Quero conversar, expor, externar, bater um papo, levar um lero, trocar uma ideia. Com quem? Com você, com ninguém, com o divino, com o profano, com o justo, com o injusto, com o tudo e com o nada, comigo mesmo. Como? Com palavras, com imagens, com sons, com silêncios, com conhecimento, com ignorância, com paixão ou neutralidade, com amor ou ódio, com alegria ou tristeza, como eu quiser ou puder. Quando? Talvez agora, ou daqui a pouco, ou nunca, ou sempre. Sobre o quê? Sobre nada... ou TUDO!
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terça-feira, fevereiro 21, 2017
quarta-feira, dezembro 02, 2015
quarta-feira, agosto 20, 2014
Para ela, qualquer um serve
Em tempos de eleição, quando muitos estão refletindo e
analisando em quem votar, seja para presidente, seja para governador ou
deputado na esfera estadual e federal, algumas coisas nos (me) fazem refletir.
Estava eu hoje na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio,
aguardando o ônibus para o retorno ao lar após mais um dia de trabalho. Eu e
muitas pessoas. Com a implantação dos corredores exclusivos para ônibus,
chamados BRS, em algumas regiões, com ali no Centro, existem pontos específicos
para cada grupo de ônibus. Eu utilizo o BRS1 e, por isso, estava ali aguardando
ônibus desse grupo.
Havia uma senhora que possivelmente não estava acostumada
com essa reestruturação na logística do transporte público do Rio. Seu destino:
Copacabana. São vários os ônibus que a atenderiam. Porém, vale lembrar que Copacabana
é uma região onde também foi implantado o sistema BRS. Logo, pontos certos de
parada.
Ela abordou um desses veículos e perguntou ao motorista se
ele “poderia parar” na esquina de determinada rua onde, ficou claro, não era
ponto de ônibus, muito menos ponto daquele BRS. O motorista explicou esse “detalhe”
e informou que o ponto não ficava longe de onde ela queria saltar.
Ela recusou e preferiu tentar conseguir o “favor” de outro. Alguém
que talvez estivesse em companhia dela, argumentou a razão da recusa. Ao que
ela respondeu: “Esse não presta, só para no ponto”.
A declaração pode parecer simples. E talvez até seja. Mas
nada tem de inocente quando “transportamos” isso para questões diversas da vida em
sociedade. Principalmente, como relatei no início, nas questões eleitorais.
Explico melhor com uma analogia que se formou em minha mente
conturbada quase que automaticamente.
Para o Governo do Estado do Rio de Janeiro concorrem
políticos que deixaram marcas de inépcia, má administração, uso indevido do
cargo público dentre outras cicatrizes nas áreas pelas quais infelizmente
estiveram. Muitos, como eu, ficam na dúvida não sobre qual é a melhor opção,
mas qual é a menos danosa. Eu, sinceramente, considero que todos estão bem
nivelados no quesito incompetência.
Para aquela senhora, no entanto, qualquer uma das opções serve. Não fará
diferença. Todos a deixarão fora do ponto, como ela tão deseja.
terça-feira, outubro 15, 2013
DECIDAM e SAIBAM o que estão fazendo
Hoje, no ônibus indo para o
trabalho, li um texto (Deveríamos queimar o rabo do Tio Sam?) do Bukowski no livro “Pedaços de um caderno manchado de vinho” (L&PM Pocket) e, vejo que o velho Hank sempre me surpreende pela sua atualizade. Ainda mais
num texto que me parece tão atual.
"O
grande esforço de suas mentes não deve ser como destruir um governo, mas sim
como criar um governo melhor..."
Meu ponto é que já ouvi gritaria
similar a essa que agora toma as ruas antes, e tudo isso não deu em nada. Houve
traições e viradas em abundância. As pessoas tinham comida em suas barridas. As
pessoas tinham feito dinheiro na guerra. A Rússia aliada passou a ser a Rússia
inimiga. Joe Stalin, agora que o mundo tinha sido salvo, dava uma de Hitler com
seu povo. Mais uma vez – como sempre – os intelectuais tinham sido enganados. A
realidade superou a teoria. A ganância e a mesquinhez humanas se tornaram
história. A proclamada bondade do homem revelou-se um belo golpe. Traição.
Documentos. Conversa para boi dormir. (…) A Direita estava de volta. Mas como?
Não tinham sido destruídos na Segunda Guerra? Cada homem era suspeito. “Vocês
nunca participaram do Partido Comunista? Não éramos a maioria de nós?” Mas
ninguém nunca disse isso. (…)
Agora mais uma vez os
intelectuais gritam “Revolução”. Um banco é incendiado. A IBM sobre um
atentado, um companhia telefônica também, e outros lugares… Policiais são
apedrejados; seus carros queimados; policiais são mortos, policiais matam –
sempre acontece. (…) Garantiu a eles mais um dia. Bem, vocês podem e perguntar,
qual é o meu PROPÓSITO? Bem, sou um fotógrafo da vida, não um ativista. Mas
antes de se decidir por uma Revolução tenham certeza de que vocês têm uma voa
chance de vencer – com isso, me refiro a uma vitória pela violência. Antes de
isso acontecer vocês precisão promover alguma revolução dentro dos ranques da
Guarda Nacional e da força policial. Isto não acontecerá em nenhum grau. Então
é preciso fazer isso através dos votos. (…)
A essa altura já há muitas pessoas
temendo por seus empregos, há muitas pessoas comprando carros, aparelhos de
tevê, casas, créditos estudantis. Crédito e propriedade e um trabalho de oito
horas são grandes amigos do Establishment. Se vocês precisaram comprar coisas,
usem apenas dinheiro, e só comprem aquilo que tenham real valor – nada de
bugigangas ou engenhocas. Tudo o que vocês possuem deve caber dentro de uma
mala; só então suas mentes poderão estar livres. E antes que vocês enfrentem as
tropas nas ruas, DECIDAM e SAIBAM o que estão fazendo, quem colocarão no lugar
dos que ao estão e por quê. Slogans românticos não farão o serviço. Tenham um
programa definido, com palavras charas, pois se vocês VENCEREM terão um forma de
governar decente e adequada. Pois tenham em mente que em todos os movimentos há
oportunistas, gente ávida de poder, lobos sob vestes Revolucionárias. São esses
os homens que derrubam uma Causa.
Estou do lado dos que querem um mundo melhor,
para minha filha, para mim mesmo, para vocês, mas é preciso ter cuidado. Uma
mudança no poder não significa uma cura. Entregar o poder às pessoas não é uma
cura. O poder não é uma cura. O grande esforço de suas mentes não deve ser como
destruir um governo, mas sim como criar um governo melhor. Não sejam mais uma
vez enganados e aprisionados. E se vocês vencerem, tenham cuidado com o governo
que seja mais Autoritário e que acabe por deixá-los numa situação mais
opressiva do que a anterior. Não sou exatamente um patriota, mas apesar de
todas as enormes e fodidas injustiças ainda se pode expressar uma opinião e
protestar e agir num amplo espectro social. Digam-me, poderia eu escrever um
texto contra o governo DEPOIS que vocês assumirem? Poderia ficar nas ruas e
parque e dizer a vocês o que eu penso? Espero que sim. Mas sejam cuidadosos se
for para perdermos esse direito em nome da Justiça. Peço que me apresentem seu
programa para que possa escolher entre o de vocês e o deles, entre a Revolução
e o governo existente. Será que não me colocarão para cortar cana? Isso me
deixaria bastante chateado. Por acaso a construirão novas fábricas. Teriam meus
escritos, minha música, minhas pinturas que leva em conta o bem-estar do
Estado? Deixariam que eu ficasse largado em parques e cubículos bebendo vinho,
sonhando, me sentindo bem e tranquilo? (…)
quarta-feira, março 16, 2011
Liberdade
Faz tempo que não escrevo. Esses intervalos têm ficado mais freqüentes ultimamente. Este último então… Cansaço, desanimo, falta de inspiração, preguiça… Ou simples opção. A opção de não escrever. O escrever aqui no TUIST, conforme já declarado, é basicamente uma exposição de idéias, de pensamentos, opiniões, visões, sentimentos. Mas também é, talvez acima de tudo, um desabafo. E talvez nesse período eu simplesmente tenha optado, pois é uma prerrogativa de cada um, não desabafar. Mas não deixem de considerar as demais opções apresentadas acima. Tenham liberdade para tanto, assim como tenho aqui a liberdade expressar ou não o que me vem na cabeça.
Liberdade é uma palavra muito importante. Mais que uma palavra, é um sentimento, uma condição, uma característica, um fundamento básico do ser vivo.
Há algum tempo, recebi um e-mail de um amigo que trazia um desses textos recorrentes na Internet, precedido por comentário próprio. O texto, que ainda pode ser encontrado, discorria sobre as benesses provindas do período em que os militares estiveram no poder. Lá para o final, apresenta a seguinte frase (que pode ser utilizada para buscar a íntegra na internet): “Tudo isso e muito mais os militares fizeram em 22 anos de governo. Depois que entregaram o governo aos civis, estes, nos vinte anos seguintes, não fizeram nem 10% dos estragos que os militares fizeram.” Já o comentário do meu amigo, a respeito do texto citado, em determinado momento dizia “do jeito que a nossa [liberdade] ta fazendo as coisas descambarem, tenho certeza que estaríamos melhor…”
Aquele simples e-mail suscitou em mim uma reflexão sobre liberdade, sobre ditaduras, sobre a natureza humana. Refleti considerando situações vividas, experiências factuais. Respondi o e-mail externando em palavras tais reflexões, com exemplos de entendimento comum, gerais, religiosos, culturais, filosóficos… Sempre com minhas analogias esdrúxulas e de qualidade duvidosa. Talvez eu o publique, em parte.
Os recentes eventos em países do norte do continente africano e do oriente médio me fizeram lembrar aquele e-mail. Países que há décadas nos apresentam o mesmo “dirigente”. Pessoas que há décadas vivem sob julgo de um mesmo mandatário. Déspotas que, a exemplo de Kaddafi (ou Gaddafi), se autoproclamam libertadores e representantes de toda uma população, quando o que representam é nada mais que uma idéia retrógrada mesclada com interesses muitos particulares (ou familiares, conforme pude perceber pela arrogância de seu filho) de dominação e manutenção de poder. A única liberdade que cretinos como ele pregam é a liberdade de poderem fazer o que bem entendem, sem serem questionados.
A liberdade então me parece algo latente. E, uma vez despertada, se mostra contagiante. A onda libertária que começa na Tunísia, já avançou pelo Iêmen, Bahrein, Egito, Argélia, e sacode a Líbia do ditador citado. Muito se comenta que as manifestações nesses países são apartidárias, e assim espero. Que esse brado por liberdade, por mudanças, tenha nascido de uma constatação (ou exemplo) de que é possível desatar o nó que nos prende a situações que por perdurarem durante tanto tempo, passam a ser considerada por alguns como normal. Fica a minha torcida.
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