que tenho opinião contraditória. Mas explico... ou tento. Por um lado, defendo que os municípios e Estados que participam da cadeia produtiva do petróleo e gás - seja na extração, seja no beneficiamento, seja na logística (dutos, terminais, etc.) – recebam essa dinheirama. A propósito, de acordo com a legislação, não apenas esses municípios e Estados recebem royalties. Fiquei sabendo hoje. Está lá, Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. Atentem para a Seção VI do Capítulo V (artigos 45° ao 52°) que fala sobre as "participações". Logo, neste caso, sou a favor da manutenção dos royalties.

Por outro lado, sou contra essa distribuição de dinheiro para Estados e Municípios. O motivo é simples, a maior parte da grana (uma fortuna mensal) alimenta uma máquina corrupta em detrimento de melhorias reais e duradouras na qualidade de vida das pessoas, no meio ambiente e na própria estrutura pública; melhorias essas que poderiam muito bem serem realizadas, basta vontade, honestidade, ética e diligência na aplicação desse "recurso adicional". Se bem perceberam, quando falo em melhorias reais, não me refiro à construção de pracinhas, de promoção de festinhas com shows de artistas famosos e outros engodos ao estilo pão e circo. As declarações de alguns representantes do Estado do Rio de Janeiro (o governador inclusive) e de vários municípios foram, no mínimo, criminosas. Assumiram, em grande parte, uma dependência perigosa da tal mesada.

Além dessa dicotomia entre o que estabelece hoje a Lei 9.478 e o que propõe a emenda do Deputado Ibsen Pinheiro ao Projeto de Lei 5938/09 (que inclui na partilha os Estados e Municípios não produtores) vejo o interesse político nessa história toda. Os prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores desses Estados e Municípios que seriam incluídos com a tal emenda Ibsen, com certeza, ficariam muito agradecidos com o "convite" para essa festa com direito a fatia do bolo. Bolo este que as respectivas populações (aquelas pessoas que, obrigadas por lei e não por cidadania saíram de suas casas para elegerem esses fulanos) não sentiriam nem o cheiro.

Essa discussão em torno dos royalties deveria suscitar, antes de qualquer coisa, uma questão básica: onde e como o dinheiro está, hoje, sendo aplicado?

Vou arriscar assumir uma posição, mas condicional. Voto pela manutenção do que está sendo hoje aplicado. Isso mesmo, o bolo mensal continuaria sendo partilhado como está. Mas a farra acabaria. Não quero mais festa! Se os Estados e os Municípios provarem que estão aplicando a bufunfa de maneira adequada para o desenvolvimento da população, de suas cidades, regiões, pronto, eles levam a fatia.

Caso contrário, cadeia neles! E é melhor começar a tratar essa gente como o que realmente são: bandidos! Porque, se deixar a festa se espalhar da maneira como está acontecendo hoje... Aja cadeia para abrigar tantos "convidados".

E, para terminar, um recado ao ilustre (sic) governador: para de chorar e trabalhe!

quinta-feira, março 11, 2010


Construir, com Graça

Contruir

Construir sobre a fachada do luar das nossas terras
Um mundo novo onde o amor campeia, unindo os homens
de todas as terras
Por sobre os recalques, os ódios e as incompreensões,
as torturas de todas as eras
É um longo caminho a percorrer no mundo dos homens.
É difícil sim, percorrer este longo caminho
De longe de toda a África martirizada.
Crucificada todos os dias na alma dos seus filhos.
É difícil sim, recordar o pai esbofeteado
Pelo despotismo dum tirano qualquer
A irmã violada pelo mais forte, os irmãos morrendo nas minas
Enquanto os argentários amontoam o oiro
É difícil sim percorrer esse longo caminho
Contemplando o cemitério dos mortos lançados ao mar
Na demência dum louco do poder, caminhando impune
para a frente, sem temer a justiça dos homens
É difícil sim, perdoar os carrascos
Esquecer as terras donde nos escorraçaram
As galeras transportando nossas avós para outros continentes
Lançando no mar as cargas humanas
Se os navios negreiros têm lastro em demasia, é difícil sim,
Esquecer todos esses anos de torturas e inundar o mundo
luz, de paz e de amor, na hora fatal do ajuste de contas.
É difícil sim, mas um erro não justifica outro erro igual.
Na construção de um mundo novo à sombra das nossas
terras maravilhosas, juramos não sofrer uma afronta igual
Mas receber conscientes o amor onde há fraternidade
Espalhando assim o grito potente da nossa apregoada selvageria
Mas essa hora tarde e os gritos do deserto espreitam
Por sobre as nossas cabeças encanecidas da longa espera
Mas os nossos sonhos hão-de abrir clareiras nos eternos luares
Dos nossos desertos assombrados.

Alda Espírito Santo (1926-2010)

quarta-feira, março 10, 2010

Nossa funcionária

Brasil. República Federativa do Brasil. Na organização deste país temos um órgão ligado à presidência. Chama-se Casa Civil. O chefe, ou, como temos hoje, a chefe deste órgão possui algumas atribuições. Quem ocupa este posto trabalha para o país, para todo o Brasil, para todos os brasileiros. E nós pagamos bem. É esperado (eu, pelo menos, espero) que esse dinheiro seja bem aplicado, isto é, que quem o recebe faça aquilo que combinamos.

Fica a pergunta: será que a pessoal que atualmente ocupa tal cargo está fazendo o que combinados? Eu continuo fazendo minha parte, continuo fazendo o que me compete. E a pessoal que trabalha pra mim?

Vou relembrar qual foi o combinado.

I - assistência e assessoramento direto e imediato ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, em especial nos assuntos relacionados com a coordenação e na integração das ações do Governo;

II - verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais;

III - avaliação e monitoramento da ação governamental e dos órgãos e entidades da Administração Pública Federal, em especial das metas e programas prioritários definidos pelo Presidente da República;

IV - análise do mérito, da oportunidade e da compatibilidade das propostas, inclusive das matérias em tramitação no Congresso Nacional, com as diretrizes governamentais;

V - publicação e preservação dos atos oficiais;

VI - supervisão e execução das atividades administrativas da Presidência da República e, supletivamente, da Vice-Presidência da República;

VII - avaliação da ação governamental e do resultado da gestão dos administradores, no âmbito dos órgãos integrantes da Presidência da República e Vice-Presidência da República, além de outros determinados em legislação específica, por intermédio da fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial;

VIII - execução das atividades de apoio necessárias ao exercício da competência do Conselho Superior de Cinema (Concine) e do Conselho Deliberativo do Sistema de Proteção da Amazônia (Consipam);

IX - operacionalização do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam); e

X - execução das políticas de certificados e normas técnicas e operacionais, aprovadas pelo Comitê Gestor da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP-Brasil).


Pelo que tenho visto, lido, assistido, a resposta é só uma: Não. Estou sendo lesado. A pessoa que trabalha pra mim está me enganando, pois não está fazendo o que é de sua competência.

domingo, fevereiro 21, 2010

Frutas do Aterro

Vejam algumas das frutas que podem ser encontradas no Aterro do Flamengo. Um projeto paisagístico de Burle Marx.

sábado, fevereiro 20, 2010

Reformulando a História do Brasil

Programa Entre Aspas, da GloboNews. "Pesquisadores que tiveram acesso a documentos, antes secretos, produziram novas teses sobre a História do nosso país. O historiador Marco Antônio Villa e o jornalista Leandro Narloch falam sobre o assunto."


Muito interessante a exposição sobre o descompasso entre a academia e a sala de aula. Isso ficou claro em meus estudos sobre Historiografia e, principalmente, sobre Teoria da História. A História é uma construção e como tal traz consigo traços ideológicos, preconceitos, subjetividades. A crítica, com isso, ganha importância. A simples aceitação do oficial (ou do oficioso) favorecerá ou o grupo dominante ou o grupo que almeja dominar, sendo, com isso, um obstáculo ao conhecimento, à verdade.

Percebam que, durante a entrevista, o jornalista deixa clara qual "verdade" prefere. Nada mais humano, apesar de incomodar tendo em vista a maior parte das declarações e comentários. Mas não me espanta. Já disse aqui no TUIST que em minhas postagens eu externo meus desabafos, meus preconceitos, minhas verdades... que, assim como minha existência, não são absolutas.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Já começou há muito tempo

Em Outubro de 2008, dias antes de Eduardo Paes ter se consolidado como prefeito eleito para a Cidade do Rio de Janeiro, escrevi uma postagem sobre o início de uma ocupação irregular próximo à Cidade do Samba. Está .

Pouco mais de um ano depois a situação é a mesma, mas com maiores proporções. Se a gestão de César Maia nada fez, a de Paes também cruzou os braços. Minha opinião: a ocupação é difícil de se notar, seja pelo elevado (o registro foi feito de dentro de um ônibus especial, mais alto que os do transporte padrão) ou pela Av. Rodrigues Alves, por conta do muro.

Parece que a máxima "o que os olhos não veem, o coração não sente" pode ser aplicada. Só que neste caso o coração seria a opinião pública. Afinal, o que dá mais visibilidade (mídia), uma ocupação que quase ninguém vê (e/ou não se importa) ou o conjunto de ações inertes, quase cinematográficas realizadas no calçadão de praias mundialmente famosas num dia de Sol?

E, por falar em (in)ações do Estado, fica também o registro de um absurdo. Mais um. Uma mistura de lixão, depósito de entulho e local de desova de carros às margens da Linha Vermelha, uma das principais vias da Cidade, e caminho para os que aqui chegam (do Aeroporto Internacional, das Rodovias Presidente Dutra e Washinton Luiz, ...). Esse é um "quadro" da paisagem que se vê ao olhar para a direita.



Mas isso todos sabem, todos veem.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...