segunda-feira, maio 09, 2011

Mesquita e o desrespeito à Saúde


Neste domingo (09/05/2011), minha mãe se sentiu mal durante a madrugada. Eram aproximadamente 3 horas da manhã do Dias das Mães. Recorreu a UNIDADE DE SAÚDE DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA DR. MÁRIO BENTO na Rua Barão do Rio Branco, do bairro Jacutinga, município de Mesquita/RJ (clique aqui). Minha mãe é moradora do bairro, praticamente vizinha da Unidade de Saúde.

Chegando lá, foi recebida por um atendente confortavelmente instalado numa cadeira e com as pernas em cima de uma mesa. Este diligente funcionário de uma instituição pública de saúde informou não haver médico ou qualquer profissional do atendimento. Minha mãe foi embora após alguns minutos. Felizmente está bem agora, mas poderia ter sido diferente.

No mesmo dia fui visitá-la. Saindo de sua casa após o almoço, por volta das 13h30min. Enquanto aguardava a Kombi (infelizmente o necessário transporte complementar da cidade), vejo uma mulher se dirigindo ao mesmo posto em busca de atendimento, talvez para um de seus filhos (três crianças de idades diferentes). Mais uma mãe. Retorna logo depois reclamando e ouço bem quanto lamenta, revoltada, terem um posto sem profissionais de saúde, apenas um prédio (recém inaugurado por sinal). Pelos comentários, de ambas as mães, o descaso não é novidade.

Resolvo conferir. Afinal, já são duas homenageadas do dia se queixando do mesmo problema. Quantas outras? Vou até o posto. Logo no portão, um senhor conversa animado com uma mulher e brinca com uma criança. Percebo tratar-se de uma família. Pacientes em busca de atendimento? Acompanhantes aguardando paciente? Não. O homem, pelo que vi, trabalha no posto. A mulher e a criança, provavelmente mulher e filho(a), ou conhecidos, não sei.

Entro. Dirijo-me ao balcão de atendimento onde três homens (um uniformizado, usando um terno escuro, e outros dois com roupas casuais) assistem, muito animados, algum dos detestáveis programas dominicais num aparelho de televisão ali instalado. Além deles, mais ninguém no posto.

Começo minhas perguntas:
1) Existe algum médico atendendo? NÃO
2) Em nenhuma especialidade? NÃO
3) Alguma previsão para que alguém atenda? NÃO.

Agradeço e saio. Se verificarem no site da prefeitura de Mesquita (clique aqui) verão que a tal unidade de saúde deveria operar "Todos os dias com atendimento de urgência 24 horas". Mas como eu e as mães - e sabe-se lá quantas outras mães e outras pessoas em busca de atendimento - puderam comprovar, não é o que acontece. Reitero que a unidade passou por reforma e "reinaugurou" recentemente. Para quê? Talvez para oferecer aos moradores momentos de decepção, de desamparo. Talvez para deixar disponível a todos mais um canal de descaso com a saúde, de desrespeito com o ser humano. E, claro, para empregar pessoas animadas e descansadas e descontraídas, que gostam de assistir televisão numa tarde de domingo no dia das Mães.

Observações:
a) Enviei texto similar para a Ouvidoria do Município. Requerimento número 03372. Feito hoje e como autônomo. Mas, como podem ver, público aqui no TUIST onde posso ser identificado. Nada a esconder, muito para falar.
b) Também encaminhei para o canal Eu-repórter, do O Globo Online. Quem sabe um pouco de publicidade serve para, pelo menos, incomodar certo prefeito enquanto este curte seu segundo mandato, certo secretário de saúde, certa subsecretária de saúde e outros servidores que simplesmente não servem.
c) Segundo informações do Portal Transparência (algo louvável num município administrativamente tão caótico), a secretaria de saúde conta com 69 médicos, sendo 68 no quadro permanente em diferentes faixas salarias. Clique na imagem para ampliar.


d) Segundo informações obtidas no mesmo Portal, a Unidade de Saúde objeto desta postagem conta com 4 médicos no quadro permanente recebendo salário base de R$ 6.996,00. Pelo visto eles estão fazendo bom uso do salário (fico pensando se possuem matrícula em outros órgãos, ou se são tão diligentes caso atuem em estabelecimentos particulares). Esses 4, pelo visto não são tão permanentes assim. Clique na imagem para ampliar.



Viva às Mães!
Cadeia para os gestores da Saúde em Mesquita!!

quinta-feira, maio 05, 2011

The Mothers Index

Being a new mom is rewarding and challenging. But what extra burdens do mothers in poor and rural communities face?



ViewChange.org
Produced by Link TV and Save the Children

quinta-feira, abril 28, 2011

Copa, Olimpíadas... Falta apenas quase tudo

Nesta segunda-feira (25) eu fiz mais uma daquelas curtas viagens à trabalho. Foi o tipo de viagem que não serve nem como passeio. É apenas distância de casa, solidão em quarto de hotel e trabalhos e tarefas que fico pensando se realmente irão contribuir para algo. Espero que sim. Mas sei lá...

Bem, a ida foi de carro. Washington Luis (RJ), Linha Vermelha (RJ), Dutra (RJ/SP), mais umas estradas e lá estava eu em Guararema. A primeira rodovia estava livre. Uma blits na segunda e alguma retenção na terceira, por conta de um eterna obra de duplicação. Obras! Total: 4 horas.

Bem, terminado o trabalho, com intermináveis reuniões e alguns aborrecimentos, de volta a estrada. Dessa vez para Guarulhos e de lá direto para o Galeão. Ah, sim. A volta será pelo ar. Mas rápido né? Deveria. Inicio da volta: 13:40

Aeroporto de Guarulhos. Internacional. O mais importante do estado mais rico dessa grande nação. Pessoas indo e vindo, chegando e partindo, de e para vários países de todos os continentes. Porta de entrada (e saída) do Brasil.

Bilhete na mão. Voo TAM saindo de GRU para GIG às 15:40. Olho no relógio e vejo que cheguei cedo demais. Bem, o jeito é esperar. Um passeio pelo aeroporto é sempre interessante. Figuras de todo o tipo aparentemente angustiadas para serem vistas, notadas. É engraçado.

Perto do horário, me encaminho para a área de embarque. Check-in devida e previamente feito. Facilidades "internéticas"!

Opa, uma fila para a verificação de praxe. Tira relógio, tira chave, tira moeda... Passei no teste. Mais uns minutos e o voo sai, certo? Errado. “Por atraso na aterrizagem da aeronave... blábláblá... o embarque do voo tal será realizado às 16:20” Solto um palavrão. Um tanto alto demais, daqueles espontâneos. Ok, tudo bem. “Paciência é uma virtude”, já diria um gaiato lá da empresa. Estou armado. Livro. Embora não seja o tipo de assunto ideal para o processo de espera, o que eu tinha era uma espécie de ensaio. Uma análise, meio filosófica, conceitual a respeito da relação entre a memória, a história e o esquecimento (opa, disse o título). Por falar em esquecimento, aquelas foram horas para serem esquecidas. Ou talvez não. Eventos como aquele deveriam (como tento aqui fazer) servir como ferramenta de protesto e instrumento de mudança para questões tão problemáticas quanto a atual situação dos aeroportos brasileiros.

E o mesmo anúncio foi dado para outros voos. Aliás, nos voos previstos naquele período, todos (e de todas as companhias aéreas) sofreram atraso.

Voltemos. Passados os 40 minutos previstos e mais alguns (muitos), finalmente aquela voz distorcida anuncia o embarque. Mais uma fila. Essa eu ignoro. Afinal, estou com um livro na mão. Sou imune àquilo. Espero todos e vou no fim. Dois ônibus saem para encontrar a aeronave. Manobras um tanto bruscas, por áreas um tanto bagunçadas. Alguns minutos e estacionamos ao lado do Airbus A320. As portas no ônibus permanecem fechadas. E continuariam assim por mais tempo. O motivo logo fica evidente. A cena é hilária, mas antes de tudo revoltante.

São vários os quadros, acontecendo caótica e simultaneamente. Um veículo estaciona e abre-se o "bagageiro" do avião. Arma-se a esteira mecânica, uma pessoa entra na barriga de lata e começa e extrair malas e mais malas. É isso mesmo. O avião, naquele momento, estava sendo descarregado! O excesso de zelo talvez explique a quantidade de malas que caíram no chão e lá permaneceram até que a operação terminasse e fossem, assim recolhidas (teve alguma mala extraviada ultimamente? algum item que transportava sofreu avaria?. Não acompanhamos o carregamento para o voo que aguardávamos.

Outra cena. Um caminhão tanque estaciona. Um funcionário desce. Abre um compartimento na asa da aeronave e a abastece. Em outra, um caminhão à vácuo estaciona, mais um funcionário desce, abre mais um compartimento, acopla um tubo e, bem... A situação já estava uma M.... Outra cena. Uma vã chega numa velocidade um pouco assustadora para uma área tão sensível como aquela. Do veículo descem mais de meia dúzia de trabalhadores, na maioria mulheres, uniformizadas, com instrumentos de limpeza, sacolas plásticas e outros aparatos. Sobem correndo as escadas e num frenesi executam sua tarefa.

Durante todo esse tempo, ambos os ônibus permanecem, é claro, com as portas fechadas. Os passageiros, muitos estrangeiros, assistem a lamentável cena que se desenrola ao vivo e em cores em nossa frente.

Os comentários, quase unânimes, faziam referência com a aparente inevitável vergonha vislumbrada para os futuros eventos a serem sediados pelo Brasil.

As portas se abrem. Esperança! Subimos as escadas. Poltrona 28B. Sento. Aguardo. Pessoas de acomodam, em ambos os lados. Estou no meio. Saco minha arma. Aristóteles, Platão, informação, memória, história, esquecimento. É um luta. Todos a bordo, balinhas sendo distribuídas. Recuso a minha. Comissários conferindo cinto, banco... Opa. 26C "o senhor poderia voltar sua poltrona para a posição vertical?". Não. Tem um motivo. O banco está quebrado! Solução? Ignorar. Voo que segue.

Começa o briefing de segurança (sic). Estou bem no fundo da aeronave, última fileira. De lá reparo que nada pode ser ouvido ou mesmo visto. Mas tudo bem. Está anotado, para quem quiser ler, no tal panfleto. Eu prefiro a arma. Comissários palestram em bom português. Epa, e o inglês?

Decolamos por volta das 18:15, talvez mais. No ar, um sanduíche e uma cerveja. Sol. Fazer o quê? Comissários falam alguma coisa no alto-falante. Em português tudo bem. Em inglês... Bem, parece que não é preciso fluência. Como estou próximo de alguns estrangeiros, de língua inglesa pelo que pude perceber, noto o desconforto com o não entendimento. Em determinado momento, quando o comandante faz sua intervenção quase artística como as condições de voo, a temperatura no destino e o tempo de voo, fica claro o despreparo como idioma. Até um dos estrangeiros percebeu, tendo noção de nosso português, que o piloto falou algo diferente ao "traduzir". Mas tudo bem. Voo tranquilo, isto é, a aeronave decolou, não balançou muito, e pousou com segurança.

Aeroporto do Galeão. Ilha do Governador, Rio! A farra dos taxistas e mesmo carros comuns oferendo serviços de transporte sem o incômodo das autoridades. Cidade Maravilhosa!

Saindo... Linha Vermelha. Avenida Brasil. Avenida que é a cara do que tem de pior nesse país. Deveria servir de estudo para solucionar o problema maior. Um microcosmos que representa o macrocosmos de dimensões continentais. Engarrafamento, pobreza, miséria, insegurança, péssima qualidade de asfalto, entorno decadente, ocupação desordenada e outros bichos.

Chego em casa afinal. É noite. Terça-feira (26). Viagem curta. Duração do retorno? Mais de 07 horas.

Pensamento no futuro. Copa do Mundo em 2014. Jogos Olímpicos em 2016. Alarmado, eu? Não. Só na expectativa.

quarta-feira, março 16, 2011

Liberdade

Faz tempo que não escrevo. Esses intervalos têm ficado mais freqüentes ultimamente. Este último então… Cansaço, desanimo, falta de inspiração, preguiça… Ou simples opção. A opção de não escrever. O escrever aqui no TUIST, conforme já declarado, é basicamente uma exposição de idéias, de pensamentos, opiniões, visões, sentimentos. Mas também é, talvez acima de tudo, um desabafo. E talvez nesse período eu simplesmente tenha optado, pois é uma prerrogativa de cada um, não desabafar. Mas não deixem de considerar as demais opções apresentadas acima. Tenham liberdade para tanto, assim como tenho aqui a liberdade expressar ou não o que me vem na cabeça.

Liberdade é uma palavra muito importante. Mais que uma palavra, é um sentimento, uma condição, uma característica, um fundamento básico do ser vivo.

Há algum tempo, recebi um e-mail de um amigo que trazia um desses textos recorrentes na Internet, precedido por comentário próprio. O texto, que ainda pode ser encontrado, discorria sobre as benesses provindas do período em que os militares estiveram no poder. Lá para o final, apresenta a seguinte frase (que pode ser utilizada para buscar a íntegra na internet): “Tudo isso e muito mais os militares fizeram em 22 anos de governo. Depois que entregaram o governo aos civis, estes, nos vinte anos seguintes, não fizeram nem 10% dos estragos que os militares fizeram.” Já o comentário do meu amigo, a respeito do texto citado, em determinado momento dizia “do jeito que a nossa [liberdade] ta fazendo as coisas descambarem, tenho certeza que estaríamos melhor…”

Aquele simples e-mail suscitou em mim uma reflexão sobre liberdade, sobre ditaduras, sobre a natureza humana. Refleti considerando situações vividas, experiências factuais. Respondi o e-mail externando em palavras tais reflexões, com exemplos de entendimento comum, gerais, religiosos, culturais, filosóficos… Sempre com minhas analogias esdrúxulas e de qualidade duvidosa. Talvez eu o publique, em parte.

Os recentes eventos em países do norte do continente africano e do oriente médio me fizeram lembrar aquele e-mail. Países que há décadas nos apresentam o mesmo “dirigente”. Pessoas que há décadas vivem sob julgo de um mesmo mandatário. Déspotas que, a exemplo de Kaddafi (ou Gaddafi), se autoproclamam libertadores e representantes de toda uma população, quando o que representam é nada mais que uma idéia retrógrada mesclada com interesses muitos particulares (ou familiares, conforme pude perceber pela arrogância de seu filho) de dominação e manutenção de poder. A única liberdade que cretinos como ele pregam é a liberdade de poderem fazer o que bem entendem, sem serem questionados.

A liberdade então me parece algo latente. E, uma vez despertada, se mostra contagiante. A onda libertária que começa na Tunísia, já avançou pelo Iêmen, Bahrein, Egito, Argélia, e sacode a Líbia do ditador citado. Muito se comenta que as manifestações nesses países são apartidárias, e assim espero. Que esse brado por liberdade, por mudanças, tenha nascido de uma constatação (ou exemplo) de que é possível desatar o nó que nos prende a situações que por perdurarem durante tanto tempo, passam a ser considerada por alguns como normal. Fica a minha torcida.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Deus, agnosticismos, ateísmos e outras coisas

Recentemente um jovem amigo anunciou uma descoberta pessoal. Disse ele: "sou ateu!". Disse que pensava nessas questões de crer e não crer há algum tempo, que já tinha uma visão crítica, mas agora tinha certeza. Interessante observar o fato de sua família ser predominantemente católica e tal postura, descoberta ou certeza veio após assistir ao documentário Religulous.

Algumas semanas antes desse "anúncio", li um bilhete - muito bonito e bem escrito... à mão - de minha irmã. Ali ela expressava sua felicidade por encontrar conforto em sua fé e como isso estava sendo importante para ela. Não entrarei em detalhes, mas confesso minha emoção não apenas por ver que minha irmãzinha esta se expressando tão bem na forma escrita e demonstrando maturidade, embora com certo ar adolescente, num assunto tão delicado. É claro que não perdi a oportunidade de escrever, também à mão, um elogio e um pedido para que sempre lidasse e vivesse as questões de fé com muito respeito.

Uma coisa que devem saber sobre mim é que não sigo nenhuma religião, procuro respeitar todas as formas e manifestações de religiosidade, porém, não deixo de criticar algumas práticas e instituições (e seus líderes) quando "pecam" em questões básicas sobre ética e moral, colocando interesses cretinos acima de um bem maior para a humanidade. E, embora não seja religioso, em minhas três décadas de vida tive a oportunidade de tomar contato com diversas práticas.

Mas vou me ater ao tal anúncio. Ah, por favor, não esperem que eu pregue a velha ladainha de que "todos temos de ter uma religião". Respeitando o próximo, sendo ético nas ações, cada um que siga o caminho que melhor lhe aprouver.

A verdade é que não pude deixar de pensar nas mudanças que vivenciei até aqui. Mudanças no modo de encarar a vida, o mundo. Os questionamentos que nos fazemos a todo o momento. As certezas de outrora que se tornam duvidosas. Duvidas que ficaram no passado. Adaptações pelas quais passamos, de forma inconsciente, para continuar vivendo e convivendo. O tradicional de então tido como normal e hoje visto como antiquado, o moderno de hoje que se tornou normal, embora tenha sido considerado muitas vezes como tabu.

A humanização da crença em Deus é um desses casos. O "deus" que fui criado para acreditar era um senhor branco, barbudo, sentado nas nuvens e que volta e meia lançava castigos por um ou outro pecado cometido por nós, seres humanos inferiores. Isso, por si só, já poderia ser considerado um fator para crítica em um modo de acreditar em Deus um tanto forçado. Mas é um exemplo extremo.

O fato é que as religiões não parecem ter se desenvolvido ao longo dos séculos para suportar críticas. As religiões são como instituições totalmente dissociadas da condição humana.

Sei que o mito é parte integrante de todas as crenças. Creio que todas têm lá seu misticismo, suas histórias fantásticas, suas filosofias, que atuam como ferramenta de compreensão da fé professada por essa ou aquela religião e não para serem considerados ao pé da letra. Mas também pode ter efeito contrário, justamente quando tais mitos são considerados como fatos e, assim, são alvos de análise crítica.

Por isso, declarações do tipo "eu não acredito em Deus" ou "Deus não existe" deveriam ser abordadas de outra forma. Na ocasião do tal anúncio, eu, um sem-religião, não pude deixar de argumentar com aquele jovem amigo que o que estava em jogo ali não era Deus e sim a concepção Dele.

Ateísmo ou agnosticismo?

Consultando as definições de ambas as doutrinas, percebo que talvez muitos dos que se declaram ateus, nada mais são do que agnósticos.

Ateísmo: doutrina ou atitude de espírito que nega categoricamente a existência de Deus, asseverando a inconsistência de qualquer saber ou sentimento direta ou indiretamente religioso, seja aquele calcado na fé ou revelação, seja o que se propõe alcançar a divindade em uma perspectiva racional ou argumentativa

Agnosticismo: doutrina que reputa inacessível ou incognoscível ao entendimento humano a compreensão dos problemas propostos pela metafísica ou religião (a existência de Deus, o sentido da vida e do universo etc.), na medida em que ultrapassam o método empírico de comprovação científica

Com isso, vejo que a questão central não está em crer ou não na existência de Deus. A questão é a concepção de Deus. A forma como cada um concebe deus fica um tanto engessada por uma cultura imposta seja por instituições criadas por pessoas (e não por uma inspiração divina; e muitas com viés político) seja por cultura imposta ou perpetuada no âmbito familiar, social, etc. É tudo muito reto, imutável, tudo muito estabelecido.

Lembrando que não estou aqui discutindo criacionismo versus evolucionismo. Falo de religião. E, falando em religião, posso tranquilamente declarar que não acredito na concepção de deus instigada em mim desde a infância. Da mesma forma, e com igual tranquilidade, posso declarar hoje que percebo ou concebo Deus em coisas simples, como uma paisagem bonita, uma brisa num dia quente, um momento feliz em família ou entre amigos, num sorriso sincero, num ato de bondade desinteressado...

Ele... Buda, Olodumare, Alá, Jeová, Brama, as Coisas Boas, Alegria, Paz, Saúde, Serenidade, Uma Força Maior, a Natureza, o Acaso, o Caos... está no meio de nós. Que assim seja, verdadeiramente, Amém!

terça-feira, dezembro 21, 2010

Aid creates dependency
Ajuda cria dependência

Though I have not read her famous book DEAD AID, the studies of Dambisa Moyo help me to figure out how poverty could be create/mantained from the simple act of help. When this act comes full of bad interests or is bad executed. The following video was an indication from Ms Moyo from Twitter, when she brought the international organization Poverty Cure to our knowledge.

Embora eu não tenha lido seu famoso livro DEAD AID, os estudos de Dambisa Moyo me ajudaram a descobrir como a pobreza pode ser criada/mantida a partir do simples ato de ajudar. Quando este ato vem cheio de segundas intenções ou é mau executado. O vídeo a seguir foi uma indicação da Sra. Moyo no Twitter, quando ela nos fez conhecer uma organização internacional chamada Poverty Cure.




The kind of aid the video talks about is that global system of aid that basically works on transfering money from rich to poor countries. The kind of aid wich dont creates wealth, but keep the dependency, the domination and the power of interference of rich countries above the poor ones. It is importante to note that the very part of those financial resources hardly reach the people who really need.

O tipo de ajuda sobre a qual o vídeo fala é o conhecido sistema global de ajuda que trabalha basicamente na transferência de dinheiro de países ricos para países pobres. Um tipo de auxílio que não cria riqueza, mas mantêm a dependência, a dominação e o poder de ingerência dos países ricos sobre os pobres. É importante observar que a maior parte desses recursos financeiros dificilmente alcança as pessoas que realmente precisam.


"The reason there will be no change is because the people who stand to lose from change have all the power and the people who stand to gain from change have none of the power"

"A razão pela qual não há nenhuma mudança é porque as pessoas que têm a perder com tal mudança têm todo o poder e as pessoas que têm a ganhar com a mudança não têm poder algum"

Nicolau Maquiavel
Niccolò Machiavelli

domingo, dezembro 05, 2010

Lembranças permanente
Poemas perdidos e Memórias apagadas

Bem antes de me aventurar nesse incrível mundo que é a blogosfera, eu já experimentava a enriquecedora forma de expressão que é a escrita.

Um pequeno histórico... A primeira lembrança que tenho de um contato - e vislumbramento - com um texto, e sua estrutura, e seu ritmo, e sua rima e seu significado é de um poema. Aula de português, Escola Municipal Rotary (em Mesquita), Professora Denise (que também ministrou inglês)... lá nos idos de 1989 ou 90, talvez antes. Era o Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes. Esse texto foi uma, digamos, exceção que minha lamentável memória e minha quase incapacidade de concentração me concederam, pois não o esqueci desde então.

Talvez o que tenha facilitado este registro em meus parcos neurônios, além da beleza do poema, tenha sido exatamente sua estrutura, sua forma, isto é, a disposição dos 14 versos de um soneto. Achei algo simples, acessível. E, por isso, mais tarde pude aplicar aquela lógica estrutural (dos versos) em meus próprios poemas. Abaixo eu transcrevo um deles, graças a uma cópia impressa de uma página web onde foi publicado.


nesses dias em que a realidade parece um sonho
... mas não há sonho

nesses dias em que a relidade
parece um sonho que sempre sonhamos em sonhar
esse sonho se mostra mas que a verdade
que nunca sonhamos em pensar

e quando o sonho que um dia ousamos viver,
mas que nunca havíamos sonhado, acontecer
que possamos vivê-lo sem pensar
que esse sonho um dia vai acabar

por isso abraçamos, beijamos e nos damos
um ao outro de forma intensa e despreocupada
para que essa realidade mereçamos

pois além desse sonho não há nada
que possa fazer que um dia padeçamos
nesse sonho dessa noite enluarada

Não discutamos aqui a qualidade da obra que a alguns pode agradar, a outros não. O fato é que foi escrita e publicada em 2001 e, naquele momento, confesso que senti muito orgulho, me senti muito bem. Alguns anos mais tarde, eis que começo minha aventura blogueira. Embora com pouco lirismo e muita crítica, mas me expressando mais constantemente (apesar dos constantes hiátos) na forma escrita.

A razão desta postagem não é divulgar um poema de minha autoria. Com certeza serve a esse tipo de exposição, como também uma parte autobiográfica, mas não é a intenção principal.

Como disse, esse soneto foi publicado em 2001. Nessa época, a edição online do Jornal O Dia contava com uma área de literatura que permitia, dentre outras coisas, que anônimos como eu publicassem seus trabalhos por mais amadores que fossem. Era o Contextos, um portal literário agregado ao O Dia Online.

Creio ter publicado de três a quatro poemas, talvez todos sonetos. Minha esposa imprimiu e quandou até hoje um deles, devidamente recuperado na arrumação de hoje (talvez encontre outros). Veja a página impressa aqui.

Eram muitos os trabalhos publicados no Contextos. Pessoas desconhecidas expondo suas veias literárias num meio (a Internet) que ainda cresceria bastante. Isso foi bem antes dos blogs tomarem esse vulto que têm hoje.

Não me recordo quando aconteceu, não fui comunicado (o e-mail cadastrado eu acesso até hoje), mas o Contextos não está mais acessível. Assim como todas as obras que lá foram publicadas e ficaram armazenadas dos servidores daquele portal. Por certo havia alguma cláusula que eximia O Dia Online da obrigatoriedade de guarda permanente daquele conteúdo, embora eu não possa afirmar.

Porém, existe um fato relevante que pode ser utilizado como exemplo prático para corroborar a preocupação com a preservação de conteúdo armazenado em meio digital: Um portal com o objetivo de incentivar e promover a produção e divulgação de conteúdo literário interrompe suas atividades e, com isso, todo aquele conteúdo é perdido. Para sempre? Não sei. Já encaminhei mensagem ao jornal O Dia pedindo informações sobre o Contextos, mas até o momento não houve retorno.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...