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terça-feira, outubro 15, 2013

DECIDAM e SAIBAM o que estão fazendo

Hoje, no ônibus indo para o trabalho, li um texto (Deveríamos queimar o rabo do Tio Sam?) do Bukowski no livro “Pedaços de um caderno manchado de vinho” (L&PM Pocket) e, vejo que o velho Hank sempre me surpreende pela sua atualizade. Ainda mais num texto que me parece tão atual.

"O grande esforço de suas mentes não deve ser como destruir um governo, mas sim como criar um governo melhor..."

Meu ponto é que já ouvi gritaria similar a essa que agora toma as ruas antes, e tudo isso não deu em nada. Houve traições e viradas em abundância. As pessoas tinham comida em suas barridas. As pessoas tinham feito dinheiro na guerra. A Rússia aliada passou a ser a Rússia inimiga. Joe Stalin, agora que o mundo tinha sido salvo, dava uma de Hitler com seu povo. Mais uma vez – como sempre – os intelectuais tinham sido enganados. A realidade superou a teoria. A ganância e a mesquinhez humanas se tornaram história. A proclamada bondade do homem revelou-se um belo golpe. Traição. Documentos. Conversa para boi dormir. (…) A Direita estava de volta. Mas como? Não tinham sido destruídos na Segunda Guerra? Cada homem era suspeito. “Vocês nunca participaram do Partido Comunista? Não éramos a maioria de nós?” Mas ninguém nunca disse isso. (…)


Agora mais uma vez os intelectuais gritam “Revolução”. Um banco é incendiado. A IBM sobre um atentado, um companhia telefônica também, e outros lugares… Policiais são apedrejados; seus carros queimados; policiais são mortos, policiais matam – sempre acontece. (…) Garantiu a eles mais um dia. Bem, vocês podem e perguntar, qual é o meu PROPÓSITO? Bem, sou um fotógrafo da vida, não um ativista. Mas antes de se decidir por uma Revolução tenham certeza de que vocês têm uma voa chance de vencer – com isso, me refiro a uma vitória pela violência. Antes de isso acontecer vocês precisão promover alguma revolução dentro dos ranques da Guarda Nacional e da força policial. Isto não acontecerá em nenhum grau. Então é preciso fazer isso através dos votos. (…) 

A essa altura já há muitas pessoas temendo por seus empregos, há muitas pessoas comprando carros, aparelhos de tevê, casas, créditos estudantis. Crédito e propriedade e um trabalho de oito horas são grandes amigos do Establishment. Se vocês precisaram comprar coisas, usem apenas dinheiro, e só comprem aquilo que tenham real valor – nada de bugigangas ou engenhocas. Tudo o que vocês possuem deve caber dentro de uma mala; só então suas mentes poderão estar livres. E antes que vocês enfrentem as tropas nas ruas, DECIDAM e SAIBAM o que estão fazendo, quem colocarão no lugar dos que ao estão e por quê. Slogans românticos não farão o serviço. Tenham um programa definido, com palavras charas, pois se vocês VENCEREM terão um forma de governar decente e adequada. Pois tenham em mente que em todos os movimentos há oportunistas, gente ávida de poder, lobos sob vestes Revolucionárias. São esses os homens que derrubam uma Causa. 

Estou do lado dos que querem um mundo melhor, para minha filha, para mim mesmo, para vocês, mas é preciso ter cuidado. Uma mudança no poder não significa uma cura. Entregar o poder às pessoas não é uma cura. O poder não é uma cura. O grande esforço de suas mentes não deve ser como destruir um governo, mas sim como criar um governo melhor. Não sejam mais uma vez enganados e aprisionados. E se vocês vencerem, tenham cuidado com o governo que seja mais Autoritário e que acabe por deixá-los numa situação mais opressiva do que a anterior. Não sou exatamente um patriota, mas apesar de todas as enormes e fodidas injustiças ainda se pode expressar uma opinião e protestar e agir num amplo espectro social. Digam-me, poderia eu escrever um texto contra o governo DEPOIS que vocês assumirem? Poderia ficar nas ruas e parque e dizer a vocês o que eu penso? Espero que sim. Mas sejam cuidadosos se for para perdermos esse direito em nome da Justiça. Peço que me apresentem seu programa para que possa escolher entre o de vocês e o deles, entre a Revolução e o governo existente. Será que não me colocarão para cortar cana? Isso me deixaria bastante chateado. Por acaso a construirão novas fábricas. Teriam meus escritos, minha música, minhas pinturas que leva em conta o bem-estar do Estado? Deixariam que eu ficasse largado em parques e cubículos bebendo vinho, sonhando, me sentindo bem e tranquilo? (…)


quinta-feira, agosto 29, 2013

Vandalismo político

Mais uma vez a Câmara dos Deputados debocha dos brasileiros. Protegidos pelo execrável voto secreto, os deputados inocentaram um bandido. O criminoso foi condenado pela Justiça e seus colegas deputados "disseram": a Justiça não importa nesta casa!

Nenhum sistema é perfeito. E não seria diferente com a Democracia. Isso mesmo, ela não é perfeita. Mas é coerente.  Isto é. Consideremos que entre nós, brasileiros, existem não apenas cidadãos inocentes e éticos, mas também culpados e corruptos. Consideremos que num sistema democrático pressupõem-se direitos iguais. Consideremos que um desses direitos é o de se candidatar a cargos públicos. Logo, seria coerente corrêssemos o risco de termos determinadas figuras indesejadas como nossos representantes.

Algo muito prezado em nossa imperfeita democracia é o direito de livre manifestação. E quando penso nos eventos recentes que ocorrem por todo o país, não posso deixar de fazer um paralelo com a recente vergonha a que os deputados nos sujeitaram quando cuspiram na cara da Justiça e da Ética.

Tenho criticado bastante a covardia de alguns ditos manifestantes (aliás, a imprensa deveria parar de chamar criminoso de manifestante... vândalo é criminoso!) quando escondem o rosto para, aproveitando-se de um ato de protesto por um Brasil melhor, depredam o patrimônio público e privado; cerceiam nosso direito de ir e vir; sujam as ruas espalhando lixo, ateando fogo; desacatam oficiais da segurança pública; vandalizam nossa cidade, vandalizam nossa cidadania e, mais que isso, vandalizam nossa já imperfeita democracia.

Dizem que esses marginais “protestam”, dentre outras coisas, contra a corrupção na política (como se ser corrupto fosse uma "doença" que acometesse somente quem ocupa cargo público). Pergunto: qual a diferença entre esses e aqueles sobre os quais falei acima? Se existe, são poucas. Vamos às similaridades.

O vândalo se esconde atrás de máscaras, cobram o rosto com camisas, lenços, etc.
Os políticos se escondem atrás do voto secreto.

O vândalo, quando os agentes de segurança pública conseguem prendê-los, pouco tempo ficam numa delegacia. Seus iguais se manifestam. Advogados aparecem.
Os políticos... idem.

O vândalo se acha no direito de fazer o que faz, justifica suas ações pelo bem da sociedade, se isola numa ética totalmente própria que obedece a seus interesses.
Os políticos... idem.

Então, vamos mantendo essa tal coerência em nossa imperfeita democracia, com as máscaras e o voto secreto, assim como aqueles que os usam como escudo, os vândalos e os políticos. Dois seres tão antagônicos e ao mesmo tempo tão parecidos, tão próximos em sua "maneira de ver o mundo".

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...