sábado, maio 19, 2012

Dia de TUDO


A presidência da República talvez um dia resuma a coisa toda numa simples lei, do tipo:

A PRESIDENTA, ou A PRESIDENTE (ou O PRESIDENTE) DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
Artigo 1º - Fica instituído o Dia Nacional de TUDO a ser comemorado, anualmente, entre os dias 1º de janeiro e 31 de dezembro, em todo o território nacional. 
Artigo 2º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Passa despercebido para a maioria da população, mas o número de leis sancionadas ao longo de uma semana muitas vezes impressiona. Eu assino o informe do Planalto e até me acostumei. Quase todos os dias recebo a resenha com leis recentemente sancionadas.

Esta semana eu fiquei surpreso com a quantidade de datas comemorativas. Algumas eu ainda tento entender, como o Dia Nacional do Quilo. Fico me perguntando quanto tempo foi gasto na discussão, no planejamento, na burocracia envolvendo a criação de uma nova lei. E, considerando que tempo é dinheiro que, nesse caso, é público... bem, conheçamos as leis.


14 de maio de 2012

Lei nº 12.631, de 11.5.2012 - Institui o Dia Nacional das Hemoglobinopatias.
Lei nº 12.630, de 11.5.2012 - Institui o Dia Nacional do Reggae.
Lei nº 12.629, de 11.5.2012 - Institui o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose.
Lei nº 12.628, de 11.5.2012 - Institui o Dia Nacional do Paisagista, a ser comemorado em 4 de outubro.
Lei nº 12.627, de 11.5.2012 - Institui o Dia Nacional dos Portadores de Vitiligo.

15 de maio de 2012

Lei nº 12.638, de 14.5.2012 - Institui o Dia Nacional do Jogo Limpo e de Combate ao Doping nos Esportes.
Lei nº 12.637, de 14.5.2012 - Institui o dia 18 de setembro como Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma.
Lei nº 12.636, de 14.5.2012 - Institui o Dia Nacional da Advocacia Pública.
Lei nº 12.635, de 14.5.2012 - Institui o Dia Nacional do Suinocultor.
Lei nº 12.634, de 14.5.2012 - Institui o Dia Nacional do Artesão.
Lei nº 12.633, de 14.5.2012 - Institui o Dia Nacional da Educação Ambiental.
Lei nº 12.632, de 14.5.2012 - Institui o Dia Nacional do Ouvidor.

16 de maio de 2012
Lei nº 12.643, de 15.5.2012 - Institui o Dia Nacional da Silvicultura.
Lei nº 12.642, de 15.5.2012 - Institui o dia 3 de novembro como o Dia Nacional do Quilo.
Lei nº 12.641, de 15.5.2012 - Institui o dia 12 de agosto como o Dia Nacional dos Direitos Humanos.
Lei nº 12.640, de 15.5.2012 - Institui o Dia Nacional do Securitário.
Lei nº 12.639, de 15.5.2012 - Institui o dia 23 de fevereiro como o Dia Nacional do Movimento Municipalista Brasileiro.

17 de maio de 2012
Lei nº 12.647, de 16.5.2012  - Institui o Dia Nacional de Valorização da Família.
Lei nº 12.646, de 16.5.2012  - Institui o Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas.
Lei nº 12.645, de 16.5.2012 - Institui o Dia Nacional de Segurança e de Saúde nas Escolas.
Lei nº 12.644, de 16.5.2012 - Institui o Dia Nacional da Umbanda.

domingo, abril 22, 2012

Lei 12.007 de 2009


Embora já a tenha abordado aqui no TUIST duas vezes (primeiro aqui, depois aqui), creio ser importante lembrar mais uma vez dela.

A Lei 12.007 de 2009 "dispõe sobre a emissão de declaração de quitação anual de débitos pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços públicos ou privados".

Veja em sua conta de luz, por exemplo. Lá deverá constar tal declaração. Com isso, deixa de ser necessário acumular tantas contas pagas durante tanto tempo.

Questões sem resposta


Por que as pessoas fumam sem se preocupar (respeitar) quem está ao lado? Tenho um vizinho que fuma na janela (é daquelas bárbaros que jogam cigarro aceso sem se preocupar se atingirá alguém). Boa parte da fumaça entra aqui em casa, no quarto e na sala. O bom senso inexiste. A preocupação com a saúde (dele e dos outros) idem.

O que se passa pela mente (perturbada) de um ser que mantêm – sem trocadilhos – passarinho preso na gaiola? E ainda se refere ao prisioneiro como animal de estimação! Não gostaria que alguém me estimasse assim. Existe um prédio próximo com apartamentos de 600 metros quadrados. Bem, uma pessoa que mora num apartamento desse, além de ter condições financeiras, deve “estimar” espaço, liberdade... Com certeza não gostaria de estar na mesma situação do animal que mantém numa gaiola e diz estimar.

Por que as pessoas jogam lixo no chão? A valorização do espaço deveria, penso eu, estar associada com a conservação e o respeito por tal espaço. O que vejo nas ruas é o total, o absoluto, desrespeito e desprezo pelo espaço público. Se extrapolarmos isso, fazendo uma analogia com os recursos públicos (assim como o espaço, tais recursos são seus, meus, nossos), vemos que tais pessoas fazem o mesmo que os políticos que essas mesmas pessoas tanto criticam (e que por sinal os elegeram). Logo, as pessoas que jogam lixo na rua deveriam perder o direito de reclamar.

Por que as pessoas deixaram de responder aos “bons dias”, “boas tardes” e “boas noites”? O que se perdeu? A educação? A humanidade? A gentileza? Se tais características definem ou fazem parte da definição do que é “ser humano”, então nos tornamos uma espécie ameaçada... por nós mesmos.









sexta-feira, abril 13, 2012

6228 em 10 minutos

Os que me conhecem sabem que, embora graduado em fins 2008 e sem ter exercido de fato a profissão de arquivista, sempre procurei me manter informado e inteirado. Durante esses anos pós-diploma, leio, escrevo (embora sem o rigor acadêmico) e estou sempre lançando um olhar crítico sobre a prática arquivística à minha volta. Ou, infelizmente mais comum, a ausência da boa prática arquivística.

Uma das questões que me incomodam há alguns anos é a inserção nas empresas e instituições do profissional arquivista, aquele que estudou para tanto e cuja atuação é respaldada por lei federal que prevê atribuições da competência desde profissional.

Sou aprovado em dois concursos públicos da esfera federal. A aprovação foi na época de minha graduação. Ambos os concursos tiveram sua validade renovada conforme previsto. Porém, embora um deles já tenha convocado cerca de 7 aprovados (sou o 10º!) o outro ainda não convocou nenhum dos aprovados.

Infelizmente, ambos estão respaldados pela abominável prática do cadastro de reserva. Cadastro que, é notório, parece ser esquecido na maioria dos casos.

Outros órgãos e empresas públicas igualmente parecem ignorar a existência do Arquivista. Seja por não contratarem, via concurso público (embora com postos terceirizados), seja por reconhecerem o Arquivista apenas no Edital com validade definida.

Vejo também que muitas empresas possuem em seu quadro de funcionários profissionais com funções e atribuições destinadas aos arquivistas (mais uma vez, considerando legislação federal e currículo universitário). Bibliotecários, administradores, profissionais de informática, dentre muitos outros. Não desmereço tais profissionais e suas respectivas capacidades de atuação. Mas lamento, sim, que o Arquivista continue sendo preterido.

Com o crescimento do volume e demanda (de uso e gestão) de informação arquivística, a ausência de profissional qualificado nas empresas e instituições constitui um erro estratégico e de planejamento, uma falha administrativa e, em última instância, um crime. Instaura-se um caos informacional nas empresas e multiplicam-se as iniciativas de soluções paliativas, aventureiras, sem embasamento técnico-científico, descompromissadas com questões básicas na arquivologia, tais como a preservação, o usuário e o uso da informação.

Já nos tempos de graduação, comentava-se a necessidade de um conselho. Surgem associações, a federação, sindicato... mas o conselho continua inexistente. Essa questão do conselho me despertou o interesse recentemente, confesso, quando uma amiga expôs situação similar que ocorre no cargo dela. Da área de informática, ela vê editais listando cargos dos mais diversos relacionados com funções específicas de sua formação.

Uma das propostas e moções resultantes da I Conferência Nacional de Arquivos – CNARQ foi o apoio a criação de um Conselho Federal de Arquivologia. Não sei o quanto um conselho irá ajudar, se não focarmos na formação continuada e qualificação do profissional arquivistas. Mas creio ser importante.

Numa busca na Internet, me deparei com uma informação numa das associações existentes. A mais antiga. Na sessão de perguntas e resposta, havia (ainda está lá) uma referência ao Projeto de Lei nº 5.613 de 2001 que estaria em tramitação na Câmara dos Deputados. Bem, eis uma informação desatualizada (não sei quando tal informação foi publicada), pois no site da Câmara é possível verificar que tal projeto foi arquivado em 2003.

A pesquisa também retornou algo que me interessou bastante. Trata-se da Campanha “ARQUIVISTA LEGAL” do Sindicado Nacional dos Arquivistas e Técnicos de Arquivos.

O relatório que rejeita o projeto de lei 5.613 cita a questão do número de profissionais atuantes na área. Conhecer quem atua e quantos atuam, eis algo importante na valorização da categoria. Logo, a campanha propõe algo simples: o registro dos profissionais.

Diz o artigo quarto da lei (6.546/78) que regulamenta as profissões de Arquivista e de Técnico de Arquivo

O exercício das profissões de Arquivista e de Técnico de Arquivo, depende de registro na Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho.

Aderi a campanha e peço, aconselho, indico, conclamo a todos os colegas já formados e os que ainda estão se graduando a fazer o mesmo.

Compareci hoje ao Ministério do Trabalho (no Rio de Janeiro - Avenida Presidente Antônio Carlos, 251, térreo, Centro) no setor de registros profissionais. Originais e cópias do Diploma, do CPF, da identidade, e da Carteira de Trabalho. Em aproximadamente 10 minutos meu registro profissional foi concedido. Sem filas. Simples assim. Arquivista, registro 6228.

segunda-feira, março 19, 2012

A Corrupção não é fantástica. É real

A reportagem exibida em 18 de Março de 2012 causa revolta, indignação, espanto e incredulidade em alguns. O que tivemos ali foi um retrato da atual situação da gestão dos recursos públicos. O absurdo merece ser revisto, analisado, criticado e combatido. Só de pensar que alguns de nossos representantes trabalham (sendo pagos com nosso dinheiro) para que a imprensa não seja livre...

 

sexta-feira, janeiro 20, 2012

A Foice, o Martelo e o Swoosh

De uma das janelas da empresa onde trabalho é possível ver a Igreja da Candelária, no Centro do Rio. A parte de traz da igreja, próximo à Avenida Rio Branco, é palco de diversas manifestações de todo o tipo.

Ali naquela calçada, onde tantas pessoas se reúnem, uma pichação já gasta pelo tempo, pela chuva, pelos pés de quem ali passa, chama minha atenção. E sempre me faz refletir sobre a posição “política” de algumas pessoas (e a minha também) e os atos e posturas dessas mesmas pessoas (me incluo).

Morte ao capital

Capital aí entendido como patrimônio, riqueza, bem econômico. O mesmo capital usado para produção e aquisição da tinta usada naquela inscrição. O mesmo capital utilizado para custear o deslocamento do autor da inscrição de sua casa até aquele local, para comprar sua roupa, seu calçado, talvez seu relógio, celular… A lista parece infinda.

Há poucos dias caminhava na praia quando notei a tatuagem num rapaz que. Tatuagem grande, no braço. Era uma foice e um martelo cruzados. O símbolo do comunismo gravado na pele contrastava com as “roupas de marca” e a sandália havaiana.

Prestem atenção nos detalhes, nas características dos participantes das manifestações com viés dito comunista. Lembro de uma expressão engraçada: “meio-intelectual, meio-esquerda”.

Quase 10 anos depois de terminar o ensino médio (então segundo grau), o caminho que encontrei para ingressar na universidade foi me preparar (pois podia pagar) num pré-vestibular. Algo que marcou esse período de quase um ano de estudos foram as aulas das disciplinas de ciências humanas. Destaco história e geografia.

Eu era um dos mais velhos na sala, na mesma faixa-etária dos professores. Procurei tirar proveito daqueles momentos, me atentando para o que realmente me interessava, isto é, me preparar para as provas. Mas não deixo de me lembrar do lado negativo, até pernicioso. As aulas de história e, principalmente, de geografia, eram completamente doutrinárias e com viés esquerdista bem agressivo. O deslumbre exercido por aquelas “aulas” leva muitos a escolherem, ali, cursar aquelas disciplinas. Parecia uma igreja.

Já na faculdade, mais situações, digamos, interessantes, envolvendo essas mesmas figuras que querem igualdade mas se consideram diferentes, especiais. Desprezam o capital, mas não dispensam a cerveja e outras bebidas fabricadas por grandes empresas com presença mundial. Idolatram Cuba, mas não viveriam naquela realidade, a não ser por razões “acadêmicas”, devidamente financiadas e por período determinado.

Figuras que só conseguem “encarar” uma foice e um machado assim, numa tatuagem, numa imagem, num imaginário, numa indumentária. Assim como carregam, financiam e promovem outros símbolos bacanas, legais, da moda... como a Swoosh. Arrisco dizer que entendem mais desse último.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...