sábado, setembro 24, 2011

Impermanências, mentiras, corrupções e silêncios


O crime de arquivo

Os distintos cavalheiros que, eleitos por nós, hoje ocupam a Câmara e o Senado, parecem que não vêem limite para seus atos de corrupção. E de descaso, de abuso, de desleixo, de escárnio para conosco.

Hoje mais uma nota tímida em jornal online me chamou atenção. Falava sobre a aprovação de projetos em tempo recorde pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Foram “118 projetos em três minutos com a presença de apenas um deputado, Luiz Couto (PT-PB), além do parlamentar que presidiu o trabalho, Cesar Colnago (PSDB-ES)” conforme matéria do O Globo.

Para os desavisados pode parecer uma prova da eficiência parlamentar. Mas de eficientes sabemos que eles nada têm. Ou melhor, o fato de chegarem lá talvez configure prova de eficiência em enrolar os eleitores. E o fato de lá permanecerem, fazendo o que fazem, talvez demonstre que são competentes em esconder suas maracutaias, quando não as fazendo parecer algo aceitável, parte do jogo político, intriga de opositores, et cetera e tal.

São bandidos em sua maioria. Criminosos da pior estirpe, uma vez que seus atos afetam, de forma direta ou indireta, quase 200 milhões de pessoas. Corrupção é, pois, crime dos mais hediondos que se pode imaginar.

Se já não bastasse o fato em si, eis que me deparo com outra constatação. Esta feita pelo jornalista Josias de Souza em seu blog.

Segundo o jornalista, a Ata da Câmara mente sobre a presença dos deputados na reunião da CCJ. Leia aqui.

E essa mentira está registrada e acessível. É um registro de uma ação, de um ato, do Poder Legislativo. É informação pública!

Ata é um documento “que registra resumidamente e com clareza as ocorrências, deliberações, resoluções e decisões de reuniões ou assembléias. Deve ser redigida de maneira que não seja possível qualquer modificação posterior.

Ata é também um documento de guarda permanente, segundo rege o Código de Classificação e Tabela de Temporalidade e Destinação de Documentos relativos às Atividades-Meio da Administração Pública, que consta da Resolução14 do CONARQ (Conselho Nacional de Arquivos).

É o poder público descumprindo seu dever. Ignorando o que manda o artigo 1° da Lei 8.159.

Se a opacidade informacional configura um empecilho no desenvolvimento de um país que se queira democrático, o silêncio [dos profissionais da informação] diante de crimes de arquivo como esse é, no mínimo, vergonhoso.

quarta-feira, setembro 14, 2011

Informação é preciso


Desvio-Roubo

Um dos destaques nos noticiários dessa noite é a “saída” de mais um ministro. Parece que a fila está andando.  Já é o quinto e, se mexer bem nesse antro, muitos outros bichos poderão sair.

Fico intrigado e até incomodado com tratamento dispensado a esses sujeitos.  O grande crime de que é suspeito (sic) é o desvio de verba pública. Suspeito?! Isso indica que não existe controle sobre a verba pública, sobre os gastos públicos. Se houvesse o mínimo de controle, essa suspeição se tornaria uma insuspeição, uma certeza. E é disso que precisamos. Precisamos saber, com certeza, sem margem para dúvidas, com exatidão, o que está sendo feito com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

Outra coisa é com relação à acusação. Considerando que houve mesmo o “desvio”. Acho que devemos tratar tais criminosos como o que realmente são: bandidos! Para que fique claro para todos, para que percebamos o que realmente se passa e como isso nos afeta, é bom ser claro e direto e verdadeiro. Ele está sendo acusado de roubar dinheiro público para custear seus luxos (governanta, motorista para esposa e sabe-se lá quais outras “vantagens” ministeriais).

Se um marginal bate sua carteira ou rouba seu carro ou sua casa não dizemos que “fulano está desviando seu dinheiro para uso próprio” ou que “beltrano está desviando seus bens para uso próprio”. Então não vamos poupar os “Excelentíssimos”.

Ainda nesse caso… Não acho que esse e outros do tipo sejam casos para CPI. É caso de polícia! Se um bandido rouba o Banco Central a polícia cuida do caso. Por que atribuir aos Deputados e Senadores (muitos, sabemos, despreparados para o básico que seria nos representar, legislar) o papel de polícia?


A informação liberta… 

...E, aqueles que não nos querem libertos, lutam para que a informação seja algo restrita a poucos, lutam para que a verdade, a luz e a justiça que podem advir da informação continue vedada aos nossos olhos.

Tramita no senado a PLC – Projeto de Lei da Câmara – nº 41 de 2010, cujo apelido é “Lei Geral de Acesso à Informação”.  Há dois meses eu abordei o assunto aqui no TUIST, clique aqui para ler. 

Aos interessados (e o interesse é de todos, pois afeta a todos) vale acompanhar a tramitação, clicando aqui.

Assino o boletim e recebo as atualizações da tramitação. Hoje, por exemplo, li a proposta de emenda do Senador Blairo Maggi. Algumas das propostas do senador sinalizam para a manutenção do silêncio, para uma política de ignorância da maioria em prol dos interesses de alguns poucos.

Em uma das propostas, por exemplo, ele parece justifica que promover a divulgação de informações de interesse coletivo ou geral produzida por órgãos e entidades públicas independente de requerimentos (a tal TRANSPARÊNCIA) despenderia esforços de tempo, pessoal e dinheiro, sobrecarregando a máquina pública. Então, a Transparência não faz bem ao Estado?

Em outra proposta ele contesta os prazos máximos de restrição ao acesso à informação. Mais especificamente da informação classificada como ultrassecreta. Segundo o senador, a prorrogação dos documentos ultrassecretos deve se dar quantas vezes for necessário para garantir a segurança do Estado e da sociedade. Em outras palavras… o silêncio eterno. 

Ele também critica a supressão do nível “confidencial”, justificando que isso contraria a tradição brasileira nessa área. Eu cairia na gargalhada se essa posição do ilustre senador não fosse tão absurda.


domingo, setembro 11, 2011

Alguns versus muitos
Terrorismo, fanatismo, extremismo

Uma coisa leva a outra… uma coisa acaba em outra… é tudo a mesma coisa. É tudo burrice, idiotice, babaquice. É covardia. É estupidez. É falácia. É ignorância. É desumanidade. É crueldade.

Nada tem a ver com religião. E muito menos com a política que visa o bem comum. São interesses de alguns imbecis para alguns cretinos e que fazem milhares ou milhões de inocentes sofrerem. Fanatismo, terrorismo, extremismo… de alguns.

Os atentados que hoje completam 10 anos e vêm sendo memorados já há alguns dias não foram – como bradam as vozes da mídia e aceitam os ouvidos e mentes que teimam em ignorar– os maiores ou únicos da história.

Em Hiroshima e Nagasaki os mortos pelas bombas e, posteriormente, pela radiação, chegaram há aproximadamente 400.000. Soma-se a isso o trauma que permanece, assim como permaneceram os efeitos da radiação no organismo dos sobreviventes. O Projeto Manhattan não foi “desenhado” por 400.000 pessoas para matar 400.000! Foi uma estupidez de alguns covardes, lunáticos, extremistas que matou centenas de milhares de pessoas. Fanatismo, terrorismo, extremismo… de alguns.

Outro estúpido, um mostro que soube convencer e fazer valer sua monstruosidade, matou milhões de pessoas, entre Judeus, homossexuais, Testemunhas de Jeová, Ciganos, deficientes físicos e mentais, dissidentes políticos, negros… Milhões de seres humanos mortos por uma idéia na cabeça de alguns. Fanatismo, terrorismo, extremismo… de alguns.

Em 1994, em Ruanda, pode-se dizer que a máquina e o maquinário de matança aparecem novamente. Philip Gourevitch, autor do livro “Gostaríamos de informá-los de que amanhã seremos mortos com nossas famílias” faz uma comparação com o Holocausto dizendo que os “mortos em Ruanda se acumularam numa velocidade quase três vezes maior“.  Foram aproximadamente 800 mil mortos em 100 dias. Fanatismo, terrorismo, extremismo… de alguns.

Houve outros 11 de Setembro em outros tempos, em outros lugares, mas com os mesmos ingredientes malditos. Mas talvez o destaque que assume o que hoje completa 10 anos não se refira apenas ao fato de ter ocorrido “em solo americano”, na “maior economia do mundo”, no país que mais protagoniza (ou antagoniza) ações militares mundo a fora. Nova Iorque é uma das cidades mais multiculturais do mundo. Uma grande parte de sua população, de seus residentes, é formada por não-americanos. Dentre eles se encontram asiáticos, africanos, europeus, latino-americanos… Dentre eles se encontram ricos e pobres… Dentre eles se encontram judeus e árabes, católicos e protestantes, cristãos, muçulmanos, hindus, budistas… ateus, agnósticos… Toda essa gama de seres humanos foi atingida há 10 anos pelo fanatismo, pelo terrorismo, pelo extremismo… de alguns.

E esses alguns continuam agindo. Estejam eles no governo americano, e/ou nas grandes empresas que alimentam e se alimentam do poderio militar não apenas dos EUA. Sejam integrantes da Al Qaeda (ou de tantas outras organizações perniciosas) ou dos governos e organizações (igualmente perniciosos) que a apóiam de forma aberta ou não. Sejam os que deturpam o Islamismo, misturando convicções ideológicas com religião. Sejam aqueles que simplificam e caem na armadilha de confundir Islamismo com terrorismo. Sejam aqueles que se omitem e ignoram e insistem em ignorar. Ignorantes! Fanáticos! Extremistas! Terroristas com ou sem armas, com ou sem bombas! Terroristas ideológicos! Terroristas sociais! Extremistas da ignorância! Fanáticos da estupidez, do dinheiro, do poder! Estúpidos.

Os exemplos foram dados ao longo de décadas, séculos, milênios. Parece que aprendemos muito pouco.

Se os muitos se omitem e ignoram, os “alguns” ganham força e impões sua vontade. Se os muitos se enfraquecem ou se acomodam intelectualmente, os “alguns” se tornam convincentes e impões sua vontade. A inércia de muitos intensifica a ação de “alguns”.

domingo, agosto 28, 2011

Antes que eu me esqueça... novamente

Ontem (e hoje na madrugada) estive no Back2Black Festival, na Leopoldina, Rio de Janeiro. Há dois anos estive na primeira versão e minha opinião não mudou pelo que eu vi ontem/hoje. Logo, a essência do que postei em 2009 ainda vale (leia aqui). Isto é, o evento nasceu deturpado. E, como venho dizendo, agora é só a farra pela farra.

Como nada mudou, a intenção de hoje é provocar. Gostaria de provocar os hipócritas, tanto os conscientes como os ignorantes. Posso até me incluir, num ou noutro caso.

Primeiramente começarei com uma de minhas analogias esdrúxulas e baratas. Vamos lá. Imaginem que promoverei uma festa. Aluguei um salão ou um sítio isolado. Contratei uma atração musical, fiz uma decoração bem legal no espaço, convidei um montão de gente. É claro, cerveja não falta. Mas cobro, para cobrir os gastos. E, devido a proporção que o “evento” toma e seguindo o que manda alguma lei municipal, busco as devidas autorizações. Eu estou promovendo a festa, eu assino, eu sou responsável.

Considerem agora alguns crimes, tais como o consumo e a venda de drogas. Não vale aqui falar sobre a discussão de sempre sobre a descriminalização do uso a maconha, por exemplo. Falo da legislação vigente. Quando for liberado, tudo bem.

Continuando... Na festa que eu promovo (eu patrocino, eu dou meu nome, eu organizo, etc) algumas pessoas estão fumando maconha. Não tenho como saber se esse consumidores levaram o produto consumido ou se, dentre os convidados, existe um vendedor do produto, um traficante. São tantas as pessoas que não tenho como saber tudo sobre todas. E nem sei se realmente quero saber. O importante é o evento e os frutos que trará.

Pergunto: no caso acima, existe alguma diferença considerável entre mim (o patrocinador, o organizador da festa onde “algumas” pessoas estão consumindo drogas) para algum outro sujeito que promova, por exemplo, um baile funk num comunidade carente, num morro, numa favela, onde alguns aproveitam para consumir drogas? Atente para a possibilidade quase evidente de, tendo demanda para um produto que está sendo consumido, existirem fornecedores locais para tal produto.

Eu tenho uma resposta para essa minha pergunta. Não. Não existe diferença alguma. Ah, claro, as camadas sociais envolvidas podem ser consideradas um fator de maior ou menor interesse por parte dos órgãos de segurança (ou da imprensa), que deveriam coibir o que é ilegal onde quer que seja. Já que o crime não pode ser relativizado. O que é ilegal, deve ser considerado ilegal seja no Leblon, seja em Mesquita.

Considerando o exposto acima, termino a postagem com duas frases (na primeira eu afirmo , na segunda eu proponho) e algumas amenidades informacionais.

- O consumo de maconha no Back2Black Festival foi ostensivo!

- Acessem o site do festival e, caso queiram, vejam quem apoia e patrocina o evento.


Para.... terminar a festa...
a) A decoração mais uma vez surpreendeu. Os vagões pintados, bolas gigantes no teto...
b) O som estava muito melhor do que na primeira versão
c) Oumou Sangare foi brilhante!
d) Chaka Khan foi … estridente!
e) Até a terceira ou quarta música Jorge Ben Jor não convenceu. Fui embora aí. Parece que animou depois, pelo que vi nos jornais.
f) Parece a Budweiser está tentando nova inserção no mercado brasileiro (nos anos 90 era comum). Foi a cerveja do evento.
Um charmoso que mata por R$ 0,60

Sempre gostei do Bondinho de Santa Teresa. Me remete ao passado, num tempo áureo da vida cultura, social e boêmia de um Rio de Janeiro que não conheci. Complicado isso. Sentir saudades de um tempo que não vivi.

A primeira vez que passeei de bonde foi no final dos anos 90. Frequentava muito Santa Teresa. Me idealizei morando lá, usando o bondinho em meu cotidiano. Lembro também que levei minha família para um primeiro passeio naquele lindo bairro, cheio de encanto, de beleza, de peculiaridades.

Por isso recebi com muita tristeza mais uma notícia trágica envolvendo o Bondinho . E, embora não seja um frequentador assíduo do bairro com seu veículo sob trilhos, posso afirmar que a tragédia vem sendo anunciada há muito tempo.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro e a Prefeitura Municipal da Cidade do Rio de Janeiro devem ser responsabilizados!

O Bondinho de Santa Teresa, apesar de ser considerado uma atração turística, é, em primeiro lugar, um meio de transporte público. E, considerando a topologia do bairro de Santa Teresa, o bonde é uma das melhores opções para o local.

A prefeitura da cidade o apresenta na página de Secretaria de Turismo (Riotur), se referindo ao meio de transporte como “charmosos veículos” e “famoso bonde amarelinho”. É charmoso, é famoso, mas, antes disso, é um meio de transporte. Como tal, deveria receber a atenção necessária dos órgãos competentes (sic).

O ônibus de dois andares que circula em Londres também é conhecido internacionamente, mas atua como o que realmente é, um meio de transporte. Em Lisboa e Porto também circulam bondes e, da mesma maneira, atuam como meio de transporte. Possuem caráter turístico, são charmosos, são famosos, mas não deixaram (pelo menos ainda) de serem o que são: meios de transporte.

A falta de manutenção é evidente. Os profissionais mais parecem astros num palco, se exibindo para turistas de todas as partes do mundo. Manobras bruscas são uma constante. A superlotação é quase uma regra. Ainda mais em feriados e fins de semana. A tarifa, de R$ 0,60, não sofre reajuste há aproximadamente uma década. Reafirmando o caráter de “ferramenta” turística subsidiada. Repito: O BONDE DEVE SER CONSIDERADO UM MEIO DE TRANSPORTE E NÃO UMA ATRAÇÃO TURÍSTICA! E, mesmo que fosse uma atração turística, o Estado/Município deveria fazer o trabalho que lhe cabe.


domingo, agosto 21, 2011

Revolução da Informação

Assisti ao vídeo recentemente num curso sobre linguagens documentárias. A autoria é do professor de Antropologia Cultural da Universidade Estadual do Kansas, no EUA, Michael Welch. A versão a seguir foi traduzida pela Knowtec, que atua na área de Inteligência Competitiva. A versão original (com melhor resolução) pode ser vista aqui.

É muito interessante, pois da informação e do fenômeno informacional com as novas tecnologias numa dinâmica moderna, criativa e acessível.

sábado, agosto 20, 2011

World Paper Free Day

What can you do to reduce paper use in your organization? Get some tips and participate in World Paper Free Day.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...