Mostrando postagens com marcador acesso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador acesso. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, setembro 14, 2011

Informação é preciso


Desvio-Roubo

Um dos destaques nos noticiários dessa noite é a “saída” de mais um ministro. Parece que a fila está andando.  Já é o quinto e, se mexer bem nesse antro, muitos outros bichos poderão sair.

Fico intrigado e até incomodado com tratamento dispensado a esses sujeitos.  O grande crime de que é suspeito (sic) é o desvio de verba pública. Suspeito?! Isso indica que não existe controle sobre a verba pública, sobre os gastos públicos. Se houvesse o mínimo de controle, essa suspeição se tornaria uma insuspeição, uma certeza. E é disso que precisamos. Precisamos saber, com certeza, sem margem para dúvidas, com exatidão, o que está sendo feito com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

Outra coisa é com relação à acusação. Considerando que houve mesmo o “desvio”. Acho que devemos tratar tais criminosos como o que realmente são: bandidos! Para que fique claro para todos, para que percebamos o que realmente se passa e como isso nos afeta, é bom ser claro e direto e verdadeiro. Ele está sendo acusado de roubar dinheiro público para custear seus luxos (governanta, motorista para esposa e sabe-se lá quais outras “vantagens” ministeriais).

Se um marginal bate sua carteira ou rouba seu carro ou sua casa não dizemos que “fulano está desviando seu dinheiro para uso próprio” ou que “beltrano está desviando seus bens para uso próprio”. Então não vamos poupar os “Excelentíssimos”.

Ainda nesse caso… Não acho que esse e outros do tipo sejam casos para CPI. É caso de polícia! Se um bandido rouba o Banco Central a polícia cuida do caso. Por que atribuir aos Deputados e Senadores (muitos, sabemos, despreparados para o básico que seria nos representar, legislar) o papel de polícia?


A informação liberta… 

...E, aqueles que não nos querem libertos, lutam para que a informação seja algo restrita a poucos, lutam para que a verdade, a luz e a justiça que podem advir da informação continue vedada aos nossos olhos.

Tramita no senado a PLC – Projeto de Lei da Câmara – nº 41 de 2010, cujo apelido é “Lei Geral de Acesso à Informação”.  Há dois meses eu abordei o assunto aqui no TUIST, clique aqui para ler. 

Aos interessados (e o interesse é de todos, pois afeta a todos) vale acompanhar a tramitação, clicando aqui.

Assino o boletim e recebo as atualizações da tramitação. Hoje, por exemplo, li a proposta de emenda do Senador Blairo Maggi. Algumas das propostas do senador sinalizam para a manutenção do silêncio, para uma política de ignorância da maioria em prol dos interesses de alguns poucos.

Em uma das propostas, por exemplo, ele parece justifica que promover a divulgação de informações de interesse coletivo ou geral produzida por órgãos e entidades públicas independente de requerimentos (a tal TRANSPARÊNCIA) despenderia esforços de tempo, pessoal e dinheiro, sobrecarregando a máquina pública. Então, a Transparência não faz bem ao Estado?

Em outra proposta ele contesta os prazos máximos de restrição ao acesso à informação. Mais especificamente da informação classificada como ultrassecreta. Segundo o senador, a prorrogação dos documentos ultrassecretos deve se dar quantas vezes for necessário para garantir a segurança do Estado e da sociedade. Em outras palavras… o silêncio eterno. 

Ele também critica a supressão do nível “confidencial”, justificando que isso contraria a tradição brasileira nessa área. Eu cairia na gargalhada se essa posição do ilustre senador não fosse tão absurda.


domingo, dezembro 05, 2010

Lembranças permanente
Poemas perdidos e Memórias apagadas

Bem antes de me aventurar nesse incrível mundo que é a blogosfera, eu já experimentava a enriquecedora forma de expressão que é a escrita.

Um pequeno histórico... A primeira lembrança que tenho de um contato - e vislumbramento - com um texto, e sua estrutura, e seu ritmo, e sua rima e seu significado é de um poema. Aula de português, Escola Municipal Rotary (em Mesquita), Professora Denise (que também ministrou inglês)... lá nos idos de 1989 ou 90, talvez antes. Era o Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes. Esse texto foi uma, digamos, exceção que minha lamentável memória e minha quase incapacidade de concentração me concederam, pois não o esqueci desde então.

Talvez o que tenha facilitado este registro em meus parcos neurônios, além da beleza do poema, tenha sido exatamente sua estrutura, sua forma, isto é, a disposição dos 14 versos de um soneto. Achei algo simples, acessível. E, por isso, mais tarde pude aplicar aquela lógica estrutural (dos versos) em meus próprios poemas. Abaixo eu transcrevo um deles, graças a uma cópia impressa de uma página web onde foi publicado.


nesses dias em que a realidade parece um sonho
... mas não há sonho

nesses dias em que a relidade
parece um sonho que sempre sonhamos em sonhar
esse sonho se mostra mas que a verdade
que nunca sonhamos em pensar

e quando o sonho que um dia ousamos viver,
mas que nunca havíamos sonhado, acontecer
que possamos vivê-lo sem pensar
que esse sonho um dia vai acabar

por isso abraçamos, beijamos e nos damos
um ao outro de forma intensa e despreocupada
para que essa realidade mereçamos

pois além desse sonho não há nada
que possa fazer que um dia padeçamos
nesse sonho dessa noite enluarada

Não discutamos aqui a qualidade da obra que a alguns pode agradar, a outros não. O fato é que foi escrita e publicada em 2001 e, naquele momento, confesso que senti muito orgulho, me senti muito bem. Alguns anos mais tarde, eis que começo minha aventura blogueira. Embora com pouco lirismo e muita crítica, mas me expressando mais constantemente (apesar dos constantes hiátos) na forma escrita.

A razão desta postagem não é divulgar um poema de minha autoria. Com certeza serve a esse tipo de exposição, como também uma parte autobiográfica, mas não é a intenção principal.

Como disse, esse soneto foi publicado em 2001. Nessa época, a edição online do Jornal O Dia contava com uma área de literatura que permitia, dentre outras coisas, que anônimos como eu publicassem seus trabalhos por mais amadores que fossem. Era o Contextos, um portal literário agregado ao O Dia Online.

Creio ter publicado de três a quatro poemas, talvez todos sonetos. Minha esposa imprimiu e quandou até hoje um deles, devidamente recuperado na arrumação de hoje (talvez encontre outros). Veja a página impressa aqui.

Eram muitos os trabalhos publicados no Contextos. Pessoas desconhecidas expondo suas veias literárias num meio (a Internet) que ainda cresceria bastante. Isso foi bem antes dos blogs tomarem esse vulto que têm hoje.

Não me recordo quando aconteceu, não fui comunicado (o e-mail cadastrado eu acesso até hoje), mas o Contextos não está mais acessível. Assim como todas as obras que lá foram publicadas e ficaram armazenadas dos servidores daquele portal. Por certo havia alguma cláusula que eximia O Dia Online da obrigatoriedade de guarda permanente daquele conteúdo, embora eu não possa afirmar.

Porém, existe um fato relevante que pode ser utilizado como exemplo prático para corroborar a preocupação com a preservação de conteúdo armazenado em meio digital: Um portal com o objetivo de incentivar e promover a produção e divulgação de conteúdo literário interrompe suas atividades e, com isso, todo aquele conteúdo é perdido. Para sempre? Não sei. Já encaminhei mensagem ao jornal O Dia pedindo informações sobre o Contextos, mas até o momento não houve retorno.

quarta-feira, maio 12, 2010

Encurtadores de links e a preservação da informação

Esses dias fiquem pensando nesses serviços de redução e redireciomento de links (os URL Shortening Services) e na capacidade dessas empresas de se manterem. A preocupação está relacionada com a preservação desses links reduzidos e da associação desses links com os originais, para um correto redirecionamento e, consequentemente, a recuperação da informação que se busca.

Os URL Shortening Services são aqueles serviços que transformam links imensos em endereços reduzidos, relativamente fáceis de serem memorizados e usados em redes sociais como o Twitter, que restringe o número de caracteres, e-mails, mensagens via celular. Exemplos: TinyURL, Zapt.in, Migre.me, etc...

São dezenas de empresas que oferecem o serviço. Isso sem contar naquelas que reduzem seus próprios links, tais como a CNN ou a Reuters. A Google, por exemplo, já lançou seu próprio sistema, o Google URL Shortener – Goo.gl – atualmente disponível somente nas aplicações Google (como o Chrome) .

Mas será que essas dezenas de empresas conseguirão se manter no mercado durante muito tempo? Para muitos esses tipo de serviço é considerado nada menos que uma ferramenta (uma feature), e não um negócio em si. E, em caso de encerramento das atividades dessas empresas, como ficam as publicações que usaram seus links reduzidos? Uma atualização de cada referência de modo a recuperar o link original seria um trabalho hercúleo e que demandaria tempo. Com isso, estaria comprometida a recuperação, o acesso à informação. E informação preservada é informação acessível.

Já escrevi algumas postagens relacionadas à preservação da informação em meio digital e a relação com os links. Uma delas está aqui. Os URLs Shortening Services também se enquadram nisso, porém de forma diferente.

Bem, essa preocupação, como não poderia deixar de ser, não é original. Pesquisando, descobri uma iniciativa interessante o Internet Archive no âmbito da preservação de longo prazo (long-term preservation). Em Novembro passado foi lançado o projeto 301Works, que atualmente congrega 22 empresas de URL Shortening. Essas associadas firmam acordo de repassar regularmente back-ups de seus mapas de URL (registros das URLs geradas de forma reduzidas e suas respectivas URLs de origem) e, em caso de encerramento das atividades, todo o controle técnico do serviço será transferido para a 301Works.

Com isso, teríamos mais uma garantia da longevidade dos links reduzidos e sua funcionalidade para o acesso à informação.

Mais: Leia a reportagem Trying to Save the Web's Shortcuts no The Wall Street Journal.

domingo, março 29, 2009

E por falar em preservação

Após a liberação, mesmo que parcial, dos arquivos da ditadura, perceberam quanta coisa está sendo noticiada? O jornal O Globo parece ter uma equipe no Arquivo Nacional, trabalhando em tempo integral, analisando os documentos liberados. A última reportagem relatou acusações ao falecido Leonel Brizola, feitas por órgãos de informação militares. Ainda existe muita coisa a ser trazida a público. Com certeza, após as matérias, livros serão escritos, interpretações feitas e refeitas. É a história sendo revisada.

Tudo estava em papel, e hoje pode ser consultado até via web.

Agora imaginem as informações acumuladas hoje por órgãos públicos, militares ou não, em meio digital. Considerando que muita coisa que acontece atrás das quatro paredes grossas do governo e/ou dos quartéis não chega ao nosso conhecimento, embora tenhamos um certo inciso XXXIII de um quinto artigo de uma certa Constituição, será possível, num futuro próximo, revisar a história-pra-boi-dormir que nos é contada?

Sobre isso e algo mais, tem um artigo do Elio Gaspari publicado no O Globo (11/03/2009) que traz algumas questões de cunho arquivístico, como: preservação, acesso, classificação... Clique aqui.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...