sábado, maio 15, 2010

Após o 13 de Maio

Relembrando um texto postado em 2007.

Alvorecer de um novo dia

Manhã de 14 de maio de 1888. O Brasil acordava feliz. Enfim livre de uma chaga. Talvez não soubesse que ficaria aberta durante muito tempo. Naquela ocasião, assim como nos dias de hoje, já existiam dois Brasis. Um deles, embora feliz, estava preocupado com o porvir. “E agora?”, se perguntava. O outro, também feliz, dizia: “Esqueçamos!”.


Leia o texto na íntegra.

sexta-feira, maio 14, 2010

The Color of Beauty

Renee Thompson is trying to make it as a top fashion model in New York. She's got the looks, the walk and the drive. But she’s a black model in a world where white women represent the standard of beauty. Agencies rarely hire black models. And when they do, they want them to look “like white girls dipped in chocolate.”

The Colour of Beauty is a shocking short documentary that examines racism in the fashion industry. Is a black model less attractive to designers, casting directors and consumers? What is the colour of beauty?

This film is part of the
Work For All series, produced by the National Film Board of Canada, with the participation of Human Resources and Skills Development Canada





Fonte: National Film Board of Canadá

quinta-feira, maio 13, 2010

Música ao redor do mundo

A música liberta. E encanta, e une, e emociona. Sintam essa versão de Stand By Me, parte do documentário Playing For Change: Peace Through Music.

quarta-feira, maio 12, 2010

Encurtadores de links e a preservação da informação

Esses dias fiquem pensando nesses serviços de redução e redireciomento de links (os URL Shortening Services) e na capacidade dessas empresas de se manterem. A preocupação está relacionada com a preservação desses links reduzidos e da associação desses links com os originais, para um correto redirecionamento e, consequentemente, a recuperação da informação que se busca.

Os URL Shortening Services são aqueles serviços que transformam links imensos em endereços reduzidos, relativamente fáceis de serem memorizados e usados em redes sociais como o Twitter, que restringe o número de caracteres, e-mails, mensagens via celular. Exemplos: TinyURL, Zapt.in, Migre.me, etc...

São dezenas de empresas que oferecem o serviço. Isso sem contar naquelas que reduzem seus próprios links, tais como a CNN ou a Reuters. A Google, por exemplo, já lançou seu próprio sistema, o Google URL Shortener – Goo.gl – atualmente disponível somente nas aplicações Google (como o Chrome) .

Mas será que essas dezenas de empresas conseguirão se manter no mercado durante muito tempo? Para muitos esses tipo de serviço é considerado nada menos que uma ferramenta (uma feature), e não um negócio em si. E, em caso de encerramento das atividades dessas empresas, como ficam as publicações que usaram seus links reduzidos? Uma atualização de cada referência de modo a recuperar o link original seria um trabalho hercúleo e que demandaria tempo. Com isso, estaria comprometida a recuperação, o acesso à informação. E informação preservada é informação acessível.

Já escrevi algumas postagens relacionadas à preservação da informação em meio digital e a relação com os links. Uma delas está aqui. Os URLs Shortening Services também se enquadram nisso, porém de forma diferente.

Bem, essa preocupação, como não poderia deixar de ser, não é original. Pesquisando, descobri uma iniciativa interessante o Internet Archive no âmbito da preservação de longo prazo (long-term preservation). Em Novembro passado foi lançado o projeto 301Works, que atualmente congrega 22 empresas de URL Shortening. Essas associadas firmam acordo de repassar regularmente back-ups de seus mapas de URL (registros das URLs geradas de forma reduzidas e suas respectivas URLs de origem) e, em caso de encerramento das atividades, todo o controle técnico do serviço será transferido para a 301Works.

Com isso, teríamos mais uma garantia da longevidade dos links reduzidos e sua funcionalidade para o acesso à informação.

Mais: Leia a reportagem Trying to Save the Web's Shortcuts no The Wall Street Journal.

terça-feira, maio 11, 2010

Papel sintético

Papel sintético a partir do plástico reciclado, tecnologia desenvolvida no Núcleo de Reciclagem de Polímeros do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (DEMa – UFSCar) em parceria com a iniciativa privada. Leia uma entrevista sobre o projeto aqui. Além do apelo ecológico, que por si só já atribui grande importância à nova tecnologia, o papel sintético apresenta características que podem auxiliar na preservação. É mais durável, pois apresenta maior resistência química, mecânica e à umidade. Creio que o material não é tão atraente aos fungos quanto o papel feito a partir da fibra de celulose. Também não ficou claro a questão da temperatura, uma vez que se trata de material plástico.

segunda-feira, maio 10, 2010

Política de dominação

Parece que ele aprendeu. E aperfeiçoou essa tal política.

Creio que o Brasil tem um sério problema de memória. E memória num contexto social. Ela é seletiva, funcionando quando interessar. Mas é também planejada e cultivada de maneira sutil e eu diria até profissional de maneira a moldar e a conduzir a sociedade de acordo com os interesses de um ou outro grupo.

Algumas vezes, eventos e ações, que dão corpo a essa memória, são registrados. Temos então os documentos, os arquivos. Nem sempre esses documentos nos são acessíveis da maneira como deveriam segundo a lei. Outras vezes, porém, tais registros constitutivos de nossa memória são publicizados, tornados acessíveis mesmo fora do âmbito do Estado. Com a ajuda das novas tecnologias essas ocasiões têm sido mais frequentes.

Entretanto, a problemática da memória na trama da política de dominação não estaria completa sem o que chamo de política de ignorância. Este, um crime perpetrado ao longo de décadas. Se, no primeiro caso, temos afetada nossa memória, neste é ceifada nossa capacidade crítica. Passamos a aceitar, tal como os gados da canção de Zé Ramalho.

Desta forma, temos o documento, temos acesso aos arquivos, mas sem a capacidade crítica para interpretar a informação transmitida pela ação/evento alí registrada e contextualizá-la com nossa realidade, esse documento é banalizado. Crime perfeito!

sábado, maio 08, 2010



Marcapasso da compreensão


O marcapasso é um dispositivo que produz um estímulo elétrico conduzido até o coração quando este apresenta um número de batimentos abaixo do adequado para o funcionamento do organismo, para manutenção da vida. O aparelho compreende que nossa bomba interna precisa ser ajustada e faz esse ajuste.





Homem é baleado na cabeça ao tentar entrar numa agência bancária. O cliente havia sido foi barrado na porta giratória por usar um marcapasso. O crime foi cometido pelo segurança do banco, que está preso. O Banco emitiu nota lamentando e ao mesmo tempo se defendendo, com uma observação sobre o segurança ser de empresa terceirizada. Seria melhor não terem emitido a nota. Ora, será que a empresa a qual pertence o segurança se apossou do banco naquele momento? A agência bancária é de quem afinal?

Quando ouvi a notícia, além de ficar chocado com a violência gratuita (eu ainda me choco), fiquei imaginando como seria a vítima. Sem mais delongas, imaginei naquele momento qual seria a cor de sua pele. Não seria a primeira vez. Dois dias depois eu vi a foto da vítima, o Sr. Domingos Conceição dos Santos. E a dúvida que tive ao ouvir a notícia se dissipou.

Lembram-se do caso do jornaleiro assassinado em 2006 por um segurança do banco Itaú no Rio de Janeiro? O mesmo cenário, os mesmos tipos, a mesma tragédia.

Fico muito intrigado quando ouço discursos vazios e ao mesmo tempo calorosos a respeito das questões raciais no Brasil – ah, pela enésima vez, raça aqui considerada como fenômeno social, sociológico, já que todos sabemos que a palavra é inapropriada e incorreta se aplicada num contexto biológico. Na rua, nos meios de comunicação, no trabalho, nas conversas de botequim... parece que é sempre a mesma coisa. E aí me vem a mente o tratamento que recebi em determinado estabelecimento comercial, a reação da pessoa à frente na calçada ou ao ocupar o lugar vazio no ônibus, ou o repúdio ao lugar vazio quando este é ao meu lado. Me vem em mente comentários sutis com clara conotação racial, seja rebaixando, seja preconceituando ou mesmo conceituando de maneira negativa as pessoas cuja pele é negra em suas várias nuances. Por vezes, tais comentários ou expressões são usados sem que o falante tenha consciência do falado, tamanha é a incorporação e a naturalização disso. Como dizem, está no sangue.

Gostaria que analisassem quando uma pessoa (pode ser você) usa a gíria/expressão “nego” ou “neguinho” ou a forma ainda mais reduzida e simplificada “neguim”. Nego é, neguinho fez, neguinho aconteceu... Contem quantas vezes esse “neguim” ou esse “neguinho” ou esse “nego” representa um sujeito que realizou coisas boas. Acreditem, é um teste interessante.

Alex de Castro, do LLL escreveu um post muito interessante sobre isso há uns dois anos. O título é
O uso do nego. Também indico Quem sabe da ofensa é o ofendido, do mesmo blogueiro.

Essas situações me permitem ter uma percepção do ponto de vista do segurança do banco, da loja de departamentos, do supermercado, da atendente da lanchonete, da pessoa na calçada, no ônibus, do colega do trabalho, do colégio. Se nas pequenas situações, no cotidiano, essas sutilezas foram tão enraizadas, tão cruelmente naturalizadas no agir, no falar, no olhar de tantos (e esses tantos não se restringem a uma etnia) dificilmente eu explicaria a ação do segurança da agência como um reflexo livre do contexto racial. Essa má resolvida mazela.

Esse e outros seguranças – não todos, pois generalizar seria um erro – não são preparados para dar segurança às pessoas (e nem à instituições). Não estão preparados para lidar com seres humanos e, justamente por isso, são nocivos aos seres humanos. E estão armados.

Acho que as pessoas deveriam todas usar um marcapasso. Não especificamente para o funcionamento de nossa bomba interna, mas um que emitisse um estímulo a nossa consciência todas as vezes que detectasse que nossa visão do outro está sendo deturpada por nossos preconceitos (ou conceitos). Um marcapasso que nos permitisse compreender que o outro somos nós.


"Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter." - Martin Luther King

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...