segunda-feira, outubro 20, 2008

A ausência ameaça a PAZ

“Primeiramente lhe desejo paz...”. Assim começo um texto escrito há alguns anos e que teve sua versão final publicada aqui no blog por ocasião do momento mais difícil e mais triste que já vivi.

Esse momento ocorreu há exatamente um ano, um dia para se esquecer, mas que se torna inesquecível. A violência, que na maioria das vezes nos chega através dos noticiários, como cenas de um filme hollywoodiano (pelas conversas e opiniões que ouço, dá impressão que as pessoas – me incluo aqui – começam a “tratar” dessas questões como ficção) vitimou um ente querido, atingindo, pois, toda minha família. Trágico, triste, absurdo, inesperado, bruto, desumano... violento.

Hoje um colega de trabalho comentou de forma natural (pelo menos assim soou): “mataram o Arthur Sendas”. Assassinato, tiro na cabeça, 20 de Outubro. Três coincidências. A tristeza da família, bem entendo. A violência, é algo difícil de entender. A não ser como um tipo de ausência, como já comentei aqui no blog, num contexto de certa forma diferente, mas parecido. A ausência de que falo é de bondade, de amor, de clareza, de consciência, de inteligência. Ausência de humanidade, de racionalidade, de fraternidade, de respeito pelo outro... Ausências que presenciamos, vivenciamos e participamos cotidianamente. Paradoxalmente, o que está presente em nossas vidas é essa ausência que nos tira entes queridos, pessoas amadas que continuaram presentes, embora ausentes.

Dia 20 de Outubro, um dia marcado (para mim e para tantos outros, infelizmente) como um dia de violência, de tristeza, de ausência. Neste dia, assim como ou até mais que em outros, peço PAZ.

PAZ hoje ameaçada por esse terrível tipo de ausência. Neste dia peço, rogo, rezo e imploro que estejam mais presentes, em cada um de nós (seres humanos), os sentimentos, as atitudes e os pensamentos de bondade... de serenidade... de fraternidade... de luz... de amizade... de amor... de respeito... de racionalidade... de PAZ... de humanidade afinal.


domingo, outubro 19, 2008

Edifício D. João, um dos símbolos do abandono

Outro dia estava eu aguardando a van na Praça Mauá e olhando para um edifício antigo e muito bonito que ali fica. Há tempos admiro o prédio, tanto por sua beleza como por seu estado de degradação e abandono. Não pude deixar de pensar que combinava com o entorno, a praça abandonada e servindo de moradia para muitos que ali fazem suas necessidades, acendem fogueiras, dormem e estendem suas roupas para secar; é também palco de prostitutas, exploradores, marginais, bêbados e camelôs do pior tipo (furtam energia elétrica, jogam e queimam lixo no mesmo espaço que ocupam irregularmente).
Tudo isso sob o olhar do Estado que ali se faz presente de várias formas (temos o prédio das Polícias Civil e Federal, e rondas de Guardas Municipais e da Polícia Miliar). Além disso temos o Porto onde desembarcam passageiros dos grandes transatlânticos com turistas que recebem tais imagens (e o cheiro e a insegurança) ao chegarem à Cidade Maravilhosa. Claro, há outros que parecem vir visitar o ambiente de degradação e prostituição. Temos também o Centro Financeiro do Rio de Janeiro, com edifícios imponentes como o RB1 abrigando empresas do mais alto porte.

Em suma, sobram razões para que o Estado (Prefeitura, Governo Estadual e Federal) e outras instituições e pessoas descruzem os braços e se importem mais com essa área de tão grande valor e tão pouco valorizada.

Área esta que abriga o Edifício Príncipe D. João, que já foi motivo de manifestação em prol de sua recuperação e até agora nada. Leiam a matéria "Edifício Príncipe Dom João: um patrimônio ameaçado" na edição de Setembro/2007 da Revista Papel do Guia (página 12).




terça-feira, outubro 14, 2008

Alguma coisa está fora da ordem

Mais especificamente no processo eleitoral que estamos vivendo no Rio de Janeiro. Um presidente da República posando ao lado de candidatos já é algo complicado de aceitar. A razão é simples: falta de isenção na relação entre as esferas da administração pública. Neste caso, a Federal e a Municipal (e Estadual também). Mas a forma como essa relação íntima está se revelando na campanha do candidato Eduardo Paes parece passar dos limites do aceitável. Esqueçam a isenção. Ética, moral... duvidem. Legalidade? É, para alguns a coisa é legal, maneira, bacana. Nada haver com o sentido jurídico da palavra. A campanha mostra o Luiz da Silva ao lado do governador que mostrou a que veio e do candidato á prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. A mensagem: quem está com o presidente está bem na fita, receberá apoio, os projetos se concretizarão mais facilmente; já quem está contra....

Nojento, repugnante, inacreditável, criminoso. Digamos que o candidato que oxalá ganhe seja o Gabeira. Então os recursos federais aos quais a cidade tem direito e necessidade não virão? É isso Luiz da Silva? Você está querendo dizer que quem não lê na sua cartilha será punido?

Uma vitória do Eduardo Paes no segundo turno não espelhará a escolha de alguém competente para ocupação do cargo. Será a consagração do preconceito reinante somado à ignorância (no sentido amplo da palavra) que vem sendo cultivada há muito tempo em nossa querida terra e da qual a maioria é vítima inconsciente.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Faz tempo...

Há muito tempo não escrevo. Penso que tenha sido o maior “hiato” desde a criação do Trocando Uma Idéia Sobre Tudo. Não existe uma razão ou motivo específico. Talvez certo cansaço após a conclusão da monografia. Talvez o cansaço físico e psicológico da nova jornada iniciada em Maio, mas que começou de fato há dois meses e que parece estar em seu ápice. Talvez um desânimo com acontecimentos e notícias. O fato é que continuo aqui. As reflexões, as críticas, os desabafos, as alegrias, a poesia, a música e Tudo o mais continuam, embora nem sempre externados em palavras a serem compartilhadas nesta ferramenta.

E, para ir com calma neste reinicio, farei uso de uma estratégia que já usei aqui: tópicos ou itens sobre assuntos diversos que gostaria de escrever. Mesmo que sejam poucas as palavras, servirá para aliviar esta mente atordoada!

Convido-os a leitura… E aos comentários
1) Um passo dado, um ciclo quebrado

Quando ingressei na Universidade tinha consciência de que era protagonista de uma história inédita no âmbito familiar. E esse protagonismo é acompanhado de sentimento de esperança, de admiração, de expectativa, e também me coloca numa posição de exemplo a ser seguido. Um peso, que foi, é e será carregado com orgulho. E também uma responsabilidade.

Foram quatro anos de estudos, de novidades, com alegrias e algumas frustrações. Algumas amizades, muito coleguismo. O alicerce intelectual, que nasceu desgastado pelo fraco ensino formal de base, nos moldes da educação oficial do Estado (aquela que prega a ignorância, a desinformação, para continuar dominando), por vezes vacilou. Mas consegui, até de forma proveitosa e por vezes com destaque positivo, dar mais esse passo. E no dia 18 de Setembro de 2008, numa cerimônia simples e, pelo significado, grandiosa, colei grau, recebendo o título de Bacharel em Arquivologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

Nesta data eu quebrei um ciclo, sendo o primeiro (de muitos, espero) em minha família a iniciar e concluir um curso de nível superior.
2) A monografia

Meu projeto de monografia inicial foi considerado, com muita propriedade, inexeqüível (apesar de uma ótima nota). Isso considerando não apenas o prazo, mas também o que demandaria de trabalho de campo e atenção de pessoas e órgãos nem sempre prestativos. Baseava-se numa pesquisa e análise do pensar e fazer arquivístico como ferramenta importante no exercício da democracia e desenvolvimento local. A região foco do estudo: Mesquita, cidade na qual me criei. Uma vez que meus pés foram trazidos de volta ao contato do solo, pelos conselhos e observações de alguém que aprendi a respeitar e a quem tenho muito a agradecer, Anna Carla (diretora da Escola de Arquivologia), pude ficar mais tranqüilo. Mais ainda quando ouvi algo que pensava (e só pensava), na forma de uma dica: falar sobre a empresa na qual trabalho. Com isso, o projeto por hora engavetado, foi substituído. O tema ficou sendo o setor de Segurança, Meio-ambiente e Saúde (SMS) da Petrobras Transportes S/A. Um estudo de caso à luz da Arquivologia. Quando sair o registro do trabalho, pretendo publicá-lo (todo ou em parte) aqui no blog.

Foi um trabalho interessante de escrever, onde pude aprender bastante. E consigo vislumbrar aplicabilidade, apesar de não se constituir num instrumento propriamente dito, talvez sirva para conscientizar (a força de trabalho, aqueles que decidem, etc.)
3) Eleições: minhas percepções

O exercício da cidadania, o acontecimento característico da democracia, se deu num ambiente poluído por aproveitadores, imbecis, inescrupulosos que consideram a totalidade da população como massa de manobra. O que se viu nas ruas e na televisão foi algo asqueroso, de dar nojo. A começar pelo presidente da República em campanha apoiando o atual prefeito de Duque de Caxias (que, aliás, teve o que merece nas urnas e deverá desocupar o cargo esse ano). Luiz da Silva, ao lado do prefeito daquela cidade, apresentou um novo hospital como se fosse um presente para o povo. Caramba! O que está acontecendo afinal? Em breve, os motoristas que pararem no sinal vermelho serão aplaudidos, uma vez que, embora estejam fazendo o que devem, será algo raro. É como presentear uma criança por esta passar de ano. O Hospital não é um favor ou presente. É nada mais que a obrigação do prefeito, zelar pela saúde da população. População essa que paga seus impostos e espera o mínimo. E numa cidade com um dos maiores PIBs do país (graças à mãe Petrobras).

Outra coisa são os apelidos esdrúxulos cada vez mais recorrentes nas eleições. Parecem fazer troça dos eleitores e do próprio pleito. Fulano da padaria, beltrano da farmácia, sicrano de alguma outra loja. Pensei que fosse algo somente do Estado Rio, no caso das eleições para prefeito, mas uma simples consulta no portal da Justiça Eleitoral mostra que esse triste fenômeno ocorre em todo o país.

A poluição completa o quadro vergonhoso. Parece que a cada ano o volume de lixo cresce nas eleições. Panfletos, santinhos, outdoor, carros de som. Apesar de ter visto esse tipo de sujeira em outras votações, fiquei assustado com o que vi.

E com o que ouvi também. Principalmente a demonstração da alienação da juventude, o que assusta ainda mais. Explico e conto. Estava eu voltando de Mesquita, de ônibus. Uma menina sentou no banco de traz e, como bem que poderia deixar de ser, sacou seu comunicador. O bate-papo com o interlocutor, que esses ouvidos captaram, foi sobre a eleição e, me presenteou com algumas pérolas pavorosas, tais como: “peguei um papelzinho no chão e resolvi dar uma moral pro cara”, “O nome? Ah, nem lembro!”. Pela conversar, era a primeira vez que a cidadã ia às urnas. Pensei comigo: haverá futuro? Qual?

Mas algo positivo ocorre. Minha irmãzinha de catorze parece estar consciente da importância da ocasião e das responsabilidades não só de quem vota, mas de quem é eleito. Outro ponto positivo foi a condução de Fernando Gabeira ao segundo turno na cidade do Rio de Janeiro. Espero que o futuro seja assim, com boas possibilidades.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...