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sexta-feira, janeiro 20, 2012

Próteses e prontuários

Problemas e problematizações em gestão documental.

Recentemente um dos assuntos mais comentados diz respeito aos problemas com próteses para implantes mamários fabricadas criminosamente com silicone industrial. São próteses das marcas PIP (francesa) e Rofil (holandesa) utilizadas por milhares de pessoas.

Numa das muitas reportagens sobre o assunto, algo passa quase despercebido. Trata-se da importância dos prontuários médicos. Leiam (e assistam) aqui.

Uma das vítimas desse crime declara não se lembrar da marca da prótese que usa, embora tenha recebido “um certificado como se fosse uma nota fiscal” e não saiba onde guardou, ou mesmo se ainda existe.

A reportagem segue observando que o médico deve saber qual a marca usada em sua paciente e que os prontuários (onde tais informações devem ficar registradas) são mantidos por 20 anos.

O prazo citado é estabelecido pelo Conselho Federal de Medicina em sua resolução n°1.821 de 2007 e diz respeito aos prontuários em suporte de papel. Diz a resolução em seu artigo oitavo: 

Estabelecer o prazo mínimo de 20 (vinte) anos, a partir do último registro, para a preservação dos prontuários dos pacientes em suporte de papel, que não foram arquivados eletronicamente em meio óptico, microfilmado ou digitalizado.

Após o pacote de estímulos lançado em 2009 pelo governo dos Estados Unidos, conhecido como “American Recovery and Reinvestment Act”- que prevê quase 20 bilhões de dólares de investimentos em tecnologia de informação em saúde - vejo que muitos começaram ou intensificaram discussões, pesquisas e inovações na gestão de informações em saúde, mais especificamente em meio digital.

Já podemos ver que muitos hospitais, inclusive da rede pública, fazem uso do prontuário eletrônico como ferramenta do dia-a-dia. Porém, não percebo a existência de uma discussão mais a fundo no que diz respeito a preservação dessas informações.

Podemos revirar as gavetas e encontrar certificados de vacinação ou mesmo uma prescrição médica de décadas atrás. Será que podemos dizer o mesmo dos registros mantidos em nossos computadores?

Se em grande parte das instituições de saúde a atividade-fim é tratada de maneira tão “descuidada”, o que esperar do tratamento dispensado aos prontuários?

domingo, dezembro 05, 2010

Lembranças permanente
Poemas perdidos e Memórias apagadas

Bem antes de me aventurar nesse incrível mundo que é a blogosfera, eu já experimentava a enriquecedora forma de expressão que é a escrita.

Um pequeno histórico... A primeira lembrança que tenho de um contato - e vislumbramento - com um texto, e sua estrutura, e seu ritmo, e sua rima e seu significado é de um poema. Aula de português, Escola Municipal Rotary (em Mesquita), Professora Denise (que também ministrou inglês)... lá nos idos de 1989 ou 90, talvez antes. Era o Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes. Esse texto foi uma, digamos, exceção que minha lamentável memória e minha quase incapacidade de concentração me concederam, pois não o esqueci desde então.

Talvez o que tenha facilitado este registro em meus parcos neurônios, além da beleza do poema, tenha sido exatamente sua estrutura, sua forma, isto é, a disposição dos 14 versos de um soneto. Achei algo simples, acessível. E, por isso, mais tarde pude aplicar aquela lógica estrutural (dos versos) em meus próprios poemas. Abaixo eu transcrevo um deles, graças a uma cópia impressa de uma página web onde foi publicado.


nesses dias em que a realidade parece um sonho
... mas não há sonho

nesses dias em que a relidade
parece um sonho que sempre sonhamos em sonhar
esse sonho se mostra mas que a verdade
que nunca sonhamos em pensar

e quando o sonho que um dia ousamos viver,
mas que nunca havíamos sonhado, acontecer
que possamos vivê-lo sem pensar
que esse sonho um dia vai acabar

por isso abraçamos, beijamos e nos damos
um ao outro de forma intensa e despreocupada
para que essa realidade mereçamos

pois além desse sonho não há nada
que possa fazer que um dia padeçamos
nesse sonho dessa noite enluarada

Não discutamos aqui a qualidade da obra que a alguns pode agradar, a outros não. O fato é que foi escrita e publicada em 2001 e, naquele momento, confesso que senti muito orgulho, me senti muito bem. Alguns anos mais tarde, eis que começo minha aventura blogueira. Embora com pouco lirismo e muita crítica, mas me expressando mais constantemente (apesar dos constantes hiátos) na forma escrita.

A razão desta postagem não é divulgar um poema de minha autoria. Com certeza serve a esse tipo de exposição, como também uma parte autobiográfica, mas não é a intenção principal.

Como disse, esse soneto foi publicado em 2001. Nessa época, a edição online do Jornal O Dia contava com uma área de literatura que permitia, dentre outras coisas, que anônimos como eu publicassem seus trabalhos por mais amadores que fossem. Era o Contextos, um portal literário agregado ao O Dia Online.

Creio ter publicado de três a quatro poemas, talvez todos sonetos. Minha esposa imprimiu e quandou até hoje um deles, devidamente recuperado na arrumação de hoje (talvez encontre outros). Veja a página impressa aqui.

Eram muitos os trabalhos publicados no Contextos. Pessoas desconhecidas expondo suas veias literárias num meio (a Internet) que ainda cresceria bastante. Isso foi bem antes dos blogs tomarem esse vulto que têm hoje.

Não me recordo quando aconteceu, não fui comunicado (o e-mail cadastrado eu acesso até hoje), mas o Contextos não está mais acessível. Assim como todas as obras que lá foram publicadas e ficaram armazenadas dos servidores daquele portal. Por certo havia alguma cláusula que eximia O Dia Online da obrigatoriedade de guarda permanente daquele conteúdo, embora eu não possa afirmar.

Porém, existe um fato relevante que pode ser utilizado como exemplo prático para corroborar a preocupação com a preservação de conteúdo armazenado em meio digital: Um portal com o objetivo de incentivar e promover a produção e divulgação de conteúdo literário interrompe suas atividades e, com isso, todo aquele conteúdo é perdido. Para sempre? Não sei. Já encaminhei mensagem ao jornal O Dia pedindo informações sobre o Contextos, mas até o momento não houve retorno.

quarta-feira, maio 12, 2010

Encurtadores de links e a preservação da informação

Esses dias fiquem pensando nesses serviços de redução e redireciomento de links (os URL Shortening Services) e na capacidade dessas empresas de se manterem. A preocupação está relacionada com a preservação desses links reduzidos e da associação desses links com os originais, para um correto redirecionamento e, consequentemente, a recuperação da informação que se busca.

Os URL Shortening Services são aqueles serviços que transformam links imensos em endereços reduzidos, relativamente fáceis de serem memorizados e usados em redes sociais como o Twitter, que restringe o número de caracteres, e-mails, mensagens via celular. Exemplos: TinyURL, Zapt.in, Migre.me, etc...

São dezenas de empresas que oferecem o serviço. Isso sem contar naquelas que reduzem seus próprios links, tais como a CNN ou a Reuters. A Google, por exemplo, já lançou seu próprio sistema, o Google URL Shortener – Goo.gl – atualmente disponível somente nas aplicações Google (como o Chrome) .

Mas será que essas dezenas de empresas conseguirão se manter no mercado durante muito tempo? Para muitos esses tipo de serviço é considerado nada menos que uma ferramenta (uma feature), e não um negócio em si. E, em caso de encerramento das atividades dessas empresas, como ficam as publicações que usaram seus links reduzidos? Uma atualização de cada referência de modo a recuperar o link original seria um trabalho hercúleo e que demandaria tempo. Com isso, estaria comprometida a recuperação, o acesso à informação. E informação preservada é informação acessível.

Já escrevi algumas postagens relacionadas à preservação da informação em meio digital e a relação com os links. Uma delas está aqui. Os URLs Shortening Services também se enquadram nisso, porém de forma diferente.

Bem, essa preocupação, como não poderia deixar de ser, não é original. Pesquisando, descobri uma iniciativa interessante o Internet Archive no âmbito da preservação de longo prazo (long-term preservation). Em Novembro passado foi lançado o projeto 301Works, que atualmente congrega 22 empresas de URL Shortening. Essas associadas firmam acordo de repassar regularmente back-ups de seus mapas de URL (registros das URLs geradas de forma reduzidas e suas respectivas URLs de origem) e, em caso de encerramento das atividades, todo o controle técnico do serviço será transferido para a 301Works.

Com isso, teríamos mais uma garantia da longevidade dos links reduzidos e sua funcionalidade para o acesso à informação.

Mais: Leia a reportagem Trying to Save the Web's Shortcuts no The Wall Street Journal.

domingo, outubro 18, 2009

Acabou o papel?

A Association for Information and Image Management (AIIM) publicou o resultado da pesquisa "Electronic Records Management - still playing catch-up with paper", algo como Gerenciamento de registros eletrônicos - ainda tentando recuperar o atraso com papel(*). Alguns pontos de destaque:

Boa parte das empresas não possuem quaisquer políticas de gerenciamento de seus registros eletrônicos;

As chances de tais registros eletrônicos serem realmente gerenciados é duas vezes menor que a dos registros em meio físico (papel);

Os arquivos em papel, cujo volume tem aumentado na maioria das empresas, são mais ativamente gerenciados;

Embora mais da metade das empresas pesquisadas tenham como padrão a digitalização de documentos recebidos em papel para posterior arquivamento em meio eletrônico, 40% delas admitiram que imprimem documentos recebidos em meio eletrônico para arquivamento em papel;

Na maioria das empresas pesquisas, são os profissinais de TI os responsáveis pelos processos de gerenciamento eletrônicos de documentos, incluindo e-mails.

Trata-se de uma pesquisa interessante, conduzida por uma entidade conceituada internacionalmente e que nos permite comprovar que ainda há muito por fazer.

Original aqui.

(*) Traduzido com o Bing Translator

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...