quinta-feira, maio 17, 2007

- PAN PAN PAN PAN. Evento mais aguardado que esse, impossível. Todos os olhos e bolsos se voltam para o jogos e as benesses que trará ao Estado do Rio e para algumas pessoas em particular (já que ninguém é de ferro). Mas, com não poderia deixar de ser, uma coisa me incomoda: será que as autoridades envolvidas da organização dos jogos, os políticos e até mesmo os simples entusiastas do grande evento estão tendo uma visão macro do que é a preparação de uma cidade para abrigar tão grandioso acontecimento? Ih, sei não hein. Ficam matando mosquito da dengue no quarteirão de um estádio, de uma quadra esportiva, de uma vila olímpica, enquanto dois quarteirões adiante os mosquitos fazem a festa e aguardam sangue novo. Começam um processo de encobrir o que o Rio quer esconder (os mendigos, os moradores de rua, os menores e os nem tão menores assim que perambulam por aí inalando cola e thinner). Existem coisas que não podem simplesmente ser escondidas ou disfarçadas, pois de uma hora para outra reaparecem mais visíveis que nunca. Outra coisa (que no fundo está relacionada) é o desequilíbrio nos investimento. Vemos um montão de grana sendo aplicada numa área e noutra a carência reina absoluta. Em médio prazo os resultados não são muito agradáveis.

Mas, afora meu pessimismo, fica a esperança de que os jogos se realizem num clima de tranqüilidade e muita paz.

Tem mais embaixo.
7ª - Ou vai ou racha. É isso aí. Gostei da declaração do presidente Luiz da Silva sobre o caso dos bingos. "Ou proíbe ou regulamenta. O que não pode ficar é essa indústria de liminares. Defina a regra do jogo, o que pode e o que não pode". Chega de palhaçada. Indefinição também gera corrupção.

Já estou terminando. Desce mais um pouco. Não custa nada.
- Muito interessante o projeto "Viva o Rio Madeira Vivo: diga não às hidrelétricas do Madeira". O endereço www.riomadeiravivo.org/cenario.htm traz uma apresentação bem legal sobre o impacto da construção de duas mega-usinas naquele rio (Jirau e Santo Antônio). Com imagens de satélite do programa 'Google Earth' e legendas explicativas, o site nos ajuda a ter uma idéia do que está acontecendo… e do que pode acontecer. Muito importante o Plano de Aceleração do Crescimento, mas até onde vai isso? Quem sai ganhando e quem sai perdendo? Qual o imPACto desse PAC?
É finito!

segunda-feira, maio 14, 2007

Alvorecer de um novo dia

Manhã de 14 de maio de 1888. O Brasil acordava feliz. Enfim livre de uma chaga. Talvez não soubesse que ficaria aberta durante muito tempo. Naquela ocasião, assim como nos dias de hoje, já existiam dois Brasis. Um deles, embora feliz, estava preocupado com o porvir. “E agora?”, se perguntava. O outro, também feliz, dizia: “Esqueçamos!”.

Mais parece o início de um romance, mas poderia ser utilizado para representar um fato histórico bem brasileiro e o que tal fato reflete até os dias atuais em nossa sociedade.

Todos sabem (pelo menos eu gostaria que fosse de conhecimento de todos) que em 13 de Maio comemora-se a data da abolição (sic) do regime escravocrata no Brasil, com a assinatura, pela Princesa Isabel, da lei nº 3.353/1888. A bendita Lei Áurea. Isso é ensinado até os dias atuais nas escolas como sendo algo desconexo da realidade, folclórico, distante, isolado; logo, sem muita importância. Ensino este que também desconsidera o fato de boa parte dor negros já terem sido libertos naquela data; o que contribui para a falta de entendimentos das relações sociais contemporâneas. Um erro grave que talvez seja corrigido com a implementação da Lei 10.639. Eu espero.

Mas a razão da importância dessa data, o quatorze de maio, está no fato de ter se iniciado então o que hoje tanto comentasse e criticasse: a exclusão social e o preconceito. Se no treze de maio o escravo é liberto, no quatorze o negro é excluído. Os criminosos (até o dia 13 de maio) do regime escravocrata foram tidos como generosos a partir do dia 14 por terem “dado” a liberdade. Naquele treze de maio usou-se uma bela pena de ouro não somente para “simbolizar” o fim de um regime, mas também para por fim a quaisquer discussões que poderiam (deveriam com certeza e muito provavelmente seriam realizadas) ter sido feitas sobre os aspectos morais e éticos do regime então abolido, suas conseqüências para uma parcela considerável da população e sobre como o Estado poderia integrar tal população de forma digna. Fez-se, então, o silêncio.

Art. 1°: É declarada extincta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário.

Li um artigo de Mônica Kalile para o portal Adital onde ela diz que o dia “14 de maio de 1888 - deixou bem evidente o significado daquela assinatura imperial: liberdade para o trabalho livre onde não há possibilidade de trabalho; liberdade para habitar onde quiser onde não há possibilidade de terra; liberdade para ser o que quiser onde não há possibilidade de educação. O dia seguinte ao 13 de maio significou a negação do regime escravista e fez o que pôde para ser a negação do povo negro. Ainda nos dias de hoje, vivemos sob a dissimulação do dia 14 de maio de 1888!” Triste verdade ignorada por muitos.

Não estou com isso querendo diminuir a importância da Lei Áurea, com todo seu simbolismo e tudo mais, e sim quero levantar a questão para o que se deu após aquele ato simbólico. Ou melhor, o que não se deu.

quinta-feira, maio 10, 2007

Cortina de fumaça

A chegada do Papa Bento XVI ao Brasil veio bem a calhar. Todos os olhos se voltam para São Paulo, com o forte aparato de segurança para recepcionar o sumo pontífice, a imensa quantidade de fiéis e curiosos a espera de um aceno do chefe da Igreja Católica.

Enquanto isso, num parque de diversões em Brasília, uma das cada vez mais raras sessões do congresso é interrompida devido a uma briguinha de crianças. Uma das crianças chamou a outra de feia, que por sua vez foi se queixar, já aos prantos, ao colega que chefiava a brincadeira. Mas todos sabem como são as crianças. Logo fazem as pazes e voltam a brincar juntas. Ainda mais quando a brincadeira é divertida e o brinde que ganham por brincar, é tão querido. No fundo essas crianças são muito unidas em suas brincadeiras, com eventuais briguinhas e desavenças. O fato é que elas são muito espertas.

Enquanto todos os adultos ficaram olhando o Papa e sua espetacular visita à maior cidade brasileira, as crianças aproveitaram e tomaram uma decisão. Aumentaram o brinde que recebem por brincarem; agora muito mais valioso. Usaram a velha tática de cortina de fumaça. Essas crianças são danadinhas! Basta deixá-las sem supervisão que aprontam. Mereciam mesmo umas palmadas, uns puxões de orelha. Mas pelo visto os responsáveis por essas crianças terão é de trabalhar mais para bancar esses brindes tão polpudos. Que coisa feia!

sexta-feira, maio 04, 2007

Brasil - “Entre o ônibus em chamas e o caveirão”: em busca da segurança cidadã

Fiquei curioso para saber o conteúdo do relatório da Anistia Internacional sobre a questão da violência no país, mas especificamente as políticas públicas de segurança. Após as críticas do novo secretário de segurança do Estado, José Mariano Beltrame, ao dizer que o relatório faz uma "leitura míope" da situação, essa curiosidade aumentou.

Pois bem, a curiosidade me levou ao site da Anistia Internacional. Li o relatório e, no tocante ao Rio, concordo com o conteúdo. As ditas políticas públicas de segurança de fato não existem, pelo menos não as verdadeiras, aquelas de longo prazo. Que não visam somente a promoção individual (parece que o destino dos secretário do Estado quando não é a Câmara Federal é a Estadual) e sim o bem da população.

Para quem quiser ler o relatório, basta clicar aqui.

quinta-feira, maio 03, 2007

Nota Zero

Depois de todo alvoroço dos primeiros dias, com promessas de choque de gestão na saúde, combate à criminalidade e outros ajustes tão necessários, o que vemos é o caos. Até aí tudo bem.

Os hospitais continuam sem condições de atender a demanda da população, que por sua vez continua sofrendo a cada dia. Os profissionais de saúde fazem os milagres possíveis com recursos tão escassos e seus salários indignos. Pessoas morrem mais e mais nos hospitais por falta de condições básicas de serem atendidas. Isso quando têm a “sorte” de conseguir acesso a tal privilégio, o atendimento.

A segurança parece uma utopia. O número de assaltos aumenta, assim como o de encontros fatais com balas perdidas. Vidas inocentes são dilaceradas cotidianamente. Crianças, jovens, adultos, idosos. Não há idade certa para tragédias como as que vemos, lemos, ouvimos e sofremos todos os dias. Talvez o caso mais emblemático tenha sido o de Edna Ezequiel, moradora do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Num espaço de pouco mais de um mês chorou a morte de sua filha Alana (12 anos) e de seu irmão Hélio. Ambas vítimas das já famosas (e temidas) balas perdidas, expressão infeliz para designar balas que matam inocentes e que a meu ver diminui a responsabilidade do Estado sobre essa tragédia social.

Na educação a tragédia social se repete. Milhares de crianças e jovens estão sem aulas por falta de professores. Há o risco de perder o ano letivo, pois muitas disciplinas não estão sendo ministradas. O motivo básico é falta de gestão e respeito a esse serviço básico tão importante que é a educação. Com isso temos um déficit de professores causado por uma baixa taxa de ingressantes (concursados) e um alto número de aposentadorias, além, é claro, da evasão. Professores ganhando abaixo de R$ 500!!! Estagiários de muitos cursos universitários ganham mais do que isso para trabalhar 4 horas por dia. Exercer uma função tão nobre como a de educador por ideologia, sem nem mesmo ter condições de arcar com despesas de transporte? Isso é querer demais.

E se não fosse o bastante ainda iniciamos o mês de maio com a triste imagem abaixo. A homenagem do nosso querido governador Sérgio Cabral à ex-governadora Rosinha Garotinho — cujo nome foi dado a uma ponte em Campos.

Chegamos, assim, ao fundo do poço. Até agora nota zero, Cabral.

A menina no mercado

Havia uma menina no mercado. Devia ter uns 12 anos. Talvez menos. Estava atrás de mim no caixa. Tinha dois pacotes de macarrão instantâneo n...