terça-feira, julho 31, 2007

Enquanto isso...

Posso estar enganado, mas a política externa estadunidense, representada pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, e pelo secretário de Defesa, Robert Gates, acabou de dar mais uma razão para que o mundo ver os EUA como uma peste. O plano agora é armar seus aliados no Oriente Médio, e de forma descarada. Israel é o mais "beneficiado" pelo bilionário pacote de armamentos. O Irã seria um dos principais motivos e acusa os EUA de promover uma corrida armamentista na região. Antes era um ditadorzinho aqui, um grupinho revoltoso ali, onde nasciam Sadans e Al Qaedas. Agora eles resolveram armar todo mundo e ver no quê vai dar. Jogam lenha na fogueira. A intenção é armar para pacificar. Se não fosse triste e preocupante eu cairia na gargalhada!

Não penso que daí saia coisa que preste.
Finalmente

Após muita discussão a ONU aprovou hoje uma força de paz de até 26 mil soldados e policiais para intervir na região de Darfur, no Sudão. Já se contam milhares de mortos e milhões de refugiados. Infelizmente a operação não se dará em dias, na verdade ainda esperaremos um ano para que todo o efetivo esteja atuando, mas se lança uma esperança.

Leia aqui, aqui, e aqui.

sexta-feira, julho 27, 2007

Falar de quê?

Nos últimos dias fiquem sem assunto. Talvez pela quantidade de coisas que acontecem todos os dias e merecem um comentário, mesmo que somente uma exclamação de horror, susto, incredulidade, indignação, ou até mesmo de humor. Acabo ficando perdido.

O bom desempenho do Brasil nos jogos Pan-americanos, com atletas apresentando um verdadeiro espetáculo. O clima de aparente calmaria que vemos no Rio de Janeiro durante os jogos… ou talvez alguns acontecimentos não estejam merecendo a devida cobertura da imprensa, em detrimento do evento maior, o PAN2007. Risos com a espontaneidade da platéia ao responder do “hoy” na abertura dos jogos. Mesma ocasião e, embora alguns não acreditem, mesma espontaneidade com que a mesma platéia ofereceu suas vaias a um bem assistido presidente.

Ainda tem os atletas cubanos que aproveitaram os jogos para “desertar”. Um deles, talvez o primeiro, disse algo sobre “melhores oportunidades” (?). Gostaria de ouvir os outros. Cuba: amada e odiada, ou simplesmente mal compreendida? Eis a questão.

O acidente com o avião da TAM em Congonhas foi algo de assustador. Já tive oportunidade de viajar de avião, utilizando aquele aeroporto e os serviços da TAM. Nas viagens, independente da companhia aérea, eu me sinto incomodado com um fato: peso 70 quilos e mal consigo pular e essa coisa que me leva tem várias toneladas e voa. As leis da física e aerodinâmica não me convenceram ainda!

Congonhas. A melhor definição que ouvi foi: “é um porta-aviões cercado por mar de casas”. Acho que foi do Alexandre Garcia, não sei. De qualquer forma que penso que, fatalidade à parte, foi tragédia anunciada. Culpados? Sim, existem. Os que, por um motivo ou outro, ignoraram sinais óbvios, deixaram de investir o que era para ser investido, não respeitaram a vida. Uma reportagem do JB comenta que o montante que deveria ser investido na infra-estrutura aeroportuária foi “anexado” a conta do governo, aumentando, assim, o famoso superávit. Viva à economia, ou melhor, viva à imagem econômica na nação perante investidores estrangeiros. Viva alguma coisa, pois outros choram a morte de 200 pessoas.

A cobertura da imprensa foi intensa, algumas vezes até extrapolando o que penso ser adequado. Outras, despeitando um momento de dor, como quando eram anunciados os nomes dos passageiros. Mas, a maioria das vezes, fez seu papel. Pressionando a quem de direito por informações a que temos direito. Investimentos anunciados, ministro da defesa trocado… aguardemos resultados.

Ah, invadiram a fazenda do Renan. Disso que achei graça. Não pude deixar de rir. O MST fez algo de bom.

Os problemas climáticos na Europa também chamam atenção. Centenas morrendo de calor, milhares desabrigados por enchentes. Na América do Sul temos o frio e neve na Argentina. A natureza também prega susto na Ásia, com o terremoto no Japão, que levanta a preocupação quanto à segurança das usinas nucleares, uma vez que houve vazamento.

São tantos assuntos e amplamente cobertos pela imprensa nacional que acabo por deslocar o foco para outros. São assuntos que também julgo importantes e não os vejo nos telejornais ou na mídia impressa. A internet ajuda muito, uma vez que temos acesso aos jornais e revistas do mundo inteiro. Então, navego em busca de assuntos que também envolvem seres humanos.

Falo de seres humanos da África, Ásia, Oriente Médio. Desta última região, temos certa cobertura da imprensa. Atentados, carros e homens-bomba, sofrimento, dor. Conflitos religiosos agravados por questões de ordem financeira e especulatória, por petróleo ou assuntos estratégicos, estão presentes no dia-a-dia dos jornais. Infelizmente não se chega a uma solução para essa agonia. Fico pensando se os que se dizem defensores da paz realmente querem uma solução que não seja para seus próprios problemas e interesses.

Na África temos as velhas questões, que contribuem para tornar o nome do continente num adjetivo pejorativo. Temos também interesses econômicos suplantando questões de ordem mais humanitária. Darfur. Aproximadamente 200 mil mortos (muitos elevam a cifra para 400 mil). Aproximadamente 2 milhões de refugiados nas fronteiras do país, Sudão. Os governantes negam genocídio. Dizem que existe paz. Que as pessoas estão vivendo normalmente suas vidas.

A razão para o discurso: a imagem negativa afastaria investimentos no setor financeiro e energético (Petróleo) em franca expansão no país. A intervenção é mais que necessária, mas questões que não entendo atrasam a salvação dos milhões de seres humanos que padecem naquela região. Ainda na África temo uma situação que a cada dia se agrava, no Zimbábue. Da mesma forma têm-se refugiados, seres humanos que buscam nada menos do que a própria sobrevivência, fugindo de sua terra natal. Fugindo das políticas de outros seres humanos, políticas nada humanas. Já escrevi aqui no Blog sobre a questão de Darfur, no Sudão, e pretendo desenvolver mais sobre o que ocorre em Zimbábue.

Recentemente tomei conhecimento de outra crise humanitária. Mais uma. Ásia. O país, pouco conhecido, é Burma. Na imprensa internacional é tido como “a crise esquecida”. Tendo como países fronteiriços o Laos, Índia, Bangladesh e Tailândia, este país vive há mais de uma década sob um forte regime repressor, que mantêm uma máquina de guerra composta por meio milhão de militares, mesmo sem ter (ainda) inimigos externos. Regime esse que institucionalizou o trabalho forçado, a prisão política, os assassinados e massacres, o estupro. Regime que usa, segundo relatos, crianças como soldados. Um regime que investe metade da riqueza no setor militar em detrimento da educação e saúde de sua população. População que chegou a ter uma taxa de mortalidade infantil, na região leste, estimada em 221 mortes por 1000 nascidos, segundo reportagem do britânico The Independent. Um regime que deveria estar recebendo sansões internacionais, mas questões mercadológicas são postas em primeiro lugar. Na verdade alguns países já adotam as sanções, mas multinacionais não querem perder o mercado.

Como bem diz o título do artigo de John Bercow para o The Independent de ontem, “A plight we can ignore no longer” [Uma situação que não podemos mais ignorar]. É, vejo que tem muita coisa a ser dita, escrita, exposta, divulgada. E feita.

quinta-feira, julho 26, 2007

De Olhos Azuis [Blue Eyed]

Aos que nunca assistiram, eis uma oportunidade. Um exercício idealizado pela professora Jane Elliot quando teve de explicar aos seus alunos a importância de Martin Luther King Jr., que fora assassinado àquela época, abril de 1968. O mesmo exercício foi então aplicado em forma de workshop para adultos, mas com o mesmo objetivo: mostrar os efeitos do preconceito e da discriminação, e como a omissão pode contribuir para aumentar e perpetuar esses efeitos. Aos que já assistiram, revejam, pois ainda é bem atual. Acabei de postar em minha página do YouTube este documentário. A resolução não está muito boa, mas acho que conseguirão assistir. Está dividido em 12 partes. Abaixo, vejam a primeira.



"We learn to be racist, therefore we can learn not to be racist.
Racism is not genetical. It has everything to do with power."
Jane Elliot

sábado, julho 21, 2007

Ressonância Schumann

Recentemente li um e-mail, estilo corrente-auto-ajuda-dica-de-vida, com um texto atribuído ao teólogo e escritor Leonardo Boff, cujo título era Ressonância Schumann. Achei tudo muito interessante e, num primeiro momento, tive diante de mim a explicação “científica” para muitas coisas. Realmente o teólogo escreve muito bem. Resolvi então pesquisar mais sobre o assunto.

A primeira surpresa foi quanto à data. O texto, realmente escrito por Leonardo Boff, foi publicado em Março de 2004 no Jornal do Brasil, mas ainda encontra-se disponível no site do teólogo. Para ler, clique aqui. Considerando o tema da moda, o artigo se torna bem atual.

Algo interessante na pesquisa é quanto aos sites que citam a relação da freqüência ou ressonância schumann com os seres humanos. Basicamente têm em seus títulos algo do tipo “luz”, “esotérica”, “nova era”, “bruxo”, “alpha”, “beta”, “UFOs”, “gnosiologia”, “era de aquário”…enfim, páginas com enfoque esotérico.

Pesquisando um pouco mais, e como já era de se esperar, encontrei críticas ao artigo do teólogo. Confesso que fiquei contente, pois aqui o assunto passa a ser tratado no meio científico. Não desmerecendo o lado esotérico, mas críticas tentem a produzir conhecimento, esclarecimento… luz. Pelo que encontrei, os especialistas no assunto, incluindo físicos e outros cientistas, como os do Observatório Nacional (vá ao item 1406), não contestam os fatos e sim as conclusões e correlações de Leonardo Boff. Também ficou claro que muitas informações não são consideradas no artigo do teólogo, como, por exemplo, a existência de não uma, mas sim várias freqüências. Seria então conveniente chamar o fenômeno de Freqüências Schumann. Segundo informações da página de Física de uma universidade que trabalha com a medição e observação de tais fenômenos, não houve a alteração relatada por Boff, o pico da freqüência continua.

Parti, então, para uma pesquisa mais aprofundada com o objetivo de chegar a uma conclusão, ou me enrolar mais ainda. O que não seria novidade.

Na página da NASA, realmente não encontrei nenhuma referência ao dito simulador de ressonância Schumann ou mesmo sobre o caso dos pilotos. Quem souber onde posso confirmar isso, me diga, seria um favor. Penso que algo assim deveria ser notícia fácil. Confirmei sim a existência de tais “equipamentos” a nível bem comercial, disponíveis em várias páginas na internet. É fácil comprar um via internet! E a maioria desses portais de venda cita a existência dos simuladores nas espaçonaves da NASA, como estratégia de marketing certamente. Mas não fornecem informação alguma que possibilite confirmação. Logo, mais dúvidas pairam.

Gosto muito dos textos de Leonardo Boff. Costumo lê-los sempre se posso. Mas este traz algumas informações talvez um tanto… digamos, forçosas. Misturando de fatos reais e informação científica com teorias esotéricas acaba por confundir, mais que elucidar, convencer ou informar. Boff relaciona as coisas ruins (produtos da humanidade, da qual faço parte) com uma dita mudança da ordem física (mas especificamente no ponto em que diz: “Coincidentemente…”).

Penso que o ritmo acelerado, que o artigo comenta, está relacionado com uma mudança do padrão de vida, que podemos observar ao longo dos anos. Nós estamos realmente mais “acelerados”. Precisamos conhecer e saber mais para estarmos integrados à sociedade. Isso é estressante! Sendo estresse uma “alteração global de nosso organismo para adaptar-se à uma situação nova ou às mudanças de um modo geral” – situação que criamos. Trabalha-se mais para se ter o mínimo de conforto. Com isso passamos menos tempo fazendo coisas prazerosas. E a relação do ser humano com o planeta tem se dado de forma destrutiva, principalmente nas últimas décadas. Nós modificamos o meio ambiente. Somos hoje mais de 6 bilhões de pessoas. Isso por si só já gera um impacto negativo, uma vez que o crescimento se dá de forma desordenada, não planejada. Comemos, bebemos, plantamos, desmatamos, extraímos, arrancamos, sujamos, modificamos, alteramos, caçamos, matamos, dizimamos, construímos, destruímos, desperdiçamos, queimamos, esquentamos o planeta… e continuamos nascendo, crescendo e repetindo antigos erros ou cometendo novas tolices. Nós, seres humanos, tão racionais e evoluídos. Não vejo nada de esotérico ou transcendental nisso. Vejo fatos. Fatos, com certeza, infelizes. Vejo conseqüências, produtos, efeitos, resultados.

Mas concordo quando ele diz que o planeta é um organismo vivo e que “precisamos respirar juntos com a Terra para conspirar com ela pela paz”. E sendo ambos (o ser humano e o planeta) organismos vivos, talvez possamos usar o conceito de simbiose, introduzido em 1878 pelo o botânico alemão Heinrich Anton de Bary (1831-1888) e que pode ser definido como “uma relação mutuamente vantajosa entre dois ou mais organismos vivos de espécies diferentes”. Talvez o que falte seja o reconhecimento [e respeito] dessa relação de simbiose.

Mas é só uma opinião.

quinta-feira, julho 19, 2007

"A medicina não pode ser um negócio"

Indico a entrevista de Adib Jatene, cirurgião brasileiro respeitado internacionalmente, na revista IstoÉ Online. Concedida a jornalista Mônica Tarantino, é de certa forma uma análise da situação da saúde pública, da formação do profissional de medicina e, ainda mais abrangente, da questão social e política no Brasil.

A medicina “não trata das coisas que as pessoas têm. Trata da pessoa. Não pode ser um negócio, não é um meio de enriquecer, de conquistar posição social. Pode acontecer, mas o seu objetivo é ajudar pessoas que sofrem”, diz, ao comentar seu recente livro “Cartas a um Jovem Médico - Uma escolha pela vida”. Para ler, clique aqui.

Um pequeno texto falando sobre a vida do cirurgião cardíaco mais importante do país também está disponível no site da própria IstoÉ, como parte do projeto Brasileiros do Século. Além de Jatene, muitos outros ilustres brasileiros são contemplados, dentre eles: Milton Santos, Darcy Ribeiro e Paulo Freire.

quarta-feira, julho 18, 2007

Aniversariante do Dia

Hoje é um dia triste por mais esse recorde brasileiro. Uma marca que supera outra, ocorrida há 10 meses apenas. Mas gostaria parabenizar o aniversariante do dia. Pois este merece. É conhecido como Madiba. Espécie de título, atribuído aos de grande importância, mérito. Nasceu em 18 de julho de 1918. Estudou e exerceu o Direito, em todos os sentidos. Líder político. Passou muitos anos na prisão, em Robben Island. "Não há caminho fácil para a Liberdade", diz. Também é um ex-líder rebelde, guerrilheiro. Ativista. Foi presidente do país onde nasceu, cresceu e foi prisioneiro político. Em 1993 ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Lutou contra o Apartheid. "Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos". Madiba faz hoje 89 anos. "A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim de meus dias".

Muita paz e saúde, Madiba! Parabéns Nelson Rolihlahla Mandela!

Referências:
Wikipedia (especial sobre Madela)
Freedom (Apartheid, Robben Island)
E outras mais

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...