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segunda-feira, março 02, 2015

Cai Lun foi para o espaço

Quando penso em NASA, o que me vem a mente é, em essência, tecnologia. Exploração espacial, satélites moderníssimos, viagens a outros planetas, caminhada na Lua... Mas a essência é tecnologia de ponta. 

Há algum tempo assino o "Image of the Day for NASA" uma newsletter do NASA News Services. E vivo me deliciando com as imagens incríveis que são postadas. 

Hoje, um detalhe me chamou atenção. A foto tirada em 1º de Março pelo astronauta Terry W. Virts (@AstroTerry) e entitulada "Astronauts Complete Series of Three Spacewalks" mostra seu colega Barry Eugene "Butch" Wilmore durante uma caminhada espacial (a execução de um serviço externo) na Estação Espacial Internacional (EEI). 

O detalhe a que me refiro é um caderno, preso ao braço de Butch. Isso mesmo. Um caderno. Papel. Folhas presas num espiral. Não é um tablet ou um smartphone ou qualquer outro gadget conhecido ou não. Era um caderno. 

Apesar de certas dificuldades na absorção de tanta inovação que chega em avalanche, eu sou um entusiasta da tecnologia. Porém não de forma irrestrita, cega, fundamentalista. Eu admiro, gosto, tento acompanhar, uso, me surpreendo, sonho...

Mas eis que temos o papel. Tecnologia com mais de mil anos, sempre presente em nosso cotidiano, em nossas atividade. 

Será que Cai Lun imaginou que seu invento pudesse ir tão longe?


Para ver o tweet de Virts clique aqui.

domingo, setembro 21, 2014

Homo tecnologicus

Um artigo publicado ontem no El Pais reflete sobre a dependência cada vez maior que temos da tecnologia. O texto, Hacia el ‘homo technologicus’, que apresenta a obra de Nicolas Carr sobre o assunto, me fez lembrar de uma história que ouvi há uns 15 anos.

Quando atuava como técnico de telecomunicações, prestei serviço para Docenave, companhia de navegação da Vale do Rio Doce. Um dos comandantes da frota tinha uma prática muito interessante durante as viagens. Segundo ele, nos períodos de calmaria, geralmente à noite, reunia parte da tripulação no passadiço para uma aula de navegação com o uso do sextante (instrumento utilizado para calcular o posicionamento global na navegação estimada). Ele dizia que não podiam ficar tão dependentes dos equipamentos tecnológicos, principalmente nas viagens de longo curso (aquelas para Ásia, por exemplo).

Acho que ainda não nos demos conta da problemática envolvendo o que Carr chama de complacência automatizada.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...