Quero conversar, expor, externar, bater um papo, levar um lero, trocar uma ideia. Com quem? Com você, com ninguém, com o divino, com o profano, com o justo, com o injusto, com o tudo e com o nada, comigo mesmo. Como? Com palavras, com imagens, com sons, com silêncios, com conhecimento, com ignorância, com paixão ou neutralidade, com amor ou ódio, com alegria ou tristeza, como eu quiser ou puder. Quando? Talvez agora, ou daqui a pouco, ou nunca, ou sempre. Sobre o quê? Sobre nada... ou TUDO!
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terça-feira, fevereiro 21, 2017
sábado, janeiro 31, 2015
Crise hídrica
A capacidade de criar expressões bonitas e rebuscadas para
falar de coisas simples (e por vezes feias, tristes e preocupantes) parece não
ter fim.
A seca, temperada com a falta de estrutura, de planejamento
e maus hábitos, virou crise hídrica.
Talvez não saibam, mas existe uma dessas expressões para o
desmatamento: supressão vegetal.
Tanto a supressão vegetal como a crise hídrica são “fenômenos”
que ocorrem e são praticados há muito tempo no Brasil.
Toda essa polêmica envolvendo o racionamento de água só é
polêmica pois agora atinge determinado setor da sociedade, determinadas
regiões.
Racionamento de água ocorre em Mesquita, cidade da Baixada
Fluminense no Estado do Rio de Janeiro, há décadas. Assim como o racionamento
de energia elétrica. São racionamentos forçados, pela falta de estrutura
histórica daquela região.
Raramente foi noticiado. Protestos e reclamações ocorreram,
claro. Mas ninguém ateou fogo ou queimou ônibus. Dificuldades com falta de
civilidade são fatais. Mesquita sobreviveu e sobrevive. Hoje com problemas
velhos e novos. Mas está lá. Mesquita é apenas um de muitos exemplos de racionamento de água e luz (e boa gestão).
Água é algo muito valioso e importante e vital para ser
tratado com a irresponsabilidade que nossos gestores têm demonstrado. Não
apenas irresponsabilidade, mas falta de bom senso, falta de escrúpulos, falta
de coragem. Sobram a má fé e a ignorância. Tentam mascaram o interesse político
por trás de suas declarações.
Infelizmente esses canalhas são presenteados com uma chuva
de votos a cada 2 anos. E florescem, e brotam e se desenvolvem e se alastram
pela sociedade.
quarta-feira, agosto 20, 2014
Para ela, qualquer um serve
Em tempos de eleição, quando muitos estão refletindo e
analisando em quem votar, seja para presidente, seja para governador ou
deputado na esfera estadual e federal, algumas coisas nos (me) fazem refletir.
Estava eu hoje na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio,
aguardando o ônibus para o retorno ao lar após mais um dia de trabalho. Eu e
muitas pessoas. Com a implantação dos corredores exclusivos para ônibus,
chamados BRS, em algumas regiões, com ali no Centro, existem pontos específicos
para cada grupo de ônibus. Eu utilizo o BRS1 e, por isso, estava ali aguardando
ônibus desse grupo.
Havia uma senhora que possivelmente não estava acostumada
com essa reestruturação na logística do transporte público do Rio. Seu destino:
Copacabana. São vários os ônibus que a atenderiam. Porém, vale lembrar que Copacabana
é uma região onde também foi implantado o sistema BRS. Logo, pontos certos de
parada.
Ela abordou um desses veículos e perguntou ao motorista se
ele “poderia parar” na esquina de determinada rua onde, ficou claro, não era
ponto de ônibus, muito menos ponto daquele BRS. O motorista explicou esse “detalhe”
e informou que o ponto não ficava longe de onde ela queria saltar.
Ela recusou e preferiu tentar conseguir o “favor” de outro. Alguém
que talvez estivesse em companhia dela, argumentou a razão da recusa. Ao que
ela respondeu: “Esse não presta, só para no ponto”.
A declaração pode parecer simples. E talvez até seja. Mas
nada tem de inocente quando “transportamos” isso para questões diversas da vida em
sociedade. Principalmente, como relatei no início, nas questões eleitorais.
Explico melhor com uma analogia que se formou em minha mente
conturbada quase que automaticamente.
Para o Governo do Estado do Rio de Janeiro concorrem
políticos que deixaram marcas de inépcia, má administração, uso indevido do
cargo público dentre outras cicatrizes nas áreas pelas quais infelizmente
estiveram. Muitos, como eu, ficam na dúvida não sobre qual é a melhor opção,
mas qual é a menos danosa. Eu, sinceramente, considero que todos estão bem
nivelados no quesito incompetência.
Para aquela senhora, no entanto, qualquer uma das opções serve. Não fará
diferença. Todos a deixarão fora do ponto, como ela tão deseja.
domingo, novembro 04, 2012
A lei de acesso e a alternância no poder
Terminou o segundo turno das eleições municipais. Em 2013, os
mais de 5000 municípios brasileiros terão novos prefeitos e novos vereadores.
Novos? Bem, em sua maioria, creio eu, dadas as muitas reeleições.
Finda a apuração, duas das muitas entrevistas com os
recém-eleitos chamaram minha atenção. Numa delas, o candidato eleito disse que
faria uma auditoria na cidade para descobrir o atual estado, digamos, das
contas da prefeitura. Em outra, essa não de candidato eleito, o entrevistado
(um ex-secretário de Saúde) comentou algo bastante relevante sobre a
dificuldade de se manter uma política de saúde na cidade com uma rotatividade
tão grande dos gestores da saúde pública. Essa segunda entrevista, assim como a
primeira, no contexto das eleições e da eventual troca de prefeitos e
vereadores.
Em ambos os casos a Lei 12.527 de 18 de Novembro de 2011 pode
ser o remédio.
Não havendo preguiça política dos que pleiteiam os cargos de
prefeito ou vereador – sejam eles da oposição ou da situação – e com boa
vontade desses e de seus partidos para elaborarem um plano de governo (ao invés
de se concentrarem apenas em caras – e sujas – campanhas políticas e em seus
planos de poder) e com a observância do que rege a citada Lei que regula o
Acesso a informações previsto na constituição, a alternância não será empecilho
para um bom governo.
Fala-se em “descobrir” como estão as contas públicas como se
a legislação não obrigasse os gestores a publicizar seus atos. Todos temos
direito de conhecer quanto, como, quando, onde, estão sendo aplicados os
recursos públicos. E as prefeituras têm o dever de prover o acesso a tais
informações.
Se temos informações, se temos conhecimento, podemos
fiscalizar, auditar em tempo real e, no caso do pleito ao cargo, planejar.
Você compraria uma casa sem antes procurar saber se existe
algum débito imobiliário ou impedimento judicial? Parece que, na primeira
entrevista, o candidato eleito se preocupará com isso após entrar no imóvel.
E, no caso específico de política pública voltada para a saúde,
creio aplicar-se o mesmo princípio. Conhecendo, planeja-se. E, para que
conheçamos, é preciso que tenhamos informações. E para que tenhamos as
informações, os gestores devem obedecer a lei, e nós (e os elegíveis) devemos
cobrar que a lei seja cumprida.
sábado, outubro 30, 2010
Eleições 2010
Está quase no fim. No domingo à noite já teremos escolhido os traseiros que ocuparão a cadeira da presidência durante os próximos quatro anos. O plural é proposital, pois sabemos que é sempre um grupo que vai ao poder.
Evitei (e evito) entrar nas discussões que ocorrem nos lugares e momentos mais inadequados sobre quem seria melhor ou pior para o Brasil. Seja no trabalho, algumas vezes de forma desrespeitosa; seja durante um jantar na casa de amigos; nos infindáveis e-mails que desafiam os recursos anti-spam e filtro (nunca os usei tanto); seja nas redes sociais com uma quase imposição a leituras das mais diversas que “comprovariam”, com a mesma paixão, as falcatruas de um ou de outro candidato; até mesmo em festa de criança...
De qualquer forma, por mais que me incomode a maneira e principalmente os lugares e momentos nos quais esse tipo de discussão é levantado, é ótimo saber que podemos discutir, que podemos nos posicionar. Essa tal liberdade também ajuda a descobrirmos até que ponto nossa liberdade incomoda. É curioso. Ás vezes penso que meu silêncio incomoda tanto, ou mais, que o barulho de outros. Liberdade de expressão, de escolha, de posicionamento político, filosófico, religioso, intelectual... liberdade! Mas creio que existe momentos e lugares para exercermos esse direito básico, sob o risco de desrespeitar o direito do próximo.
Recentemente uma amiga que trabalha num sindicato me ligou e num determinado momento o rumo da conversa foi (ela direcionou) para a questão eleitoral. O simples fato de não ter me posicionado a favor de um dos lados (nem do outro) bastou para que ela se espantasse. Foi muito engraçado. Ela praticamente me ameaçou com “um monte” de e-mails, com certeza com o mesmo conteúdo daqueles que citei no início e que venho ora bloqueando, ora filtrando e sempre deletando.
Creio que seja comum, numa relação de amizade, esperarmos pensamentos similares. Mas aprendi que a visão de mundo (o posicionamento político, filosófico, etc.), mesmo de um amigo, por mais íntimo que seja, é sempre carregado de subjetividade, de influências ao longo da vida, de experiências. E, bem, minhas influências e experiências foram diferentes das de minha amiga. E com certeza nossa amizade não é posta à prova a cada quatro anos.
O fato é que na próxima semana os assuntos mudam... um pouco. As discussões seguirão outro rumo. Provavelmente o futuro. Os próximos quatro anos. Mas quatro anos de construção. Será uma sequência, independente de qual grupo assuma, pois o que somos hoje começou ontem, assim como o que fomos ontem começou bem antes.
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